Mérida (Espanha)
Mérida é um município e cidade da Espanha, situado na parte norte na província de Badajoz. É um dos municípios mais extensos do país e é a capital da comunidade autónoma da Estremadura e da comarca de Tierra de Mérida-Vegas Bajas. Tem 865,2 km² de área e em 2021 tinha 59 424 habitantes.
O nome da cidade deriva do latim Emerita, que significa jubilada ou veterana. É a segunda parte do nome dado pelo imperador romano Augusto em 25 a.C. à colónia onde se instalaram soldados veteranos ou eméritos: Augusta Emerita. Os símbolos da cidade são a bandeira e o escudo, descritos da seguinte forma:
Pré-história
O espaço natural em que a cidade de Mérida se situa, entre as colinas do Calvário e San Albín, flanqueado pelos leitos dos Guadiana e do Albarregas [es], foi um lugar adequado para o estabelecimento de grupos humanos que subsistiram graças à recoleção de frutos, à caça à pesca. Os restos materiais encontrados na bacia do Guadiana evidenciam a existência de ocupações humanas nesse espaço desde o Paleolítico Inferior e Paleolítico Médio, o que pode ser constatado pela aparição de vestígios das indústrias líticas [es] caraterísticas desses períodos na área arqueológica de Morerías e nos atuais bairros de Bodegones e Abadías. Os vestígios seguintes de assentamentos humanos são do final do Neolítico e do Calcolítico, nomeadamente os descobertos no local próximo de Araya e a existência de numerosos exemplos de pinturas rupestres esquemáticas na área do município.
Época romana
Segundo a opinião mais difundida e apoiada, a cidade foi fundada em 25 a.C. com o nome de Colonia Iulia Augusta Emerita[a] pelo legado Públio Carísio por ordem de Augusto, para os soldados eméritos aposentados do exército romano, de duas legiões veteranas das Guerras Cantábricas: a V Alaudae e a X Gemina. Emeritus significa "aposentado" em latim, e referia-se aos soldados aposentados com honra. Esses militares ter-se-iam instalado num povoado pré-romano ou romano já existente, com população mista de nativos e romanos, pois Estrabão menciona explicitamente Mérida entre as cidades "sinoicísticas", isto é, de população mista. Os cidadãos romanos emeritenses foram adscrito à gens Papíria.
Idade Média
Nos anos seguintes, Mérida sofreu incursões de povos germânicos até a chegada dos suevos, que fizeram da cidade a capital do Reino Suevo no século V, durante o reinado de Réquila (r. 441–448). Posteriormente Mérida foi a capital do Reino Visigótico e consequentemente da maior parte da Hispânia, durante o reinado de Ágila I (r. 549–554). Durante o período vigótico destacaram-se vários bispos emeritenses, os chamados Santos Padres de Mérida [es] e o cristianismo arreigou-se fortemente.[carece de fontes?] A fé popular é demonstrada pela figura da mártir emeritense Santa Eulália (292–304), padroeira e alcaide perpétua da cidade. Mérida tem a maior coleção de escultura visigótica da Península Ibérica, conservada na Igreja de Santa Clara [es].
Idades Moderna e Contemporânea
A cidade iniciou uma recuperação política durante o reinado dos Reis Católicos (r. 1474–1504), para o que muito contribuiu o apoio do mestre da Ordem de Santiago Alonso de Cárdenas à causa de Isabel, a Católica na Guerra de Sucessão de Castela. A contribuiçaõ da cidade na conquista e colonização da América foi muito significativa. Segundo Navarro de Castillo, houve cerca de 210 emeritenses envolvidos, entre os quais se destacam Juan Rodríguez Suárez e Garci González de Silva, capitães de renome na conquista do que é hoje a Venezuela. As cidades de Mérida da Venezuela e a homónima do México, entre outras, foram fundadas por emeritenses. Com a reorganização territorial da Espanha, feita por Filipe V em 1720, a cidade tornou-se a capital da Intendência de Mérida.
Capital ao longo da história
Desde sua fundação e durante a maior parte da sua história Mérida foi capital de amplos territórios, tendo sido um importante centro político, administrativo, jurídico, económico, militar, religioso e cultural. Durante o período romano foi capital da província da Lusitânia desde 15 a.C. Nos anos finais do domínio romano, entre 298 e 409, foi capital da Diocese da Hispânia. Entre 412 e 418 foi a capital do rei alano Átax. No mesmo século foi brevemente capital do Reino Suevo. Entre 531 e 554 foi capital do Reino Visigótico de 531 a 554. Desde os primeiros anos do Al-Andalus (período muçulmano), na segunda década do século VIII, até à , até à queda do Califado de Córdova, em 1031, foi capital da Cora (província) de Mérida.
