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Arquitetura otomana

Arquitetura otomana refere-se à arquitetura do Império Otomano, que emergiu em Bursa e Edirne nos séculos XV e XVI. A arquitetura do império desenvolveu-se a partir da anterior arquitetura seljúcida e teve influências da arquitetura persa e bizantina, bem como das tradições islâmicas dos mamelucos depois da conquista de Constantinopla pelos otomanos. Durante praticamente quatro séculos, obras da arquitetura bizantina como a Basílica de Santa Sofia serviram de modelo para muitas mesquitas otomanas. A arquitetura otomana tem sido frequentemente descrita como uma síntese das tradições arquitetónicas do Mediterrâneo e Médio Oriente.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Antecedentes

Nas suas terras ancestrais, os turcos viviam em tendas em forma de cúpula, apropriadas ao meio ambiente local. Estas tendas viriam a influenciar a arquitetura e as artes ornamentais turcas. Quando os turcos seljúcidas chegaram pela primeira vez ao Irão, encontraram uma arquitetura baseada em antigas tradições. Integrando essas tradições com elementos das suas, os seljúcidas produziram novos tipos arquitetónicos, que usaram principalmente em madraçais (mederse, escolas teológicas islâmicas). Os primeiros madraçais seljúcidas, conhecidos como nizamiyya, foram construídos no século XI por Nizã Almulque, vizir de Alparslano e Maleque Xá I. Os mais notáveis nizamiyyas desse período são os madraçais estatais de Nixapur e Tus, no Irão, o de Baguedade, no Iraque e o madraçal de Hargerd, em Coração (Khorasan), no Irão. Outra área para a qual a contribuição dos seljúcidas para a arquitetura se revelou importante, foi a dos monumentos funerários, os quais podem ser divididos em dois tipos: com abóbadas e grandes mausoléus semelhantes a cúpulas, chamados estes últimos de türbes.

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Período antigo (1299-finais do século XV)

Com o estabelecimento do Império Otomano, os anos entre 1299 e 1453 constituem o primeiro período otomano, em que se assistiu à procura de novas ideias. A mesquita de Hacı Özbek, de 1333, em İznik, o primeiro centro importante da arte otomana, é o exemplo mais antigo de uma mesquita otomana de uma só cúpula.

Período de Bursa (1326-1437)

O estilo baseado em cúpulas evoluiu em Bursa e Edirne. A Grande Mesquita de Bursa (Ulu Camii, também conhecida por Mesquita Sagrada) foi a primeira mesquita seljúcida a ser convertida numa mesquita de cúpula. Edirne foi a última capital otomana antes de Istambul, onde se assistiu às últimas fases da evolução arquitetónica que culminaria na construção das grandes mesquitas imperiais de Istambul. Os edifícios construídos em Istambul no período entre a conquista da cidade, em 1453, e a construção da Mesquita de Bajazeto ainda são considerados como fazendo parte do período antigo da arquitetura otomana. Entre essas construções encontram-se a Mesquita do Conquistador, de 1463-1470, a Mesquita de Mahmut Paşa, as partes mais antigas do Palácio Topkapı e o Quiosque Esmaltado. À semelhança do que os seljúcidas fizeram em alguns locais, os otomanos integraram as mesquitas na comunidade e juntaram-lhes complexos denominados külliyes que incluíam refeitórios de beneficência (imaret), escolas teológicas (madraçais) e primárias (sıbyan mektebi), hospedarias de dervixes (tabhanes), caravançarais (hans), enfermarias, balneários públicos (hamans), etc.

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Período clássico (1437-1703)

Durante este período, as mesquitas passaram a incluir pátios interiores e exteriores. O pátio interior e a mesquita propriamente dita eram inseparáveis. O principal arquiteto deste período, Mimar Sinan, nasceu numa aldeia próxima de Kayseri em 1492 e morreu em Istambul em 1588. Sinan iniciou uma nova era na arquitetura mundial, criando 334 edifícios em várias cidades. A primeira obra importante de Sinan foi a Mesquita de Xazade, finalizada em 1548. A segunda sua obra significativa foi a Mesquita Süleymaniye (de Solimão) e o respetivo külliye, construída para glorificar o sultão Solimão, o Magnífico e finalizada em 1557. A obra-prima de Sinan, a Mesquita de Selimiye, em Edirne, foi construída entre 1568 e 1574, no auge da sua carreira de arquiteto imperial. Outras obras famosas de Sinan dentre as centenas da sua autoria, destacam-se as de Rüstem Paşa, as duas de Mihrimah Sultan (a de Edirnekapı e a de Üsküdar), os Banhos de Roxelana e os türbes (mausoléus) de Solimão e da sua esposa principal, Roxelana.

