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Exploração espacial

Exploração espacial é o conjunto de esforços do homem que visam a exploração do espaço e de seus corpos celestes. Enquanto o estudo do espaço, estrelas, é realizada principalmente por astrônomos com instrumentos materiais, a exploração física do espaço é realizada tanto por sondas robóticas não tripuladas, quanto por voos espaciais tripulados.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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História

Primeiras concepções

No ano de 1687, Isaac Newton publicou sua obra Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, dando início à compreensão da realidade física através de leis físicas e matemáticas. Nela, estão descritas praticamente todos os conhecimentos que Newton tinha sobre física, mecânica, astronomia etc. Com a publicação deste livro, surgiu a remota possibilidade da exploração espacial. Em 1865, o escritor francês Júlio Verne publicou o livro Da Terra à Lua, descrevendo uma missão tripulada no satélite natural da Terra, cujo transporte seria feito pelo canhão Columbia. Essa obra, mesmo sendo uma ficção científica, possui muitos detalhes técnicos que, inclusive, revelam semelhanças com a missão Apollo 11. No ano de 1889, Vincent van Gogh pintou uma de suas mais aclamadas obras, A Noite Estrelada, em que se pode perceber a admiração do artista por astros, estrelas e corpos celestes.

Primeiras conquistas

Claramente para a exploração do espaço precisava-se de um meio de transporte para tal finalidade. Daí veio a ideia de se usar o foguete como meio de transporte para a exploração espacial. Não há certeza da origem dos foguetes mas se tem notícia de que no século III a.C., os chineses utilizavam tubos de bambu cheios de salitre, enxofre e carvão em cerimônias religiosas com o objetivo de espantar espíritos malignos. Além disso, os chineses foram responsáveis pela descoberta da pólvora usada pelos antigos como combustível para mísseis.[carece de fontes?] No final do século XIX ao início do século XX, o estadunidense Robert Goddard, o russo Konstantin Tsiolkovsky e o alemão Hermann Oberth desenvolveram projetos e tecnologias de foguetes que são usados até hoje. Robert Goddard, por exemplo, foi o responsável pelo lançamento do primeiro foguete propelido a combustível líquido, mas precisamente gasolina e oxigênio. Konstantin Tsiolkovsky publicou seus estudos no ano de 1903 em que defendia o uso de foguetes para explorar o espaço, calculava a velocidade necessária para livrar-se da gravidade da Terra e principalmente defendia o uso de hidrogênio e oxigênio líquidos em foguetes de múltiplos estágios. E por fim o alemão Hermann Oberth que durante a Segunda Guerra Mundial trabalhou no desenvolvimento de mísseis e foguetes.

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Corrida espacial

Diversos animais foram usados nos primórdios da exploração espacial para testar o efeito da radiação, da ausência de gravidade e das condições do espaço exterior sobre os organismos vivos (ver: Animais no espaço). Antes da cadela Kundriavka, foram usadas pela URSS em voos suborbitais as cadelas Albina e Tsyganka. Pelo lado dos Estados Unidos, os primeiros primatas foram Albert 1 e Albert 2, que morreram em 1949 na ponta de foguetes V-2 capturados na Alemanha. Sputnik 5, a última missão Sputnik, foi lançada ao espaço em 19 de agosto de 1960 com os cachorros Belka e Strelka, quarenta camundongos, dois ratos e diversas plantas. As missões Korabl-Sputnik ainda levaram os cães Pchelka, Mushka, Chernuschka e Zvezdochka. O primeiro hominídeo no espaço foi o chimpanzé Ram lançado em um voo suborbital em 31 de janeiro de 1961 a bordo de uma nave Mercury em preparação ao primeiro voo dos Estados Unidos com humanos.

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Programa espacial da URSS

A URSS começou seu programa espacial com uma grande vantagem sobre os Estados Unidos. Isto ocorreu porque, devido a problemas técnicos para fabricar ogivas nucleares mais leves, os mísseis lançadores intercontinentais da URSS eram imensos e potentes se comparados com seus similares norte-americanos. Assim, os foguetes para seu programa espacial já estavam prontos como resultado do esforço militar soviético resultante da guerra fria. Por consequência, os soviéticos foram capazes de colocar o primeiro satélite artificial em órbita (o Sputnik, de quase 84 kg) e os primeiros homens, Iuri Gagarin e Gherman Titov. O lançamento do Sputnik foi parte de um esforço de preparação da URSS para enviar missões tripuladas ao espaço, que consistiu em oito voos não tripulados: Sputnik 1, Sputnik 2, Sputnik 3, Korabl-Sputnik 1 (Sputnik 4), Korabl-Sputnik 2 (Sputnik 5), Korabl-Sputnik 3 (Sputnik 6), Korabl-Sputnik 4 (Sputnik 7) e Korabl-Sputnik 5 (Sputnik 8). Os dois últimos, usando naves Vostok, já com padrão compatível com o envio de humanos ao espaço. Embora a URSS nunca tenha admitido, seu programa espacial incluía planos para pousar homens na Lua (este programa mais amplo chamava-se de Lunar L1). A prova disto é a existência de um módulo lunar soviético, chamado de LK lander, cuja existência era desconhecida até recentemente no ocidente.[carece de fontes?]

