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As Filhas da Mãe

As Filhas da Mãe é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 27 de agosto de 2001 a 18 de janeiro de 2002, em 125 capítulos. Substituiu Um Anjo Caiu do Céu e foi substituída por Desejos de Mulher, sendo a 62ª "novela das sete" exibida pela emissora.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Enredo

Na década de 60, Lucinda foi ludibriada, e trocou o amor de Arthur pelos falsos galanteios de Fausto, que passava a imagem de bom moço, mas na verdade era um grande pilantra. Após matar, em legítima defesa, um homem que tentou estuprá-la, ela teve que deixar o Brasil quando o próprio marido ameaçou incriminá-la pelo ocorrido para tomar posse dos seus bens. Em Hollywood, e sob o nome de Lulu de Luxemburgo, ela despontou como uma grande diretora de cinema, sendo premiada oito vezes com o Óscar. Após 35 anos, Lulu finalmente pôde voltar ao Brasil, ao lado da fiel assistente Milagros. Então descobre que seu ex-marido desapareceu misteriosamente após aplicar um golpe nos sócios, Arthur e Manolo Gutierrez. Porém ela terá que ficar cara-a-cara com suas três filhas, as quais ela abandonou nos primeiros anos de vida, e que só pensam em dinheiro. Alessandra, a mais nova, sempre sonhou em se tornar uma grande escritora, mas nunca teve criatividade para desenvolver algo concreto, gastando todo o dinheiro que tinha durante os anos que morou em Roma. Tatiana, a irmã do meio, também não conseguiu se tornar diretora e, igualmente, gastou cada centavo, tendo passado os últimos anos trabalhando como vendedora de pipoca em Londres. Já a estilista de moda Ramona, a mais velha, nasceu Ramon e se descobriu transexual, mudando-se para Paris, onde fez a cirurgia de redesignação sexual sem que as irmãs soubessem, guardando o segredo até o dia de reencontrá-las. A vida delas vem abaixo quando elas descobrem que existe uma quarta herdeira, fruto de um relacionamento secreto do pai, Rosalva, uma pernambucana simples que nem imagina quem é o pai e que sua vida está prestes a mudar. Abalada com a morte do marido caminhoneiro Edmilson, e pela descoberta das inúmeras traições dele, ela cria com muito custo os quatro filhos: Pedro, Zeca, Amanda e Joana. Esta treina para ser boxeadora, contra a vontade da mãe, e desperta o interesse de Diego, filho de Manolo e o desgosto de sua vida, uma vez que o pai queria que ele lutasse boxe, mas o garoto sonha mesmo em se tornar estilista, chegando a trabalhar no ateliê de Ramona.

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Produção

A novela marcaria o retorno de Silvio de Abreu ao horário das 19 horas, após um período apenas trabalhando com novelas das nove. O horário das sete o consagrou na década de 1980 com comédias românticas e ambientadas na cidade de São Paulo. Sílvio tentou repetir a fórmula que, além de o tornar nacionalmente reconhecido, consolidou o horário como destinado a comédias leves e urbanas. Originalmente a novela se chamaria A Incrível Batalha das Filhas da Mãe no Jardim do Éden, porém a direção considerou-a muito longa, abreviando para Filhas da Mãe no Jardim do Éden e, posteriormente, apenas As Filhas da Mãe, utilizando o original como subtítulo na abertura. Miguel Falabella escreveria a novela junto com Silvio de Abreu, uma vez que o projeto era focado na comédia e ele tinha uma vasta experiência no gênero, porém o autor teve que desistir da co-autoria quando Sai de Baixo foi solicitada para mais duas temporadas.

Cenografia e figurinos

O figurino da personagem de Fernanda Montenegro foi inspirado na famosa colecionadora de arte Peggy Guggenheim, que marcou época com visuais exóticos. Já o personagem de Tony Ramos teve o visual inspirado em uma mistura de Elvis Presley com o fator latin lover de Rudolph Valentino, enquanto Lavínia Vlasak usava peças sessentistas inspiradas nas clássicas peças românticas de Audrey Hepburn e nas coleções do estilista Hubert de Givenchy; Raul Cortez teve peças mais clássicas e sóbrias referenciadas pelos visuais refinados de Fred Astaire; Alexandre Borges incorporou não só o figurino, mas a personalidade sedutora de John F. Kennedy, Jr.; já Patricya Travassos apresentou uma mistura de cores latinas e floridas inspirada na pintora Frida Kahlo e na atriz Carmen Miranda.

