Monotremata
Os monotremados (Monotremata) constituem uma ordem de mamíferos que põem ovos, diferindo significativamente com os modos reprodutivos de marsupiais e placentários. Eles retêm muitas características de seus ancestrais terapsídeos, porém apresentam várias características mamíferas importantes, como a presença de pelos, coração tetracameral, três ossículos auditivos e glândulas mamárias com produção de leite. Encontrados na Austrália, Tasmânia e Nova Guiné, os monotremados provavelmente originaram-se durante o Mesozoico, quando se separaram da vertente dos térios. Compreendendo duas famílias, três gêneros e cinco espécies viventes, esta ordem constitui uma das mais distintas entre os mamíferos atuais.
Vários nomes ordinais têm sido usados para os monotremados, entre estes, Ornithodelphia de Blainville, 1834, e Monotremata Bonaparte, 1837, são os mais comumente utilizados, e entre estes, Monotremata têm sido preferível ao seu antecessor por ser de uso mais comum tanto na forma científica quanto na vernácula. A ordem Monotremata é tradicionalmente inserida na subclasse Prototheria, que durante as décadas de 1960 e 1970 incluiu diversas ordens fósseis, como a Docodonta, Triconodonta e Multituberculata, entretanto, estudos posteriores demonstraram que este arranjo taxonômico era parafilético. Arranjos filogenéticos do início da década de 2000 incluíram a ordem no clado Australosphenida, posteriormente referido como uma subclasse. Em 2008, uma nova análise filogenética demonstrou que este clado era polifilético, uma vez que a Ausktribosphenida está agrupada com a Theria, não tendo qualquer relação com a Monotremata.
Em 1834, Sir Richard Owen sugeriu que a reprodução em monotremados e marsupiais femininos pode ser comparada com o visto em certos vertebrados sauropsídeos. Meio século depois, Caldwell e Haacke relataram independentemente 1884 que os monotremados colocaram ovos cleidoicos e que o vitelo exibiu clivagem meroblástica comparável à dos vertebrados sauropsídeos (Caldwell, 1887; Haacke, 1895)
Desenvolvimento intrauterino
O processo da morfogênese intrauterina de estruturas embrionárias definitivas, assim como membranas extraembrionárias é suficientemente similar em ornitorrincos e equidnas para não se precisar de uma descrição separada. O organismo que é mais bem conhecido nesse aspecto é Zaglossus. Os estágios iniciais de clivagem do zigoto monotremato geraram blastômeros com paredes celulares incompletas através do sulco meroblástico da superficie e disco embrionário espessado. Subsequente divisões mitóticas geram um minúsculo blastodisco celular que começa a investir a gema e vitelo não dividido por divisões mitoticas periféricas. Isso é a clivagem meroblástica incompleta, uma característica achada somente no taxon dos monotremados compartilhada com vertebrados submamários amnióticos, como evidenciado em espécies aviárias e reptilianas. Em monotremados como nas espécies aviárias, uma coluna de esferas de gema mais finas se estende embaixo do blastodisco embrionário em direção ao centro do vitelo gemado.


