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Niède Guidon

Niède Guidon OMC • OLH • ORB foi uma arqueóloga, pesquisadora e professora universitária brasileira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Biografia

Formação e carreira

Nascida no interior do estado de São Paulo. Seu pai, Ernesto Francesco Guidon, era natural da cidade de Turim (Itália). Os avós paternos haviam contraído casamento em Jaú em 1892 onde haviam se estabelecido como imigrantes, sendo o avô paterno, Joseph Guidon, natural do Vale de Aosta, região italiana de língua arpitana, e a avó da província de Asti, no Piemonte. Sua mãe, Cândida Viana de Oliveira, tinha ascendência colonial luso-brasileira. Graduada em História Natural pela Universidade de São Paulo (USP), em 1959, especializou-se em Arqueologia Pré-histórica, com ênfase em arte rupestre, na Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne (1961–1962), e obteve o seu doutorado em Pré-história, pela mesma universidade, em 1975, com a tese intitulada Les peintures rupestres de Varzea Grande, Piauí, Brésil, sob a orientação de André Leroi-Gourhan.

Pedra Furada

O mais famoso sítio pré-histórico estudado por Guidon é a Toca do Boqueirão da Pedra Furada, no parque da Serra de Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí. Pedra Furada é um abrigo rupestre com 17 metros de profundidade; suas paredes são pintadas com mais de 1 150 imagens pré-históricas. Nesse local, Guidon encontrou milhares de artefatos que poderiam sugerir trabalhos manuais humanos - incluindo uma estrutura semelhante a uma fogueira, formada por troncos e pedras - que ela estima datarem de 48 700 anos A.P. Ela acredita que humanos chegaram ao Brasil há cerca de 100 000 anos, provavelmente de barco, provenientes da África. Os restos vegetais e animais recuperados dos níveis de c. 10 000 anos desse sítio e de níveis comparáveis de outro abrigo rochoso na Serra, o sitio de Perna, mostram que a área era mais úmida e mais florestada do que hoje. Todavia, o geoarqueólogo Michael R. Waters, da Universidade A&M do Texas, observou a ausência de evidências genéticas, nas populações modernas, para apoiar a reivindicação de Guidon.

Aposentadoria

Por quase cinco décadas, Niède Guidon protagonizou as pesquisas arqueológicas na área de São Raimundo Nonato e lutou pela conservação do Parque, até que, em 2020, aos 87 anos, as sequelas da chikungunya lhe causaram problemas nas articulações, obrigando-a a usar uma bengala para andar, e impossibilitando-a a fazer suas longas caminhadas pelo parque - ela decidiu que estava na hora de parar. Em dezembro do mesmo ano, o Governo Federal, na época representado pelo presidente Jair Bolsonaro, autorizou a concessão do Parque Nacional da Serra da Capivara - patrimônio cultural da humanidade atualmente vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) - para exploração pelo setor privado.

Morte

Morreu, em 4 de junho de 2025, vítima de um infarto. Após a divulgação da morte, o governo do Piauí alegou que o legado de Guidon para a ciência e arqueologia é "inestimável" e decretou luto oficial de três dias. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) emitiu uma nota onde declara “com coragem, rigor científico e compromisso com a educação, Niède construiu um legado que transcende a ciência”.

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Fontes consultadas

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