Bullying
Bullying (inglês), também chamado de intimidação sistemática, intimidação vexatória, violência escolar e bulimento, é o uso de força física, ameaça ou coerção para abusar, intimidar ou dominar agressivamente outras pessoas de forma frequente e habitual. Um pré-requisito é a percepção, pelo intimidador ou por outros, de um desequilíbrio de poder social, político ou físico, o que distingue o bullying do conflito. Os comportamentos usados para afirmar dominação podem incluir assédio verbal ou ameaça, abuso físico ou coerção, e tais atos podem ser direcionados repetidamente contra alvos específicos. As justificativas para tal comportamento às vezes incluem diferenças de classe social, raça, religião, gênero, orientação sexual, aparência, comportamento, linguagem corporal, personalidade, reputação, linhagem, força, tamanho ou habilidade. O bullying feito por um grupo de pessoas, é chamado assédio moral.
Na língua inglesa, bullying é um substantivo derivado do verbo bully, que significa "machucar ou ameaçar alguém mais fraco para forçá-lo a fazer algo que não quer". O termo com esta definição foi proposto após o Massacre de Columbine, ocorrido nos Estados Unidos no ano de 1999, pelo pesquisador sueco-norueguês Dan Olweus, a partir do gerúndio do verbo inglês to bully (que tem acepção de "tiranizar, oprimir, ameaçar ou amedrontar") para definir os valentões que, nas escolas, procuram intimidar os colegas que tratam como inferiores. O bullying é um termo utilizado para descrever vários tipos de violência nas escolas.
Devido ao fato de ser um fenômeno que só recentemente ganhou mais atenção, o assédio escolar ainda não possui um termo específico consensual, sendo o termo em inglês bullying constantemente utilizado pela mídia de língua portuguesa. Existem, entretanto, alternativas como acossamento, ameaça, assédio e intimidação, além dos mais informais judiar e implicar, além de diversos outros termos utilizado pelos próprios estudantes em diversas regiões. No Brasil, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa indica a palavra "bulir" como equivalente a "mexer com, tocar, causar incômodo ou apoquentar, produzir apreensão em, fazer caçoada, zombar e falar sobre, entre outros". Por isso, são corretos os usos dos vocábulos derivados, também inventariados pelo dicionário, como bulimento (o ato ou efeito de bulir) e bulidor (aquele que pratica o bulimento). Incluído na proposta de reforma no Código Penal brasileiro, foi tipificado primeiramente sob a denominação de "intimidação escolar" e depois preferiu-se "intimidação vexatória", por a escola não ser o único local de ocorrência. Já a lei federal brasileira n. 13.185/2015 refere-se ao bullying como "intimidação sistemática"..
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Não há uma definição universal de bullying, no entanto, é amplamente aceito que o bullying é uma subcategoria de comportamento agressivo caracterizada pelos três critérios mínimos a seguir: (1) intenção hostil, (2) desequilíbrio de poder e (3) repetição sobre um período de tempo. Dan Olweus diz que o bullying ocorre quando uma pessoa é "exposta, repetidamente e ao longo do tempo, a ações negativas por parte de uma ou mais pessoas". Ele diz que as ações negativas ocorrem "quando uma pessoa intencionalmente inflige dano ou desconforto a outra pessoa, através de contato físico, através de palavras ou de outras formas". O bullying individual é geralmente caracterizado por uma pessoa se comportando de uma certa maneira para assim obter poder sobre outra pessoa.
