Gleisi Hoffmann
Gleisi Helena Hoffmann é uma advogada e política brasileira, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), é deputada federal pelo Paraná. Foi presidente nacional do seu partido entre 2017 e 2025 e foi ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da presidência da República, no terceiro governo Lula.
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De família de origem alemã, recebeu o nome de Gleisi em referência a Grace Kelly. Viveu a infância e adolescência na Vila Lindoia, bairro de Curitiba, ao lado do pai Júlio Hoffmann, da mãe Getúlia Adga e dos três irmãos: Bertoldo Paulo (engenheiro), Juliano Leônidas (veterinário) e Francis Mari (administradora de empresas). A mãe, Getúlia Agueda, Dona Gegê como é mais conhecida, era cabeleireira e seu pai, já falecido, foi um agricultor nascido em Mafra, no norte de Santa Catarina e que morou trinta anos na capital paranaense onde foi representante comercial. Seu avô era o catarinense Bertholdo Hoffmann e seu bisavô foi o imigrante silesiano Julius Hoffmann.
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Gleisi recebeu educação básica no Colégio Nossa Senhora Esperança, administrado pelas irmãs bernardinas, onde permaneceu até a oitava série. Em seguida, integrou o Colégio Medianeira, de formação jesuítica. Gleisi considerou a educação recebida como uma fase importante da formação de suas convicções: "Fui estudar no Medianeira e fui estimulada pelo próprio colégio a pensar politicamente. Entendi que a visão cristã de igualdade e fraternidade poderia se materializar por meio da ação política." Durante a adolescência, influenciada pelo discurso da Teologia da Libertação, até pensou em seguir a vida como freira na sede do convento da Congregação do Colégio Nossa Senhora da Esperança, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, mas foi impedida pelo pai. Foi integrante da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Curitiba (Umesc) e ingressou no curso de Eletrotécnica no Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR), atual Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde desenvolveu a militância estudantil e foi eleita presidente da Umesc e, posteriormente, presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES) e ainda assumiu a direção da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). No Cefet, onde esteve um ano e meio, ajudou a reorganizar o Grêmio Estudantil após a redemocratização do Brasil.
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Advogada, atuou como assessora na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) de 1988 a 1989, na Câmara Municipal de Curitiba de 1989 a 1993 e na Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, em Brasília, de 1993 a 1998. Ainda durante o período de sua graduação, passou a atuar como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná em 1988. Em seguida, integrou a assessoria do então vereador Jorge Samek (PMDB), de Curitiba, o mesmo que a levou para a Itaipu Binacional e, mais tarde, ao Partido dos Trabalhadores (PT). Na câmara teve contato com associações de bairros e com movimentos populares da região metropolitana da capital paranaense. Em 1993, Gleisi foi convidada para trabalhar em Brasília, onde conheceu Paulo Bernardo, com quem se casaria em 1998. Quando o então ex-deputado federal Lula era presidente do PT, foi assessora parlamentar no Congresso Nacional, participando da equipe de técnicos da Comissão de Orçamento e também colaborou com a equipe do Instituto de Cidadania.
O primeiro contato com o mundo político foi com o seu avô, que a influenciou inicialmente, despertando assim o seu interesse por política e movimentos sociais. Em 1983, aos 17 anos, Gleisi teve o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) como o primeiro partido político, influência de sua atuação no período do movimento estudantil. Nessa época, recebeu influências de seus livros de cabeceira, As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, e Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, conforme revelação ao jornalista Aroldo Murá Haygert no livro Vozes do Paraná 2. O vereador Jorge Samek foi para o PT em 1989 e convidou Gleisi para filiar-se ao partido fundado em São Paulo. A então assessora aceitou ao convite e filiou-se ao movimento de esquerda fundado por militantes, sindicalistas e intelectuais de oposição à Ditadura Militar. Integrante então do PT desde 1989, compôs, de 2002 a 2003, a equipe de transição de governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Sua aproximação com o governo federal rendeu a sua nomeação em 2003 para o cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional, quando a entidade passou a ser presidida por Samek.
