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Kamala Harris

Kamala Devi Harris é uma advogada e política estadunidense, tendo servido como a 49.ª Vice-presidente dos Estados Unidos. Filiada ao Partido Democrata, foi senadora dos Estados Unidos pela Califórnia de 2017 a 2021, e 32.ª Procuradora-Geral da Califórnia de 2011 a 2017, tendo sido a primeira mulher procuradora-geral do estado. Foi ainda a primeira senadora e vice-presidente de origem indiana e afro-americana. Harris foi a candidata democrata na eleição presidencial de 2024.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Início de vida e carreira

Kamala Harris nasceu em 20 de outubro de 1964 em Oakland, Califórnia, sendo filha de Shyamala Gopalan Harris, uma indiana da etnia tâmil, e de Donald Harris, um jamaicano afrodescendente. Sua mãe era uma proeminente pesquisadora do câncer de mama que emigrou de Chennai, Índia, em 1960, e seu pai foi um professor de economia na Universidade de Stanford que emigrou da Jamaica em 1961 para estudar pós-graduação em economia na Universidade da Califórnia em Berkeley. Kamala tem uma irmã mais nova, Maya, advogada também envolvida no mundo político. Seu nome advém de Kamalā, que na língua sânscrita significa "flor de lótus." Era extremamente próxima do avô materno, P.V. Gopalan, um diplomata indiano, e, na infância, visitou frequentemente sua família em Besant Nagar, em Chennai. A família Harris viveu em Berkeley, residindo em um bairro predominantemente afro-americano onde as meninas cantavam em um coro batista. Shyamala e Donald apresentaram para as filhas os protestos do Movimento pelos Direitos Civis, que eram comuns durante esse período em Berkeley. Seus pais se divorciaram quando tinha sete anos e sua mãe recebeu a custódia das crianças por meio de um acordo judicial. Após o divórcio, Shyamala mudou-se com as crianças para Montreal, Quebec, no Canadá, onde conseguiu um cargo no setor de pesquisa do Hospital Geral Judeu e lecionou na Universidade McGill.

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Procuradora de São Francisco

Em 2003, Harris concorreu ao cargo de procuradora da cidade e do condado de São Francisco. O procurador incumbente, Terence Hallinan, teve que lidar com o escândalo Fajitagate, relacionado a alegações de obstrução de justiça em uma investigação sobre um assalto. Harris e Hallinan eram próximos ideologicamente, sendo ambos filiados ao Partido Democrata, e por isso a campanha abordou o desempenho de Hallinan como procurador e questões pessoais. Harris buscou retratá-lo como um procurador "ineficiente" que conseguiu baixos índices de condenação em processos criminais; a opinião de Hallinan prevaleceu em 52% dos casos que moveu em 2001. Hallinan criticou a suposta falta de ética de Harris, citando a relação que possuía com Brown. No primeiro turno, Hallinan recebeu mais votos, mas no segundo Harris derrotou-o por 56,5-43,5%. Harris foi empossada procuradora em 4 de janeiro de 2004, tornando-se a primeira negra procuradora de um distrito na história da Califórnia.

Crimes violentos, encarceramento e taxa de condenação

Enquanto Harris era a procuradora, a taxa geral de condenação pelo cometimento de crimes aumentou de 52% em 2003 para 67% em 2006, a maior em uma década; houve uma taxa de condenação de 85% em casos de homicídios e as condenações de traficantes de drogas aumentaram de 56% em 2003 para 74% em 2006. Embora essas estatísticas representem apenas condenações de julgamentos, Harris também fechou muitos casos através de delações premiadas. Quando assumiu o cargo, teve um interesse especial em buscar resolver a lista de casos de assassinatos da administração anterior. Harris alegou que os registros desses casos eram menos ideais em relação ao procurador anterior, mas que trabalhou para obter condenações quando era possível. Isto significou que, dos 73 casos de homicídios acumulados, 32 resultaram em acordos por menores acusações, como homicídio culposo ou outros crimes, como agressão ou roubo, enquanto as acusações por homicídio foram retiradas.

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Procuradora-geral da Califórnia

Eleição de 2010

Em 12 de novembro de 2008, Harris anunciou sua candidatura ao cargo de procuradora-geral da Califórnia. Ela recebeu o endosso de ambas as senadoras pela Califórnia, Dianne Feinstein e Barbara Boxer, bem como de Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Na primária democrata, enfrentou Chris Kelly, ex-diretor de privacidade do Facebook, os deputados Alberto Torrico, Ted Lieu e Pedro Nava, além do procurador de Los Angeles, Rocky Delgadillo, e Mike Schmier. Na primária democrata ocorrida em 8 de junho de 2010, Harris ganhou a indicação do partido ao receber 762 mil votos, ou 33,6% dos votos. Seus concorrentes mais próximos, Torrico e Kelly, obtiveram 15,6% e 15,5%, respectivamente.

