Araxá
Araxá é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais. Localiza-se no Triângulo Mineiro, a oeste da capital do estado, distando desta cerca de 367 km. Ocupa uma área de 1 164 km², sendo que 345 km² estão em perímetro urbano. Sua população, segundo a estimativa do IBGE de 2022, era de 111 691 habitantes, sendo o 28° município mais populoso de Minas Gerais.
O nome “Araxá” provavelmente é de origem tupi-guarani, formado pela união dos termos “ara” e “cha”, que significariam, respectivamente, “lugar” e “alto/elevado”, ou seja, um “lugar” ou terreno elevado. Paralelamente, o termo também foi utilizado para identificar alguns grupos indígenas locais, denominados em algumas fontes históricas como Araxás (ou Arachás).
Ocupação pré-colonial e povos indígenas
De acordo com as pesquisas arqueológicas mais recentes, os assentamentos mais antigos encontrados em Minas Gerais até o momento estão localizados na região de Lagoa Santa, com datações entre 11.000 a 9.000 AP (Antes do Presente). Nesses sítios foram identificadas pequenas lascas de quartzo, jaspe e calcedônia, geralmente brutas e algumas transformadas em raspadores, além de batedores e bigornas feitos com seixos de gnaisse e outras rochas. Por sua vez, diversos estudos arqueológicos empreendidos no Triângulo Mineiro apontam que os assentamentos mais antigos nesta região são de pelo menos do início da era cristã. Caracterizada por conjunto de grandes e espessos vasilhames cerâmicos não decorados, de formatos que vão de semiesféricos a globulares, instrumentos líticos lascados e polidos – como machados, batedores e percutores - e assentamentos próximos a encostas suaves, a Tradição tecnológica Aratu-Sapucaí já foi identificada em três sítios arqueológicos até o momento. Denominados Lavra IV, Lavra VI e Canjica, esses sítios provavelmente representam os testemunhos mais antigos da presença de grupos humanos no município de Araxá. Outros seis sítios arqueológicos com fragmentos cerâmicos e materiais líticos (Sítio da Rampa, Lavra I, Lavra II, Lavra III, ARX 1 e Alto Bocaina 01) foram identificados e registrados nos últimos anos em Araxá, embora não tenha sido possível associá-los à nenhuma tradição tecnológica até o momento. Por outro lado, devido à grande quantidade de materiais líticos identificados na área do sítio Alto Bocaina 01, arqueólogos chegaram à conclusão de que se tratava de uma oficina lítica – ou seja, um local de coleta de matéria-prima e produção de diversos instrumentos feitos de rocha. Segundo consta, os afloramentos rochosos existentes no local - de qualidade adequada para produção de ferramentas líticas - bem como a boa visualização da paisagem de entorno, indica que se tratava de um acampamento de caça.
Colonização e povoamento
A partir de meados do século XVI, entradas e posteriormente bandeiras vindas da Bahia e São Paulo começaram a penetrar o atual território mineiro. Relações inicialmente pacíficas entre portugueses e populações indígenas acabaram tornando-se cada vez mais conflituosas nesta e em outras regiões da agora chamada América Portuguesa, na medida em que se intensificava o interesse pelo apresamento de indígenas e a busca por minas de ouro e outros metais preciosos. Ainda que constem relatos de que os Kayapó apresentavam grande resistência às investidas europeias no século XVIII, sendo considerados guerreiros temidos tanto pelos portugueses quanto pelos Tupi, esses e outros grupos indígenas foram paulatinamente escravizados, mortos ou expulsos para outras áreas. Durante os séculos seguintes após a chegada dos colonizadores europeus, a população indígena foi drasticamente reduzida, devido às “guerras justas” e em decorrência também dos seguidos aldeamentos, perseguições e capturas patrocinadas pelos jesuítas e pela coroa portuguesa. Apesar da drástica diminuição das populações indígenas, muitos de seus traços culturais mantiveram-se vivos, através da transformação e da miscigenação tanto entre grupos indígenas de etnias distintas, como entre estes grupos e as populações imigrantes, oriundas da África e da Europa, que aqui chegaram devido à colonização europeia.
