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Castor

Castor é um gênero de roedores semi-aquáticos, da família Castoridae, nativo da América do Norte e da Europa, sendo o único gênero ainda existente dessa família, com duas espécies remanescentes: o C. fiber (castor-europeu) e o C. canadensis (castor-americano). Existiu também o castor-de-kellogg, que está extinto desde o Pleistoceno. Todos eles habitam exclusivamente o Hemisfério Norte, excepto alguns castores americanos, que chegaram à região sul-americana da Terra do Fogo, introduzidos artificialmente. Também introduziram-se indivíduos desta espécie em certas regiões da Europa. Com estas exceções, o Castor canadensis habita unicamente a América do Norte, e o Castor fiber em regiões da Europa e da Ásia. O extinto Castor californicus estendia-se pelo que hoje em dia é o oeste dos Estados Unidos. As espécies vivas são muito similares entre si, mas investigações genéticas demonstraram que as populações europeias e norte-americanas são duas espécies, sendo a principal distinção entre elas o diferente número de cromossomas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Morfologia

Os castores são parentes dos esquilos (família Sciuridae), por terem certas características estruturais semelhantes às do crânio e maxilar inferior deste outro roedor. Também estão estreitamente relacionados com um pequeno roedor sul-americano chamado ratão-do-banhado. É o segundo maior roedor do mundo, depois da capivara, e o maior do hemisfério norte. Estes animais continuam a crescer ao longo das suas vidas. O peso médio dos adultos é de 16 kg, e embora os espécimes com mais de 25 kg não sejam comuns, foram encontrados exemplares atingindo 40 kg. As fêmeas, que são o sexo dominante, chegam a ser tão grandes ou até maiores do que os machos da mesma idade, o que é incomum entre os mamíferos. Geralmente medem aproximadamente 30 cm de altura por 75 cm comprimento - sem contar a cauda, que possui cerca de 25 cm de comprimento por 15 cm de largura, todos estes valores, no entanto, variam segundo diferentes fatores, incluindo a espécie e idade do indivíduo.

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Classificação

O gênero Castor é um dos mais de trinta gêneros classificados dentro da família Castoridae. Dado que há mais de 2 200 espécies de roedores, as espécies deste gênero representam aproximadamente do 0,13% do total de espécies que formam a ordem Rodentia. Os castores encontram-se classificados dentro do reino dos animais pelo fato de ser organismos eucariotas, pluricelulares e heterótrofos, com desenvolvimento embrionário e capacidade de locomoção; na filo dos cordados, já que contam com uma notocorda, que é a principal sustentação de seu corpo, e neste caso trata-se da coluna vertebral; dentro da classe dos mamíferos, pois são seres vertebrados, amniotas, de sangue quente, com glándulas mamárias e pelo; na ordem dos roedores, a mais numerosa dos mamíferos, já que contam com dois incisivos em suas mandíbulas superior e inferior, mesmos que se encontram em constante crescimento; e dentro da família Castoridae, a qual inclui aos castores modernos e seus parentes primitivos, todos eles caracterizados por serem semiaquáticos, ter patas traseiras palmeadas e grandes caudas aplanadas e escamosas.

Espécies

O gênero Castor inclui a três espécies: Castor fiber, Castor canadensis e Castor californicus. O castor-europeu (Castor fiber) habita nas regiões frias da Eurásia, principalmente na Rússia. É um pouco menor que seu parente americano. Desde a Antiguidade foram caçados, comprometendo sua sobrevivência. Em alguns países onde antes viviam, como a Espanha e o Reino Unido, foram erradicados devido a esta caçada desmedida, e mesmo que na era moderna a espécie se encontra ligeiramente ameaçada, vai aumentando os esforços realizados para restabelecer suas populações em todo o continente, pelo que a população desta espécie vai aumentando. Calcula-se que seu número esteja em cerca de 600 000 indivíduos. Para colaborar neste projeto de repovoação, alguns organismos, como a União Europeia (UE), e acordos internacionais, como o Convênio sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagem Ameaçadas (CITES), administrado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), se encarregam de proteger a este roedor.

