Artpop
Artpop é o quarto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Lady Gaga. O seu lançamento ocorreu em 6 de novembro de 2013, pelas editoras discográficas Streamline e Interscope. Ela começou a desenvolver o trabalho durante a divulgação de seu disco anterior, Born This Way (2011) e, no ano seguinte, os conceitos "começaram a florescer", conforme ela colaborava com os produtores Fernando Garibay e DJ White Shadow. Entretanto, na última etapa norte-americana da turnê Born This Way Ball Tour (2012-13), a cantora teve de passar por uma cirurgia no quadril, o que fez com que ela passasse por um hiato de seis meses, e isso se tornou uma espécie de "reabilitação" das inspirações por trás do álbum. Ela trabalhou com vários produtores, incluindo Zedd e Madeon.
Em setembro de 2011, Gaga anunciou ao radialista Ryan Seacrest que já estava desenvolvendo o sucessor de Born This Way, lançado meses antes. Pouco após o anúncio, o produtor DJ White Shadow, que havia trabalhado com ela anteriormente, confirmou o seu envolvimento no projeto. Fernando Garibay, outro profissional que colaborou em Born This Way, também declarou estar presente no trabalho seguinte da cantora, esperando "superar" as gravações anteriores. Os conceitos do álbum "começaram a florescer" no ano seguinte, conforme a intérprete trabalhava com ambos os músicos. As gravações inicias do material coincidiram com as datas das apresentações da turnê The Born This Way Ball, feita em 2012: mais de cinquenta faixas foram esboçadas e consideradas para inclusão. Em maio de 2012, a obra estava tomando forma definitiva com o coempresário de Gaga, Vincent Herbert, prometendo muitas "músicas insanas e boas" no projeto. A própria vocalista admitiu seu desejo de fazer com que o público "se divertisse muito" com o álbum, posteriormente intitulado Artpop, o disco é estruturado para transmitir ao ouvinte a sensação de "[estar em] uma noite na boate"; em entrevista para a MTV, ela declarou: "Quando você o ouvi ele flui muito bem. É [um álbum] muito divertido [para] dançar com seus amigos. Eu o escrevi para que meus amigos e eu dançássemos do começo ao fim". Enquanto isso, a americana começou a apresentar canções para sua gravadora e esperava revelar o título do disco em setembro de 2012, no entanto, a revelação acabou sendo feita um mês antes. Mais tarde, a artista disse que Artpop era seu primeiro trabalho "sincero", que representaria uma "fênix renascendo das cinzas", refletindo sua confiança elevada nas composições da obra, em comparação aos seus projetos anteriores.
Gaga compôs e produziu todas as músicas presentes em Artpop em conjunto com DJ White Shadow, Zedd e Madeon, entre outros produtores. White Shadow disse à MTV que a cantora mandou uma mensagem para ele em menos de uma semana após o lançamento do álbum anterior dela, Born This Way, dizendo a ele que "já tinha o nome e o conceito geral do [seu próximo] projeto". Em sua entrevista para a Rolling Stone, ele mais tarde falou sobre o processo de trabalho juntos: "Eu estava apenas tentando criar algo que levasse as pessoas a pensar um pouco, algo um pouco fora da norma para fazê-las pensarem nas possibilidades. [Gaga] escreveu este álbum enquanto viajávamos pelo mundo nos últimos dois anos e escrevíamos várias canções juntos". White Shadow também lembrou que em uma ocasião os dois ficaram acordados por cerca de 20 horas para finalizar uma faixa, acrescentando: "Nós nunca trabalhamos em uma música e [logo] terminamos e seguimos em frente. Todas elas são feitas em rotação até literalmente o dia em que temos que entrega-las a Interscope."
Comentários críticos apontaram Artpop como um álbum de electronic dance music e synthpop. Seu elemento eletrônico foi inicialmente preparado para ser incluído em Born This Way. No entanto, naquele momento, Gaga e Fernando Garibay optarem por uma sonoridade influenciada pelo rock. Helen Brown, do The Daily Telegraph, ironizou que ouvi-lo "é como andar bêbado por uma boate vasta e labiríntica e espiar uma série desorientadora de salas escuras nas quais ela experimenta vários gêneros musicais como se fossem chapéus", em referência à diversificada paisagem sonora do álbum. Segundo a Billboard, a obra "canaliza coerentemente rhythm and blues (R&B), techno, disco e rock". Ben Kelly, da Attitude, descreveu a música de Artpop como uma "odisséia implacável de sons eletrônicos" perfurada por "fortes refrões melódicos". Aizlewood, do London Evening Standard, disse que a obra foi construída para inspirar "movimentos agitados nos shows em estádios", definindo "teclados barulhentos, eletro-percussão e batidas fortes" como os alicerces de sua produção. O lirismo da obra gira em torno de sexo, fama, feminismo e vício em drogas e contém inúmeras referências à mitologia grega e romana.
