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Polo Universitário do Campo Alegre

O Polo Universitário do Campo Alegre, designado pela Universidade do Porto como Polo 3, ocupa uma encosta da margem direita do Douro a ocidente do centro tradicional do Porto, na União das Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, entre a Rua do Campo Alegre e a Via Panorâmica, junto à Ponte da Arrábida. Formado em torno de antigas quintas e palacetes, reúne as faculdades de Ciências, de Ciências da Nutrição e Alimentação, de Letras e de Arquitetura, o Jardim Botânico, o Planetário do Porto e o Estádio Universitário, sede do Centro de Desporto da Universidade do Porto.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/10/2026
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História

No final do século XVIII destacava-se no Campo Alegre a Quinta Grande, que pertencera à Ordem de Cristo e foi comprada em 1802 pelo médico francês Jean Pierre Salabert, passando a ser conhecida como Quinta Grande do Salabert; foi depois retalhada em várias propriedades, entre as quais as que deram origem à Casa Andresen, ao Palacete Burmester e à casa mais tarde adquirida por Primo Monteiro Madeira. Confiscados os bens de Salabert em 1817, a Quinta do Campo Alegre foi comprada em 1820 por João José da Costa e, em 1875, por João da Silva Monteiro, que mandou construir o palacete que acolhe hoje a Galeria da Biodiversidade. Em 1895 foi adquirida por João Henrique Andresen e Joana Lehmann Andresen, avós de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Ruben A., que ali passaram parte da infância; os jardins dos Jotas e o roseiral foram desenhados por Joana Lehmann Andresen. O Palacete Burmester foi construído para Gustav Adolf Burmester e Maria Henriqueta Leite Guedes, que compraram a propriedade em maio de 1896 e obtiveram licença de construção da Câmara Municipal em março de 1897.

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Unidades

No polo situam-se a Faculdade de Ciências, com seis edifícios principais e cerca de 60 000 m² de construção; a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação; a Faculdade de Letras, cujo novo edifício, de Nuno Brandão Costa, começou a ser construído em novembro de 2024; a Faculdade de Arquitetura; o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e o Planetário do Porto; e o Estádio Universitário Prof. Dr. Jayme Rios Souza, com dois campos de futebol e râguebi, uma área de atletismo, dois campos de ténis e o Pavilhão Prof. Doutor Galvão Telles, inaugurado em 1968, sede do Centro de Desporto da Universidade do Porto (CDUP-UP), serviço autónomo da Universidade desde 4 de fevereiro de 2013. Os Serviços de Ação Social têm no polo as residências Campo Alegre I, com 156 camas, Campo Alegre III, com 43, e Novais Barbosa, na Rua da Pena, com 248.

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Património

A Casa Andresen, palacete da Quinta do Campo Alegre, acolhe desde 30 de junho de 2017 a Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, no Jardim Botânico. O Palacete Burmester, projetado pelo engenheiro José Estevão Parada e Silva Leitão na linha da escola Beaux-Arts francesa e recuperado por Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, é desde 2022 a sede da Casa dos Livros – Centro de Estudos da Cultura em Portugal, da Faculdade de Letras; em 2006 foi proposto como imóvel de interesse patrimonial na Carta de Património do Plano Director Municipal do Porto. A Casa Primo Madeira, construída na segunda metade do século XIX e ampliada em 1899 por José Marques da Silva, foi reabilitada por Fernando Távora, intervenção que recebeu o Prémio João de Almada em 1990, e o seu jardim foi remodelado por Francisco Caldeira Cabral; acolhe o Círculo Universitário do Porto. O edifício da Faculdade de Arquitetura integra a candidatura «Obras de Arquitetura de Álvaro Siza em Portugal» a Património Mundial, apresentada pela Faculdade em 2023; em julho de 2025, o Comité do Património Mundial adiou o exame da candidatura.

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Forma urbana e paisagem

Segundo Silvia Ramos, o Campo Alegre era, até meados do século XX, um conjunto de jardins privados que estruturava uma paisagem romântica, e tanto o plano de Fernando Távora como o de Januário Godinho propunham transformá-lo num espaço verde público, articulado com a nova rede viária e com os novos conjuntos edificados. A concretização do polo foi objeto de críticas. Nuno Tasso de Sousa, um dos autores do Plano Geral do Polo 3 e autor do edifício da Faculdade de Letras, escreveu em 2011 que o campus, que «deveria ser atractivo», se tornara «confuso, polarizador e enredado numa malha rodoviária de consequências dramáticas e praticamente irreversíveis», com as faculdades «isoladas umas das outras pelo traçado das vias de sentido único», e que a sua implementação fora «bastante díspar dos objectivos iniciais». Maria Teresa Fonseca, numa tese de doutoramento de 1996 sobre a construção do polo, escreveu que os planos nominalmente existentes para os polos 2 e 3, entre eles o Plano Geral aprovado em 1984, «não se apresentaram como entidades credíveis e estáveis», tendo servido, na prática, «para exclusiva encomenda e construção de edifícios ou parte de edifícios», e que a noção de planeamento das instalações permaneceu «abstracta na Universidade do Porto, durante largos anos». Em 2022, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, afirmou que «sempre houve um problema de inserção urbana ali», que não ficara resolvido «com a construção da ponte da Arrábida e dos seus acessos», e o vereador do Urbanismo, Pedro Baganha, admitiu a elaboração de um plano integrado para todo o polo.

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Acessos

O Campo Alegre não tem ainda estação de metro e é servido por autocarro; a estação mais próxima é a da Casa da Música. Duas linhas em construção vão servi-lo: a Linha Rosa, entre a Casa da Música e São Bento, com uma estação na Praça da Galiza, e a Linha Rubi, entre a Casa da Música e Santo Ovídio, com uma estação no Campo Alegre e uma nova ponte sobre o Douro, a Ponte D. Antónia Ferreira, reservada ao metro, a peões e a bicicletas.

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Fontes consultadas

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