Diferenças entre espécies

Apesar de que o castor europeu e o americano são muito parecidos entre si —tanto que alguns os consideraram variedades de uma mesma espécie—, as duas espécies se diferenciam em alguns aspectos. Algumas destas características são morfológicas, enquanto outras estão relacionadas com seu comportamento. A principal diferença morfológica entre elas se encontra em seus ossos nasais. Outra característica que marca a diferença é o diferente número de cromossomas da cada espécie. Este fato impede que membros de diferentes espécies de castores possam se cruzar entre si. Na seguinte tabela comparam-se as diferenças mais significativas entre as espécies:

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Comportamento

Os castores são essencialmente aquáticos em suas atividades, e nunca viajam por terra a não ser que seja necessário. São animais sociáveis, chegando a formar grupos ou colônias de até doze indivíduos, compostas por um casal e seus filhotes. As famílias pequenas podem viver numa toca sozinha, mas as maiores podem precisar de refúgios adicionais. Quanto maior o isolamento do lugar onde vivem e a abundância de alimentos, maior será a população de castores. Vivem em correntes onde, a fim de conseguir água com suficiente profundidade, constroem diques com lodo e com os troncos e ramos das árvores que derrubam com seus poderosos incisivos. Geralmente escolhem correntes cuja profundidade tenha mais de um metro para iniciar seus trabalhos. No estanque criado constroem suas tocas. Durante a construção, o lodo ou barro é colocado com as patas dianteiras e não, como se costuma crer, com a cauda, a qual é empregada unicamente como timão quando nadam e para se manter em pé quando se apoiam em suas patas traseiras. Para a construção dos diques, que quase sempre os fazem pela noite, os castores transportam o lodo e as pedras com suas extremidades dianteiras e a madeira entre seus dentes. Ao nadar, impulsionam-se com suas extremidades posteriores, que sempre permanecem submergidas, deixando fora da água unicamente sua cabeça, para poder respirar e ver o entorno. Apesar de serem bem mais hábeis nadando que se deslocando por terra, não costumam atingir grandes velocidades; geralmente não superam os 10 km/h.

Defesa territorial

Já que o território no qual habitam é muito importante para os castores, em especial pelo tempo todo que investem construindo nele, costumam-no defender ante as ameaças externas. Se um desconhecido entra no território de uma colônia de castores, o mais certo é que terminem lutando contra ele, em ocasiões até a morte. A forma em que detectam a presença de estranhos é através do olfato; se percebem um cheiro que não lhes é familiar, buscar a fonte do mesmo se torna prioridade, inclusive mais importante que reunir alimentos, e não descansam até a ter achado. Também sabe-se que os castores podem reconhecer os cheiros específicos de outras famílias com as que estão emparentados, em cujo caso os toleram dentro de seu território e não lhes fazem dano; o mesmo sucede com outras espécies que não os prejudicam e cujos cheiros, com o passar do tempo, se voltam familiares para eles.

Alimentação

A dieta dos castores é estritamente herbívora. Alimentam-se do córtex, ramos e folhas das árvores que devastam e das raízes de plantas aquáticas. Ainda que possam ingerir quase todo vegetal comestível que encontrar na margem de um rio ou lago, preferem certos alimentos sobre outros. Observou-se que os castores europeus preferem o córtex e folhas de árvores como salgueiros, betulas e aveleiras, enquanto os castores americanos preferem árvores como sauces, abedules, álamos, cerejeiras, aceres e amieiros, entre outros. Apesar de suas preferências, a dieta de um castor costuma basear-se na disponibilidade de alimentos, pelo que não recusam um alimento ainda que não seja de seus favoritos.