Diretora da Itaipu Binacional
Sua aproximação com o governo federal rendeu a sua nomeação em 2003 para o cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional, quando a entidade passou a ser presidida por Jorge Samek. Foi nomeada em 21 de janeiro de 2003 em substituição a Rubens Ghilardi. A diretoria financeira era responsável, naquele período, por um orçamento anual superior a 3 bilhões de dólares, administrando operações em três moedas, real, guarani e dólar, em razão do caráter binacional da empresa, compartilhada entre Brasil e Paraguai. Durante sua gestão, foram implementadas medidas estruturantes, como a modernização administrativa e de controle financeiro, com integração dos sistemas de gestão econômica da usina e a adoção de mecanismos mais transparentes de compras públicas, incluindo o uso do pregão eletrônico, buscando maior eficiência e economia na gestão de recursos da hidrelétrica.
Candidata ao Senado Federal
Nas eleições de 2006 concorreu ao Senado Federal e obteve cerca de 45% dos votos válidos, ficando em segundo lugar na disputa. Na disputa por uma vaga não obteve êxito apesar de expressiva votação, perdendo para a reeleição de Alvaro Dias.
Candidata a Prefeitura de Curitiba
Em 2008 candidatou-se à prefeitura de sua cidade natal, Curitiba, obtendo o segundo lugar com 18,17% do votos nas eleições de 5 de outubro de 2008, sendo derrotada por Beto Richa do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). A disputa ficou polarizada entre Richa e Hoffmann, concorrendo também ao comando do executivo municipal candidatos como: Carlos Moreira Júnior do PMDB (1,90% dos votos), Maurício Furtado do PV (0,88% dos votos) e Ricardo Gomyde do PCdoB (0,71% dos votos).
Senadora pelo Paraná
Em 2010 disputou novamente o cargo de senadora, elegendo-se desta vez como a primeira mulher no Paraná e a mais votada no pleito, juntamente com Roberto Requião (PMDB), que obteve o segundo lugar. Seu primeiro suplente foi Sérgio Souza, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e seu segundo suplente foi Pedro Irno Tonelli (PT). Quando senadora, criou um projeto de lei que extingue os 14º e 15º salários dos parlamentares. Depois de dois anos em tramitação no Congresso, o projeto foi aprovado pela casa em fevereiro de 2013. O projeto previu uma redução nos custos de quase R$32 milhões. Em novembro de 2015, votou contra a prisão de Delcídio Amaral. Já em 8 de março de 2016, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado elegeu a senadora para presidir o colegiado em substituição ao senador petista Delcídio do Amaral (MS).
Ministra-chefe da Casa Civil
Com o pedido de demissão de Antonio Palocci em 7 de junho de 2011, Gleisi foi, no mesmo dia, indicada ministra-chefe da Casa Civil, e tomou posse no dia seguinte em cerimônia no Palácio do Planalto. Em sua vaga no Senado Federal assumiu seu primeiro suplente Sérgio Souza (PMDB). Classificada como de perfil técnico, a ministra em uma análise pessoal de seu desempenho na administração federal indagou sua pouca experiência naquele âmbito e lamentou não poder concluir todas a propostas pertinentes, como finalizar as concessões de rodovias e aeroportos. Gleisi afirmou em dezembro de 2013 que a presidente Dilma Rousseff pretendia realizar uma reforma ministerial em 2014 e que provavelmente iria deixar a pasta, podendo concorrer as eleições ao governo do Paraná. Gleisi deixou a Casa Civil em fevereiro de 2014 e retornou ao Senado. Foi sucedida por Aloizio Mercadante.