Gaga descreveu Artpop como "uma celebração e uma jornada musical poética" que exibia uma "falta de maturidade e responsabilidade", ao contrário da natureza sombria e com características de hino de Born This Way, em última análise, ela reiterou o que chamou de "inverter a fórmula warholiana". Em uma entrevista para a revista V em agosto de 2013, Gaga afirmou ter passado por uma "experiência cósmica com palavras" ao examinar nomes potenciais para o projeto. "Popart" foi inicialmente levado em consideração, mas como a intéprete questionou "a implicação cultural das palavras" e a evolução do título após o lançamento, ela logo encontrou em "Artpop" uma tentativa de injetar vulnerabilidade ao seu trabalho; A pintura O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, foi citada como fonte de inspiração criativa à cantora, além do personagem Pierrot. Gaga admitiu estar cada vez mais autoconsciente, desde o ápice da era Born This Way. Os temas do álbum giram principalmente em torno da fama, sexo, e empoderamento, enquanto aborda brevemente os papéis sociais de gênero e a maconha. As referências incluem mitologia grega e romana, jazz clássico e o músico Sun Ra. Spencer Kornhaber, do The Atlantic, sentiu Artpop como um "manifesto monstruoso de atenção" e interpretou a exploração do desejo carnal no disco como uma faceta da ideia mais ampla de "reconhecer o próprio desejo por atenção".
Em agosto de 2012, depois de fazer uma tatuagem correspondente, Gaga anunciou em sua mídia social que o álbum seria intitulado Artpop, afirmando preferi-lo estilizado. O álbum era originalmente esperado para ser lançado no início de 2013, mas foi adiado indefinidamente depois que a cantora desenvolveu sinovite e fraturou o quadril, o que exigiu correções cirúrgicas. Isso resultou no cancelamento do restante de sua Born This Way Ball. Em julho de 2013, Gaga confirmou que Artpop seria lançado em 11 de novembro nos Estados Unidos. A pré-encomenda do produto deveria começar em 1º de setembro, mas foi transferido para 19 de agosto "devido à expectativa do público". Mais tarde, isso foi alterado para 12 de agosto para coincidir com o lançamento antecipado de "Applause". Além do lançamento tradicional em CD e nas plataformas digitais, Gaga anunciou planos para um software de aplicação multimídia que "combinava música, arte, moda e tecnologia com uma nova comunidade interativa em todo o mundo". Foi desenvolvido pela TechHaus, divisão de tecnologia da Haus of Gaga. O aplicativo era compatível com dispositivos móveis Android e iOS, e apresentava conteúdo bônus. Foi o terceiro aplicativo a ser lançado para um álbum nos principais mercados comerciais, após Biophilia da cantora Björk e Magna Carta Holy Grail do rapper Jay-Z.
Singles
Em 28 de julho de 2013, Gaga confirmou que o título do primeiro single de Artpop seria "Applause", após muita especulação, e anunciou que este seria lançado em 19 do mês seguinte. Em uma entrevista para Ryan Seacrest em 13 de agosto, a artista revelou que o presidente da Interscope Records, Jimmy Iovine, foi quem pediu a ela para lançá-lo como o primeira música de trabalho, o que Gaga concordou. Em geral, a música teve um desempenho comercial positivo, atingindo o topo das tabelas da Coreia do Sul, Espanha, Hungria e do Líbano e listando-se nas dez primeiras colocações de diversos países, como Alemanha, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Nova Zelândia e Reino Unido. Nos Estados Unidos, tornou-se a décima segunda canção de Gaga a constar nas dez melhores posições na Billboard Hot 100, atingindo a quarta como melhor, e foi certificada como platina tripla pela Recording Industry Association of America (RIAA), tendo vendido mais de 2 milhões e 500 mil cópias no país até abril de 2015. O vídeo musical correspondente foi dirigido pela dupla holandesa de fotógrafos Inez & Vinoodh e lançado em 19 de agosto de 2013 no programa matutino Good Morning America. As cenas retratam Gaga em cenas artísticas e complexas, feitas em um cenário de fundo preto, e foram filmadas tanto em cores quanto em preto e branco. O projeto inclui referências à pinturas de Sandro Botticelli e Andy Warhol e foi recebido positivamente por críticos especializados, os quais visualizaram-no como um perfil de Gaga e notaram referências à trabalhos de Warhol e ao cinema alemão expressionista.