Primeiro mandato

Quando assumiu o cargo, a Califórnia ainda estava se recuperando dos efeitos da crise das hipotecas subprime. Harris participou da Resolução Hipotecária Nacional contra cinco bancos: Ally Financial, Wells Fargo, Bank of America, Citibank e Chase. Inicialmente, saiu das negociações por acreditar que o acordo era muito tolerante, mas posteriormente retornou, garantindo 12 bilhões de dólares em redução de dívidas dos proprietários do estado, e 26 bilhões no total. Outras partes do financiamento destinaram-se a serviços de aconselhamento habitacional estatal e ajuda legal para proprietários de imóveis com dificuldades e um perdão das dívidas de mais de 23 mil proprietários que concordaram em vender suas casas por um valor menor ao empréstimo hipotecário.

Eleição de 2014

Harris anunciou sua intenção de concorrer à reeleição em fevereiro de 2014, formalizando sua candidatura em 12 de fevereiro. Harris já estava desde 2013 arrecadando fundos para a campanha. Ela recebeu os endossos dos jornais The Sacramento Bee, Los Angeles Daily News e Los Angeles Times. Na primária realizada em junho de 2014, Harris recebeu 2,1 milhões de votos, ou 53,17% dos votos válidos. Embora tenha conseguido uma maioria dos votos, pelas leis estaduais uma segunda votação, na eleição geral de novembro, teve de ser feita. Nesta, Harris obteve 4,1 milhões de votos, ou 57,49%, derrotando o republicano Ronald Gold.

Segundo mandato

Em 2015, Harris defendeu as condenações obtidas por procuradores de condados que continham confissões falsas em transcrições de interrogatórios e perjúrios. O juiz federal Alex Kozinski descartou as condenações, dizendo aos advogados de Harris: "Fale com a procuradora-geral e certifique-se de que ela entenda a gravidade da situação." Em março de 2015, um juiz dos tribunais superiores da Califórnia ordenou que Harris assumisse um processo criminal depois que o promotor distrital do Condado de Orange, Tony Rackauckas, revelou ter empregado ilegalmente informantes da prisão e provas ocultas. Harris recusou, recorrendo da ordem e defendendo Rackauckas.

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Senadora dos Estados Unidos

Eleição de 2016

Depois que a senadora democrata Barbara Boxer anunciou sua intenção de se aposentar do Senado dos Estados Unidos no final de seu mandato em 2016, Harris foi a primeira candidata a declarar sua intenção de concorrer ao assento no Senado de Boxer. Meios de comunicação noticiaram que Harris concorreria ao Senado no mesmo dia em que Gavin Newsom, o vice-governador da Califórnia e um aliado político próximo de Harris, anunciou que não tentaria suceder Boxer. Harris anunciou oficialmente o lançamento de sua campanha em 13 de janeiro de 2015, poucos dias depois de ser empossada para seu segundo mandato como procuradora-geral. Desde o início da campanha, Harris era vista como a favorita, liderando seus potenciais opositores com margens consideráveis.

Mandato

Após sua eleição para o Senado, Harris anunciou sua intenção de permanecer como procuradora-geral da Califórnia até o final de 2016 e renunciou pouco antes de ser empossada como senadora em 3 de janeiro de 2017, sendo substituída pelo representante democrata Xavier Becerra, nomeado por Brown. Ao ser empossada, tornou-se a primeira senadora norte-americana de origem indiana e afro-americana, e a segunda mulher afro-americana a integrar o Senado. Os democratas inicialmente a indicaram para os comitês do Orçamento, Segurança Interna e Assuntos Governamentais e Inteligência, mas em janeiro de 2018 o líder democrata Chuck Schumer a designou para o Comitê do Judiciário, tornando-se um de seus primeiros membros afro-americanos.

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Eleição presidencial de 2020

Candidatura à presidência

Desde 2016, Harris foi considerada uma das principais candidatas à nomeação democrata para presidente em 2020. O jornal português Diário de Notícias a chamou de "a estrela em ascensão no Partido Democrata." Publicamente, Harris declarou que não descartava uma candidatura à presidência, enquanto seus gastos com publicidade no Facebook foram incomumente altos e direcionados para alcançar eleitores de fora da Califórnia. Em julho de 2018, anunciou que publicaria um livro de memórias, outro sinal de uma possível candidatura. Nas eleições de meio de mandato, também endossou e fez campanha para candidatos em Michigan, na Pensilvânia e na Carolina do Sul. Em dezembro de 2018, afirmou que iria decidir se seria candidata "durante o feriado", uma decisão que tomaria com a família.

Candidatura à vice-presidência

Em 11 de agosto de 2020, o presidenciável democrata Joe Biden anunciou a escolha de Harris como sua candidata à vice-presidência. Harris estava sendo cotada para a posição há meses, muitas vezes vista como a favorita. Harris tornou-se, assim, a primeira mulher negra e sul-asiática a integrar a chapa presidencial de um grande partido político norte-americano. Em 19 de agosto de 2020, na Convenção Nacional do Partido Democrata, Harris foi oficialmente indicada para a vice-presidência. Em seu discurso aceitação, fez crítica às políticas republicanas e de Trump, afirmando: "O constante caos nos deixou a deriva. A incompetência fez com que sentíssemos medo. A insensibilidade faz com que nos sintamos sozinhos. São muitas coisas problemáticas, e esse é o ponto nós podemos faz melhor e iremos fazer muito mais."

