Aryon Rodrigues
Aryon Dall'Igna Rodrigues foi um linguista brasileiro, considerado um dos mais renomados pesquisadores de línguas indígenas brasileiras, tanto no Brasil como no exterior.
Primeiro brasileiro a obter o título de Doutor em Linguística (Universidade de Hamburgo, Alemanha, 1959), Aryon Rodrigues foi convidado por Darcy Ribeiro para organizar a primeira pós-graduação em Linguística no Brasil, na recém-criada Universidade de Brasília (UnB). Aryon desligou-se da UnB após o Golpe de 1964, em solidariedade aos colegas demitidos e perseguidos pelos militares, passando a atuar na UFRJ e, posteriormente, na UNICAMP. Ao longo de sua carreira, que se estendeu por praticamente sete décadas, se dedicou à análise e documentação de várias línguas, como o xetá e o tupinambá, da família tupi-guarani (tronco tupi), e o quipeá, da família cariri (tronco macro-jê), além da formação de dezenas de novos linguistas, por meio da orientação de teses e dissertações em universidades como a Unicamp e a Universidade de Brasília (UnB), onde atuou até falecer. Além de trabalhos de linguística descritiva e teórica, Rodrigues dedicou-se ao estudo histórico-comparativo das línguas indígenas do continente, particularmente no que diz respeito às línguas tupis. É de sua autoria uma das principais hipóteses de relacionamento genético de longo alcance nas terras baixas da América do Sul, envolvendo os troncos tupi e macro-jê e a família caribe.
Em 2012, Rodrigues era divorciado e pai de três filhos, o mais velho sendo Marcelo Bruno Rodrigues, seguido de Berenice Helena Rodrigues e do caçula Tiago Renato Rodrigues. Morreu em 24 de abril de 2014 após ser internado para uma cirurgia de desobstrução intestinal, tendo antes sofrido uma parada cardíaca e, na unidade de terapia intensiva, diagnosticada falência múltipla dos órgãos. Seu velório ocorreu no cemitério Campo da Boa Esperança no dia seguinte, e no dia 26 o corpo de Rodrigues foi cremado no cemitério Jardim Metropolitano, em Valparaíso de Goiás. Em 5 de agosto de 2016, houve homenagem póstuma a Rodrigues na Universidade de Brasília. Tocadores de flauta do Xingu e a Orquestra Brasília Sinfônica se apresentaram, com músicas de Villa-Lobos e Carlos Gomes no repertório. Dentre os convidados incluíram-se a antropóloga Betty Mindlin e o linguista Terrence Kaufman. Houve homenagens em tupi.