Crítica profissional
No geral, Artpop deixou os analistas especializados em música divididos. O agregador Metacritic, com base em 30 análises profissionais recolhidas, concedeu ao álbum um total de 61 pontos de uma escala que vai até cem, indicando "análises geralmente positivas". Stephen Thomas Erlewine, do banco de dados Allmusic, o avaliou com quatro estrelas e meia de cinco permitidas, positivando o conteúdo sexualmente exagerado presente na primeira metade do disco, enquanto negativou a falta de momentos brilhantes na segunda. Ele também elogiou a variedade de gêneros, batidas e a versatilidade musical da obra. Adam Markovitz, da revista eletrônica Entertainment Weekly, destacou "Dope" e "Gypsy" como as melhores canções de Artpop, comentando que: "Como um [trabalho] pop, o álbum é uma turnê bem feita e divertida dos truques testados e comprovados de Gaga. Mas, como arte, é insuficiente quando se trata de sua função básica: causar impacto". Markovitz encerrou sua crítica dando-lhe uma nota B. Escrevendo para o jornal USA Today, Jerry Shriver, emitiu três pontos e meio de quatro e opinou que o álbum não era "consistentemente divertido", embora admitisse que o disco era destinado principalmente aos fãs da cantora e não a ouvintes em geral. Sal Cinquemani, da revista Slant, concedeu três estrelas e meia de cinco e enalteceu canções como "Artpop" e "Gypsy", mas não outras como "G.U.Y." e "Jewels n 'Drugs". O jornalista comparou "Fashion!" à "Holiday" e "Material Girl", ambas de Madonna, dizendo que "Gaga ainda é [sua] aluna". Jason Lipshutz, da revista Billboard, deu uma nota 84 de 100 para o álbum e destacou o esforço de Gaga para garantir "absolutamente a certeza de que cada centímetro de seu ofício evolui e inova". Adjetivando-o como "tão irritante, frustrante e contraditório quanto sua autora, mas também tão brilhante, provocante e tão emocionante quanto ela pode ser", John Aizlewood do Evening Standard considerou o álbum "um emocionante salto de bungee jumping musical".
Reconhecimento
Antes mesmo de ser lançado, Artpop chamou a atenção de vários veículos de comunicação. Em uma pesquisa realizada pela Billboard, mais de 50% de seus leitores consideravam Artpop o "álbum mais esperado" de 2013. Da mesma forma, os portais HitFix e Yahoo! formou uma contagem dos lançamentos musicais mais aguardados do ano, onde o trabalho foi eleito em 1º lugar. Finalmente, os canais de televisão E!, MTV e MuchMusic também o listaram entre os discos mais previstos para 2013. Posteriormente, Artpop foi incluído em várias listas dos melhores de 2013. Segundo o Metacritic, Artpop foi o décimo álbum mais predominante citado nas listas de melhores do ano de 2013, tendo uma clara vantagem nos votos contra Yeezus de Kanye West, que terminou em segundo lugar. A Billboard o colocou na décima quarta posição de sua lista dos 15 melhores, com Chris Coplan escrevendo: "Artpop é a declaração de uma cantora e compositora que quer ser mais do que uma artista pop, e embora os detalhes extravagantes em torno do álbum cimentaram o status de Gaga como uma provocadora, ela não perdeu seu toque para criar ganchos sobrenaturais". Além disso, é o álbum número 1 na Billboard 200 em 2013 favorito dos leitores da revista, que também catalogarem o retorno de Gaga como o melhor do ano. O site britânico POPJustice classificou-o em sexto lugar na contagem dos 33 melhores, com a colunista Carolyn Bernucca escrevendo que a cantora "costumava fazer o incrível parecer fácil. Hoje em dia, ela faz com que pareça um trabalho árduo, mas ela ainda consegue no final". Da mesma forma, o Digital Spy posicionou-o em 21º em sua compilação de trinta, comentando que o "número de acertos em Artpop é consideravelmente maior do que os erros — existem dez canções brilhantes para ser exato — embora nem todos eles necessariamente se apresentem [assim] na primeira audição". O crítico Robert Christgau, da The Barnes & Noble Review, o ranqueou em sexto lugar dentre os 85 melhores discos do ano, sendo a posição mais alta para uma mulher e entre qualquer artista solo. Colocando-o no 4º entre os 10 melhores de 2013, Joseph Apodaca, da On the Red Carpet, comentou que "embora talvez não seja saudado pela imensa repercussão e fanfarra que cercou seus três álbuns anteriores, Artpop [...] ainda foi um dos discos pop mais bem produzidos e contagiosos do ano". Citando-o numa lista com os projetos de maior destaque naquele período, Jael Goldfine, do portal Entertainment Wise, definiu Artpop como um trabalho "original e inovador".