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Vice-presidente (2021–2025)

Em 20 de janeiro, Harris foi empossada como vice-presidente dos EUA, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo, assim como a primeira pessoa de cor vice-presidente desde Charles Curtis, que era descendente de nativos americanos. Também é a terceira pessoa com reconhecida ascendência não europeia a alcançar um dos mais altos cargos do poder executivo, depois de Curtis e o ex-presidente Barack Obama.[carece de fontes?] Harris renunciou sua cadeira no Senado em 18 de janeiro de 2021, dois dias antes de ser empossada como vice-presidente. Seu primeiro ato no cargo foi jurar no cargo o seu substituto - Alex Padilla - e dois senadores da Geórgia, Raphael Warnock e Jon Ossoff, que haviam sido eleitos em segundo turno duas semanas antes. Como vice-presidente, Harris também era presidente do Senado e por duas vezes teve que realizar o voto de Minerva para desempatar votações de legislação no Senado, em fevereiro e março. Harris foi ainda importante na passagem do pacote de estímulo conhecido como American Rescue Plan.

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Campanha presidencial de 2024

Em 21 de julho de 2024, o presidente em exercício e presumido candidato democrata Joe Biden suspendeu sua campanha para reeleição em 2024, desistindo de concorrer. Ele endossou Kamala Harris como a candidata presidencial do Partido Democrata. Harris também recebeu endossos de Bill e Hillary Clinton, Nancy Pelosi, do Congressional Black Caucus, e de muitos outros. Se fosse eleita, Harris se tornaria a primeira presidente mulher e a primeira presidente asiático-americana dos Estados Unidos, além de ser a segunda presidente negra americana após Barack Obama. Em 22 de julho, Harris se tornou a candidata presumida do Partido Democrata ao garantir o número necessários de delegados favoráveis a sua nomeação. Nas primeiras 24 horas de campanha, foram arrecadados 81 milhões de dólares em doações. Na eleição presidencial nos Estados Unidos em 2024, Harris acabou sendo derrotada por Donald Trump. Harris admitiu a derrota em um telefonema para Trump em 6 de novembro de 2024 (dia seguinte à eleição) e fez um discurso de concessão mais tarde naquele dia. Harris foi a primeira candidata presidencial democrata a perder o voto popular nacional desde John Kerry em 2004. As derrotas dela nos estados do "muro azul" de Michigan, Pensilvânia e Wisconsin foram consideradas fundamentais para o fracasso de sua campanha. O resultado de Harris de 226 votos eleitorais foi o pior desempenho para uma chapa presidencial democrata desde Michael Dukakis em 1988.

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Prêmios e honrarias

Em 2005, a National Black Prosecutors Association concedeu a Kamala Harris o Prêmio Thurgood Marshall. Naquele ano, ela foi incluída em um relatório da Newsweek que perfilava "20 das Mulheres Mais Poderosas da América". Um artigo do New York Times de 2008 também a identificou como uma mulher com potencial para se tornar presidente dos Estados Unidos, destacando sua reputação como uma "lutadora durona". Em 2013, 2020 e 2021, Harris foi incluída na lista Time 100, a lista anual da Time das 100 pessoas mais influentes do mundo. Em 2016, o 20/20 Bipartisan Justice Center concedeu a Harris o Prêmio de Justiça Bipartidária junto com o senador Tim Scott. Biden e Harris foram conjuntamente nomeados Pessoa do Ano pela Time em 2020. Harris foi selecionada para a lista inaugural Forbes 50 Over 50 em 2021, composta por empreendedores, líderes, cientistas e criadores com mais de 50 anos de idade.

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Vida pessoal

Harris conheceu seu marido, o advogado Doug Emhoff, por meio de um amigo em comum que montou Harris e Emhoff em um encontro às cegas em 2013. Emhoff era um advogado do entretenimento que se tornou sócio responsável no escritório do Venable LLP em Los Angeles. Harris e Emhoff se casaram em 22 de agosto de 2014, em Santa Bárbara, Califórnia. Harris é madrasta dos dois filhos de Emhoff, Cole e Ella, de seu casamento anterior com a produtora de cinema Kerstin Emhoff. Em agosto de 2019, Harris e seu marido tinham um patrimônio líquido estimado em 5,8 milhões de dólares. Harris é uma americana multirracial e batista, sendo membro da Terceira Igreja Batista de São Francisco, uma congregação da American Baptist Churches USA. Sua irmã, Maya, é advogada e analista política da MSNBC; seu cunhado, Tony West, é conselheiro geral do Uber e ex-funcionário sênior do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A sobrinha dela, Meena, é a fundadora da Campanha de Ação Feminina Fenomenal e ex-chefe de estratégia e liderança do Uber.

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