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Serpente

As serpentes são sauropsídeos escamados carnívoros alongados e sem membros, pertencentes à subordem Serpentes. Também são conhecidas como cobras, bóias, víboras ou malacatifas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Etimologia

O termo "serpente" tem sua provável raiz no Proto-Indo-Europeu, advindo da palavra serp- ("rastejar") ramificando-se para o sânscrito sarpá e o grego antigo hérpō (“ser rastejante”), consolidando-se no latim serpens e, posteriormente, no francês antigo serpent e no português "serpente". Víbora provém do latim vipera que significa “parir vivo” (vivus= vivo; parere= parir) em referência a estas serpentes (família Viperidae) darem à luz a filhotes vivos completamente formados. A palavra "cobra" tem origem no latim clássico colubra (ou colobra no latim vulgar), derivando no galego-português para coobra até alcançar a grafia moderna. Embora o termo seja usado genericamente para designar qualquer espécie de serpente, ele ganhou fama internacional ao ser associado as serpentes do gênero Naja. Na África Lusófona, os termos "cobra" e "víbora" são frequentente empregados para desiginar espécies locais, por exemplo: cobra-preta de São Tomé (Naja peroescobari), cobra-da-Floresta-Africana (Naja melanoleuca), víbora-de-Angola (Bitis heraldica).

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Evolução

Há duas ideias concorrentes e ferozmente contestadas sobre a transição de lagartos para cobras. A primeira diz que as cobras evoluíram no oceano, e só mais tarde recolonizaram a terra. Esta hipótese depende da estreita relação entre cobras e répteis marinhos extintos chamados mosassauros. A segunda hipótese diz que as cobras evoluíram de lagartos escavadores, que estendiam seus corpos e perderam seus membros para melhor escorregar no seu caminho através do solo. Nesta versão, cobras e mosassauros evoluíram ambos de forma independente a partir de um ancestral arrastador de terra, provavelmente algo parecido com um lagarto monitor. Descrito em 2015, um pequeno espécime com um corpo sinuoso longo, da formação brasileira Crato, Tetrapodophis amplectus, apoia a última ideia. Além disso, as comparações entre tomografias computadorizadas de fosseis e répteis modernos indicam que as cobras perderam suas pernas quando seus ancestrais evoluíram para viver e caçar em tocas.

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Biologia

Esqueleto

O esqueleto da maioria das serpentes consiste apenas do crânio, maxilares, coluna vertebral e costelas. A coluna vertebral possui aproximadamente entre 200 e 400 (ou mais) vértebras. Destas, em torno de 20% (às vezes menos) são da cauda e não possuem costelas. Já as vértebras do corpo possuem, cada uma, duas costelas articuladas a elas. As vértebras também possuem projeções às quais se fixam os fortes músculos que as serpentes usam para se locomover.

Pele

A pele das cobras é coberta por escamas. As escamas do corpo podem ser lisas ou granulares. As suas pálpebras são escamas transparentes que estão sempre fechadas. Elas mudam a sua pele periodicamente (em um processo conhecido como ecdise ou muda). Pensa-se que a finalidade primordial desta é remover os parasitas externos. Esta renovação periódica tornou a serpente num símbolo de saúde, como por exemplo no símbolo da medicina (o bastão de Esculápio). Nos Caenophidia, as escamas ventrais e as fileiras largas de escamas dorsais correspondem às vértebras, permitindo que os cientistas contem as vértebras sem ser necessária a dissecação.

Sentidos

A visão das serpentes não é particularmente notória (geralmente sendo melhor na espécie arborícola e pior na espécie terrestre), o que não impede a detecção do movimento. Para além dos seus olhos, algumas serpentes (crotalíneos - ou cobras-covinhas - e pítons) têm receptores infravermelhos sensíveis em sulcos profundos chamados de fossetas que lhes permite sentir o calor emitido pelos corpos. Isto é extremamente útil em lugares com pouca luminosidade. Como as serpentes não têm orelhas externas, a audição consegue apenas detectar vibrações, mas este sentido está extremamente bem desenvolvido. A maioria das serpentes usa a sua língua bifurcada para captar partículas de odor no ar e enviá-las ao chamado órgão de Jacobson, situado na sua boca, para examiná-las. A bifurcação na língua dá à serpente algum sentido direccional do cheiro.

Órgãos internos

O pulmão esquerdo é muito pequeno ou mesmo ausente, uma vez que o corpo em forma tubular requer que todos os órgãos sejam compridos e estreitos. Para que caibam no corpo, só um pulmão funciona. Além disso muitos dos órgãos que são pares, como os rins ou órgãos reprodutivos estão distribuídos ao longo do corpo de modo que um esteja à frente do outro, sendo um exemplo de excepção da simetria bilateral .

