Arquétipo
Arquétipo é um conceito que representa o primeiro modelo de algo, protótipo, ou antigas impressões sobre algo. É explorado em diversos campos de estudo, como a filosofia, psicologia e a narratologia.
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As origens da hipótese arquetípica datam de Platão. As ideias de Platão ou os chamados eidos platônicos eram formas mentais puras que foram impressas na alma antes de nascer no mundo. Alguns filósofos também traduzem o arquétipo como "essência", a fim de evitar confusão com relação à conceitualização das Formas por Platão. Embora seja tentador pensar nas Formas como entidades mentais (ideias) que existem apenas em nossa mente, o filósofo insistiu que elas são independentes de quaisquer mentes (atuais). As Ideias seriam coletivos no sentido de incorporarem as características fundamentais de uma coisa (qualidade universal) e não suas peculiaridades específicas (particulares). No diálogo Parmênides de Platão, as Ideias primordiais são chamadas na narrativa por Sócrates de "paradigmas" (paradeigmata):.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
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Para Jung, arquétipo é uma espécie de imagem primordial - apriorística - incrustada profundamente no inconsciente coletivo da humanidade, refletindo-se (projetando-se) em diversos aspectos da vida humana, como sonhos e até mesmo narrativas. Ele explica que "no concernente aos conteúdos do inconsciente coletivo, estamos tratando de tipos arcaicos - ou melhor - primordiais, isto é, de imagens universais que existiram desde os tempos mais remotos". Jung deduz que as "imagens primordiais" - outro nome para arquétipos - se originam de uma constante repetição de uma mesma experiência, durante muitas gerações. Eles são as tendências estruturantes e invisíveis dos símbolos. Por serem anteriores e mais abrangentes que a consciência do ego, os arquétipos criam imagens ou visões que balanceiam alguns aspectos da atitude consciente do sujeito. Funcionam como centros autônomos que tendem a produzir, em cada geração, a repetição e a elaboração dessas mesmas experiências. Eles se encontram entrelaçados na psique, sendo praticamente impossível isolá-los, bem como a seus sentidos. Porém, apesar desta mistura, cada arquétipo constitui uma unidade que pode ser apreendida intuitivamente.
Autonomia
Embora todos os arquétipos possam ser considerados como sistemas dinâmicos autônomos, alguns deles evoluíram tão profundamente que se pode justificar seu tratamento como sistemas separados da personalidade, dentre eles a persona, a anima (lê-se "ânima" em português do Brasil), o animus (lê-se "ânimus" em português do Brasil) e a sombra. Chamamos de instinto aos impulsos fisiológicos percebidos pelos sentidos. Mas, ao mesmo tempo, estes instintos podem também manifestar-se como fantasias e revelar, muitas vezes, a sua presença apenas através de imagens simbólicas. São estas manifestações que revelam a presença dos arquétipos, os quais as dirigem. A sua origem não é conhecida, e eles se repetem em qualquer época e em qualquer lugar do mundo - mesmo onde não é possível explicar a sua transmissão por descendência direta ou por "fecundações cruzadas" resultantes da migração.
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Mais tarde, em 1900, um psicólogo vienense chamado Dr. Ernest Dichter pegou essas construções psicológicas e as aplicou ao marketing. Dichter mudou-se para Nova York por volta de 1939 e enviou a todas as agências de publicidade da Madison Avenue uma carta com sua nova descoberta. Ele descobriu que a aplicação desses temas universais aos produtos promovia uma descoberta mais fácil e uma maior lealdade às marcas.
A crítica literária arquetípica argumenta que os arquétipos determinam a forma e a função das obras literárias e que o significado de um texto é moldado por mitos culturais e psicológicos. Arquétipos culturais são as formas básicas desconhecidas personificadas ou concretizadas por imagens, símbolos ou padrões recorrentes (que podem incluir motivos como a "busca" ou a "ascensão celestial"; tipos de personagens reconhecíveis, como o "trickster", o "santo", "mártir" ou "herói"; símbolos como a maçã ou a cobra; e imagens) e que foram carregados de significado antes de serem incluídos em qualquer trabalho em particular. Os arquétipos revelam papéis compartilhados entre sociedades universais, como o papel da mãe em suas relações naturais com todos os membros da família. Esse arquétipo pode criar uma imagem compartilhada, definida por muitos estereótipos que não se separaram da estrutura tradicional, biológica, religiosa e mítica.
Narratologia
Jung constatou que, além de elementos tipicamente ligados à psique, como os sonhos, os arquétipos do inconsciente coletivo também se expressam através de narrativas, destacando e estudando especialmente o mito e o conto de fada. Ele diz: Jung fez ampla análise literária com base em sua psicologia e imagens arquetípicas; destacam-se sua interpretação de Nietzsche do Assim Falou Zaratustra e de diversos mitos, contando com cerca de 900 entradas de diferentes citações. Numerosos discípulos o seguiram nessas leituras, por exemplo Marie-Louise von Franz em seus diversos estudos e interpretações sobre contos de fadas. Não foi senão até o trabalho do crítico literário canadense Northrop Frye que a crítica arquetípica foi teorizada em termos puramente literários. A principal obra de Frye para lidar com arquétipos é Anatomia da Crítica (1957), mas seu ensaio "Os Arquétipos da Literatura" é um precursor do livro. A tese de Frye em "Os arquétipos da literatura" permanece praticamente inalterada em Anatomia da Crítica. O trabalho de Frye ajudou a substituir a Nova Crítica como o principal modo de analisar textos literários, antes de dar lugar ao estruturalismo e à semiótica.


