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Artur, Príncipe de Gales

Artur Tudor foi Príncipe de Gales, Duque da Cornualha e Conde de Chester como filho mais velho e herdeiro aparente de Henrique VII de Inglaterra e sua esposa Isabel de Iorque. Ele foi o primeiro filho do casal, tendo nascido alguns meses depois do casamento. Artur foi visto por seus contemporâneos como a grande esperança da Casa de Tudor, já que seu nascimento foi um símbolo do fim da Guerra das Rosas que depôs seu tio-avô Ricardo III.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Biografia

Início de vida

Henrique Tudor se transformou no Rei da Inglaterra como Henrique VII em 1485 depois de derrotar Ricardo III na Batalha de Bosworth Field. Henrique fez com que genealogistas reais traçassem sua linhagem até os antigos governantes ingleses e decidiu nomear seu primogênito em homenagem ao lendário Rei Artur, a fim de fortalecer a reivindicação Tudor ao trono e enfatizar sua ascendência galesa, ou seja romano-britânica. Nessa ocasião, Camelot foi identificada como a presente Winchester e sua esposa, Isabel de Iorque, foi enviada ao Priorado de Saint Swithun de forma a dar à luz ali. Lá ele nasceu em 20 de setembro de 1486 aproximadamente à 1h da manhã, o primeiro filho do casal. O nascimento de Artur foi antecipado por humanistas franceses e italianos ansiosos pelo começo de uma "era de ouro virgiliana". Sir Francisco Bacon escreveu posteriormente que apesar de nascido prematuro em um mês, o príncipe era "forte e capaz". O jovem Artur foi descrito como um "símbolo vivo" não apenas da união da Casa de Tudor com a Casa de Iorque, mas também do fim da Guerra das Rosas. Ele era a esperança da recém estabelecida Casa de Tudor aos olhos de historiadores contemporâneos.

Crescimento

A crença popular que Artur foi enfermo durante sua vida vem da má interpretação vitoriana de uma carta de 1502; pelo contrário, não há relatos de Artur ser um menino doente. Ele cresceu e ficou muito alto para alguém de sua idade, sendo considerado bonito pela corte espanhola: tinha cabelos avermelhados, olhos pequenos, um nariz pontudo e lembrava seu irmão Henrique, que foi descrito por contemporâneos como "extremamente bonito". Como descrito pelos historiadores Steven Gunn e Linda Monckton, Artur tinha uma personalidade "amável e gentil" e era no geral um "rapaz delicado". Ele foi criado em maio de 1490 Lorde Guardião das Bordas, com Tomás Howard, 2.º Duque de Norfolk, sendo nomeado como seu representante. A partir de 1491 Artur passou a ser nomeado para comissões da paz. Quando seu pai viajou para a França em outubro do ano seguinte, ele foi nomeado Protetor da Inglaterra e Tenente do Rei. Seguindo os exemplos de Eduardo IV, Henrique VII criou o Conselho de Gales e das Bordas para Artur no País de Gales a fim de reforçar a autoridade real na região. O conselho já havia sido estabelecido em 1490 e liderado por Jasper Tudor, Duque de Bedford. Artur foi para o País de Gales pela primeira vez em 1501, aos quinze anos de idade. Ele recebeu o poder de nomear justiceiros de ouvir e determinar em março de 1493, assim fortalecendo ainda mais a autoridade do conselho. Em novembro o príncipe também recebeu vastas terras em Gales, incluindo o Condado de March.

Casamento

Henrique planejava casar Artur com uma das filhas dos monarcas católicos Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela para poder forjar uma aliança anglo-espanhola contra a França. Foi sugerido que seria apropriado que o príncipe se casasse com Catarina, a filha mais nova de Fernando e Isabel. O Tratado de Medina del Campo de 27 de março de 1489 dizia que Artur e Catarina se casariam assim que completassem a idade canônica; também foi estabelecido que o dote de Catarina seria de duzentas mil coroas (equivalente a sete milhões de libras esterlinas em 2007). Uma dispensa papal permitindo o casamento foi emitida em fevereiro de 1497 e os dois foram prometidos por procuração em 25 de agosto de 1497. Um casamento por procuração ocorreu dois anos depois na Mansão Tickenhill de Artur em Bewdley, perto de Worcester; o príncipe afirmou a Rodrigo de Puebla, representante de Catarina, que "ele muito se alegrou ao contrair o casamento por causa de seu profundo e sincero amor pela Princesa".

Morte

Depois de ficarem na Mansão Tickenhill por um mês, Artur e Catarina deixaram Londres e foram para as Bordas Galesas onde estabeleceram sua criadagem no Castelo de Ludlow. O príncipe estava ficando cada vez mais fraco depois do casamento, e mesmo a princesa estando relutante em acompanhá-lo, o rei ordenou que ela se juntasse ao marido. Artur achou fácil governar Gales, já que as fronteiras haviam ficado mais calmas depois de séculos de confrontos. Artur e Catarina sofreram de uma doença desconhecida em março de 1502, "um vapor maligno que procedeu a partir do ar".[nota 1] Apesar de Catarina ter se recuperado, Artur morreu em 2 de abril de 1502 seis meses antes de seu aniversário de dezesseis anos.

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Legado

A ideia de casar a recém viúva Catarina com o novo herdeiro Henrique cresceu pouco depois da morte de Artur; tanto Henrique VII quando Isabel I estavam interessados em seguir em frente com o noivado. Após originalmente rejeitar a ideia, Henrique anunciou logo após sua ascensão que se casaria com ela. O casamento aconteceu em 11 de junho de 1509. Catarina teve seis filhos com Henrique: três meninos morreram com menos de três meses, uma filha era natimorta e outra viveu por apenas um dia. A única criança sobrevivente do casal foi a futura rainha Maria I. Após apaixonar-se por Ana Bolena, irmã de sua antiga amante Maria Bolena, Henrique ficou no meio daquilo que ficou conhecido como sua "Grande Questão": encontrar uma solução apropriada para sua falta de herdeiros homens. Ele encontrou várias possíveis opções. O rei poderia tentar legitimizar seu filho bastardo Henrique Fitzroy, Duque de Richmond e Somerset, porém isso seria difícil e precisaria da intervenção do papa. Poderia casar sua filha Maria e torcer por um neto homem, porém isso não era uma real opção já que ela era uma criança enferma e provavelmente incapaz de conceber durante a vida de Henrique. Por último, ele poderia rejeitar Catarina e se casar com uma noiva mais capaz de ter filhos. Provavelmente vendo a possibilidade de casar-se com Ana, a terceira opção mostrou-se a mais viável para Henrique e logo tornou-se seu desejo dissolver seu casamento.

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Fontes consultadas

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