Reprodução

Os castores são capazes de juntar-se em quase qualquer etapa de sua vida, e são monógamos — ainda se sua parceira morrer, podem conseguir outra—. Sua monogamia deve-se principalmente porque, para o correto cuidado das crias, é necessário que ambos os pais colaborem, já que um só não seria capaz das cuidar. Portanto, devem permanecer unidos o tempo todo para que a reprodução tenha sucesso. A época de acasalamento começa quando gelo invernal se derrete, o que acontece aproximadamente em fevereiro. Cada fêmea acasala somente uma vez por ano. O acasalamento costuma realizar-se sob a água, ainda que também possa acontecer na margem do rio ou no estanque onde vive o casal. Após o período de gestação, que dura aproximadamente uns três meses e meio (100 dias), a fêmea dá a luz de 2 a 4 filhotes (ainda que em casos extremos podem ser até 9), os quais nascem já com os olhos abertos e cobertos de pelos. Estes são amamentados durante as primeiras semanas de vida, nas quais permanecem dentro da toca junto com a mãe e as crias da temporada anterior, que têm ao redor de um ano de idade. Os castores de dois anos, seguem vivendo com a família, ajudam à mãe a alimentar e proteger aos recém nascidos. Enquanto isso, o pai castor sai e permanece nas redondezas, cuidando do território. Quando deixam de serem amamentados, a mãe começa a alimentar a suas crias com folhas tenras. Ainda enquanto muito pequenos, as crias se comunicam constantemente e fazem muito ruído, e enquanto vão crescendo tornam-se menos ruidosas, ao começarem a se comunicar com cheiros ou certas atitudes específicas. Um tempo depois, geralmente com um mês de idade, os jovens começam a mover-se pelo exterior da toca, ainda que seguem sendo bastante dependentes de seus pais, já que são eles quem lhes seguem administrando alimento e proteção por cerca de um ano. Durante este período, aprendem algumas valiosas habilidades ao copiar o comportamento dos castores adultos, mesmo que ainda não tomam parte nos trabalhos de construção e outras atividades. Quando os jovens atingem a maturidade sexual, o que costuma acontecer a partir dos dois anos de idade, podem se separar da colônia e formar a sua própria colônia. Porém, se é uma época de escassez de alimentos, seca ou há uma alta densidade de população, podem adiar sua partida, já que estes fatores reduzem suas possibilidades de estabelecer exitosamente uma colônia. Quando finalmente decidem se separar, não costumam se estabelecer em um ponto muito longe do seu lugar de nascimento.

Sinal de alerta

Dado que passam a maior parte do tempo na água ou na segurança de suas tocas, os castores têm poucos depredadores. Seus principais inimigos são os lobos e os seres humanos, seguidos pelos ursos e linces. Para proteger-se deles, os castores dependem de seus sofisticados sentidos da audição e do olfato, bem como do aviso de seus companheiros. Desta forma, quando um castor que se encontra na água se assusta, este submerge rapidamente ao impulsionar-se energicamente com seu rabo. Isto produz uma sonora palmada, audível sobre e em baixo da água, a qual é tão forte que pode ser percebida por um humano num raio de 100 metros. Este sinal serve como advertência para os demais castores na área. Uma vez que um castor efetuou este sinal de alerta, todos os castores nas redondezas se submergem e não voltam a sair por um momento. Também podem efectuar este sinal ante a presença de ruídos ou cheiros desconhecidos. É mais provável que um castor responda os sinais efetuados por castores maiores que os efectuadas por castores jovens, devido a que estes últimos ainda não aprenderam quando devem efetuar o sinal e quando não, além de que produzem um som diferente por ter caudas menores.

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Distribuição geográfica

O nome de cada espécie de castor faz referência ao continente em que habitam. O castor europeu (Castor fiber), como seu nome o indica, vive na Europa, ainda que também pode-se encontrar em algumas regiões da Ásia. Entre os países com maiores populações desta espécie destacam-se a Rússia, Polônia, Ucrânia, Bielorrússia, Cazaquistão e os países escandinavos, ainda que estendem-se até nações tão distantes como França e Mongólia. No passado chegaram a habitar em quase toda a Eurásia, incluindo todo o território entre as Ilhas Britânicas e a Rússia. Desde a era pré-histórica e até pelo menos o século VI, esta espécie podia-se-lhe encontrar nos rios do norte da Península Ibérica, principalmente o Douro e o Ebro. No entanto, já que suas peles e o castóreo eram artigos muito cobiçados, foi caçado em todo o continente, pondo em sério risco a sua sobrevivência; na Grã-Bretanha, por exemplo, estes animais extinguiram-se no século XVI. Mais adiante, no século XIX, já encontravam-se somente em algumas regiões pantanosas da Alemanha, Bielorrússia, Noruega, Rússia e Mongólia. Atualmente está sendo reintroduzido em muitas partes do continente.

