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História do Japão

A história do Japão é a sequência de eventos ocorridos no arquipélago japonês, com o surgimento de factos únicos influenciados pela sua natureza geográfica enquanto nação insular, assim como por eventos inculcados por influência do império Chinês que definiram a sua língua, a sua escrita e também a sua cultura política. Por outro lado, o Japão foi ainda influenciado pelo Ocidente, convertendo-se numa nação industrial, mas manteve os laços com a tradição cultural do país. Exerceu uma influência significativa e expansão territorial na região do Pacífico, mas após a Segunda Guerra Mundial estacou.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Periodização

A história do Japão divide-se em períodos importantes relativamente à produção artística, assim como a relevantes acontecimentos políticos. A classificação geralmente varia dependendo dos critérios do autor, contudo muitos dos períodos podem ser subdivididos.

Eras do Japão

Segundo o imperador reinante, os nengō (年号) (eras do Japão) possuem outra divisão periódica na sua história. O sistema de classificação por eras (ou períodos) fundamenta-se no nome do respectivo imperador, ou seja, pelo ano correspondente ao seu mandato. Como exemplo, o ano 1948 corresponde ao ano Shōwa 23. Atualmente é utilizado tanto o calendário Gregoriano como o sistema de nengō.

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Pré-história e Japão antigo

O período Nara (奈良時代, Nara-jidai) teve origem em 710, quando a capital foi transferida para Heijō-kyō - próxima da província de Nara - prolongando-se até finais de 794, quando a capital foi novamente transferida para Heian-kyō, atual Quioto. A nova capital foi inspirada em Changan, antiga capital da China durante a dinastia Tang. Neste período, o governo financiou a construção de inúmeros templos na capital e na província, com o intuito de obter apoio religioso. Assim, a implementação em definitivo do budismo e do confucionismo foi imposta. A influência cultural chinesa tornou-se mais evidente, refletindo-se na literatura. É nesta época que surgem os primeiros registos históricos compilados pela corte imperial - o Kojiki (712) e o Nihonshoki (720). Nasce então a poesia japonesa, o waka, e em 759 é compilada a primeira coleção de poesia do Japão, o Man'yōshū. Apesar de tudo, o novo sistema chinês não foi bem recebido pela sociedade japonesa. Disputas entre os membros da família imperial, o clã Fujiwara e os monges budistas eram frequentes. Fujiwara no Fuhito, filho de Kamatari e burocrata supremo dentro da corte, compilou então o Código Yoro em 720, por forma a revisar o anterior Código Taihō. Contudo, no mesmo ano, o burocrata morreu, gerando uma fragmentação de poderes entre os seus filhos, o que adiaria a publicação do código para o ano de 757. Esta mudança de poderes foi a fonte de conflitos entre o príncipe Nagaya e os quatro filhos de Fuhito (Muchimaro, Fusasaki, Maro e Umakai). Em 729, estes acusaram falsamente Nagaya de corrupção, e ele foi condenado à pena de morte, vindo posteriormente a cometer suicídio. Os filhos de Fuhito morreram após um surto de varíola, que foi atribuída a uma suposta maldição lançada pelo príncipe antes de morrer. Isto fez com que o Imperador Shomu se transferisse para várias cidades, declaradas sucessivamente capitais do país entre 740 e 745.

Período paleolítico japonês

A data aproximada do início do período paleolítico é motivo de alguma controvérsia, embora seja geralmente aceita que este período se defina entre 50 000/35 000 AP, quando o arquipélago estava em contacto com o resto do continente, mas devido à natureza ácida dos solos, não foram encontrados esqueletos em estado de preservação. No auge deste período, por volta de -18.000, o nível do mar estava 130 a 140 metros mais baixo do que hoje e o território estava conectado entre Kyūshū e a Coreia, bem como entre Hokkaidō, Sakhalin e a Sibéria. Os primeiros homo sapiens compartilhavam terras com animais de grande porte, incluindo mamutes. A parte norte do atual Japão é ocupada por tundra e florestas, enquanto uma área que inclui Tōhoku e Kantō é coberta por coníferas. Mais a sul, as coníferas deram lugar gradualmente às árvores de folha caduca. Por volta de 32000 AP surgiram as primeiras ferramentas de pedra lascada. Por definição, o período paleolítico do Japão terminou com o aparecimento das primeiras técnicas de cerâmica durante o final do último período glacial, entre 13 000 e 10 000 anos AP Este período situa-se nos finais do Pleistoceno.

Período Jomon

A transição do paleolítico para o período Jomon (縄文時代, Jōmon-jidai) teve início com a introdução da cerâmica na região a par de culturas agrícolas ainda incipientes. A primeira civilização japonesa Jomon ocupou as ilhas nipónicas em finais da quarta glaciação por volta de 14 mil AEC. Durante os primeiros dez mil anos desde o aparecimento dos primeiros povos, aproximadamente entre 11 000 e 500 AEC, a sobrevivência dos habitantes dependia principalmente da caça, pesca e colecta. Desde finais do século XIX , os debates, que por vezes também envolvem os manuais escolares, sobre as origens étnicas e culturais dos actuais habitantes do arquipélago centraram-se na questão da identidade cultural japonesa. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a referência a textos antigos, como o Kojiki e o Nihon shoki, diminuiu enquanto a população demonstrou um verdadeiro entusiasmo pelas descobertas arqueológicas relativas aos períodos Jōmon e Yayoi. As escavações do sítio Yayoi de Toro (Shizuoka) no final da década de 1940, e mais tarde o artigo de Tarō Okamoto em 1952 e as suas visitas à Exposicão Universal de Osaka em 1970, realizada em referência à cultura Jōmon, opuseram dois modelos de sociedade: o modelo Yayoi de uma comunidade agrícola e pacífica, e o modelo Jōmon de uma sociedade não hierárquica com uma estética “moderna”. Desde então, os locais de escavação se multiplicaram como em nenhum outro lugar do mundo. Os objetos foram utilizados em museus locais e muitos locais foram objeto de uma apresentação educativa envolvente, em particular os parques arqueológicos de Sannai Maruyama e Yoshinogari.

