Panicats
Panicats é a designação pelas quais ficaram conhecidas as assistentes de palco do programa Pânico e de seus derivados: Pânico na TV, exibido pela RedeTV!, e Pânico na Band, exibido pela Rede Bandeirantes. Entre 2003 e 2017, 27 mulheres desempenharam a função de assistentes de palco nos programas, sendo conhecidas pelo apelo visual de seus corpos e participando de alguns quadros e desafios. Casos de assédio moral e sexual, além da baixa remuneração, ganharam atenção na mídia quando algumas ex-integrantes do grupo expuseram publicamente as situações que vivenciaram nos bastidores.
As panicats eram assistentes de palco do programa Pânico e de seus derivados, Pânico na TV e Pânico na Band. Elas eram caracterizadas por seus corpos bem definidos, frequentemente exibidos enquanto usavam, principalmente, biquínis. Com o tempo, começaram a participar de quadros e desafios desses programas.
Devido à visibilidade midiática e ao interesse público nas panicats, o grupo foi objeto de diversas críticas e estudos sobre a sexualização das mulheres. Além disso, surgiram relatos de assédio por parte de ex-integrantes nos bastidores do programa.
Assédio e prostituição
Em 2012, Regiane Brunnquell, que integrou o grupo entre 2007 e 2008, afirmou em uma entrevista ao Extra que presenciou assédios sexuais e relatou que as panicats eram obrigadas a mostrar as nádegas para os integrantes do programa nos corredores. Na mesma entrevista, ela contou ter sofrido uma hemorragia interna após levar um golpe na cabeça durante um quadro agressivo ao qual foi obrigada a participar. Um ano antes, Dani Bolina havia relatado no programa Hoje em Dia, da Record, que uma colega pediu demissão após sofrer assédio e que um "chefão" do programa ameaçava diminuir a visibilidade das panicats que não aceitavam "sair" com ele. Ela também afirmou que algumas das assistentes eram garotas de programa. Em 2017, Babi Muniz corroborou que algumas se envolviam em prostituição.
Sexualização e machismo
Um artigo acadêmico escrito por Silmara Vitto, Raphael Carlos Sperb e Camila Candeia Paz, publicado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, classifica as panicats como "mulheres-objetos". O artigo reflete não apenas a exposição dos corpos das panicats, mas também a descaracterização racional de suas atuações, além de incluir comentários de teor machista. Em uma linha de raciocínio semelhante, Daniele Ribeiro Fortuna, da Universidade do Grande Rio, afirmou que o Pânico retrata o corpo como um objeto, que faz parte do cenário e está disponível para tudo, especialmente para o sexo e para o escatológico. Ao mencionar a escatologia, Daniele cita como exemplo um quadro em que as panicats são filmadas vomitando. Nessas cenas, que eram repetidas inúmeras vezes, a câmera foca no rosto da modelo que vomita, às vezes em câmera lenta. Já Priscila Aline Rodrigues Silva atribui ao Pânico na TV a responsabilidade de ser um dos pioneiros na exibição de corpos femininos para atrair a atenção do público masculino na televisão brasileira, e às panicats o impacto negativo na autoestima do público feminino. Enquanto Gabrielli Caroline Akimoto destacou que o programa reforçava o estereótipo preconceituoso da mulher "bonita e burra" e da mulher "inteligente e feia" através de comentários que comparavam os corpos de outras mulheres com os das panicats.
Baixa remuneração
Apesar da exposição e visibilidade, em 2012, a imprensa brasileira noticiou que as panicats recebiam menos de mil reais pelas gravações. Na época, Thais Bianca, que fazia parte do elenco, negou a informação. No entanto, outras panicats confirmaram os baixos valores. Tânia Oliveira afirmou que recebia um "cachê simbólico" de 100 reais por cada gravação externa e participação ao vivo, enquanto Juju Salimeni relatou que recebia 200 reais por gravação, totalizando cerca de 800 reais ao final do mês. Três anos depois, em 2015, Fabíola Reipert noticiou que as assistentes do programa passaram de um pagamento de 150 reais por gravação para um salário fixo de 2.500 reais mensais.