Mérida é a capital da comarca de Tierra de Mérida-Vegas Bajas e situa-se pouco menos de 70 km a leste de Badajoz, 73 km a sul de Cáceres, 340 km a sudoeste de Madrid, 72 km a leste da fronteira portuguesa de (Caia/Elvas) e 290 km a leste de Lisboa (distâncias por estrada). Por ela passam dois importantes eixos rodoviários da Espanha, as autovias do Sudoeste (A-5) e da Rota da Prata (A-66). A primeira liga Madrid à fronteira do Caia, tendo continuidade do lado português até Lisboa, pela A6. A A-66 liga Gijón, na costa do mar Cantábrico, a Sevilha; a norte segue o percurso da milenar Via da Prata, que no período romana ligava Augusta Emerita a Asturica Augusta, atual Astorga, outra importante capital regional da Hispânia romana. Tal como acontece atualmente com a A-66, durante o período romano a Via da Prata tinha continuidade para sul, pois havia uma estrada que ligava Augusta Emerita a Hispalis (Sevilha).
Clima
De acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger, o clima de Mérida é do tipo mediterrânico. Os invernos são suaves, com mínimas que raramente descem abaixo de 0 °C, e os verões são quentes, com máximas que ultrapassam os 40 °C. A precipitação anual média é 532 mm. Os meses mais chuvosos novembro e dezembro; em julho e agosto praticamente quase não chove. Como na generalidade do sul da Espanha, são frequentes os ciclos de seca, os quais duram habitualmente entre dois a cinco anos. No outono o clima é mais instável, registando-se com a ocorrência de tempestades e secas. A humidade e vento são reduzidos, mas é frequente a ocorrência de nevoeiro, sobretudo no outono e inverno.
Demografia
Segundo os dados oficiais, do Instituto Nacional de Estatística, em 2020 o município tinha 59 548 habitantes, o que corresponde a uma densidade populacional de 68,8 hab./km². Desde 2000 que se regista um crescimento demográfico sustentado. A cidade ganhou 6 649 habitantes entre 2000 e 2010, correspondente a 13,1 % e a uma média de quase 800 pessoas por ano. Boa parte deste incremento populacional deveu-se ao aumento da natalidade, especialmente notável entre 2006 e 2010. Após ter-se registado uma descida quase imperceptível da população entre 2013 e 2015, o crescimento foi retomado, mas a uma taxa muito mais baixa. Apesar de ser a terceira cidade com mais habitantes de Estremadura, tem uma densidade populacional baixa devido à sua grande extensão — com 865,2 km², é um dos maiores municípios espanhóis em área.[carece de fontes?] Por sexo, em 2020 residiam em Mérida 29 000 homens (48,7%) e 30 548 mulheres (51,3%). Nesse mesmo ano, os residentes estrangeiros representavam no mesmo ano 3,3% da população e no ano anterior foram registados 474 nascimento, o que corresponde a uma taxa de natalidade de 8,14 por mil habitantes. Esta taxa tem apresentado uma tendência de descida desde 2009, ano em se registaram mais 60% nascimentos do que em 2019, ano em que o número de filhos por mulher era 1,27.
Por ser capital da Estremadura, os principais órgãos dessa comunidade autónoma — a Junta da Estremadura (o executivo) e Assembleia da Estremadura (o órgão legislativo) — têm a sua sede em Mérida, o mesmo acontecendo com os principais organismos e empresas públicas regionais, como o Serviço Estremenho de Saúde (SES), Serviço Estremenho Público de Emprego (SEXPE), Serviço Estremenho de Promoção da Autonomia e Atenção à Dependncia (SEPAD), Turismo da Estremadura, Hospedarias da Estremadura, 112 Emergências Estremadura, Corporação Estremenha de Meios Audiovisuais (CEXMA), Instituto da Juventude da Estremadura, Conselho da Juventude da Estremadura e o Centro Regional de Professores e Recursos, entre outros. O centro regional da Estremadura da RTVE também é em Mérida. A cidade é sede do Partido Judicial de Mérida, número 4 da província de Badajoz. No moderno Palácio da Justiça funcionam cinco julgados de primeira instância, dois julgados penais, dois de contencioso-administrativos, um de comercial, a Terceira Secção da Audiencia Provincial de Badajoz e a Fiscalía de Área de Mérida, além de outros serviços, como medicina legal, registo civil e sala de matrimónios.