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Comportamento

Alimentação

Todas as serpentes são carnívoras, comendo pequenos animais (incluindo lagartos e outras cobras), aves, ovos ou insetos. Algumas cobras têm peçonha para matar as suas presas antes de as comerem. Outras matam as suas presas por constrição. As cobras não mastigam quando comem, elas possuem uma mandíbula flexível, cujas duas partes não estão rigidamente ligadas. Isso se dá graças ao osso quadrado que funciona como uma peça de encaixe, que quando necessário desarticula sua mandíbula para se adaptar ao tamanho de sua presa (ao contrário da crença popular, elas não desarticulam as suas mandíbulas), assim como numerosas outras articulações do seu crânio, permitindo-lhes abrir a boca de forma a engolir toda a sua presa, mesmo que ela tenha um diâmetro maior que a própria cobra.

Locomoção

As cobras usam quatro métodos de locomoção que lhes permitem uma mobilidade substancial mesmo perante a sua condição de "répteis sem pernas". Todas as serpentes têm a capacidade de ondulação lateral, em que o corpo é ondulado de lado e as áreas flexionadas propagam-se posteriormente, dando a forma de uma onda de seno propagando-se posteriormente. Além disto, as serpentes também são capazes do "movimento de concertina", ou "movimento de sanfona". Este método de movimentação pode ser usado para trepar em árvores ou atravessar pequenos túneis. No caso das árvores, o tronco é agarrado pela parte posterior do corpo, ao passo que a parte anterior é estendida. A porção anterior agarra o tronco em seguida e a porção posterior é propelida para a frente. Este ciclo pode ocorrer em várias secções da cobra simultaneamente (este método originou a afirmação errônea de que as cobras "andam nas próprias costelas"; na verdade, as costelas não movem para frente e para trás em nenhum dos 4 tipos de movimento). No caso de túneis, em vez de se agarrar, o corpo comprime-se contra as paredes do túnel criando a fricção necessária para a locomoção, mas o movimento é bastante semelhante ao anterior.

Reprodução

As serpentes usam um vasto número de modos de reprodução. Todas usam fertilização interna, conseguida por meio de hemipénis bifurcados, que são armazenados invertidamente na cauda do macho. A maior parte das serpentes põe ovos e a maior parte destas abandona-os pouco depois de os pôr; no entanto, algumas autores entendem que essas espécies são ovovivíparas e retém os ovos dentro dos seus corpos até estes se encontrarem prestes a eclodir. Recentemente, foi confirmado que várias espécies de cobras desenvolvem os seus descendentes completamente dentro de si, nutrindo-os através de uma placenta e um saco amniótico. A retenção de ovos e os partos ao vivo são normalmente, mas não exclusivamente, associados a climas frios, sendo que a retenção dos descendentes dentro da fêmea permite-lhe controlar as suas temperaturas com maior eficácia do que se estes se encontrassem no exterior.

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Serpentes peçonhentas

Embora apenas um quarto das serpentes sejam peçonhentas - é vulgar chamar erradamente venenosos aos animais que injetam sua toxina -, muitas das espécies são letais aos humanos. Estas serpentes letais são geralmente agressivas e sua peçonha pode matar um adulto saudável, se este não for devidamente tratado no período de algumas horas. As cobras venenosas são classificadas em quatro famílias taxonómicas: Cobra-coral (Micrurus spp.): Encontrada nas Américas, é conhecida por sua coloração listrada e veneno potente. Cobra-de-capelo (Naja spp.): Encontrada na África e Ásia, incluindo a cobra-rei, é uma das serpentes mais venenosas do mundo. Cascavel (Crotalus spp.): Encontrada nas Américas, é conhecida pelo chocalho na ponta da cauda e veneno potente. Víbora comum (Vipera berus): Encontrada na Europa, possui veneno hemotóxico e é a única víbora nativa da Grã-Bretanha. Cobra-d'água (Natrix spp.): Encontrada em várias partes do mundo, é conhecida por seu comportamento aquático.

USO DA PEÇONHA

As serpentes peçonhentas, apesar de serem criaturas potencialmente perigosas devido ao veneno que produzem, também têm um valor significativo na área farmacêutica. Suas toxinas, quando estudadas e utilizadas de forma controlada, podem ter aplicações benéficas para o desenvolvimento de medicamentos e tratamentos. Aqui estão algumas maneiras pelas quais as serpentes peçonhentas podem ser úteis na farmácia: Pesquisa de Antídotos: A pesquisa de antídotos é uma das aplicações mais diretas e críticas do veneno de serpentes. O veneno de serpentes peçonhentas pode ser altamente letal, e o desenvolvimento de antídotos é fundamental para salvar vidas. Cada espécie de serpente possui um tipo específico de veneno, e a pesquisa visa entender suas composições químicas para criar antídotos eficazes.

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Fontes consultadas

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