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Arco do Cego

Arco do Cego, também conhecido como Bairro do Arco do Cego ou Bairro Social do Arco do Cego, é um bairro de Lisboa, situado na freguesia do Areeiro, junto às Avenidas Novas, entre a Praça de Londres, o Campo Pequeno, o Saldanha e o Areeiro. Concebido durante a I República como bairro de habitação social e operária, começou a ser construído em 1919, mas a sua execução prolongou-se por vários anos e o conjunto foi concluído e inaugurado apenas em 1935, já durante o Estado Novo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Toponímia

O topónimo Arco do Cego é anterior à construção do bairro social, relacionando-se com um antigo arco de pedra existente na via que ligava a zona de Arroios ao Campo Pequeno, tradicionalmente associado às pazes entre D. Dinis e o infante D. Afonso, futuro D. Afonso IV, mediadas pela Rainha Santa Isabel em 1323. Esta tradição foi, contudo, questionada por Norberto de Araújo, que admitiu que a colocação do padrão naquele sítio pudesse ter resultado de circunstâncias posteriores. O arco, estreito para a passagem de coches e carruagens, terá sido mandado demolir em 1742, quando D. João V se deslocaria para as Caldas da Rainha. Como topónimo urbano, a expressão aparece em 1858 na cartografia de Filipe Folque, sob a forma de Estrada do Arco do Cego. Em 1936, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou a denominação Rua do Arco do Cego para um dos novos arruamentos da zona, entre a Avenida Visconde de Valmor e o Campo Pequeno.

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História

Antecedentes e projecto republicano

A origem do Bairro Social do Arco do Cego insere-se nas primeiras políticas públicas de habitação social em Portugal. No início do século XX, Lisboa enfrentava graves problemas de alojamento popular, marcados pela sobrelotação, pela precariedade e pela existência de habitações insalubres. Neste contexto, a I República procurou promover bairros destinados à população operária e economicamente desfavorecida. O projecto inicial do Bairro Social do Arco do Cego data de 1919 e foi encomendado pelo Ministério do Trabalho. A autoria do conjunto é atribuída aos arquitectos Adães Bermudes, Frederico Caetano de Carvalho e Edmundo Tavares. Segundo o Arquivo Municipal de Lisboa, o bairro foi construído entre 1919 e 1935 por decreto do Ministério do Trabalho da I República, a partir do projecto destes arquitectos.

Atrasos, transferência para a Câmara e conclusão

Em meados da década de 1920, o processo encontrava-se profundamente atrasado. Em 1925, o Decreto n.º 11 174 propôs a alienação dos terrenos e edificações de vários bairros sociais, incluindo o do Arco do Cego, reconhecendo as dificuldades do Estado em concluir a obra. No ano seguinte, o Decreto n.º 12 083 autorizou o Governo a contratar com a Câmara Municipal de Lisboa a cedência do Bairro Social do Arco do Cego. A partir da transferência para a administração municipal, o projecto foi reformulado e retomado. O conjunto acabou por ser concluído em 1935, num contexto político já dominado pelo Estado Novo. Embora tivesse sido concebido como bairro operário republicano, acabou por albergar sobretudo funcionários do Estado, militares, agentes das forças de segurança e sectores ligados ao sindicalismo corporativo, que passaram a ter acesso a habitação numa zona então ainda periférica, mas em valorização urbana.

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Urbanismo e arquitectura

O Bairro Social do Arco do Cego ocupa uma área a nascente das Avenidas Novas, numa zona de transição entre o centro consolidado e a expansão urbana de Lisboa da primeira metade do século XX. O conjunto apresenta uma malha regular, com ruas interiores e moradias de pequena escala, criando uma ambiência frequentemente descrita como uma “aldeia dentro da cidade”. A solução urbanística articula moradias unifamiliares e edifícios de habitação económica, com uma escala baixa e relativamente homogénea. O bairro distingue-se do tecido urbano envolvente pela tranquilidade dos seus arruamentos, pelo arvoredo, pela presença de pequenos largos e pela relação entre as casas e os espaços exteriores. O programa original previa também equipamentos colectivos. Entre os equipamentos projectados ou construídos na zona destacam-se a escola primária do bairro, o antigo Liceu D. Filipa de Lencastre e outros edifícios públicos associados à consolidação urbana da área.

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Escola e Liceu D. Filipa de Lencastre

No início da década de 1930, foi projectado para o bairro um equipamento escolar moderno. O projecto inicial, da autoria do arquitecto Jorge Segurado, data de 1932 e previa a construção de uma grande escola primária para servir o Bairro do Arco do Cego. Contudo, já durante a execução da obra, o plano de construção de liceus do Estado Novo determinou a adaptação do projecto a liceu nacional, dando origem ao Liceu D. Filipa de Lencastre, concluído em 1940. O edifício escolar, de planta simétrica e linguagem modernizante, tornou-se um dos principais equipamentos públicos do bairro e da zona oriental das Avenidas Novas. A presença do liceu reforçou a centralidade urbana do Arco do Cego e a sua relação com a expansão residencial e administrativa da Lisboa de meados do século XX.

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Património

O conjunto é identificado nos inventários patrimoniais como "Bairro Social do Arco do Cego, incluindo o Antigo Liceu D. Filipa de Lencastre". A ficha do Património Cultural, I.P. classifica-o tipologicamente como arquitectura civil, na categoria de bairro, situando-o na freguesia do Areeiro. O bairro esteve em processo de classificação patrimonial: em 2007 foi aberto procedimento de classificação, incluindo o antigo Liceu D. Filipa de Lencastre, mas esse procedimento foi posteriormente arquivado em 2009 por se considerar que o conjunto não possuía valor cultural de âmbito nacional, recomendando-se antes a formulação de medidas municipais de protecção e gestão urbanística. Apesar de não possuir protecção legal nacional, o bairro mantém relevância histórica, arquitectónica e urbanística no contexto da habitação económica e social em Lisboa.

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Arco do Cego e envolvente urbana

O topónimo Arco do Cego designa também a zona envolvente ao bairro, incluindo a Rua do Arco do Cego e áreas próximas da Avenida Duque de Ávila, da Avenida João Crisóstomo, da Avenida Defensores de Chaves e da Praça de Londres. Nas imediações situa-se o Jardim do Arco do Cego, criado no antigo espaço do terminal e oficinas da Carris, entre a Avenida Duque de Ávila, a Rua D. Filipa de Vilhena, a Avenida João Crisóstomo e a Avenida Defensores de Chaves. A transformação desta área em espaço verde reforçou a continuidade entre o bairro, as Avenidas Novas e os equipamentos próximos, como o Instituto Superior Técnico.

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