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Programa espacial dos EUA

Muito do atraso inicial do programa espacial dos Estados Unidos pode ser atribuído a um erro estratégico de investir inicialmente nos lançadores Vanguard, mais complexos e menos confiáveis que os lançadores Redstone (baseados nos antigos V-2 alemães). Isto acarretou em uma capacidade de lançamento norte-americana de 5 kg enquanto a Sputnik 1, de 84 kg mas com capacidade de 500 kg, havia sido recém-lançada pela URSS.[carece de fontes?] Mesmo assim, após a Sputnik, os Estados Unidos responderam com a Explorer I e as Vanguard I, II e III. Muito teria que ser feito para se chegar ao gigantesco foguete Saturno V, desenvolvido pela equipe chefiada por Von Braun, e que permitiria enviar a nave Apollo à Lua. O Saturno V tinha três estágios, 110 m de altura, e 2,7 milhões de kg, propelido pelos cinco poderosos motores F-1 do primeiro estágio, mais os motores J-2 dos estágios seguintes.[carece de fontes?]

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Programa espacial da China

O Programa espacial chinês teve início em 1956, através da cooperação em ciência, tecnologia espacial e desenvolvimento de foguetes do governo comunista da China com a então União Soviética. Mesmo com o afastamento da então URSS devido a divergências políticas com o governo de Mao Tse Tung em 1960, a comunidade científica chinesa continuou seus testes e experiências e durante a década de 60 construiu e lançou diversos foguetes.[carece de fontes?] O desenvolvimento do foguete orbital Longa Marcha - que seria o pilar dos lançamentos espaciais chineses - nos últimos anos da década, levaria a China a colocar um satélite - o Dong Fang Hong I - em órbita, em 1970, o primeiro de uma série de mais de cinquenta lançados nas décadas seguintes. Como o apoio do governo comunista chinês, no começo dos anos 70, o Projeto 714, que esperava colocar dois homens em órbita terrestre, começou a ser desenvolvido, mas terminou cancelado por falta de investimento financeiro, devido a discordâncias políticas internas durante o período da Revolução Cultural. Foi somente nos anos 90 que a comunidade astronáutica da China pôde finalmente se dedicar seriamente ao esforço tecnológico de enviar um homem ao espaço, quando a Administração Espacial Nacional recebeu sinal verde e fundos suficientes para o desenvolvimento do Programa Shenzhou, iniciado em 1992, que culminou com a primeira missão tripulada chinesa ao espaço em 15 de outubro de 2003, a Shenzhou 5, levando a bordo o coronel Yang Liwei para 21 horas em órbita da Terra, colocando os chineses dentro do seleto clube dos três países que já enviaram humanos ao espaço por seus próprios meios.

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Outros programas

Recentemente os programas espaciais dos Estados Unidos e da Rússia (herdeira do programa espacial da extinta URSS) começaram a receber concorrência de programas de outros países, tais como a Comunidade Europeia, o Brasil e o Japão. A Agência Espacial Europeia (ESA) conta com um ótimo lançador para satélites, o foguete Ariane. A ESA também desenvolveu um veículo reutilizável semelhante ao Ônibus Espacial americano, chamado Hermes. No entanto, devido aos custos, o projeto foi abandonado. Além desses, destaca-se as iniciativas do Brasil, que desde de a década de 70 demonstra um crescente interesse pelo setor, sobretudo após a criação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). A utilização e lançamento de satélites, se demonstraram imprescindíveis para o monitoramento de queimadas na Amazônia; outrossim, iniciativas como o lançamento do primeiro lusófono e brasileiro ao espaço, em 2006, através do astronauta Marcos Pontes, ajudam a estimular a ciência no país. No entanto, a falta de financiamento do Estado para tais projetos está, aos poucos, sufocando a pesquisa astronáutica nacional, aliada à falta de consciência da população a respeito da importância dos programas.

