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Joaquim Justino Alves Bastos

Joaquim Justino Alves Bastos foi um marechal do Exército Brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Biografia

Em setembro de 1964, Justino retornou ao Comando do III Exército. Sua atuação à frente dessa unidade militar pautou-se pela defesa dos princípios preconizados pelo movimento de 31 de março, aplicando medidas de repressão aos elementos ligados a João Goulart e ao ex-governador gaúcho Leonel Brizola. Em 1965, o general Justino passou a ter atritos com o seu antigo adversário político, o então presidente da República General Castelo Branco, com quem por vezes tinha interesses políticos contrariados, a exemplo da sua frustração ao não conseguir concorrer para o governo do Rio Grande do Sul por conta do Ato Institucional nº 3 de fevereiro de 1966 que incumbiu as respectivas Assembleias Legislativas da tarefa de eleger governadores. Com isso, o general Justino passou a criticar os rumos tomados pela então denominada Revolução de 1964. Essa insatisfação pessoal contra o governo Castelo Branco culminou em um discurso-protesto, ocorrido em maio de 1966, que lhe custou o cargo. Durante um evento comemorativo, em Porto Alegre, que contou com a presença do General Amaury Kruel, o general Justino realizou um discurso em que condenou medidas do governo e se declarou a favor da “defesa da democracia, pela qual a revolução foi feita” e “contra o poder pessoal”, numa referência direta a pessoa do Presidente da República. No dia seguinte, foi exonerado do cargo e passado para a reserva por ato do então Ministro da Guerra, o General Costa e Silva. Foi substituído no comando do III Exército pelo general Orlando Geisel.

Início da vida

Joaquim Justino Alves Bastos nasceu em 9 de setembro de 1899 na cidade de Cuiabá, Mato Grosso, filho do marechal do Exército Brasileiro Celestino Alves Bastos e de Inês Dutra Bastos. Seu pai foi chefe do Estado-Maior do Exército, de 20 de abril de 1921 a 1 de julho de 1922. Seu avô materno, Benedito Dutra, também foi um importante militar. Em 1917 ingressou na Escola Militar do Realengo, sediada na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. Em dezembro de 1919 foi diplomado aspirante-a-oficial, na arma de artilharia. Em 1920 recebeu a patente de segundo-tenente e ingressou na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Já no ano seguinte, alcançou o posto de primeiro-tenente e imediatamente designado para o 1º Regimento de Artilharia Montada (1º R.A.M.) na Vila Militar, na cidade do Rio de Janeiro.

Revolução de 1924

Deflagrada a Revolução de 1924, em julho de 1924, o jovem tenente Alves Bastos seguiu para São Paulo para agrupar com a companhia do 1º RAM. Naquela cidade, participou da repressão aos revoltosos liderados pelo general Isidoro Dias Lopes e o então major da Força Publica Paulista Miguel Costa. Após serem derrotados pelas forças do governo federal e estaduais, os rebeldes fugiram em direção ao Paraná e se reagruparam mais tarde com os rebeldes do Rio Grande do Sul em outubro daquele ano. Essa nova composição deu origem à Coluna Prestes, que era encabeçada por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, e que nos meses seguintes percorreu em fuga pelo interior do Brasil atravessando os Estados do Paraná, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí, entre outros. Contudo, perseguidos continuamente pelas tropas federais e estaduais, buscaram abrigo na Bolívia e no Paraguai no início de 1927. Justino também esteve presente ao combate travado com a coluna durante o trajeto desta rumo a Teresina, participando ainda de uma série de operações de guerra por todo o Nordeste. O então tenente Alves Bastos participou dessa perseguição e na maior parte dos combates, sobretudo no nordeste do país.

