Aracy Balabanian
Aracy Balabanian foi uma atriz brasileira. Reverenciada como uma das maiores atrizes do país, tornou-se renomada por seus papéis marcantes na teledramaturgia ao longo de quase seis décadas de carreira. Balabanian é ganhadora de vários prêmios, incluindo três Prêmios APCA, um Troféu Imprensa e um Melhores do Ano, além de ter sido agraciada com o prestigiado Troféu Mário Lago por sua contribuição artística.
Filha de imigrantes da Armênia, seus pais foram para o Brasil fugindo do Genocídio armênio, promovido pelos turcos otomanos naquele país. Eles fixaram residência em Campo Grande, capital do atual estado de Mato Grosso do Sul, onde Aracy e os irmãos nasceram. Seu pai se chamava Rafael Balabanian e era comerciante, e a mãe, Estér Balabanian, era dona de casa. Aos quinze anos mudaram-se para São Paulo e Aracy ajudava os pais na criação dos sete irmãos menores. Aprovada no vestibular para ciências sociais e para a Escola de Arte Dramática, abandonou os estudos de sociologia para se dedicar ao teatro, sua verdadeira paixão. Diz que viveu em uma época em que era considerado feio uma mulher fazer teatro, já que, então, acreditava-se que mulheres deveriam ser donas-de-casa e cuidar de assuntos domésticos.
Em 2014, Aracy interpretou "Iracema", uma dona de casa em Geração Brasil. Durante as gravações, precisou se ausentar por cerca de um mês devido a uma infecção respiratória. No entanto, o pequeno grupo que formou com as atrizes Daisy Lúcidi e Lady Francisco fez sucesso e ganhou destaque na trama. Em 2016, atua na minissérie Ligações Perigosas, como "Consuelo", uma mulher de bem com a vida que gosta de viver cercada de jovens. Em 2016, é escalada para a novela Sol Nascente para interpretar a matriarca italiana "Geppina". Ela é uma italiana que chegou ao Brasil ao lado de seu grande amor, "Gaetano" (Francisco Cuoco). Eles fugiram da Itália depois que "Geppina" abandonou um mafioso para quem estava prometida em casamento. Este segredo é guardado pela família, enquanto "Geppina" e "Gaetano" mantêm viva a chama da paixão até os dias de hoje. Em 2017, integrou o elenco de Pega Pega em uma participação especial como "Mariazinha", uma socialite amiga de Sabine, interpretada por Irene Ravache. Durante sua participação, revela que a empresária não comunicou à polícia quando encontrou "Dom", interpretado por David Junior, ainda criança, perdido e sozinho na rua.
Formação acadêmica e primeiros anos no teatro
Aos quatro anos de idade, Aracy já tinha em mente que queria ser atriz. Em sua cidade, Campo Grande, não existiam teatros e ela frequentava muito o cinema na juventude com sua irmã, sendo o neorrealismo italiano seu gênero favorito. Desde pequena, porém, ela brincava de estar no palco representando: colocava uma cortina, fazia roupa de papel crepom e inventava a peça. Aos quinze anos e acompanhando sua família, mudou-se para São Paulo, onde passou a ter maior contato com o mundo artístico. Balabanian foi uma excelente aluna no colégio Bandeirantes, onde foi incentivada por sua professora de português a frequentar eventos culturais. Aos 12 anos, emocionou-se profundamente ao assistir a uma peça da companhia teatral de Maria Della Costa, o que a fez decidir que seu destino estava no palco. Um encontro com Augusto Boal, durante uma apresentação de Ratos e Homens, a levou a fazer um teste para o Teatro Paulista de Estudantes, no qual foi aprovada. Ali, conheceu e aprendeu com Beatriz Segall. Sua estreia no teatro amador, aos 14 anos, em 1954, foi dirigida por Beatriz, e recebeu elogios do crítico Décio de Almeida Prado, que considerou sua estreia como o nascimento de uma estrela. Incentivada por nomes como Beatriz Segall, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, ela foi aconselhada a investir em sua carreira como atriz, mas também priorizar seus estudos. Ela ingressou na USP para estudar Ciências Sociais e também na Escola de Arte Dramática (EAD).
1964–69: Estreia na televisão e consolidação como atriz de telenovelas
A sua estreia em televisão foi na peça Antígona, de Sófocles, montada pela TV Tupi. No entanto, foi em 1964 que Balabanian atuou em sua primeira telenovela, gênero que viria a se consagrar como uma das maiores atrizes do país. Em Marcados pelo Amor (1964), da Record, atuou como a vilã dissimulada "Lúcia Dias Martinelli", disposta a destruir o relacionamento amoroso de sua própria irmã. Neste ano, ainda, atuou em Vereda da Salvação, de Antunes Filho, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), que se baseava em um intenso trabalho de preparação dos atores, incluindo exercícios específicos e laboratórios focados na recriação naturalista de um ambiente rural dominado pelo fanatismo religioso.
