Paul B. Preciado
Paul B. Preciado é um filósofo, pensador do feminismo e escritor transgênero, cujas obras versam sobre assuntos teóricos como filosofia de gênero, teoria queer, arquitetura, identidade e pornografia.
Imagem: Elena Ternovaja · BY-SA · Openverse
Preciado atingiu o doutorado em teoria da Arquitetura na Universidade de Princeton. Recebeu uma bolsa Fulbright e atingiu também mestrado em Filosofia Contemporânea e Teoria de Gênero na New School for Social Research de Nova York. Foi aluno de Ágnes Heller e Jacques Derrida. Viaja a Paris em 1999 graças a um convite de Derrida para participar dos seminários da École des hautes études en sciences sociales. Durante esse período colaborou com desenvolvimento inicial da teoria queer na França, especialmente com um grupo de escritores liderado por Guillaume Dustan conhecido como "Le Rayon Gay". Em seu livro de estreia, Manifesto contrassexual (2002), inspirado nas teses de Judith Butler, Donna Haraway e Michel Foucault, Preciado reflete sobre os modos de subjetivação e identidade, assim como sobre a construção social e política do sexo. Foi traduzido para diversas línguas, sendo atualmente leitura e referência indispensáveis em teoria queer. No manifesto, Preciado critica o conceito de "homossexualidade molecular" do filósofo Gilles Deleuze, associando-o a um suposto desinteresse de Deleuze em adentrar aos debates produzidos em torno da identidade: "a homossexualidade não é para Deleuze nem identidade nem essência: nenhuma bicha jamais poderá dizer com certeza 'eu sou bicha'".
Outros olhares sobre o corpo humano
Paul B. Preciado propõe uma visão do corpo humano como categoria política, técnica e biopolítica no contexto do capitalismo farmacopornográfico. Em Testo Junkie (2013/2018), ele apresenta o corpo como laboratório de experiência onde hormonais, pornografia e biotecnologia conformam modos de subjetivação e regulação do prazer, nomeado de potentia gaudendi. Ele introduz o conceito de incorporação protética do gênero, segundo o qual o sexo não é natural, mas fabricado por tecnologias políticas que fazem do corpo biológico uma prótese de funções normativas. Preciado argumenta que os processos de atribuição de sexo tornam-se operações tecnopolíticas que produzem a aparência de uma natureza estável, ocultando sua artificialidade política.
Críticas e debates em torno de Preciado
Alguns críticos apontam que a teoria de Preciado corre o risco de reduzir o corpo à sua faceta tecnológica, negligenciando a dimensão afetiva e o vivido sensório da corporeidade humana. Outros autores sugerem que o modelo político de resistência via autocorporeificação (uso de hormônios, biotecnologias etc.) precisa ser pensado em diálogo com questões de desigualdade e acesso, especialmente em contextos racializados e periféricos. Essas críticas mostram a vitalidade dos debates em torno do corpo trans, exigindo maior interseccionalidade e análise material dos regimes de poder que afetam os corpos de maneira desigual.
Síntese das implicações
Paul B. Preciado inaugurou uma leitura inovadora do corpo como campo de experimentação política e tecnológica, afirmando que:


