Artgemeinschaft
A Artgemeinschaft, ou Comunidade da Fé Germânica, é uma organização alemã com raízes neopagãs e neonazistas. Fundada em 1951 por Wilhelm Kusserow, ex-membro da SS, a organização se fundiu com a Nordungen em 1983 e foi liderada por Jürgen Rieger de 1989 a 2009. Sua ideologia combina elementos de extrema-direita com religiões nórdicas e teutônicas, além de um forte viés xenófobo e antissemita.
Pontos-chave
- Fundada em 1951 por um ex-membro da SS, a Artgemeinschaft é uma organização alemã neopagã e neonazista.
- Sua ideologia mistura crenças nórdicas/teutônicas com extrema-direita, xenofobia e antissemitismo, rejeitando o cristianismo.
- A filiação é restrita a pessoas de "nascimento nórdico", atraindo membros de diversas correntes da extrema-direita.
- Um de seus símbolos, a águia pegando um peixe cristão, foi registrado como marca e é usado por neonazistas na Alemanha.
- Considerada uma das estruturas mais duras e perigosas da extrema-direita alemã, com ligações a movimentos de assentamento e terrorismo de direita.
A Artgemeinschaft sintetiza ideologias de extrema-direita com religiões nórdicas e teutônicas, como o Ásatrú, incorporando também aspectos ateístas. Na década de 1960, elementos teosóficos e ariosóficos foram adicionados. Sua visão de mundo é marcadamente xenófoba e antissemita, centrada no princípio da 'comunidade racial' (Artgemeinschaft) e na 'crença racial' (Artglaube). Diferentemente de outras organizações pagãs, não dá importância a figuras como Guido von List ou Lanz von Liebenfels. Em vez disso, utiliza teses de Schopenhauer, Nietzsche, Eduard von Hartmann e Feuerbach para atacar a moral cristã e substituí-la por uma pagã. Segundo Fromm, a crença em deuses não é um impulso central para a Artgemeinschaft. Um símbolo notório do grupo é a 'águia pegando um peixe cristão' (Adler fängt Fisch ou Adler fängt Ichthys), que simboliza a rejeição ao cristianismo. Este símbolo foi registrado como marca do grupo em 2003, influenciando seu uso por neonazistas na Alemanha e até mesmo a rejeição de um brasão distrital em 2012.
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A filiação à Artgemeinschaft é estritamente regulada por critérios raciais, permitindo apenas a adesão de pessoas "nascidas no norte". Seus membros provêm de diversas correntes da extrema-direita, abrangendo desde militantes neofascistas até representantes da Neue Rechte (Nova Direita). Entre seus membros notáveis estão o teórico francês da Nova Direita Pierre Krebs e o autor de direita Claus Nordbruch. Stephan Ernst, o assassino do político Walter Lübcke, foi membro da Artgemeinschaft até 2011. A organização publica o jornal völkisch 'Nordische Zeitung' através da AG GGG.
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O escritório estadual de Niedersachsen para a proteção da constituição identificou a Artgemeinschaft em conexão com movimentos de assentamento de direita na Baixa Saxônia e em Mecklenburg-Vorpommern, indicando sua participação em atividades que visam estabelecer comunidades baseadas em sua ideologia.
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Em 2022, a especialista em extremismo de direita Andrea Röpke descreveu a Artgemeinschaft como uma das "estruturas mais duras da extrema-direita", afirmando que "não se isola de forma alguma do terrorismo de direita". Röpke destacou que, embora opere sob o rótulo de "religiosidade da natureza e comemoração ancestral", a Artgemeinschaft é, na verdade, "uma das estruturas mais conspiratórias – e eu diria – mais perigosas que temos na Alemanha", sublinhando seu caráter oculto e ameaçador.


