Pier Paolo Pasolini
Pier Paolo Pasolini foi um cineasta, poeta, escritor, dramaturgo, crítico de arte e pintor italiano.
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Era filho de Carlo Alberto Pasolini (1892–1958), bolonhês, militar de carreira, e de Susanna Colussi (1891–1981), friulana, professora primária. Teve um irmão chamado Guidalberto "Guido" Pasolini (1925–1945), que morreu numa emboscada lutando na Segunda Guerra Mundial. Em 1926, o pai de Pasolini foi preso por dívidas de jogo, e sua mãe mudou-se para a casa de sua família em Casarsa della Delizia, onde havia nascido. Conforme podemos saber pelas cartas de Pier Paolo Pasolini aos 21 anos para o seu amigo Franco Farolfi, a entrada da Itália na II Guerra o deixou condolente com a juventude morta em combate, pesaroso com o destino de seu amigo de liceo, Hermes Parini, feito prisioneiro na Rússia, e angustiado pelo seu pai militar que se encontrava em serviço, e mais tarde, com o drama familiar de ter o seu pai, militar, prisioneiro no Quênia após o armistício de 8 de setembro de 1942. Na universidade, Pasolini se introduz aos grupos literários de estudantes, frequenta o curso de história da arte do professor Roberto Longhi e termina a formação com um trabalho de conclusão sobre Giovani Pascoli. Concluída a faculdade de letras da Universidade de Bolonha (1938-1942), Pasolini em setembro de 1943 se apresentou em Pisa ao exército. Ficou, entretanto, apenas uma semana, fugindo a pé de Livorno depois de desobedecer a ordem recebida de seu superior de entregar as suas armas às tropas alemãs que então passavam a ser inimigas. Pasolini fugiu em direção a Casarsa, pequena comuna materna de Friuli, onde ele veio a exercer a docência na scuola media local e teve contato de maior proximidade com as classes populares, principalmente o caso dos braccianti, apelido dado aos membros da liga camponesa que se opunha aos latifúndios da província de Friuli. A experiência com os camponeses foi com Pasolini associada à sua nova consciência intelectual sobre a sociedade italiana. Em Casarsa, Pasolini continuou os seus estudos formativos e entre 1943 e 1947 ele esteve dedicado a poesia dialetal friuliana, frequentando o curso de Gianfranco Contini e defendendo em 1945 a sua tese sobre Giovanni Pascoli. Neste mesmo ano de 1945, em 7 de fevereiro, um fato traumático atinge Pasolini: seu irmão, Guido, por quem tinha grande amizade e que era membro da resistenza, morre na guerra, vítima de um partisan iugoslavo.
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Em 26 de janeiro de 1947, Pasolini escreveu uma declaração polêmica para a primeira página do jornal Libertà: "Em nossa opinião, pensamos que, atualmente, só o comunismo é capaz de fornecer uma nova cultura". A controvérsia foi parcialmente devido ao fato de ele ainda não ser um membro do Partido Comunista Italiano, PCI. Após sua adesão ao PCI, participou de várias manifestações, e, em meados de 1949, participou do Congresso da Paz, em Paris. Observando as lutas dos trabalhadores e camponeses, e vendo os confrontos dos manifestantes com a polícia italiana, ele começou a criar seu primeiro romance. No entanto, em outubro do mesmo ano, Pasolini foi acusado de corrupção de menores e atos obscenos em lugares públicos. Como resultado, foi expulso pela seção de Udine do Partido Comunista e perdeu seu emprego de professor que tinha obtido no ano anterior em Valvasone, ficando em uma situação difícil.
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Realizou estudos para filmes sobre a Índia, a Palestina e sobre a Oréstia, de Ésquilo, que pretendia filmar na África (Apontamento para uma Oréstia Africana). Seus filmes são muito conhecidos por criticarem a estrutura do governo italiano (na época fortemente ligado à igreja católica), que promovia a alienação e hábitos conservadores na sociedade. Além disso, seu cinema foi marcado por uma constante ligação com o arcaísmo prevalecente no homem moderno. Prova disso é a obra Teorema, em que um indivíduo entra na vida de uma família e a desestrutura por inteiro (cada membro da família representa uma instituição da sociedade). Pasolini evoca um tempo em que arcaico e actual, tal como natureza e história, estabelecem entre si relações inéditas, assim antecipando a visão de uma realidade situada para além da nossa compreensão. Dirigiu os filmes da Trilogia da Vida com conteúdo erótico e político: Il Decameron, I racconti di Canterbury e Il fiore delle mille e una notte. Pasolini, em um determinado momento da sua vida, renegou esses filmes, afirmando que eles foram apropriados erroneamente pela indústria cultural, que os classificava como pornográficos.
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Na madrugada entre 1º e 2 de novembro de 1975 Pasolini foi brutalmente assassinado, em local próximo ao hidro-aeródromo de Óstia, um bairro periférico de Roma. O cadáver foi encontrado por uma senhora às 6h30min. Foi seu amigo Ninetto Davoli que reconheceu o corpo. Giuseppe "Pino" Pelosi, à época com dezessete anos (Pino Pelosi morreu em 20 de julho de 2017 aos 59 anos), já conhecido pela polícia por roubos de veículos, tendo sido detido na mesma noite por estar guiando o carro de Pasolini, cumpriu pena como assassino confesso. Pelosi afirmou que abordou Pasolini nas cercanias da Estação Termini, no Bar Gambrinus da Piazza dei Cinquecento, quando foi convidado a entrar em seu veículo (uma Alfa Romeo 2000 GT Veloce) mediante promessa de uma soma em dinheiro. Depois de um jantar oferecido pelo escritor, na trattoria Biondo Tevere próximo à Basílica de São Paulo Extramuros, os dois se dirigiram à periferia de Óstia. A tragédia, de acordo com a sentença judicial, teria tido início depois de uma discussão sobre as pretensões sexuais de Pasolini às quais Pelosi estaria relutante, e teria acabado por se precipitar numa altercação fora do veículo. Na sua versão, o jovem teria sido ameaçado com um pau que depois teria conseguido tomar de Pasolini, tendo-lhe golpeado diversas vezes até fazê-lo cair gravemente ferido mas ainda com vida. Então Pelosi teria entrado no veículo e atropelado o escritor diversas vezes, destruindo-lhe a caixa torácica e causando-lhe a morte. Pelosi foi condenado em primeira instância por homicídio doloso em 4 de dezembro de 1976, sentença confirmada pela Corte de Apelação. Em 2005, pena cumprida, Pelosi afirmou que não matou Pasolini e que confessou por ter sido ameaçado. Hoje já foram divulgados diversos documentos que desautorizam a versão constante da sentença judicial. Fica claro, no mínimo, a participação de mais pessoas no assassinato. Em um recente programa televisivo, a escritora e biógrafa de Pasolini, Dacia Maraini afirmou que a morte de Pasolini "é um dos mistérios italianos que não foram resolvidos" (Di martedì 08/03/2022, 2:34:31) .