Evolução administrativa
Por conseguinte, a Freguesia de São Domingos do Araxá foi fundada em 1791, mesmo ano em que o primeiro vigário local, Padre Domingos da Costa Pereira, foi nomeado. Após cerca de cinco anos de obras, em 1800 foi inaugurada a primeira igreja consagrada ao padroeiro de Araxá, São Domingos de Gusmão. Essa edificação teria existido até a década de 1930, quando foi demolida. A edificação atual, denominada Igreja Matriz de São Domingos de Gusmão, foi inaugurada em 1948, sendo tombada enquanto patrimônio municipal pela Fundação Cultural Calmon Barreto. Em 20 de dezembro de 1811, a Freguesia de São Domingos é elevada a Julgado de São Domingos de Araxá, desmembrando-se do Julgado do Desemboque. Em 1816, a região do Sertão da Farinha Podre é separada da Capitania de Goiás e anexada à de Minas Gerais, ficando sob jurisdição de Paracatu até 1830. A incorporação dessa região à capitania mineira, que se tornou permanente, deveu-se em parte ao requerimento feito pelos próprios moradores de Araxá à Coroa Portuguesa. A presença de uma população já suficientemente representativa em termos políticos pode ser observada nos relatos de viagem de Auguste de Saint-Hilaire, o qual informava a existência de 75 pequenas casas em Araxá no ano de 1815.
Consolidação urbana e econômica
O fim do século XIX também trouxe uma renovação do interesse pelas fontes de águas minerais do Barreiro, a partir de então alvo de um turismo incipiente porém crescente. Inicialmente valorizado por suas propriedades terapêuticas, a ponto de ser considerado um local ideal de convalescência para doentes de tuberculose, no Barreiro foram construídos hotéis e balneários entre as décadas de 1910 e 1940. Tendo em vista seu potencial econômico elevado, as próprias terras do Barreiro chegaram a ser doadas ao Estado pela Prefeitura Municipal em 1915, processo que acarretou, por sua vez, em apoio financeiro estadual para a construção da sede de governo de Araxá. Esse interesse também contribuiu para a construção de novas vias de acesso ao município propriamente e ao Barreiro, distante cerca de nove quilômetros do centro de Araxá. A ligação com o ramal Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) foi concluída em 1926, sendo ampliada e reformada uma estrada de ligação entre o centro de Araxá e Barreiro nos anos subsequentes, após seguidas pressões de setores da imprensa local e estadual e do governo de Minas Gerais. Não por acaso, esse processo acarretou inclusive a desapropriação de terras no Barreiro em 1934, tendo em vista a valorização adquirida com o afluxo crescente de turistas de todo o país.
Araxá é o município sede da Região Geográfica Imediata de Araxá, que por sua vez compõe a Região Geográfica Intermediária de Uberaba. A Estância Hidromineral de Araxá, no Sudoeste Mineiro, na Zona Geográfica do Alto Paranaíba, é propícia ao desenvolvimento dos diferentes ramos da atividade turística, devido a fatores históricos, geográficos e econômicos.
Relevo
Constituído de terras planas e colinas, a altitude máxima é de 1.359 metros e a mínima de 910 metros. O relevo do município mostra variações entre situações geológicas típicas do cerrado e de serras. Sua vegetação intercala campos de pastagens com pequenas matas naturais, compondo paisagens deslumbrantes. O relevo é composto de 15% plano, 60% ondulado e 25% montanhoso.
Hidrografia
O município está localizado entre duas grandes Bacias Hidrográficas: Bacia do Rio Grande e Bacia do Rio Paranaíba. Todas possuem grande potencial hidrelétrico. Araxá integra o Circuito das Águas de Minas Gerais, reconhecido pelas propriedades terapêuticas diversificadas de suas águas medicinais. Também conhecida pelos Mineiros de a "terra da juventude" por causa de suas águas, que segundo dizem fazem milagres. Os principais afluentes que passam na cidade são: Rio Capivara e Rio Quebra-Anzol. . O Rio Capivara desempenha um papel importante no abastecimento da região e em suas margens desenvolveu-se propriedades, industrias, areas rurais e condomínios. Por atravessar áreas mais densamente povoadas, o desafio ambiental de recebimento de parte dos efluentes e esgoto tratados da cidade é conhecido. Outro ponto importante é a proximidade com estruturas de mineração, como barragens.
Clima
Araxá está localizado a uma altitude de 973 metros, e possui um clima tropical de altitude do tipo Cwa na classificação climática de Köppen-Geiger, apresentando uma temperatura média compensada anual de 21 °C e índice médio pluviométrico anual de 1550 mm, concentrados nos meses de primavera e verão. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1948 a 1950 e a partir de 1971, a menor temperatura registrada em Araxá foi de 0,5 °C em 1º de junho de 1979 e a maior atingiu 37,2 °C em 7 de outubro de 2020. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 140,8 milímetros (mm) em 20 de janeiro de 2003. Outros acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: 115,2 mm em 27 de janeiro de 2004, 115 mm em 6 de fevereiro de 2004, 114 mm em 26 de janeiro de 1949, 111,8 mm em 3 de novembro de 1979, 109 mm em 23 de dezembro de 1994 e 3 de janeiro de 1997, 108 mm em 1º de dezembro de 2017, 107 mm em 19 de janeiro de 1985, 105,8 mm em 17 de fevereiro de 2019 e 101,6 mm em 8 de fevereiro de 2000. Desde dezembro de 2002, quando foi instalada uma estação automática, a maior rajada de vento alcançou 23,4 m/s (84,2 km/h) em 23 de janeiro de 2012 e o menor índice de umidade relativa do ar (URA) foi de 10% em várias datas.
