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Arquitetura chinesa

A arquitetura chinesa refere-se ao estilo de arquitetura que tomou forma na China ao longo dos séculos. A maior parte dos princípios estruturais da arquitetura chinesa permaneceram inalterados, e as principais variações se dando apenas nos detalhes decorativos. Desde a dinastia Tang a arquitetura chinesa teve uma influência decisiva nos estilos arquitetônicos. Para cada fonte de informação - literária, gráfica, exemplar - existem fortes evidências testemunhando o fato de que os chineses sempre empregaram um sistema indígena de construção que manteve suas principais características, desde os tempos pré-históricos até o presente. Ao longo da vasta área que vai do Turquestão chinês ao Japão, da Manchúria à metade norte da Indochina francesa, o mesmo sistema de construção prevalece; e esta era uma área de influência cultural chinesa. Que este sistema de construção possa ter se perpetuado por mais de quatro mil anos ao longo de um território tão vasto e ainda assim permaneça uma arquitetura viva, que mantém suas características principais apesar das repetidas invasões estrangeiras - militares, intelectuais e espirituais - é um fenômeno comparável apenas à continuidade da civilização da qual ela é uma parte integral."

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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Características

Existem certas características comuns à maior parte da arquitetura chinesa, independente de sua específica região de origem ou ao uso ao qual à construção é destinada:

Ênfase horizontal

A mais importante destas características é a ênfase no eixo horizontal, em particular na construção de uma plataforma pesada e um grande telhado que "flutue" sobre esta base, com as paredes verticais não tão enfatizadas. Isto contrasta com a arquitetura ocidental, que tende a crescer em tamanho e profundidade. A arquitetura chinesa enfatiza o impacto visual da largura dos prédios. Os salões e palácios da Cidade Proibida, por exemplo, têm tetos relativamente baixos se comparados aos edifícios equivalentes no Ocidente, porém a sua aparência externa sugere a natureza onicompreensiva da China imperial. Estas ideias aos poucos também foram levadas à arquitetura ocidental moderna.

Simetria bilateral

Outra característica importante é sua ênfase na articulação e simetria bilateral, que indica equilíbrio. A simetria bilateral e a articulação dos edifícios é onipresente na arquitetura chinesa, de complexos palacianos à humildes casas de fazenda. Quando possível, projetos de reformas e extensões de uma casa procuram seguir e manter esta simetria, se o proprietário puder custear esta manutenção. Contrastando com seus edifícios, os jardins chineses são uma exceção notável, tendendo a ser assimétricos. O princípio que está sob a composição dos jardins é o de criar um fluxo duradouro e emular a natureza.

Hierarquia

A estrutura hierárquica, a importância e a utilização dos edifícios, na arquitectura tradicional chinesa, dependem sempre estritamente do posicionamento dos próprios edifícios nos lotes ou nos conjuntos. Prédios com portas na frente do imóvel são considerados mais importantes do que aqueles voltados para as laterais; os edifícios mais afastados da frente do imóvel são os menos importantes. No entanto, os edifícios nas traseiras, parte mais privada da propriedade, são tidos em maior estima e reservados aos familiares mais velhos, em comparação com os edifícios da frente, que normalmente são utilizados para empregados. Em complexos com mais pátios, o pátio central e os edifícios que o rodeiam são considerados mais importantes do que os periféricos, normalmente utilizados como armazéns ou cozinhas.

Espaços cercados

As práticas contemporâneas arquitetónicas do Ocidente tipicamente envolvem um edifício que é cercado por um jardim ou espaço aberto em sua propriedade. Estas práticas contrastam com a maior parte da arquitetura tradicional chinesa, que constrói edifícios ou complexos de edifícios que ocupam toda a propriedade, porém contém em seu interior espaços abertos, que podem ter duas formas: o pátio aberto (院) e o "poço do céu" (天井). O uso de pátios abertos é uma característica comum às muitas variantes da arquitetura chinesa, porém pode ser melhor exemplificada no Siheyuan, que consiste de um espaço vazio cercado por edifícios que são ligados uns aos outros diretamente ou através de varandas.

Geomancia

Noções de feng shui e conceitos míticos do taoísmo costumam estar presentes na construção e nos projetos da arquitetura chinesa, desde residências comuns até estruturas religiosas e imperiais. Entre estas estão: O uso de determinadas cores, números e pontos cardeais na arquitetura tradicional chinesa reflete a crença num tipo de imanência, onde a natureza de alguma coisa pode estar contida completamente em sua própria forma. Embora a tradição ocidental tenha desenvolvido gradualmente um corpo de literatura arquitetónica, pouco se escreveu sobre o assunto na China, e o primeiro texto conhecido, o Kaogongji, nunca foi contestado. Ideias sobre harmonia côsmica e a ordem da cidade eram interpretados habitualmente nos seus níveis mais básicos, de maneira que uma reprodução de uma cidade "ideal" nunca existiu. Pequim, da maneira como foi reconstruída ao longo dos séculos XV e XVI continua sendo o melhor exemplo do planejamento urbano tradicional chinês.

