Aríston de Quio
Aríston ou Aristo de Quio foi um filósofo estoico grego e discípulo de Zenão de Cítio. Esboçou um sistema de filosofia estoica que esteve, em muitos aspectos, mais próximo da anterior filosofia cínica. Rejeitou os lados lógicos e físicos da filosofia endossados por Zenão e enfatizou a ética. Embora concordando com Zenão que a virtude era o bem supremo, rejeitou a ideia de que as coisas moralmente indiferentes, como a saúde e a riqueza poderiam ser classificadas de acordo com sua preferência natural. Filósofo importante em sua época teve seus pontos de vista posteriormente marginalizados pelos sucessores de Zenão.
Aríston, filho de Milcíades, nasceu na ilha de Quio por volta de 300 a.C. Foi para Atenas, onde frequentou as aulas de Zenão de Cítio, e também, por um tempo, as palestras de Polemo (o diretor da Academia de 314 a 269 a.C.). Embora fosse um membro do círculo de Zenão, logo se afastou dos ensinamentos de Zenão rejeitando, em grande parte, as duas partes não éticas da filosofia estoica - física e lógica - endossadas por Zenão. Homem de eloquência persuasiva, Aríston era tão bom orador que foi chamado de a Sereia. Foi também chamado de Phalanthus, devido a sua calvície. Montou sua própria escola no gymnasion Cinosargo (um lugar associado com a filosofia cínica) e atraiu muitos alunos, tanto assim que, quando foi acusado de expor a dignidade da filosofia por sua liberdade a todos, respondeu que "ele desejava que a natureza tivesse dado compreensão aos animais selvagens, para que eles também fossem capazes de ser seus ouvintes". Seus seguidores se autodenominavam aristonianos e incluíam o cientista Eratóstenes e os estoicos: Apolófanes, Dífilo e Milcíades.
Zenão dividiu a Filosofia em três partes: Lógica (que era um assunto muito amplo, incluindo a retórica, a gramática, e as teorias de percepção e do pensamento); Física (incluindo não apenas a ciência, mas também a natureza divina do universo); e a Ética, cujo objetivo final era alcançar a felicidade por meio de um modo correto de viver de acordo com a Natureza. É impossível descrever integralmente o sistema filosófico de Aríston, porque nenhum de seus escritos sobreviveu intacto, mas a partir dos fragmentos preservados por escritores posteriores, fica claro que Aríston foi fortemente influenciado pela filosofia cínica anterior:
Lógica
Aríston considerou a Lógica sem importância, dizendo que não tinha nada a ver conosco. "Os raciocínios dialéticos", disse ele, "eram como teias de aranha, construídas artificialmente, mas inúteis". É improvável que ele rejeitasse toda a Lógica, e é notável que Zenão, também, comparou as habilidades dos dialéticos "corrigir medidas que não medem trigo ou qualquer outra coisa que valha a pena, exceto joio e esterco".
Física
Aríston também rejeitou a Física, dizendo que ela estava além de nós. Isso se reflete em suas opiniões a respeito de Deus: Aríston afirma que nenhuma forma de Deus é concebível, e nega-lhe a sensação, e está em um estado de completa incerteza sobre se ele é, ou não, animado. Isto estava em forte oposição a Zenão para quem "o universo era animado e dotado de razão". Contudo, Aríston concordou com Zenão, que a Natureza era compreensível, argumentando contra os acadêmicos. Certa vez, ele perguntou a um acadêmico: "Você nem mesmo vê o homem que está sentado ao seu lado?", e quando o acadêmico respondeu: "Eu não", Aríston disse: "Quem cegou você; quem roubou de você os seus olhos?".
Ética
Para Aríston, Ética era o único ramo verdadeiro da filosofia, mas também limitou esta categoria, removendo seu lado prático: os conselhos sobre ações individuais eram em grande parte inúteis: Ele afirma que ela não penetra na mente, tendo nela nada além de preceitos da carochinha, e que o maior benefício é derivado dos verdadeiros dogmas da filosofia e da definição de Bem Supremo. Quando um homem obteve uma compreensão completa desta definição e a aprendeu completamente, ele pode estruturar para si um preceito que direcione o que deve ser feito em um determinado caso. Para Aríston, apenas o sábio toma decisões perfeitas e não precisa de conselhos, para todos os outros com a mente turva, o conselho é ineficaz:
Aríston chegou a ser considerado uma figura marginal na história do estoicismo, mas em sua época, ele foi um importante filósofo cujas palestras atraíram grandes multidões. Eratóstenes, que viveu em Atenas quando jovem, afirmou que Aríston e Arcesilau foram os dois mais importantes filósofos de sua época. Mas foi o mais moderado Zenão, não o radical Aríston, cujas opiniões iriam prevalecer. Crisipo, (diretor da escola estoica de ca. 232–ca. 206 a.C.), sistematizou o estoicismo ao longo das linhas estabelecidas por Zenão e, ao fazê-lo, foi forçado a atacar repetidamente Aríston: Para afirmar que o único Bem é o Valor Moral é necessário eliminar com o cuidado da saúde de alguém, a gestão do patrimônio, a participação na política, a condução dos negócios, os deveres da vida, mais ainda, abandonar o próprio Valor Moral, que segundo você é o princípio e o fim da existência; objeções que foram feitas com mais veemência contra Aríston por Crisipo.


