Floriano Peixoto
Floriano Vieira Peixoto, cognominado "O Marechal de Ferro" ou "Consolidador da República", foi um militar e político brasileiro que serviu como segundo presidente do Brasil de 1891 a 1894. Anteriormente, de fevereiro a novembro de 1891, foi o primeiro vice-presidente do Brasil. Seu governo abrange a maior parte do período da história brasileira conhecido como República da Espada.
Floriano Vieira Peixoto nasceu no engenho de Riacho Grande, em Ipioca, distrito da cidade de Maceió, no dia 30 de abril de 1839, um dos dez filhos de Manuel Vieira de Araújo Peixoto e de Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto.Ainda recém-nascido, foi entregue ao padrinho e tio, o coronel José Vieira de Araújo Peixoto, por quem foi criado. José tinha melhores condições financeiras para criá-lo, sendo um senhor de engenho local e influente político provincial. Estudou em regime de internato no Colégio Espírito Santo, em Maceió, até completar os estudos primários. Aos 16 anos, em 1855, mudou-se para o Rio de Janeiro para fazer os estudos secundários no Colégio São Pedro de Alcântara. O ingresso na carreira militar se deu dois anos depois, em 1.º de maio de 1857, quando assentou praça como soldado voluntário no 1.º Batalhão de Artilharia a Pé. No ano seguinte, aos 19 anos de idade, matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, concluindo o curso em 1861, declarado segundo-tenente e integrando o Corpo de Artilharia. Com a eclosão da Guerra do Paraguai, Floriano foi para o Rio Grande do Sul em maio de 1865 juntamente com o 1.º Batalhão de Voluntários da Pátria, denominação dada às unidades militares criadas em 1865 pelo Império do Brasil para reforçar o efetivo das forças militares do Exército Brasileiro na guerra. Participou, até o fim do conflito, das batalhas mais importantes da guerra, tais como as de Tuiuti, Itororó, Lomas Valentinas e Angostura. Ao término da guerra, foi promovido a tenente-coronel em 9 de abril de 1870.
Assumiu a república de forma ilegal após a renúncia de Deodoro da Fonseca, uma vez que com a Constituição de 1891 em seu artigo 42 dizia: "Se, no caso de vaga, por qualquer causa, da saída da presidência ou vice-presidência, não havendo ainda decorrido dois anos do período eleitoral, proceder-se-á uma nova eleição" Mesmo assim houve a posse de Floriano e esta foi interpretada na época como um retorno à legalidade, contando com o apoio das Forças Armadas, exército, marinha e Partido Republicano Paulista (que era oposição de Floriano até então, mas o apoiou para substituir mais facilmente Deodoro).⁹ Os seus primeiros atos depois de assumir a presidência foram anular o decreto que dissolveu o Congresso Nacional, retirada dos interventores estaduais indicados por Deodoro e tomou medidas econômicas atenuante em decorrência dos efeitos causados pela crise financeira gerada pelo estouro da bolha financeira do encilhamento, controlando o preço dos gêneros alimentícios de primeira necessidade e os aluguéis.
A Vigência do Estado de Sítio
Consta que Floriano Peixoto lançou uma ditadura.[carece de fontes?] Seu governo era de orientação centralizadora. Demitiu todos os governadores que apoiaram Deodoro da Fonseca. Na chamada Segunda Revolta da Armada agiu de forma contundente, vencendo-a de maneira cruel, ao contrário de Deodoro. Em abril de 1892 decretou estado de sítio, após manifestações de opositores e divulgação de manifestos na Capital Federal. Prendeu os manifestantes e desterrou outros para a Amazônia. Quando Rui Barbosa ingressou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal em favor dos detidos, Floriano Peixoto ameaçou os ministros da Suprema Corte: "Se os juízes concederem habeas corpus aos políticos, eu não sei quem amanhã lhes dará o habeas corpus de que, por sua vez, necessitarão". O STF negou o habeas corpus por dez votos a um.
A segunda Revolta da Armada
Aconteceu em 1893, desta vez contra o presidente, marechal Floriano Peixoto. Esta também foi chefiada pelo almirante Custódio de Melo, depois substituído pelo almirante Saldanha da Gama. Floriano não cedeu às ameaças; assim, o almirante ordena o bombardeio da capital brasileira. No ano seguinte Floriano e o exército brasileiro obtiveram apoio da marinha de guerra norte-americana no rompimento do bloqueio naval imposto pela marinha brasileira. Assim, o movimento desencadeado pela marinha de guerra brasileira no Rio de Janeiro terminou em 1894, com a derrota e fuga dos revoltosos para Buenos Aires.[carece de fontes?]
Marechal de Ferro
Floriano Peixoto, em seus três anos de governo como presidente, enfrentou a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul, iniciada em fevereiro de 1893. Ao atacá-la, apoiou Júlio Prates de Castilhos.[carece de fontes?] O apelido de "Marechal de Ferro" se popularizou devido a sua impiedade diante das mortes que causou afim de suprimir a população envolvida na Revolução Federalista, que ocorreu na cidade de Desterro (atual Florianópolis), como na Segunda Revolta da Armada.
Entrega do cargo e morte
Floriano Peixoto entregou o poder em 15 de novembro de 1894 a Prudente de Morais, e morreu em 29 de junho do ano seguinte, em sua fazenda em Ribeirão da Divisa, atual Floriano, distrito de Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro, vítima de uma cirrose hepática. Deixou um testamento político: "A vós, que sois moços e trazeis vivo e ardente no coração o amor da Pátria e da República, a vós corre o dever de ampará-la e defendê-la dos ataques insidiosos dos inimigos". [...] A mim me chamais o consolidador da República. Consolidador da obra grandiosa de Benjamin Constant e Deodoro são o exército nacional e uma parte da armada, que a Lei e às instituições se conservaram fiéis.
Floriano Peixoto já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Cláudio Cavalcanti na minissérie República (1989) e Othon Bastos no filme Policarpo Quaresma, Herói do Brasil (1998), baseado no romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. Também teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 100 (cem cruzeiros) colocadas em circulação no Brasil entre 1970 e 1980. A cidade de Florianópolis, atual capital do estado de Santa Catarina, chamava-se Desterro até o final do século XIX. Com o desfecho da Revolução Federalista em 1894, como forma de menosprezar os apoiadores do fim do centralismo republicano, o governador do estado, Hercílio Luz, mudou o nome para Florianópolis, como culto a personalidade de Floriano Peixoto. O distrito de Ribeirão da Divisa, em Barra Mansa (RJ), local onde Floriano Peixoto morreu, recebeu em sua homenagem o nome de Floriano. A primeira renomeação ocorreu em 23 de outubro de 1926. Em 31 de dezembro de 1943, o distrito voltou a ser nomeado Ribeirão da Divisa. O nome de Floriano foi atribuído definitivamente ao distrito em 18 de outubro de 1951, com a Lei Estadual n.º 1 324.