1970–79: Prosseguimento da carreira e contratação pela TV Globo
Após temporadas em cartaz com Hair nos palcos, voltou à televisão em 1971 protagonizando a telenovela A Fábrica. Na trama, deu vida à "Isabel", filha do falecido dono de uma fábrica de tecelagem, que tem a missão de reconstruir o legado do pai após um incêndio que destruiu todo o seu patrimônio. A novela foi criada para reverter a fase ruim de novelas da TV Tupi, trazendo Aracy novamente em par romântico com Juca de Oliveira com propósitos de repetir o sucesso do trabalho anterior. Em 1972, foi contratada pela TV Globo e esteve no elenco de O Primeiro Amor, no papel da psicóloga "Giovana", e na primeira temporada versão brasileira do seriado Vila Sésamo.
1980–89: Versatilidade de papéis e amadurecimento
Sobre seu papel em Coração Alado, Balabanian comentou: "Começou a me afastar um pouco dessa figura da mocinha certinha, boazinha. Porque ela era muito louca". — Balabanian em depoimento para o Memória Globo Por conta do contrato cada vez mais consolidado com a TV Globo, Balabanian mudou-se de vez para o Rio de Janeiro. Sua primeira peça nos palcos cariocas foi À Direita do Presidente, em 1980, de Mauro Rasi e Vicente Pereira, sendo a única mulher do elenco. O processo de adaptação à nova cidade não foi fácil para Aracy, que relata inúmeros incômodos, sobretudo quanto ao calor carioca. Concomitantemente, estrela o elenco da novela do horário nobre Coração Alado, no papel da popular cobradora de ônibus "Maria Faz-Favor", exercitando seu lado cômico. A personagem ganhou a simpatia dos telespectadores. "Maria" era uma mulher trabalhadora e dedicada, apaixonada pelo falso barão "Von Strauss", interpretado por Jardel Filho, um massagista ambicioso que aspirava se tornar colunista social. Enquanto enganava "Maria Faz-Favor", ele se envolvia com mulheres da alta sociedade, sempre em busca de oportunidades vantajosas para si mesmo.
1990–02: Rainha da Sucata, A Próxima Vítima e Sai de Baixo
Em 1990, protagonizou a peça Fulaninha e Dona Coisa, de Marco Nanini, ao lado de Louise Cardoso, onde interpretou a executiva ocupada e exigente "Dona Coisa". Também em 1990, foi convidada para o estrelado elenco de Rainha da Sucata. Balabanian se destacou no elenco ao interpretar de forma memorável "Dona Armênia", uma mãe apaixonada que cuidava com fervor de "seus três filhinhas". Com um estilo visual extravagante e um sotaque hilário que mesclava armênio e português, ela demonstrou sua autoridade como proprietária do edifício da Sucata na Avenida Paulista ao decidir pela implosão, provocando risos do público com seu famoso bordão: "Quero esse prédio na chon!". Originalmente idealizada por Silvio de Abreu como Dona Giovanna, uma mãe italiana, a personagem foi adaptada para "Armênia" depois que Nair Bello recusou o papel devido a compromissos com o SBT. Aracy, filha de imigrantes armênios, conseguiu incorporar de maneira autêntica o sotaque e alguns costumes de sua origem ao interpretar o papel.
2003–13: Retorno às telenovelas e demais trabalhos
Com o fim de Sai de Baixo, Balabanian voltou para as telenovelas após sete anos em Sabor da Paixão (2002-03) no papel da vaidosa "Hermínia". Sua personagem é a mãe de "Cecília" (Cássia Kis), uma mulher implicante e intrometida que gosta de opinar na vida dos outros. Ela mora na casa da filha e vive criticando o genro, "Miguel" (Lima Duarte). Nunca aprovou o casamento de Cecília, desejando para ela um marido rico. Apesar de viúva há muito tempo, ela ainda mantém esperanças de casar novamente e é vaidosa, gastando boa parte de sua renda em roupas, salão de beleza e bijuterias. Em dezembro de 2003, estrelou o episódio "Irmãos Naves" do programa de investigação policial Linha Direta, no papel de "Ana Rosa Naves".
A atriz manteve relacionamentos amorosos com homens anônimos e famosos, mas optou em não se casar e não ter filhos, para dedicar-se totalmente a sua carreira. Em entrevistas revelou ter feito dois abortos em uma clínica clandestina. Revelou que interrompeu sua primeira gravidez porque estava no início de sua carreira e havia sido abandonada grávida por seu primeiro namorado, e a segunda interrupção ocorreu porque sofria violência doméstica de seu namorado, que queria proibi-la de trabalhar.
Morte
Aracy morreu no dia 7 de agosto de 2023, aos 83 anos. Ela estava internada no Centro de Terapia Intensiva de um hospital da Zona Sul do Rio de Janeiro (RJ) para o tratamento de um câncer no pulmão.