De acordo com o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Araxá possuía uma população de 111 691 habitantes, sendo a 28ª cidade com a maior população em Minas Gerais. O censo apontou uma densidade demográfica de 95,95 habitantes por km², com uma média de 2,75 moradores por residência. A distribuição da população por cor ou raça foi revelada pelos seguintes números: 56 048 pessoas brancas (50,18%), 43 239 pardas (38,71%), 12 042 negras (10,78%), 283 pessoas amarelas (0,25%) e 77 indígenas (0,07%).
Transportes
O município é servido pelas seguintes rodovias: BR-262, BR-452, MG-428, MG-341, BR-146. O acesso ferroviário é feito por uma variante do Ramal Ibiá-Uberaba da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), onde é realizado o transporte de cargas pela Ferrovia Centro Atlântica. Desse ramal, partem desvios férreos que se direcionam às sedes de grandes indústrias locais. O transporte de passageiros pelo ramal se encontra desativado na região desde 1979. O município é servido pelo Aeroporto Romeu Zema, localizado a 5 quilômetros do centro da cidade e atualmente delegado pela prefeitura de Araxá. É operado pela Azul Linhas Aéreas, que oferece voos regulares para Belo Horizonte e São Paulo.
Educação
Segundo o IBGE, logo após o Censo demográfico de 2022 foram registradas 13.487 matrículas no ensino fundamental em 38 escolas e 4.182 matrículas no ensino médio em 14 escolas. O total de educadores foi de 687 para o ensino fundamental e 359 para o ensino médio. O município conta com importantes instituições de ensino, incluindo o Centro Universitário do Planalto de Araxá (Uniaraxá), que é mantido pela Fundação Cultural de Araxá como entidade filantrópica. Também está presente o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), atualmente administrado pelo Ministério da Educação. Entre as escolas de destaque, encontram-se o Colégio São Domingos, Atena, Gabarito, Polivalente, Dom Bosco e Dom José Gaspar.
Artes e eventos
Araxá realiza anualmente uma variedade de eventos culturais, religiosos e esportivos, muitos deles em espaços públicos e de livre acesso. A Fundação Cultural Calmon Barreto coordena parte significativa das atividades artísticas do município, promovendo exposições, oficinas, visitas guiadas e mostras temáticas. Manifestações tradicionais, como os Ternos de Congado e Moçambique, e as Folias de Reis, preservam elementos da religiosidade popular. Festivais de gastronomia, música e competições esportivas, como a Copa Internacional de Mountain Bike, complementam o calendário de eventos e evidenciam a diversidade cultural local.
Turismo
Araxá fortaleceu-se como polo turístico a partir da década de 1940, com a inauguração do Complexo Hidrotermal e Hoteleiro do Barreiro, localizado no Parque do Barreiro. Atualmente, o município faz parte do Circuito Turístico da Canastra e destaca-se pelo turismo rural e histórico-cultural.
Bens tombados
Fonte: Fundação Cultural Calmon Barreto, e Biblioteca IBGE.
Esportes
Diversos esportes são presentes na comunidade araxaense. O futebol, historicamente é o mais tradicional do município, e representado por seu clube esportivo, o Araxá Esporte Clube, e pelos campeonatos de futebol amador, como o "Ruralão". Também conhecido como "Ganso", o Araxá Esporte Clube é um dos clubes mais notáveis da região do Alto Paranaíba. O clube destacou-se no futebol mineiro a partir de 1965, ao participar do Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, conquistando um título em 1966, e por ter enfrentado grandes equipes brasileiras, como Flamengo, Botafogo, e Corinthians até o início da década de 1980. Seus jogos são disputados no Estádio Municipal Fausto Alvim, inaugurado em 1943, e possuindo uma capacidade aproximada de 5.500 espectadores. Em sua história, o estádio também sediou pré-temporadas da Seleção Brasileira e de clubes estaduais de prestígio como o Cruzeiro, Atlético e América Mineiro.
Feriados
Em Araxá há quatro feriados municipais, oito feriados nacionais e oito pontos facultativos. Os feriados municipais são o aniversário da cidade, em 19 de dezembro, o Corpus Christi (data móvel), o dia de São Domingos (padroeiro da cidade), em 8 de agosto, e a Assunção de Nossa Senhora da Abadia, celebrado em 15 de agosto. De acordo com a lei federal nº 9.093, aprovada em 12 de setembro de 1995, os municípios podem ter no máximo quatro feriados municipais de cunho religioso, já incluída a Sexta-Feira Santa.


