Artur Saboia
Artur Saboia foi um proeminente engenheiro civil brasileiro, cuja carreira se destacou na Prefeitura de São Paulo. Ele desempenhou um papel crucial na concepção e execução de importantes obras de infraestrutura e urbanismo nas décadas de 1920 e 1930, além de ter sido o principal idealizador do primeiro Código de Obras da cidade, que levou seu nome e esteve em vigor por décadas. Sua influência se estendeu até mesmo à administração municipal, atuando como prefeito interino em momentos de transição política.
Pontos-chave
- Formou-se em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP em 1908.
- Foi Diretor de Obras e Viação da Prefeitura de São Paulo, participando de grandes projetos como o Mercado Municipal e importantes avenidas.
- Liderou a criação do Código de Obras Arthur Saboya, que regulamentou a construção na cidade por mais de 40 anos.
- Assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo em duas ocasiões após a Revolução Constitucionalista de 1932.
- Seu legado é reconhecido em São Paulo, com uma escola e uma rua batizadas em sua homenagem.
Nascido em Valença, no Rio de Janeiro, Artur Saboia trilhou um caminho de dedicação aos estudos. Sua formação inicial ocorreu no Colégio Marinoni, preparando-o para ingressar na engenharia. Em 1908, concluiu sua graduação em engenharia civil pela renomada Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, um marco que o qualificaria para os desafios que viriam na construção da metrópole.
Artur Saboia dedicou décadas de sua vida ao serviço público na Prefeitura de São Paulo, alcançando o respeitado cargo de Diretor de Obras e Viação. Sua atuação foi fundamental na criação, desenvolvimento e elaboração direta e indireta de algumas das mais emblemáticas obras das décadas de 1920 e 1930. Entre elas, destacam-se o icônico Mercado Municipal, o vasto Parque Ibirapuera e importantes vias urbanas como as Avenidas São João, 9 de Julho e 23 de Maio. Em 1929, a pedido do prefeito José Pires do Rio, Saboia teve um papel crucial na criação do primeiro código de obras para São Paulo, até então inexistente. Este código, em sua homenagem, foi batizado de Código de Obras Arthur Saboya. Ele estabeleceu quatro zonas no município (central, urbana, suburbana e rural) e impôs restrições à altura das edificações. Redigido em 1934 e alterado em 1955, permaneceu em vigor até junho de 1975, quando foi substituído. Em junho de 1930, Saboia representou o prefeito Pires do Rio no 4.º Congresso Panamericano de Arquitetos, demonstrando sua relevância no cenário técnico da época.
Prefeito Interino em Tempos de Crise
Após o término da Revolução Constitucionalista de 1932, o então prefeito de São Paulo, Gofredo Teles, que havia apoiado o movimento, anunciou sua saída do cargo. Ele confiou o comando da prefeitura a Artur Saboia, que, como Diretor do Departamento de Obras e Viação, era o funcionário de mais alta patente. Saboia aceitou a responsabilidade, declarando que o cargo ficaria sob sua guarda 'até que seja dado às autoridades competentes o provimento do cargo de prefeito da Capital'. Ele entregou a gestão a Teodoro Augusto Ramos, nomeado pelo interventor federal Valdomiro Castilho de Lima, no final de dezembro. Em 2 de abril de 1933, Saboia assumiu novamente o expediente da Prefeitura, após Teodoro Ramos pedir demissão por discordar do excesso de gastos públicos, especialmente com obras, em um momento de déficit nos cofres. Após algumas semanas, também pedindo demissão, Saboia passou o expediente ao prefeito nomeado Osvaldo Gomes da Costa, demonstrando sua lealdade e compromisso com a transição administrativa.
Artur Saboia faleceu em 11 de dezembro de 1952, em São Paulo. Em reconhecimento à sua importância, a Prefeitura suspendeu o expediente do dia a partir das 15 horas em sua homenagem. Seu sepultamento ocorreu no Cemitério São Paulo. Casou-se duas vezes, a segunda com Ermelinda Monteiro Saboia, e deixou cinco filhos: três do primeiro casamento e dois do segundo. Seu legado é perpetuado na cidade de São Paulo: ele é patrono da Escola Estadual Artur Saboia, localizada na Vila Vera, distrito do Sacomã. Além disso, em 1954, a antiga Rua Jurubatuba, na Vila Mariana, foi renomeada em sua honra, passando a se chamar Rua Artur Saboia, um testemunho permanente de sua contribuição para o desenvolvimento urbano da metrópole.