Escolha do elenco

Luiz Fernando Guimarães foi convidado para interpretar Manolo, porém o ator optou por protagonizar o sitcom Os Normais, passando o personagem para Tony Ramos. Sílvio escreveu a personagem Dagmar especialmente para Cláudia Jimenez, que só aceitou interpretá-la após confirmar que Miguel Falabella não seria co-autor, uma vez que os dois tinham uma relação estremecida na época. A direção quis aproveitar o sucesso do casal formado por Priscila Fantin e Mário Frias – ele era o campeão de cartas da emissora – em Malhação e escalou-os novamente como principal par romântico jovem da trama. Após o término de As Filhas da Mãe, a atriz Andréa Beltrão ficou afastada das novelas por 20 anos, realizando apenas seriados como A Grande Família e Tapas e Beijos. Seu retorno se deu em 2021/2022 na novela "Um Lugar ao Sol"

Curiosidades

As Filhas da Mãe estreou no mesmo dia que a novela Pícara Sonhadora do SBT, em 27 de agosto de 2001.

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Controvérsias

Classificação indicativa

O Ministério da Justiça tentou bloquear a novela de ser exibida antes das 20h, alegando que a temática da transexualidade era muito delicada para se tratar em um horário assistido por crianças e adolescentes. Cláudia Raia, intérprete da personagem, considerou a decisão discriminatória com as transexuais, uma vez que a personagem nem sequer abordaria a redesignação sexual ou temáticas sobre sexo, alegando que programas com alto teor sexual cisgênero eram exibidos livremente em qualquer horário: "É uma hipocrisia só. Todos os domingos a gente vê bundas em profusão na tevê e ninguém fala nada. Ramona é a mocinha. É como se ela fosse a Regina Duarte da novela". Pouco tempo antes da estreia, a novela foi liberada para o horário.

Declarações contra as classes D e E

A recepção desastrosa de As Filhas da Mãe fez com que o autor Silvio de Abreu fizesse declarações públicas controversas. Durante entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Silvio alegou que a baixa audiência da novela devia-se às classes D e E, que não se preocupavam em opções de qualidade: "O que para as classes A e B é estimulante e positivo, para a D é incompreensível: todo o "feedback" que eu tinha de conhecidos era de que a novela era uma maravilha, quando vi as pesquisas, caí do cavalo. O problema da TV é que quem manda na audiência é uma maioria que só busca entretenimento, uma imensidão de gente que consome sandalinha, biscoito, cerveja e móveis pagos em 538 prestações". Além disso, autor também alegou que seu texto era muito sofisticado para uma população com baixo nível intelectual: "Eu queria fazer algo mais sofisticado, o público não entendia nada da novela. Não sabem o que é Óscar, Hollywood ou transexual, não têm referências, e, mesmo que eu explicasse, continuariam não entendendo. Não há compreensão intelectual". Logo após o fim da novela, Silvio preparou um workshop para discutir metodos de trabalho sobre o controverso tema de "Como aumentar a audiência sem apelar para o populacho". As declarações do autor contrastavam, ironicamente, com a exibição da "novela das oito" Porto dos Milagres na mesma época, pautada em personagens humildes e temáticas extremamente populares e fora do luxo, cuja audiência batia os 65 pontos.

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Audiência

O primeiro capítulo marcou 38 pontos, com picos de 42, mantendo a média da estreia da telenovela anterior, Um Anjo Caiu do Céu. Porém, logo nos primeiros dias a trama começou a perder audiência, fechando a primeira semana com 32 pontos de média, cinco a menos que a novela anterior e dez a menos do que Uga Uga marcava um ano antes. As Filhas da Mãe sofreu perda de audiência causada por fatos ocorridos, que fizeram com que a novela perdesse público para os programas policiais exibidos por outras emissoras no mesmo horário. Logo no segundo dia da novela, deu-se o desfecho do sequestro de Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, o que fez com que os telespectadores migrassem para os programas policiais exibidos pelo SBT e RecordTV. Na terceira semana de exibição da novela aconteceram os Ataques Terroristas de 11 de Setembro nos Estados Unidos, aí as atenções se voltaram para esse acontecimento, que contribuiu novamente para a queda da audiência da novela.

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Exibição

Imagem: Daniel Chaves · BY-NC-ND · Openverse

Reprises

O compacto da novela foi exibido em 5 capítulos dentro do programa Vídeo Show no quadro Novelão, entre 4 de março a 8 de março de 2013. A novela foi reapresentada pela Globo Portugal de 28 de agosto de 2023 a 20 de janeiro de 2024.

Outras Mídias

Nunca reprisada, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay em 27 de outubro de 2025, como parte do Projeto Resgate.

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Música

Nacional

A primeira trilha sonora da telenovela foi lançada em setembro de 2001 pela Som Livre, mesclando músicas do repertório nacional com do internacional e trazendo na capa o logo de abertura.

Internacional

A segunda trilha sonora da telenovela foi lançada em 18 de setembro de 2001 pela Som Livre, mesclando músicas do repertório nacional com do internacional e trazendo Reynaldo Gianecchini estampando a capa.

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Fontes consultadas

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