Introduções

A fim de elevar seu número, liberaram-se especímes de Castor fiber ao longo de toda Europa, em especial em países onde antes costumavam habitar ou seguem habitando mas suas populações diminuíram. Por exemplo, em outubro de 2005, seis castores europeus foram liberados no condado de Gloucestershire na Grã-Bretanha, e planejam-se mais reintroduções na Escócia e no País de Gales. Na Espanha, devido a sua reintrodução que se levou a cabo de forma clandestina e sem planejamento, não foi recebida com total agrado por alguns, incluído o Ministério do Meio Ambiente daquela nação. Sua libertação em outros países, não obstante, foi exitosa; um exemplo disso são suas introduções na Alemanha, especificamente na Baviera, nos Países Baixos e na Sérvia. Também regressaram aos bancos do rio Morava, na Eslováquia e a República Checa.

Conservação em cativeiro

No passado, aproximadamente em meados do século XX, quando as populações de castores europeus tinham diminuído drasticamente devido à caça, se começaram a conservar alguns espécimenes de castores em cativeiro para que se reproduzissem e mais tarde fossem liberados na natureza, a fim de restabelecer suas colônias. Estas conservações em cativeiro realizaram-se em vários países europeus, por exemplo, na Suíça. Ao ir-se recuperando as populações, as liberações tornaram-se menos necessárias, pelo que agora só se conservam castores em cativeiro para seu estudo e exibição, como acontece nos jardins zoológicos. Ao estar em cativeiro, os castores seguem tendo a necessidade de viver em grupos. Precisam de um recinto que tenha uma parte de terra e outra de água, a cada uma de extensão considerável (não menos de 50 m²), e a água deve ter profundidade suficiente. Permanecem todo o ano ao ar livre, ainda que, em substituição de suas tocas, devem contar com lugares nos que possam refugiar-se no inverno.

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Habitat

Os castores habitam nas zonas ribeirinhas, e predominantemente em regiões frias. O costume destes animais durante centenas de milhares de anos em seu habitat natural foi manter saudáveis e em bom estado os ecossistemas aquáticos em que vivem, ainda que para um observador humano, vendo todas as árvores devastadas, em ocasiões pode parecer que estão fazendo justamente o contrário. Na realidade o castor é uma espécie que trabalha como peça importante em seu ecossistema ao criar zonas úmidas que são úteis para muitas outras espécies. Após os humanos, nenhum outro animal modifica tanto o meio que o rodeia como o castor.

Diques

Os diques são construídos pelos castores para proteger-se dos predadores, tais como coiotes, lobos e ursos, e para poder ter acesso fácil e seguro à comida durante o inverno. Por outro lado, a função primordial desta barreira é deter o fluxo da corrente, a fim de criar uma represa com águas tranquilas onde os castores possam construir sem dificuldades suas tocas. Com frequência, os castores constroem um dique menor rio acima para diminuir a força da corrente e assim reduzir a pressão que exerce esta sobre a toca. Costumam dar manutenção a todas as estruturas, com o que pouco a pouco vão aumentando de tamanho. Os castores podem reconstruir seus diques principais em decorrência de uma noite, ainda que podem não defender os diques secundários tão vigorosamente. Os castores são famosos por construírem diques muito longos. O mais longo que se conhece foi descoberto perto de Three Forks, Montana, e media cerca de 652 m de comprimento, 4 m de altura e 7 m de grossura na base. Também sabe-se que estes longos diques costumam ser obra de só umas poucas famílias de castores aparentadas, e a cada família não costuma passar dos dez membros. Porém, os diques pelo geral não medem mais de 1,5 m de altura e uns 3 m de largura na base, se fazendo mais estreitos para a parte superior. O comprimento do dique geralmente depende da corrente do rio. Além de longos, costumam ser muito resistentes, pois podem suportar o peso de uma pessoa.

Tocas

Os diques bem mantidos bloqueiam a corrente de água, criando desta forma uma profunda represa que ajuda a isolar o lar dos castores: sua toca, conhecida também como cabana, uma estrutura de forma cônica onde a família de castores vive, e que é construída também com ramos e lodo, além de musgo e plantas. As entradas da toca encontram-se sob a água para evitar que fiquem bloqueadas quando a superfície da represa se congelar e para fazer quase impossível a entrada de outros animais (ainda que se encontraram ratos-almiscarados vivendo dentro de tocas junto com os castores que as construíram). A toca em si consiste numa câmara principal, de até um metro de altura, cujo solo está ao nível da água e a onde chegam as entradas desde o exterior, que pelo geral são duas: a primeira, reta e inclinada, é usada para levar madeira ao interior, e a segunda, que desce à água de forma mais direta, é utilizada só para entrar e sair. Justamente fora da primeira entrada, os castores mantêm armazenada sua reserva de comida para o inverno. Na verdade a toca costuma ter o andar a dois níveis diferentes como medida de proteção em caso que se eleve o nível da água durante o degelo de primavera. Apesar de que o ar se filtra através das paredes, também é comum que tenha uma seção mais aberta no teto que sirva para ventilar o interior e facilitar a entrada do ar.