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O bullying (violência) individual pode ser classificado em quatro tipos, enquanto o bulling coletivo ou assédio moral pode incluir um ou mais tipos de bullying. O bullying físico, o verbal e o relacional são mais encontrados na época da escola primária e mesmo antes desse período, continuando nos estágios posteriores da vida dos indivíduos. O cyberbullying é mais comum na escola secundária
Individual
As táticas de bullying individual podem ser perpetradas por uma única pessoa contra um ou mais alvos. O bullying físico ou violência física nas escolas é qualquer tipo de bullying que contém agressão ao corpo de alguém ou que danifica seus pertences. Roubar, empurrar, bater, lutar e destruir pertences são tipos de bullying físico. O bullying físico raramente é a primeira forma de bullying que um alvo experimenta, na maioria das vezes o bullying começa de forma diferente e depois evolui para a violência física. No bullying físico, a arma principal usada pelo agressor é seu corpo ao atacar seu alvo. Às vezes, grupos de jovens adultos visam a intimidar um colega por causa de algum preconceito adolescente. Isso pode rapidamente levar a uma situação em que a vítima é insultada, torturada e espancada por seus colegas. O bullying físico, muitas vezes, se agrava com o tempo e pode levar a um final trágico e, portanto, deve ser interrompido rapidamente para evitar qualquer escalada.
Coletivo
O assédio moral refere-se ao bullying moral (violência moral nas escolas) de um indivíduo por um grupo de pessoas, em qualquer contexto, como família, escola, local de trabalho, bairro e/ou comunidade, ou online. Quando o assédio moral ocorre no local de trabalho, os alvos são, geralmente, aqueles percebidos como "diferentes" da norma organizacional. Geralmente, as vítimas são competentes, educadas, resilientes, sinceras, desafiam o status quo, são mais empáticas ou atraentes e tendem a ser mulheres, com idades entre 32 e 55 anos. Os alvos também podem ser racialmente diferentes ou fazer parte de um grupo minoritário.
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Agressor
Estudos mostram que a inveja e o ressentimento podem ser motivos para o bullying. Pesquisas sobre a autoestima de agressores produziram resultados ambíguos. Enquanto alguns agressores são arrogantes e narcisistas, eles também podem usar o bullying como uma ferramenta para esconder vergonha ou ansiedade ou para aumentar a própria autoestima: ao humilhar outros, o agressor se sente fortalecido. Os agressores podem intimidar por inveja ou porque eles próprios se sentem intimidados. O psicólogo norte-americano Roy Baumeister afirma que as pessoas propensas a comportamentos abusivos tendem a ter egos inflados, mas frágeis. Por pensarem muito em si mesmos, frequentemente ficam ofendidos pelas críticas e pela falta de deferência de outras pessoas, e reagem a esse desrespeito com violência e insultos.
Espectadores típicos
Muitas vezes, o bullying ocorre na presença de um grande grupo de espectadores relativamente não envolvidos. Em muitos casos, é a capacidade do agressor de criar a ilusão de que ele ou ela tem o apoio da maioria presente que infunde o medo de protestar contra as atividades de bullying observadas pelo grupo. A menos que a "mentalidade de valentão" seja efetivamente desafiada em qualquer grupo em seus estágios iniciais, ela, geralmente, se torna uma norma aceita dentro do grupo. A menos que uma ação seja tomada, uma "cultura de intimidação" é, frequentemente, perpetuada dentro de um grupo por meses, anos ou mais. Além da comunicação de expectativas claras de que os espectadores deveriam intervir, há uma pesquisa crescente que sugere que as intervenções devem basear-se no fundamento de que o bullying é, moralmente, errado.
Vítimas
Cook diz que "Uma vítima típica provavelmente é agressiva, carece de habilidades sociais, pensa em pensamentos negativos, experimenta dificuldades em resolver problemas sociais, vem de ambientes familiares, escolares e comunitários negativos e é notoriamente rejeitada e isolada pelos colegas". As vítimas, geralmente, têm características como serem física e mentalmente fracas, além de serem facilmente perturbadas emocionalmente. Eles também podem ter características físicas que os tornam alvos mais fáceis para os agressores, como excesso de peso ou algum tipo de deformidade física. Os meninos são mais propensos a serem vítimas de bullying físico, enquanto as meninas são mais propensas a sofrer bullying indireto.