Período Yayoi

A cultura do período Yayoi (弥生時代, Yayoi jidai) caracteriza-se por ter sido a fase de implementação de métodos de cultivo de arroz — técnica importada da China a partir da Coreia, e estende-se até ao século III — e do trabalho em metal, apesar de, em arqueologia, ser classificado segundo a identificação de determinados artefactos, especialmente de diversos estilos de cerâmica. A cultura Yayoi, nomeada em homenagem a um tipo de cerâmica específico desse período, desenvolveu-se de 800 a.C. no oeste do arquipélago e inicialmente coexistiu com a cultura Jōmon até cerca de 400 a.C., a data inicial tradicionalmente aceita. Surgem os espigueiros elevados para armazenar colheitas. Ao contrário de outras regiões do mundo, o aparecimento da agricultura no Japão não foi acompanhado pelo desenvolvimento da pecuária. Objetos de bronze e ferro aparecem simultaneamente. A matéria-prima não é extraída no local, mas é importada na forma de lingotes e fundida em moldes. Grandes sinos de bronze, espadas e pontas de lança, ou tama, são moldados e enterrados para fins cerimoniais.

Período Kofun

O período Kofun data entre 250 e 300, com a construção do primeiro kofun, e 538 e 552, época em que se considera que o budismo foi introduzido no Japão. Vários historiadores e arqueólogos, como Charles T. Keally, prorrogam o prazo até 710, por forma a que os períodos Asuka e Hakuhō sejam considerados subperíodos do Kofun. Este período adquiriu o mesmo nome das mamoas funerárias onde os membros da classe aristocrática eram enterrados juntamente com as suas armas, armaduras e escudos de bronze - kofun (古墳; lit. "antigo túmulo"). A área destes túmulos varia de tamanho, chegando a dimensões semelhantes às pirâmides do Egito, o que reflete a magnitude de poder dos governantes. O seu tamanho aumentou entre meados do século IV e o início do século V, nomeadamente na região de Kinki, que se tornou um importante centro político entre 450 e 500 no final de um processo de unificação política. Por volta do início do século V, o seu centro na província de Yamato, perto de Nara, mudou-se para a planície de Kawachi. O aumento do tamanho do "kofun" nesta ocasião atesta um crescimento significativo do poder. O que foi construído nesta época em Daisen tem 480 metros de comprimento e 30 metros de altura, e terá exigido o recurso a quase 200.000 homens durante vários anos. No final do século V e início do século VI, surgiu um novo tipo de regime político, centralizado em torno de alguns grandes líderes e com os primórdios de uma administração. Este desenvolvimento anda de mãos dadas com um declínio no número e tamanho dos kofun, substituídos por grandes necrópoles com pequenos montes, ilustrando uma concentração de poder.

Período Asuka

O período Asuka (飛鳥時代, Asuka jidai) teve início com a introdução do budismo no Japão, no ano 552.[nt 1] A introdução do budismo esteve na origem de uma série de conflitos por todo o país. Em 538 ou 552, o imperador Kinmei recebeu uma estátua de Buda, bem como sutras, do rei coreano de Baekje. Apesar de contradizer os sistemas de crenças locais, esta nova espiritualidade religiosa foi bem acolhida, tal como o taoísmo e o confucionismo. Alguns membros da corte viram com bons olhos a difusão desta religião, ao considerar que a sua implementação poderia contribuir para a unidade nacional e facilitaria o estabelecimento de uma nova hierarquia religiosa sob a autoridade de uma divindade omnipotente (Buda), ao contrário das centenas de kami do xintoísmo. O conflito terminou com a vitória de Soga no Umako em 587, assim como com a implementação do budismo enquanto religião oficial, atribuída pelo príncipe Shōtoku Taishi e pela Imperatriz Suiko em 593. Apesar do tudo, o budismo não se chegou a sobrepor por completo ao xintoísmo e ambas as religiões coexistiram pacificamente ao longo da história do Japão.

Período Hakuhō

Após a morte do príncipe Shōtoku em 621, surgiu dentro da corte um novo clã chamado Soga, que foi gradualmente tomando o controlo político, o que constituiu uma forte ameaça para o governo imperial. Em 645, face à urgência da situação, o príncipe Naka no Ōe (626-672), conjuntamente com outros membros, organizou um grupo e assassinou o líder do clã, Soga no Iruka, em plena audiência com a Imperatriz Kogyoku (Incidente de Isshi). A imperatriz abdicou do trono em favor do seu segundo filho, o Imperador Kōtoku (596-654), ao mesmo tempo que o clã Soga foi debelado. Em 646, o novo imperador, juntamente com Nakatomi no Kamatari e o príncipe Naka no Ōe, redigiu uma série de leis designadas de "Reformas Taika", com o propósito de fortalecer o poder central, as quais implementaram uma reforma agrária e reestruturaram a corte imperial segundo o modelo chinês da Dinastia Tang. A corte impulsionou ainda o envio de embaixadas e estudantes para a China a fim de assimilar aspectos culturais dessa região, afectando de forma radical a cultura e sociedade japonesas. A este período deu-se o nome de Hakuhō (白鳳文化, Hakuhō bunka).

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Fontes consultadas

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