Candidata ao governo do Paraná
Em março de 2014, em comitiva com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi anunciada a pré-candidatura de Gleisi ao governo do Paraná. Na eleição de 2014, foi candidata ao governo do Estado pela coligação Paraná Olhando pra Frente, formada pelo PT, Partido Democrático Trabalhista (PDT), PCdoB, Partido Trabalhista Nacional (PTN) e pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB), tendo o médico Haroldo Ferreira, do PDT, como companheiro de chapa. A dupla alcançou 881.857 votos no primeiro turno (14.87% do total de votos válidos), terminando a disputa na terceira colocação, atrás do governador Beto Richa, que acabou reeleito, e do senador Requião.
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O primeiro matrimônio de Gleisi Hoffmann foi com o jornalista Neilor Toscan, em 1990, e foram casados por seis anos. Em 1998 casou com o político Paulo Bernardo, e juntos tiveram dois filhos (João Augusto e Gabriela Sofia). Gleisi e Paulo, formaram o primeiro casal ministerial da República, sendo assim algumas vezes lembrados pela imprensa. Revezando entre Brasília e Curitiba, a família, em Curitiba, residia no bairro Água Verde. Em agosto de 2019, Gleisi anunciou a separação de Paulo Bernardo. Em março de 2020 assumiu o relacionamento com o político Lindbergh Farias.
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Operação Lava Jato - indiciamento e absolvição
O doleiro Alberto Youssef, condenado por corrupção passiva na ação penal dos desvios da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato, afirmou em delação premiada que a campanha política de Gleisi Hoffmann nas eleições de 2010 recebeu R$ 1 milhão. Paulo Roberto Costa também condenado, confirmou a acusação e o valor. Segundo artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, "Youssef era parceiro do deputado federal André Vargas, que fazia parte do mesmo grupo político de Gleisi e do marido, Paulo Bernardo. Gleisi e Paulo Bernardo negam as acusações. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, seu nome foi citado em janeiro de 2015 na delação premiada da Operação Lava Jato. Em 6 de março de 2015, o nome de Gleisi foi incluído na lista de políticos envolvidos na Operação Lava Jato, e o ministro Teori Zavascki do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a instauração do Inquérito PET-5257, bem como a realização de diligências. Um julgamento realizado pelo STF em 23 de setembro de 2015 decide que Gleisi Hoffmann não será investigada pela força-tarefa da Lava-Jato. O argumento do relator do caso, o ministro Dias Toffoli, é que a Lava-Jato se dedica à corrupção na Petrobras e não em outros setores.
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Sua atuação na gestão pública lhe rendeu reconhecimento nacional, tendo recebido uma série de honrarias. Em 2003 foi agraciada com Honra ao Mérito, Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Foz do Iguaçu/PR, tendo no mesmo ano recebido na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná a Láurea de Homenagem e Reconhecimento-Movimento Pró-Paraná. Em 2005 recebeu o Certificado de Personalidade Amiga da Criança e da Cidadania, Associação de Futsal Planeta Bola - Francisco Beltrão/PR. Já em 2006 recebeu Agradecimento Público da Administração, Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu/PR (CESUFOZ), e Homenagem ao Dia Internacional da Mulher, na Câmara Municipal de Curitiba, além da Medalha João Paulo II - Dedicação, atenção e compromisso em favor do Povo Paranaense, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Sul II. Em 2007 recebeu a Honra ao Mérito, da Federação Comunitária das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (FEMOCLAM), e, Moção nos 21 anos de fundação da Federação Comunitária das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (FEMOCLAM), na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná - Curitiba/PR. Em 2008, Menção Honrosa nos 25 anos da Fundação da Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia (APACN), Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Voto de Louvor e Congratulações nos 22 anos da Federação das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (FEMOCLAM), Câmara Municipal de Curitiba, também em 2008. em 2009 recebeu o título de Cidadã Honorária de São João do Triunfo - Lei Municipal 12/02/2009, Câmara Municipal de São João do Triunfo/PR.