O assédio moral no local de trabalho ocorre quando um funcionário experimenta um padrão persistente de maus tratos de outras pessoas no local de trabalho o que lhe causa danos. O assédio moral no local de trabalho pode incluir táticas como abuso verbal e não-verbal, abuso psicológico, abuso físico e humilhação. Esse tipo de agressão no local de trabalho é particularmente difícil porque, ao contrário das formas típicas de bullying escolar, os agressores do local de trabalho geralmente operam dentro das regras e políticas estabelecidas da sua organização e sociedade. O bullying no local de trabalho é na maioria dos casos relatados como tendo sido perpetrados por alguém em autoridade sobre o alvo. No entanto, os agressores também podem ser colegas e, ocasionalmente, podem ser subordinados. O bullying na academia é o assédio moral a funcionários e pesquisadores no trabalho acadêmico, especialmente locais de ensino superior, como faculdades e universidades. Acredita-se ser comum, embora não tenha recebido tanta atenção de pesquisadores quanto o bullying em outros contextos.
Bullying contra pessoas com deficiência
Foi observado que as pessoas com deficiência são mais afetadas por bullying e abusos, e tal atitude tem sido citada como um crime de ódio. O bullying não se limita àqueles que têm deficiências visíveis, como cadeirantes e pessoas com alterações físicas (ex.: fissura labial), atingindo também aquelas pessoas com dificuldades de aprendizagem, socialização e comunicação, como autistas, e pessoas com transtorno de coordenação do desenvolvimento.
Escolas
O bullying comum em escolas é denominado Assédio Moral Infantojuvenil (AMI) ou Bulimento, um anglicismo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. O bullying é um problema mundial, sendo que a agressão física ou moral repetitiva deixa sequelas psicológicas na pessoa atingida. Em 20 por cento dos casos, o praticante de bullying também é vítima. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida. Os ataques de bullying podem ocorrer também no espaço virtual. Ao propiciar o anonimato do agressor, a Internet acaba, por vezes, incentivando uma maior desinibição de conduta e um desrespeito à ética, tornando-se cenário de insultos, campanhas vexatórias, vazamento de imagens constrangedoras e outras práticas planejadas por um ou mais indivíduos com a intenção de atingir negativamente o outro.
Homossexuais
Assédio moral contra homossexuais e ataques contra homossexuais designam abusos verbais ou físicos diretos ou indiretos de uma pessoa ou grupo contra alguém que é guei ou lésbica, ou percebido como tal devido a rumores ou porque são considerados se encaixarem em estereótipos gays. Os jovens gays e lésbicas são mais propensos do que os jovens heterossexuais a denunciar o bullying.
Militar
Em 2000, o Ministério da Defesa (MOD) do Reino Unido definiu o assédio como: "... o uso de força física ou abuso de autoridade para intimidar ou vitimizar outros, ou para infligir castigos ilícitos". Todavia, é afirmado que o assédio militar ainda está protegido contra investigações abertas. O caso das Deepcut Barracks, no Reino Unido, é um exemplo de recusa do governo de conduzir um inquérito público completo quanto a uma possível prática de assédio escolar militar. Alguns argumentam que tal comportamento deveria ser permitido por causa de um consenso acadêmico generalizado de que os soldados são diferentes dos outros postos. Dos soldados, se espera que estejam preparados para arriscarem suas vidas, e alguns acreditam que o seu treinamento deveria desenvolver o espírito de corpo para aceitar isto.
Pais contra filhos
Pais que podem deslocar sua raiva, insegurança, ou uma necessidade persistente de dominar e abusar de seus filhos de maneira excessiva, provaram aumentar a probabilidade de que seus filhos tornam-se excessivamente agressivos ou controladores de seus pares. A American Psychological Association aconselha, em seu website, que pais que suspeitam que seus próprios filhos podem estar envolvidos em atividades de bullying entre seus pares devem considerar cuidadosamente os exemplos que eles mesmos podem estar transferindo aos seus próprios filhos em relação a como eles normalmente interagem com seus colegas, amigos e filhos.