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Período de ocidentalização (1703-1876)

O reinado de Amade III (1703–1730) e do governo do seu grão-vizir İbrahim Paşa foi um período de paz. Devido às suas relações com França, a arquitetura otomana começou a sofrer influências dos estilos Barroco e Rococó, então em voga na Europa. Segundo alguns académicos, as primeiras manifestações do Barroco devem-se aos seljúcidas.[necessário esclarecer] Exemplos de criações barrocas dos seljúcidas podem ser observados, por exemplo, no hospital e Grande Mesquita e Hospital de Divriği (datado de 1229, na província de Sivas) classificados pela UNESCO como Património Mundial, no Çifte Minare (em Sivas), no İnce Minareli Medrese (em Cônia), além de muitos outros locais. Este estilo seljúcida é usualmente designado como "Portal Seljúcida Barroco". O Barroco ressurgiu depois em Itália e posteriormente a sua popularidade cresceu no Império Otomano. Foram enviados observadores às cidades europeias, especialmente a Paris, para conhecerem os costumes e modos de vida contemporâneos europeus. Os elementos decorativos do Barroco e Rococó europeus influenciaram tanto a arquitetura profana como a religiosa. Por outro lado, Mellin, um arquiteto francês, foi convidado por uma irmã de Selim III para visitar Istambul, onde pintou as costas do Bósforo e as mansões de recreio (yalıs) aí situadas.

Era Tulipa (1703-1757)

O reinado de Amade III é conhecido como o "Era Tulipa" devido ao uso profuso daquela flor nas decorações desse tempo. Durante esse período, durante o qual foi determinante a influência do grão-vizir Ibraim Paxá e da sua esposa Fatma Sultan, filha de Amade III, a arquitetura e artes decorativas otomanas foram grandemente influenciadas pelo Ocidente, que então exercia um grande fascínio sobre as elites do império. Em vez de monumentos e obras clássicas, foi dado ênfase à construção de yalıs (villas, palacetes e pavilhões), que foram construídos à volta do centro de Istambul. Foi também durante este período que foi construído o Palácio de Isaque Paxá, na Anatólia Oriental, junto ao que é hoje a fronteira da Turquia com a Arménia, Irão e Iraque, na província de Are.

Período barroco (1757-1808)

Durante a década de 1740, um novo estilo "barroco" otomano ou turco surgiu na sua plena expressão e rapidamente substituiu o estilo do Período das Tulipas. Esta mudança marcou o fim definitivo do estilo clássico. As condições políticas e culturais que conduziram ao Barroco Otomano têm as suas origens em parte no Período das Tulipas, quando a classe dominante otomana se abriu à influência do mundo ocidental. Após o Período das Tulipas, o estilo otomano imitou abertamente a arquitetura europeia, tanto que a tendência arquitetónica e decorativa na Europa muitas vezes se refletiam no Império Otomano contemporaneamente ou após um curto atraso. As alterações eram particularmente notórias nas decorações e nos detalhes dos novos edifícios, em vez das suas formas gerais do espaço, embora também tenham sido introduzidas novas tipologias de edifícios resultantes de influências europeias. O termo "Rococó Turco", ou simplesmente "Rococó", é também utilizado para descrever o Barroco Otomano, ou partes dele, devido às semelhanças e influências do estilo Rococó francês em particular, mas esta terminologia varia de autor para autor.

Período do Império (1808-1876)

As obras mais representativas deste período são as mesquitas Nusretiye, Dolmabahçe e de Ortaköy, o túmulo do sultão Mamude, o Galata Mevlevihanesi (sede local, ou tekke, da ordem sufista Mevlevi em Gálata), os palácios Dolmabahçe e Beilerbei, o palacete Sadullah Paşa Yalı e o Kuleli Askeri Lisesi. Os arquitetos mais proeminentes deste período foram os da família Balyan, arménios de Istambul, e os irmãos Fossati, italianos contratados pela corte imperial. Os edifícios deste período caracterizam-se por uma mistura dos estilos Neoclássico, Barroco, Rococó e Império, bem patente na mesquitas de Ortaköy e no palácio e mesquita de Dolmabahçe.

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Período otomano final (1876-1922)

As obras mais importantes deste período são a Mesquita de Pertevniyal Valide Sultan, o grupo de edifícios do Grupo Şeyh Zafir, a Escola de Medicina de Haydarpaşa, o edifícios de Duyun-u Umumiye, o cartório de Istambul, várias estações de correios, como o Merkez Postane (estação central de correios) em Sirkeci, Istambul, e os Apartamentos Harikzedegan em Laleli. O estilo predominante era o ecletismo. Os arquitetos mais notórios desse período foram Raimondo Tommaso D'Aronco, um italiano ao serviço do sultão Abdulamide II, e Alexander Vallaury, levantino turco-francês de Istambul. Além destes, cabe também referir os membros da família Balyan, Mimar Kemaleddin Bey, Vedat Tek, William James Smith, August Jachmund e Giulio Mongeri.

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Fontes consultadas

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