Controvérsias
Desde o processo de gravação até o nome das canções, Artpop gerou um grande número de controvérsias, variando de debates com outros artistas a fortes críticas da imprensa. Uma das controvérsias mais importantes foram as múltiplas acusações que a rapper Azealia Banks fez a Gaga; Anteriormente, as duas haviam trabalhado juntas em duas músicas chamadas "Red Flame" e "Ratchet", mas por razões desconhecidas, nenhuma delas apareceu na versão final do álbum. Depois disso, Banks começou a enviar vários comentários negativos para Gaga via Twitter. A rapper afirmou que a ideia de Gaga aparecer vestida como Vênus na apresentação realizada durante os Prêmios MTV de 2013 e no videoclipe de "Applause", fora dela e não de Gaga. Consequentemente, a música com o mesmo título também tinha sido uma ideia que lhe fora roubada. Para apoiar suas alegações, Banks publicou gratuitamente no YouTube a música "Venus", que ela disse ter sido gravada muito antes do lançamento de Gaga. Mais tarde, após o lançamento do álbum de estreia de Banks, Broke with Expensive Taste, uma admiradora da rapper perguntou sobre o que era a música "JFK", à qual ela respondeu: "é sobre uma certa estrela pop que gosta de roubar minhas ideias e fingir que partiram dela". Isso gerou intrigas na mídia, que garantiu que era uma clara acusação contra Gaga. No entanto, a mesma rapper garantiu que não era dirigido a ela. Em relação a toda a controvérsia, Gaga disse que não queria se expressar muito para não prejudicar seus fãs, se limitando a dizer que as acusações de Banks era "uma atitude ruim".
Créditos adaptados do encarte do Artpop.
Artpop foi bem recebido comercialmente na maior parte do mundo. No total, conseguiu conquistar a liderança nas paradas musicais de oito países e as dez primeiras colocações em outras vinte e duas nações. Somente em 2013, segundo a International Federation of the Phonographic Industry (IFPI), o trabalho já havia sido adquirido mais de dois milhões de vezes em todo o mundo. Até julho de 2014, sua comercialização já havia excedido a marca de 2 milhões e 500 mil cópias. No entanto, vários veículos de mídia o catalogaram como um "fracasso comercial" por não conseguir vender o mesmo número de cópias que seu antecessor, Born This Way. Nos Estados Unidos, Artpop estreou na posição máxima da parada Billboard 200, durante a edição de 20 de novembro de 2013, acumulando um total de 258 mil cópias vendidas em sua semana de lançamento — um valor significativamente inferior às vendas de 1 milhão e 108 mil réplicas obtidas por Born This Way em sua semana de estreia. No entanto, esta foi a melhor primeira semana para um álbum de uma artista feminina naquele ano, até então, atrás apenas de Prism, de Katy Perry, e Bangerz, de Miley Cyrus. Embora, após o disco homônimo de Beyoncé debutar na tabela, Artpop tenha se tornado a quarta maior estreia daquele ano. Em sua segunda atualização, o trabalho caiu para a oitava posição, vendendo 46 mil unidades, o que representou uma regressão de 82% em sua comercialização; Essa foi, na época, a quarta maior queda de vendas na segunda semana. Embora na edição seguinte — graças à Black Friday e a participação da intérprete no especial de televisão Muppets — o disco tenha reconquistado uma posição, comercializando 116 mil réplicas. Em menos de dois meses após seu lançamento, o material já se encontrava no 103º posto entre os mais bem-sucedidos na Billboard 200, enquanto no Top Dance/Electronic Albums, ocupava a segunda colocação, atrás apenas do disco Random Access Memories, de Daft Punk. Segundo um levantamento feito pela Nielsen SoundScan, até 25 de fevereiro de 2018, mais de 775 mil réplicas do produto já haviam sido adquiridas e consequentemente a Recording Industry Association of America (RIAA) concedeu uma certificação de platina a gravação, denotando vendas de um milhão de cópias — entre unidades físicas, digitais e streaming — em todo o território americano. No Canadá, alcançou a 3ª colocação em sua tabela semanal e, com apenas três dias de liberação, recebeu uma certificação de platina pela Music Canada (MC) em reconhecimento às 80 mil cópias vendidas nesse território. Em adição, em outros países da América também teve boa receptividade comercial; no Brasil, foi certificado de platina por vender quarenta mil cópias, enquanto na Argentina e Colômbia foi certificado com ouro por sua comercialização exceder 25 mil e 5 mil cópias, respectivamente.