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Acidentes e tragédias

Mesmo com toda a tecnologia e controle de qualidade, em um ambiente tão hostil como o espaço, e envolvendo máquinas tão complexas, é de se esperar que ocorram erros. Muitos acidentes ficaram para a história da exploração espacial. Alguns deles provocaram baixas entre os astronautas e cosmonautas. Em 24 de outubro de 1960, uma explosão na plataforma de lançamento matou dezenas de cientistas e técnicos da URSS. No dia 23 de março de 1961 (poucos dias antes do voo pioneiro de Iuri Gagarin ao espaço), irrompe um incêndio no interior de uma cápsula Vostok. O cosmonauta que realizava treinamento a bordo da nave, Valentin Bondarenko, não tem tempo de escapar e sofre queimaduras graves, vindo a falecer num hospital poucas horas depois. Isso somente viria a ser admitido oficialmente pela URSS em 1985. Em 1966, a nave Gemini VIII ficou desgovernada no espaço, mas os astronautas conseguiram reassumir o controle da nave e regressar a Terra. Apesar de seus tripulantes (Neil Armstrong e David Scott) conseguirem retornar à Terra em segurança, sua missão não foi completada e eles pousaram no Mar da China, a milhares de quilômetros do local previsto.

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Sondas espaciais

Se a presença de humanos na Lua é um feito tecnológico grandioso, a maioria das descobertas científicas mais interessantes têm sido feitas por sondas teleguiadas não tripuladas. A primeira sonda espacial foi a soviética Lunik II, que pousou na Lua em 1959. Depois disto seguiram-se diversas sondas da URSS e dos Estados Unidos, enviadas para a Lua e diversos planetas. Em janeiro de 1962, a sonda Ranger 3 dos Estados Unidos, de 327 kg, falhou em pousar na Lua e entrou em órbita solar. Em abril de 1962, a Ranger 4, de 328 kg, se tornou a primeira sonda norte-americano a atingir a Lua. A Ranger 4 não pousou exatamente, mas ocorreu um impacto com a superfície lunar. O mesmo aconteceu com a Ranger 6, em janeiro de 1964. Entre 1966 e 1968, os Estados Unidos enviaram 7 sondas Programa Surveyor para a Lua. Partes da Surveyor 3 foram coletadas para estudo pela missão Apollo 12 em novembro de 1969. A primeira sonda interplanetária foi a Mariner 2, que pousou em Vênus em 1962. Ela foi seguida pela Venera 7 da URSS, que chegou em Vênus em 1970. Em 1968 as missões Zond 5 e Zond 6 da URSS foram bem-sucedidas em circum-navegar a Lua.

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Exploração de Marte

O planeta do sistema solar que mais atraiu a imaginação do homem foi sempre o "planeta vermelho". Palco para inúmeras histórias de ficção-científica, Marte é o planeta do sistema solar que possui a atmosfera mais próxima aos parâmetros da atmosfera terrestre. Objeto de estudo das missões Viking, Pathfinder, Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Express, muitas descobertas ainda estão para serem feitas, particularmente a resposta à pergunta se Marte possui vida ou não. As missões Viking enviaram duas naves gêmeas para Marte, as Viking 1 e Viking 2. A Viking 1 foi lançada em 20 de agosto de 1975 e chegou em Marte em 19 de junho de 1976. A Viking 2 foi lançada em 9 de setembro de 1975 e entrou em órbita de Marte em 7 de agosto de 1976. Ambas pousaram naves-filhas, os Landers, que tiraram fotos, tomaram amostras e efetuaram análises de solo em busca de vida marciana. Foram exatamente as análises do solo marciano, feitas pelos Landers das missões Viking, que permitiram aos cientistas classificar diversos meteoritos encontrados aqui na Terra como de origem marciana. Um deles em especial, chamado cientificamente de ALH 84001, caído na Terra há dezenas de milhares de anos e encontrado entre 1984 e 1985, causou sensação em 2001 pois apresentava possíveis indícios de vida bacteriana fossilizada, na forma de pequenas estruturas minerais - evidência de vida extraterrestre. A evidência mostrou-se polêmica e foi rejeitada.

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Estação Espacial Internacional

A expressão "estação espacial" foi cunhada por Hermann Oberth em 1923 para descrever uma estrutura que serviria como ponto de partida para viagens à Lua e a Marte. A única experiência dos Estados Unidos com uma estação espacial, a Skylab, da década de 1970, foi um fracasso. A Skylab caiu na Terra prematuramente, encerrando os esforços norte-americanos de ocupação permanente do espaço. A experiência mais bem sucedida de ocupação permanente do espaço foi a Estação Espacial Russa MIR. Após a queda do comunismo, a cooperação e o financiamento dos Estados Unidos permitiram desenvolver com a MIR uma tecnologia que, hoje, está sendo aplicada na Estação Espacial Internacional (ISS). A ISS é uma estação permanente de pesquisa espacial. Participam de seu desenvolvimento 16 países: Estados Unidos, Canadá, Japão, Rússia, 11 países pertencentes a Agência Espacial Europeia e o Brasil. A ISS, quando completa, irá medir aproximadamente 90 m por 70 m, o que é mais de quatro vezes o tamanho da MIR.

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Fontes consultadas

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