Aramo
Aramo ou Arã foi um lendário patriarca armênio (naapete). De acordo com a tradição armênia, preservada principalmente na história de Moisés de Corene, era filho de Harma e descendente do primeiro patriarca armênio Haico. Segundo a lenda, os armênios se uniram num estado e expandiram seu território em todas as direções durante seu reinado. Foi sucedido por seu filho Ara, o Belo.
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De acordo com o filólogo Armen Petrosyan, o nome Aramo é provavelmente uma palavra armênia que se desenvolveu diretamente do protoindo-europeu *rēmo-, que significa "negro". Petrosyan argumenta que tanto o Aramo armênio quanto o Rama índico derivam de um mito indo-europeu "comum" sobre um herói cujo nome significa negro (PIE *h₂reh₁mo-) derrotando um inimigo chamado "brilhante, branco, prateado" (PIE *h₂erg-). A iranóloga Anahit Perikhanian deriva Aramo, bem como os nomes dos outros patriarcas armênios Armenaco e Arameis, do meda médio Arã (*Arām), que derivou do iraniano antigo Rama (*Rāma-), "alegria, paz". O linguista Hrachia Acharian conectou o nome com Arame, o nome de um rei urartiano, e escreveu que a figura de Aramo era um reflexo da memória do rei histórico. Na visão de Petrosyan, o nome Arame deriva da mesma fonte indo-europeia que Aramo. Petrosyan também deriva dessa raiz o nome do argonauta Armeno, que é considerado o ancestral dos armênios em fontes gregas e latinas.
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As figuras de Haico e Aramo, em alguns aspectos, são quase idênticas. De acordo com Manuk Abeghyan, Aramo é a segunda encarnação de Haico․ Além disso, ambos são considerados versões epicificadas do arcaico deus do trovão Vaagênio․ Por outro lado, há diferenças entre as figuras de Haico e Aramo e entre seus seguidores. Num contexto indo-europeu, Haico representa a primeira função (soberania), enquanto Aramo, a única figura guerreira do mito etnogônico, é um guerreiro óbvio (segunda função). Haico é descrito como um velho patriarca, o líder de guerreiros adultos, seus filhos e filhos de filhos, "homens marciais cerca de trezentos em número." Haico luta com seu adversário dentro do território da Armênia, enquanto Aramo milita contra os inimigos nas terras fronteiriças e além das fronteiras da Armênia. Haico e Aramo podem ser considerados equivalentes do Rudra e Indra indianos.
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A lenda sobre Aramo está registrada na História da Armênia de Moisés de Corene. Moisés escreve que a lenda foi colocada por escrito por Mar Abas Catina, um autor sírio. Aramo era filho de Harma e descendente do patriarca Haico. O historiador do século XVIII Mikayel Chamchian, usando informações da história de Moisés, situou o reinado de Aramo em 1827–1 769 a.C.. Ele herdou o trono de seu pai e se tornou famoso em todo o mundo pela bravura prudente e viril que demonstrou a serviço de seu país. Estendeu seu domínio das montanhas do Cáucaso ao montes Tauro e expulsou todos os seus inimigos do país, que estavam muito desejosos de invadir os territórios da Armênia e oprimir o povo. Moisés observa que "Aramo preferiu sofrer a morte em defesa de seu país, do que vê-lo sujeito a estrangeiros." Pouco antes de Nino se tornar o governante da Assíria, Aramo, pressionado pelos povos vizinhos, reuniu muitos bravos companheiros de tribo, arqueiros e lanceiros mais habilidosos, homens jovens e maduros, hábeis em lutas, ousados de coração e prontos à batalha, totalizando cerca de 50 mil. Nas fronteiras da Armênia, encontrou os jovens medos, sob a liderança de certo Nucar, apelidado de Mades, um homem orgulhoso e guerreiro, como o mesmo cronista observa, Semelhante a um fora da lei, como os cuchanas, pisoteando as fronteiras da Armênia com os cascos dos cavalos, oprimiu o país por dois anos. Mas Aramo, aparecendo de repente, antes mesmo do nascer do sol, destruiu todas as suas hordas e, agarrando o próprio Nucar, o levou a Armavir e lá ordenou que fosse pregado na parede no topo da torre com uma cunha de ferro na testa, à exibição dos transeuntes e de todos que chegaram lá. Por conseguinte, designou os sisacanos (Siunis) como governantes do leste da Armênia.