Acordos de cooperação com outras cidades
A cidade é a sede da plataforma "Méridas do Mundo", criada em 2013 e formada pela cidade espanhola, a Mérida venezuelana e a Mérida mexicana, ambas fundadas por conquistadores provenientes da Mérida espanhola e com as quais está também geminada. A plataforma tem como objetivo fomentar a cooperação económica e cultural entre as três cidades. Outra cidade geminada com Mérida é a cidade espanhola de Totana, na Região de Múrcia, a qual, como Mérida, tem Santa Eulália como padroeira.
O setor de serviços é o dominante na cidade, em especial o turismo e a administração governamental. A indústria também foi sempre muito importante e até há algumas décadas foi o principal motor da economia local. O comércio vive sobretudo dos clientes da comarca e das suas zonas limítrofes. Devido à sua situação central na região e às boas infraestruturas de transporte, a cidade é facilmente acessível a todos os estremenhos. Mérida é o nó de transportes mais importante do oeste peninsular espanhol, o que a torna um local ideal para a distribuição. Em 2004 foi inaugurado o Palácio de Congressos e Exposições e em 2008 a Instituição Ferial de Mérida, o que permite a realização de congressos, feiras comerciais e encontros empresariais. Em 2008 Mérida recebeu mais de 400 000 turistas nos seus monumentos e teve a ocupação hoteleira de 56%. Segundo o anuário económico de La Caixa o setor turístico emeritense é o que tem mais peso nas atividades da região. No que diz respeito à infraestrutura hoteleira, a cidade encabeça a comunidade autónoma. Além dos hotéis, a oferta é complementada com um parque de campismo, um albergue de peregrinos e uma pousada da juventude.
Além dos numerosos monumentos clássicos existentes na cidade, destacam-se como elementos de modernidade a cidade desportiva, o Instituição Ferial de Mérida [es] (IFEME), o Palácio de Congressos e Exposições, a sede da Confederação Hidrográfica do Guadiana (da autoria de Rafael Moneo), a Biblioteca Jesús Delgado Valhondo, a Ponte Lusitânia sobre o rio Guadiana (da autoria de Santiago Calatrava), o Edifício Administrativo de Morerías (da autoria de Juan Navarro Baldeweg), o Centro Cultural "Alcazaba", o Arquivo Geral da Estremadura, a Fábrica de Lazer e Criação Jovem (da autoria de José Selgas e Lucía Cano) e a Escola da Administração Pública (da autoria de Saénz de Oiza).[carece de fontes?] A "Torre de Mérida", com 16 andares, é o edifício residencial mais alto da Estremadura. No complexo administrativo "Mérida III Milenio", situado no bairro de San Lázaro, encontra-se o Palácio da Justiça, o edifício dos ministérios (consejerías) da Junta da Estremadura, a sede do Centro de Atenção de Urgências da Estremadura 112, a sede da Agência Estatal de Administração Tributária e o quartel do Corpo Nacional de Polícia. A Escola de Trânsito de Mérida é um centro de formação de especialistas em trânsito da Guarda Civil.
Transportes
A ferrovia chegou a Mérida em 18 de julho de 1864, com a linha que liga Badajoz a Madrid. A Estação de Mérida situa-se no limite do centro histórico e é gerida pela ADIF. A cidade é servida pelas seguintes linhas: A linha de alta velocidade que ligará Madrid a Lisboa vai passar e parar em Mérida. Em 2008 foi noticiado que as obras da linha da Alta Velocidade Espanhola irão libertar 24 ha de terrenos e entre 8 e 10 km de linha férrea na cidade. A área que é ocupada pela atual estação, que será desativada, e pela linha que passa por áreas urbanas e tem dificultado o desenvolvimento da cidade, dividindo várias zonas da cidade, será aproveitada para a construção duma ampla alameda e de espaços verdes. Está também prevista uma estação multimodal de passageiros.
Saúde
O principal hospital da cidade é o Hospital de Mérida. É de propriedade pública e é administrado pelo Serviço Estremenho de Saúde, um organismo que integra o Serviço Nacional de Saúde espanhol e está adscrito à Consejería (uma espécie de ministério) de Saúde e Política Social da Junta da Estremadura. Segundo o índice de excelência hospitalar do Instituto Coordenadas de Governança e Economia Aplicada, em 2015 era o terceiro melhor hospital da Estremadura. Além desse hospital, a cidade tem quatro centros de saúde, quatro clínicas privadas e outros cinco centros sanitários especializados (o Centro Sociosanitário "Adolfo Díaz Ambrona", o Centro Regional de Neurorrehabilitação da Estremadura "Casaverde", o Centro Regional de Parkinson da Estremadura, o Centro de Doentes de Alzheimer de Mérida e Comarca e a Comunidade Terapêutica de Dependências "La Garrovilla").
