Arthur Ferreira de Andrade
Arthur Ferreira de Andrade foi um jornalista, advogado, funcionário público e um dos fundadores do jornal O Exemplo (1892–1930), um dos principais periódicos da imprensa negra no Rio Grande do Sul. Foi o primeiro diretor do jornal, assumindo sua direção editorial aos 21 anos e permanecendo como colaborador até sua morte. Nascido livre no mesmo ano da promulgação da Lei do Ventre Livre, viveu sua infância e juventude durante o período escravista, tornando-se posteriormente uma das principais lideranças da imprensa e da intelectualidade negra gaúcha. Morreu aos 54 anos, em 11 de março de 1925, vítima de uremia.
Em 1910, casou-se com a cirurgiã-dentista Carmen Pinto Azevedo, com quem teve dois filhos. Carmen Pinto de Azevedo Andrade foi uma cirurgiã-dentista, professora e filantropa, nascida em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 9 de dezembro de 1890. Graduou-se em Odontologia pela Faculdade de Medicina do Rio Grande do Sul, em 1908, destacando-se como uma das pioneiras da profissão no estado. Ao longo de sua trajetória profissional, atuou como cirurgiã-dentista da Escola de Engenharia e, semanalmente, prestava atendimento odontológico aos alunos do Patronato Rural. Foi co-fundadora do Sindicato Odontológico e destacou-se como pioneira na implantação da Odontologia Escolar, tornando-se a primeira cirurgiã-dentista da Escola Profissional Feminina Ernesto Dorneles. Paralelamente às suas atividades profissionais, desenvolveu um importante trabalho filantrópico, oferecendo atendimento odontológico gratuito à população em situação de vulnerabilidade social.
Trabalho
Arthur Ferreira de Andrade ingressou nos Correios por concurso público, onde trabalhou por mais de duas décadas, alcançando o cargo de oficial da Seção de Administração. Destacou-se por sua atuação na imprensa negra como um dos fundadores e primeiro diretor do jornal O Exemplo, permanecendo como redator e colaborador durante toda a sua vida. Também participou ativamente da vida política e associativa de Porto Alegre, integrando o Partido Republicano Rio-Grandense, a Guarda Nacional, onde atuou como orador do Clube de Oficiais, e diversas entidades da comunidade negra, como a Beneficência Porto-Alegrense, da qual foi vice-presidente. Seu trabalho no jornal e sua atuação em instituições civis consolidaram-no como uma importante liderança intelectual e política da população negra no Rio Grande do Sul.