Revolução de 1930

Com a Revolução de 1930, o então capitão Alves Bastos não aderiu ao movimento rebelde e também não chegou a atuar em combates, embora tenha ficado inicialmente de prontidão, por conta da possibilidade de combates. Boa parte do contingente dos rebeldes eram os mesmos que também havia se rebelado na Revolução de 1924 e que estavam no exílio desde então, entre eles Miguel Costa, Luis Carlos Prestes e Juarez Távora. Essa revolta foi liderada por políticos e militares do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, e prometia grandes combates por conta da mobilização de tropas rebeldes contra os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Contudo, após breve confronto entre os rebeldes e as forças legalistas, o golpe de estado foi precipitado na capital federal pelos generais Augusto Tasso Fragoso, José Isaías de Noronha e João de Deus Mena Barreto, que se consumou com a deposição do presidente Washington Luís. Após essa deposição, a Junta Governativa Provisória composta por aqueles três generais entregou o cargo do governo provisório a Getúlio Vargas em 2 de novembro de 1930.

Revolução Constitucionalista

O então capitão Alves Bastos aderiu a Revolução Constitucionalista de 1932 meses antes da deflagração do levante. Inicialmente atuou como um dos organizadores do movimento, buscando a adesão de outros oficiais do Exército atuando junto de diversos outros líderes e políticos civis. Diante da repressão contra os rebeldes já iniciada pelo regime Vargas na então capital federal nas primeiras semanas do conflito, rumou para São Paulo no fim de julho e assumiu como Chefe do Estado-Maior das Forças em Operações no setor sul do estado, então comandado pelo então Tenente-Coronel Brasílio Taborda, que também havia sido recém designado àquele posto. Nessa qualidade, participou ativamente dos planos estratégicos aplicados em toda aquela frente de combate que em muito conseguiu manter a linha defensiva das tropas paulistas e repelir a tentativa de invasão da capital de São Paulo por parte das tropas de Valdomiro Lima leais ao governo Federal. Contudo, com o armistício e rendição das tropas paulistas 2 de outubro de 1932, o capitão Alves Bastos exilou-se em Buenos Aires.

Retorno ao Exército Brasileiro

Em maio de 1934, após anistia geral concedida por Getúlio Vargas, retornou ao Brasil e retomou o seu posto no Exército Brasileiro. Em 1935, foi nomeado oficial-de-gabinete no Ministério da Guerra, e nessa função atuou como membro da delegação brasileira nas negociações de paz em relação à Guerra do Chaco (1932-1935) que se estendeu até 1937. Ao final do ano recebeu a patente de major do Exército Brasileiro sendo designado para assumir posto no 2º RAM, em Santa Cruz. Em 1939, assumiu posto no Forte de Copacabana, na então capital federal. Durante esse período, realizou curso na Escola de Artilharia de Costa. Em 1941, foi promovido a tenente-coronel e em meados de 1943 assumiu posto no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, em Porto Alegre. Em 1945, foi transferido para o Estado-Maior do Exército na 4ª seção, na capital federal.

Golpe de 1964

Em setembro de 1963, o General Justino foi nomeado comandante do IV Exército, sediado em Pernambuco, em substituição ao general Humberto Castelo Branco, que na ocasião havia sido transferido para assumir a chefia do Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro. Naquela ocasião, o nordeste passava por um momento de conflitos entre as forças de segurança do país e de movimentos sociais como as Ligas Camponesas e os sindicatos daquela região. Em Pernambuco, a situação era a mais conflituosa, pois tais movimentos eram encorajados pelo então governador de Pernambuco, Miguel Arraes, eleito no ano anterior numa chapa aglutinada por partidos comunistas e de esquerda. No plano federal, o Presidente João Goulart também encorajava os sindicatos e movimentos sociais no Nordeste que ameaçavam continuamente greves e protestos em reivindicação de melhorias trabalhistas e de uma reforma agrária.

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Obras

Ao longo de sua vida publicou Palmo a palmo (1932), em que descreve as suas experiências na Revolução Constitucionalista, e também um segundo livro sobre o mesmo tema e A Revolução de 1932, Constitucionalista. Ainda publicou o seu livro de memórias Encontro com o tempo (1965).

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Fontes consultadas

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