Canais

Os castores são muito ágeis e relativamente velozes quando estão na água. Por outro lado, ao deslocar-se por terra são bem mais lentos. Isto lhes dificulta a tarefa de levar os materiais que utilizam para a construção de seus diques e tocas, especialmente troncos e ramos, até a represa onde vivem. Por isso, é comum que os castores construam canais de água que conectem a lagoa com a fonte de recursos que utilizam, por exemplo, um grupo de árvores. Graças aos canais, podem chegar nadando até o ponto desejado, e transportar os materiais à represa do mesmo modo. Desta forma, reduzem significativamente as distâncias que devem percorrer por terra, e portanto agilizam o seu trabalho. Estes canais medem aproximadamente 1 m de largura por 1 m de altura, e podem chegar a medir até 100 m de comprimento.

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Utilidade comercial

As peles de castor eram trocadas pelos nativos americanos no século XVII para conseguir bens europeus. Depois eram enviadas a Grã-Bretanha e França, onde eram convertidas em prendas. A extensa caçada e captura de castores pôs em perigo sua sobrevivência. Porém, chegou um momento em que o comércio de peles decaiu devido a sua demanda decrescente em Europa e à utilização dos terrenos de caça para apoiar ao setor agrícola em auge. Posteriormente se daria um pequeno ressurgimento na caçada de castores em algumas áreas onde tinha superpopulação destes animais; ainda que pelo geral a captura só se realiza quando a pele é valiosa, normalmente o resto do animal também se utiliza como alimento para outros animais. A única pele na América do Norte que superava à do castor em valor comercial era a da raposa vermelha, a qual se dizia que era mais de quarenta vezes valiosa. Tanto os testículos de castor como o castóreo, uma secreção oleosa e amarga com um cheiro ligeiramente fétido contida nos folículos vaginais (fêmeas) ou prepuciais (machos) dos castores, foram artigos utilizados na medicina tradicional. Na medicina yupik (inuítes) usavam-se testículos secos de castor para aliviar a dor. Os testículos de castor eram exportados desde o Levante (uma região onde atualmente se encontram países como Israel e Síria) entre os séculos X e XIX. Claudio Eliano, um autor romano, descreveu que os castores se arrancavam a mordidas os testículos, seus órgãos mais valiosos, para que os caçadores não se interessassem em os matar. Os castores europeus foram caçados levando-os à beira da extinção, em parte para a obtenção do castóreo, que era usado como analgésico, anti-inflamatório e antipirético. Os romanos inclusive atribuíam-lhe propriedades abortivas à substância. Também se descreveu que o castóreo pode se usar contra a dismenorreia e condições histéricas —referentes ao útero—, já que eleva a pressão sanguínea e incrementa o ritmo cardíaco. Os efeitos que o castóreo produz foram creditados à acumulação de salicilina que os castores recebem dos salgueiros que compõem sua dieta, substância que se transforma em ácido salicílico e actua de forma muito similar à aspirina. Na natureza, os castores utilizam o castóreo para marcar seu território, ainda que também o podem usar para engordurar sua pelagem a fim de se proteger dos ataques e agressões externas. O castóreo também se chegou a usar na fabricação de chicles, e continua sendo utilizado na fabricação de perfumes; diz-se que foi Nostradamus quem descobriu que esta substância atuava como fixador de cheiros, propriedade que se aproveitou para fazer aos perfumes mais perduráveis. No entanto, na atualidade a utilização deste tipo de substâncias está muito controlada, pois tem-se em conta a sobrevivência das espécies.

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Influência cultural

A cultura popular ocidental costuma representar a estes animais de forma positiva, como personagens bondosos e trabalhadores.

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Fontes consultadas

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