Em Mérida são praticados diversos desportos; os mais importantes são o futebol, basquete, andebol, râguebi, ginástica artística e rítmica, caiaquismo, natação, ciclismo e atletismo. Estes podem ser praticados através das Escolas Municipais Desportivas ou de clubes federados como o AD Mérida [es], Imperio CP [es], E.F. Emerita Augusta, C.D. Nueva Ciudad, Gladiadores Mérida Rugby, Club de Piragüismo Iuxtanam, Escuela de Ciclismo de Mérida, Club Deportivo Josefinas Mérida ou Formación Deportiva Mérida. No que respeita a desporto profissional, o clube de futebol mais famoso é a AD Mérida. O clube de xadrez Magic Estremadura conta com alguns dos melhores jogadores do mundo e são campeões da Espanha e da Europa por clubes; o clube de caiaque Iuxtanam, de que faz ou fez parte o treinador nacional e vários desportistas da seleção nacional. Há também alguns nadadores, atletas e ginastas que participam em competições nacionais e internacionais.
Ensino superior
A principal instituição de ensino superior da cidade é o Centro Universitário de Mérida [es], uma unidade da Universidade da Estremadura, que leciona cursos de graduação e pós-graduação, principalmente em ciências da saúde e engenharia. Em termos de educação artística, a principal instituição educacional da cidade é a Escola de Arte e Superior de Desenho de Mérida, que oferece diplomas legalmente equivalentes a diplomas universitários. O Instituto de Arqueologia de Mérida oferece um curso de pós-graduação em tecnologias da informação e comunicação em arqueologia. A Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED), que leciona vários cursos de graduação e pós-graduação, tem o seu Centro Regional da Estremadura sediado em Mérida. Na educação profissional, destaca-se a Escola Superior de Hotelaria e Agroturismo da Estremadura, que oferece um mestrado em economia verde e circular.
Educação linguística e musical
A Escola Oficial de Idiomas de Mérida leciona cursos de inglês, alemão, francês, português e italiano desde o nível A1 ao nível B2 do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas. A principal instituição de educação musical na cidade é o Conservatório Ofical de Música de Mérida "Esteban Sánchez", onde são lecionadas aulas de acordeão, clarinete, flauta transversal, saxofone, oboé, trombone, trompete, tuba, guitarra clássica, guitarra flamenca, violino, viola e violoncelo e piano, desde o nível elementar até ao profissional.
Outras ofertas educacionais
Em Mérida existem três centros de educação especial: Plena Inclusión, Emerita Augusta, Casa de la Madre. A primeira situa-se no centro, é de propriedade privada, mas em tem acordos com a administração pública. As restantes situam-se na parte sul da cidade e são públicas. O Museu Nacional de Arte Romana realiza diversas atividades educacionais relacionadas à história antiga, como cursos, conferências e exibição de documentários, destinados tanto a crianças e jovens como ao público em geral. A Escola de Trânsito da Guarda Civil, onde são formados os especialistas em trânsito daquele corpo de polícia, está sediada em Mérida.
Museus
O museu mais visitado da cidade é o Museu Nacional de Arte Romana (MNAR), cuja sede e polo principal se encontra num edifício construído para o alojar, da autoria do arquiteto Rafael Moneo, inaugurado em 1986, cujo aspeto geral e alguns detalhes remetem para a arquitetura romana. O museu é o sucessor do antigo Museu Arqueológico de Mérida, fundado em 1838, que funcionou no antigo Convento de Santa Clara [es], onde atualmente está instalada a Coleção Visigoda do MNAR, também conhecida como Museu de Arte Visigoda. A exposição permanente da sede do MNAR é composta por uma extensa e rica coleção de objetos da época romana (não apenas de arte) provenientes, quase todos, das escavações no sítio arqueológico daquilo que foi a colónia de Augusta Emerita.
Centros de interpretação e de investigação
Vários monumentos da cidade têm um centro de interpretação, nomeadamente a Basílica de Santa Eulália [es], o circo romano, o fórum romano, o teatro romano e os columbários junto à Casa do Mitreu [es] (sobre o mundo funerário romano). De referir também os centros de interpretação da pintura mural romana, do comércio e indústria romanas,[carece de fontes?] da Via da Prata e a "Exposição Permanente do Campo na Estremadura".[carece de fontes?] Junto à barragem romana de Proserpina, cuja albufeira abastecia de água a urbe romana, a cerca de 5 km da centro de Mérida, encontra-se o Centro de Interpretação da Água, onde é mostrado aos visitantes como era feita a distribuição de água nos tempos romanos, nomeadamente como eram construídos os aquedutos e como funcionavam os sistemas usados para fazer chegar a água a fontanários, lavadouros, banhos e latrinas públicas, indústrias e casas particulares.
