Arracão
Arracão é uma região histórica costeira do sudeste da Ásia, localizada entre a baía de Bengala a oeste, o subcontinente indiano a norte e a Birmânia a leste. As Montanhas do Arracão isolaram a região e a tornaram acessível apenas pelo mar. A região atualmente forma o estado de Arracão em Mianmar.
Cláudio Ptolomeu identificou Arracão como Argiré. Registros portugueses grafavam o topônimo como Arracão. O topônimo foi escrito como Araccan em muitos mapas antigos e publicações europeias. A região foi nomeada como "Divisão de Arracão" (Arakan Division) durante o domínio britânico na Birmânia.
Outros nomes
Os primeiros comerciantes árabes estavam familiarizados com o topônimo indiano de Rohang como o nome de Arracão. A tradição birmanesa mantém o nome da região como sendo Rakhaing.
Os sucessores de Mim Sau Mom no Reino de Mrauk U procuraram acabar com a hegemonia do Sultanato de Bengala. Mim Cai (Ali Cã) foi o primeiro a desafiar a hegemonia bengali. Ba Sau Piu (Calima Xá) derrotou o sultão de Bengala Rocanadim Barbaque Xá em 1459. Mim Bim (Zabuque Xá) conquistou Chatigão. Tirando vantagem da campanha de invasão do Império Mogol em Bengala, a marinha e os piratas do Arracão dominaram uma linha costeira de 1000 milhas, abrangendo desde os Sundarbans até Moulmein. O litoral do reino era frequentado por árabes por portugueses ( a partir de 1514) e um século depois por holandeses, dinamarqueses . O controle dos vales do rio Kaladan e do rio Lemro levariam ao aumento do comércio internacional, tornando Mrauk U próspero. Os reinados de Mim Palaungue (Siquender Xá), Mim Rajagiri (Salim Xá I) e do neto Mim Camaungue (Huceine Xá) fortaleceram a riqueza e o poder de Mrauk U.:20–21 O Arracão foi conivente no comércio de escravos com o assentamento português em Chatigão. Depois de conquistar a cidade portuária de Sirião em 1599, o Arracão nomeou o mercenário português Filipe de Brito e Nicote como o governador de Sirião. Mas Nicote depois transferiu Sirião para a autoridade da Índia portuguesa. :21
Primeiros habitantes
Não está claro quem foram os primeiros habitantes; alguns historiadores acreditam que os primeiros colonizadores incluíram a tribo Mro birmanesa, mas há uma falta de evidência e nenhuma tradição clara de sua origem ou registros escritos de sua história. A história tradicional birmanesa sustenta que o Arracão foi habitado pelos arracaneses desde 3 000 a.C.. Mas não há evidência arqueológica para apoiar essa reivindicação.:17 De acordo com o historiador britânico Daniel George Edward Hall, que escreveu extensivamente sobre a história da Birmânia, "os birmaneses aparentemente não se estabeleceram no Arracão possivelmente até depois do século X Por isso, acredita-se que dinastias primitivas tenham sido indianas, dominando uma população similar à de Bengala. Todas as capitais conhecidas pela história foram no norte, perto da moderna Akyab".
Antiga influência índica
O Arracão ficou sob forte influência índica a partir do subcontinente indiano, particularmente os antigos reinos do delta do Ganges. O Arracão foi uma das primeiras regiões do sudeste da Ásia a adotar religiões dármicas e tornou-se um dos primeiros reinos indianizados do sudeste da Ásia. Missionários budistas do Império Máuria viajaram através do Arracão para outras partes do sudeste asiático.
Primeiros estados
Devido à evidência de inscrições em sânscrito encontradas na região, os historiadores acreditam que os fundadores do primeiro estado arracanês foram indianos.:17 O primeiro estado arracanês desenvolveu-se em Daniauádi entre os séculos IV e VI. A cidade era o centro de uma grande rede comercial ligada à Índia, China e Pérsia.:18 O poder então deslocou-se para a cidade de Uaitali, onde a dinastia Chandra governou. Uaitali tornou-se um porto comercial rico.:18 O estado de Hariquela, regido pelos Chandra, era conhecido como Reino de Rumi para os árabes.
Chegada do Islã
Desde o século VIII, mercadores árabes começaram a conduzir atividades missionárias e muitos habitantes locais se converteram ao islamismo. Alguns pesquisadores especularam que os muçulmanos usavam rotas de comércio na região para viajar à Índia e à China. Um ramo do sul da Rota da Seda ligava a Índia, a Birmânia e a China desde o período neolítico. Muitos comerciantes árabes se casaram com mulheres locais e se estabeleceram no Arracão. Como resultado do casamento e conversão, a população muçulmana no Arracão cresceu.
Migração arracanesa
Também não está claro que os arracaneses eram uma das tribos das Cidades-Estados Pyu porque os Pyus não estão relacionados com a etnia birmanesa. Eles começaram a migrar para o Arracão através das Montanhas do Arracão no século IX. Os arracaneses se estabeleceram no vale do rio Lemro. Suas cidades incluíam Sambawak I, Pyinsa, Parein, Hkrit, Sambawak II, Myohaung, Toungoo e Launggret. As cidades floresceram entre os séculos XI e XV. Os birmaneses invadiram o Arracão em 1406.:18–20
Influência indo-islâmica
Após a invasão birmanesa, Mim Sau Mom fugiu para Gaurh no Sultanato de Bengala, onde permaneceu no exílio por 24 anos depois de receber asilo pelo Sultão Queaçadim Azã Xá. O Sultanato de Bengala foi um dos principais estados islâmicos estabelecidos após a conquista muçulmana do subcontinente indiano. Em 1430, Mim Sau Mom recuperou o controle do Arracão com a ajuda do Sultanato de Bengala. Ele estabeleceu sua nova capital na cidade de Mrauk U. O Arracão tornou-se um Estado vassalo do Sultanato de Bengala e reconheceu a soberania bengalesa sobre algum território do norte do Arracão. Os reis arracaneses adotaram títulos islâmicos e utilizaram o taka bengali. Mim Sau Mom intitulou-se como Solimão Xá. Os bengalis se estabeleceram no Arracão e formaram seus assentamentos.:20