Bullying sexual
O bullying sexual é "Qualquer comportamento de bullying, seja físico ou não físico, baseado na sexualidade ou no gênero de uma pessoa. É quando a sexualidade ou o gênero é usado como arma por meninos ou meninas contra outros meninos ou meninas - embora seja mais comumente dirigido às meninas. Pode ser realizado na presença da vítima, por boatos ou através do uso de tecnologia (redes sociais, e-mails etc.)". O bullying sexual também pode ocasionar assédio sexual, agressão sexual, ou mesmo estupro.
Brasil
No Brasil, o ato pode levar os jovens infratores à aplicação de medidas socioeducativas. De acordo com o código penal brasileiro, a negligência com um crime pode ser tida como uma coautoria. Na área cível, os pais dos bullies podem, pois, ser obrigados a pagar indenizações, e pode haver processos por danos morais. Um das referências sobre o assunto, no Brasil, é um artigo escrito pelo ministro Marco Aurélio Mello, intitulado "Bullying — aspectos jurídicos". A legislação jurídica do estado brasileiro de São Paulo define "assédio escolar" como "atitudes de violência física ou psicológica que ocorrem sem motivação evidente, praticadas contra pessoas com o objetivo de intimidá-las ou agredi-las, causando dor e angústia".
Condenações legais
Dado que a cobertura da mídia tem exposto o quão disseminada é a prática do assédio escolar, os júris estão agora mais inclinados do que nunca a se simpatizarem com as vítimas. Em anos recentes, muitas vítimas têm movido ações judiciais diretamente contra os agressores por "imposição intencional de sofrimento emocional" e incluindo suas escolas como acusadas, sob o princípio da responsabilidade conjunta. Vítimas norte-americanas e suas famílias têm outros recursos legais, tais como processar uma escola ou professor por falta de supervisão adequada, violação dos direitos civis, discriminação racial ou de gênero ou assédio moral. No Brasil, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realizada em 2009 revelou que quase um terço (30,8 por cento) dos estudantes brasileiros informou já ter sofrido bullying, sendo maioria das vítimas do sexo masculino. A maior proporção de ocorrências foi registrada em escolas privadas (35,9 por cento), ao passo que, nas públicas, os casos atingiram 29,5 por cento dos estudantes. Outra pesquisa no país realizada em 2010 com 5 168 alunos de 25 escolas públicas e particulares revelou que as humilhações típicas do bullying são comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. Entre todos os entrevistados, pelo menos 17 por cento estão envolvidos com o problema - seja intimidando alguém, sendo intimidados ou os dois. A forma mais comum é a cibernética, a partir do envio de e-mails ofensivos e difamatórios em sites de relacionamento como o Orkut.
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Ignorar o bullying, muitas vezes, não faz nada para impedir que ele continue, e ele pode se tornar pior com o tempo. É importante abordar o bullying desde o início que acontece, pois pode ser mais fácil controlá-lo. Os espectadores desempenham um papel importante na resposta ao bullying, já que não fazer nada pode incentivá-lo a continuar, enquanto pequenos passos que se opõem ao comportamento podem reduzi-lo. Figuras de autoridade podem desempenhar um papel importante, como pais em situações de crianças ou adolescentes, ou supervisores, pessoal de recursos humanos ou veteranos no ambiente de trabalho e trabalho voluntário. Os valores de autoridade podem influenciar o reconhecimento e a interrupção do comportamento de intimidação e a criação de um ambiente em que ele não continue. Em muitas situações, no entanto, as pessoas que atuam como figuras de autoridade são destreinadas e desqualificadas, não sabendo como reagir, o que pode piorar a situação. Em alguns casos, a figura de autoridade apoia as pessoas que praticam o bullying, facilitando sua continuidade e aumentando o isolamento e a marginalização do alvo. Algumas das formas mais eficazes de responder são reconhecer que está ocorrendo um comportamento prejudicial e criar um ambiente onde ele não continuará.
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Bulicídio é uma palavra-valise atribuída à morte de uma pessoa devido ao bullying ou cyberbullying, seja ela um suicídio ou assassínio. O termo foi primeiramente utilizado em 2001 por Neil Marr e Tim Field, no livro Bullycide: Death at Playtime.