Eventos culturais
O evento cultural com maior destaque da cidade na cidade é Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida [es], realizado todos os anos em julho e agosto no teatro romano. Embora o foco principal sejam representações de peças greco-romanas, inclui também outras representações cénicas, musicais e um ciclo de cinema. Foi realizado pela primeira vez em julho de 1933, sob o impulso de Margarita Xirgu, Rivas Cherif [es] e Miguel de Unamuno e após um interregno de mais de 21 anos, voltou a ser realizado em 1954. O teatro romano é também o palco do Festival Juvenil de Teatro Greco-Latino, realizado em abril e maio desde 1997, no qual atuam sobretudo alunos no ensino secundário, e o Stone&Music Festival, realizado em setembro, que inclui música de vários géneros. Em junho ocorre o festival Emerita Ludica, no qual se recria o passado romano da cidade nas ruas e monumentos, com desfiles, teatro, dança, recriações históricas e outras atividades culturais. No âmbito deste festival decorre a Rota da Tapa Romana Sentia Amarantis, um festival gastronómico.
Festas
O Carnaval Romano de Mérida, comemorado em fevereiro ou março, na época do Carnaval, inclui desfiles de comparsas, de bandas de música e coros, dois concursos de agremiações carnavalescas (um para as de adultos outro para as infantis), um concurso de poesia popular e o Concurso Nacional de Drag Queens Tomás Bravo. Durante os festejos decorre a Rota da Tapa Carnavalesca, um festival gastronómico, e o "Domingo das `Adas´", durante o qual diversas agremiações oferecem degustações gastronómicas com nomes como chocolatadas, canapetadas, salsichadas, paelladas, gazpachadas, jamonADAs, etc. A festa termina com o tradicional "Enterro da Sardinha". A Feira de Setembro é a festa mais importante da cidade. É a sucessora da feira da Assunção, que ocorria em 15 de agosto e que, além dos atos religiosos relacionados com o dia da Assunção da Virgem Maria que se realizavam na catedral e das atividades comerciais, incluía touradas. Durante o século XVIII, a feira foi sendo atrasada, até se converter, primeiro na Feira de São Bartolomeu (24 de agosto) e finalmente se fixar na data em que é realizada atualmente, no início de setembro, sendo comum que comece nos últimos dias de agosto. No passado era sobretudo uma feira de gado, principalmente, mas não só, de gado muar, onde acorriam criadores e negociantes de gado de toda a Espanha. Atualmente é de caráter principalmente lúdico.
Património arqueológico e histórico-arquitetónico
Mérida tem um importante património arqueológico, principalmente da época romana, durante a qual a cidade teve maior esplendor. O aparecimento de vestígios arqueológicos é constante e aind há muito terreno por escavar. O Consórcio da Cidade Monumental de Mérida dispõe de um serviço gratuito de escavações a realizar quando um imóvel é demolido, para que os cidadãos que decidam reformar imóveis não tenham que assumir qualquer custo devido à recuperação de património arqueológico que possa existir nos seus terrenos.
Gastronomia
A gastronomia emeritense baseia-se sobretudo em produtos naturais da região, como o presunto ibérico, queijo, azeite, hortaliça, fruta, carnes, especiarias, etc. Nos restaurantes da cidade tanto se encontram pratos mais prestigiados e mais conhecidos como gaspacho estremenho, ajoblanco, vitela retinta condimentada com pimenta, caldereta de cordero [es], coelho, perdiz ou lebre, como pratos da cozinha tradicional com nomes muito estremenhos, como o cojondongo [es], as migas, o zorongollo [es], os jilimojas ou a cardincha de paleta de borrego. Outros pratos e petiscos típicos são os espargos silvestres, tripas (callos), criadillas de la tierra [es] (espécie de trufa), focinho (morros), testa (prueba) e orelha de porco, caracóis, pernas de rã, além dos queijos com denominação de origem, enchidos (embutidos) e presuntos de porco preto ibérico (a Estremadura é a região espanhola onde se produz mais presunto autêntico "pata negra"). Principalmente no verão, há restaurantes que oferecem comida dita romana, usando dados sobre a gastronomia romana.[carece de fontes?] Todos os anos há pelo menos um evento dedicado a tapas: a "Rota da Tapa".