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Construção

Materiais e história

Ao contrário de outros materiais de construção, as antigas estruturas lígneas dificilmente sobreviveram, pois eram mais vulneráveis às intempéries, incêndios e estavam sujeitas naturalmente à decomposição ao longo do tempo. Embora diversos outros pagodes, torres residenciais e de observação tenham existido muito tempo antes dele, o Pagode Songyue, construído em 523, é o mais antigo pagode ainda em existência na China; seu uso de tijolos em vez de madeira teve muito a ver com sua durabilidade ao longo dos séculos. A partir da dinastia Tang (618–907) a arquitetura com tijolo e pedra gradualmente se tornou mais comum e substituiu os antigos edifícios de madeira. Um dos primeiros exemplos desta transição pode ser visto em projetos como a Ponte de Zhaozhou, completada em 605, ou o pagode de Xumi, construído em 636; sabe-se, no entanto, que tijolos e pedras já eram usados em edificações anteriores, como na arquitetura das tumbas subterrâneas de dinastias anteriores.

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Classificação por tipo de estrutura

Algumas classificações chinesas para a sua arquitetura incluem:

Simetria

Outra característica importante da arquitetura tradicional chinesa é a ênfase colocada na articulação simétrica dos edifícios, o que indica equilíbrio espiritual. A simetria bilateral é encontrada em toda a arquitetura chinesa, desde palácios articulados até as mais humildes casas de fazenda. Sempre que possível, os planos de renovação e ampliação das casas também procuraram manter esta simetria. Em contraste com os edifícios, os jardins chineses são a exceção mais notável à regra simétrica acima mencionada. O princípio da composição dos jardins é, de facto, a criação de fluxos e a emulação da natureza, sem prestar grande atenção à simetria global.

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Estilos arquitetônicos

Popular

Quanto aos membros das classes populares, fossem eles burocratas, mercadores ou fazendeiros, suas casas tendiam a seguir um padrão fixo: o centro do edifício era um santuário para as divindades e para os ancestrais, que também eram utilizados durante ocasiões festivas. Nos dois lados do edifício estavam os quartos dos anciãos; as duas alas do edifício, conhecidas como "dragões guardiões" pelos chineses, eram destinadas aos membros mais jovens da família, bem como continham a sala de estar, a sala de jantar e a cozinha - embora por vezes a sala de estar possa ser localizada mais próxima à área central. Por vezes as famílias extensas tornavam-se tão grandes que um ou por vezes até dois pares novos de "alas" tinham de ser construídas; isto resultava num edifício em forma de U, com um pátio apropriado para trabalhos agrícola; comerciantes e funcionários públicos, no entanto, preferiam fechar a parte frontal com um portão imponente. Todos os edifícios eram regulados legalmente, e a lei mantinha que o número de andares, o comprimento do edifício e as cores utilizadas dependiam da classe social à qual o seu proprietário pertencia.

Imperial

Certas características arquitetônicas eram reservadas unicamente para as construções feitas para o imperador da China. Um exemplo é o uso de telhas amarelas, já que o amarelo era a cor imperial por excelência, e a maior parte dos edifícios dentro da Cidade Proibida têm os telhados pintados desta cor. O Templo do Céu, no entanto, usa telhas azuis para simbolizar o céu. Os telhados são quase invariavelmente sustentados por cachorros ("dougong"), característica que é comum apenas aos maiores edifícios religiosos. As colunas de madeira dos edifícios, bem como a superfície das paredes tendem a ser pintados de vermelho. O negro também é uma cor muito utilizada nos pagodes; há a crença de que os deuses são levados, pela cor negra, a descer à Terra.

Religioso

De maneira geral, a arquitetura budista segue o estilo imperial. Um grande mosteiro budista normalmente tem um salão frontal, que abriga a estátua de um bodisátva, que é sucedido por outro salão, que abriga as estátuas dos budas. As acomodações para os monges estão localizadas em ambos os lados. Alguns dos principais exemplos estão em dois templos do século XVIII: , o Templo de Puning e o Templo Putuo Zongcheng. Os mosteiros budistas também costumam ter pagodes, que podem abrigar relíquias do Gautama Buda; os pagodes mais antigos tendem a ter quadro lados, enquanto os mais recentes normalmente possuem oito. A arquitetura taoísta, por outro lado, costuma seguir o estilo popular. A principal entrada dos edifícios daoístas, no entanto, costuma ser localizada no lado da estrutura, por supersticões de que demônios possam tentar entrar no recinto (ver feng shui). Em contraste ao que é feito nos templos budistas, num templo daoísta a divindade principal está localizada no salão principal, à frente do edifício, enquanto as divindades menores ficam na parte posterior e aos lados.

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Fontes consultadas

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