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Apolo

Apolo é uma das divindades principais da mitologia greco-romana, um dos deuses olímpicos. Filho de Zeus e Leto, e irmão gêmeo de Ártemis, possuía muitos atributos e funções, e possivelmente depois de Zeus foi o deus mais influente e venerado dentre todos os deuses gregos. As origens de seu mito são obscuras, mas no tempo de Homero já era de grande importância, sendo um dos deuses mais citados na Ilíada.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Origens

Era chamado pelos gregos de Apollon ou Apellon, pelos romanos de Apollo e pelos etruscos de Apulu ou Aplu. A origem do nome Apolo é incerta, bem como a de seu mito. Apolo é um nome que não tem paralelos claros em outras línguas indo-europeias, e é o único deus olímpico que não figura nas cerca de mil tabuletas conhecidas escritas em Linear B, uma fonte de dados sobre a Grécia na Idade do Bronze. Embora essa omissão possa ser apenas casual e achados arqueológicos futuros possam trazer outras conclusões, em termos estatísticos permanece uma evidência significativa, o que aponta para uma origem possivelmente oriental e uma chegada à Grécia em período relativamente tardio. Graf sugere as seguintes hipóteses para sua origem: ele pode ter sido uma divindade indo-europeia, presente mas não documentada na Idade do Bronze grega, ou foi introduzido após a Idade das Trevas grega, ou proveio do Oriente Próximo, possivelmente da Anatólia ou da região semita.

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Seu mito

Como devo te cantar, tu que por tudo que és mereces o louvor? As primeiras referências literárias a Apolo se encontram em Homero, na própria fundação da literatura grega. E neste momento o deus já aparecia tão carregado de atributos que o poeta considerava difícil escolher por onde começar seu elogio. Como fica evidente, apesar das incertezas sobre a origem do mito e da ausência de documentação anterior, no século VIII a.C. ele já estava consolidado. Apolo é citado na Odisseia, é o foco de um dos Hinos Homéricos, e é um dos deuses protagonistas na Ilíada, e dessas fontes provêm as primeiras descrições de sua história. Na Ilíada Apolo se coloca contra os gregos, e luta pelos troianos. Ele surge para vingar o ultraje a seu sacerdote Crises, cuja filha Criseida havia sido capturada por Agamemnon, e já aparece mostrando algumas das facetas de seu caráter, a belicosidade e violência de que era capaz, e seus atributos de causador e curador de doenças, semeando a peste entre os soldados gregos, e derramando sobre eles seus raios de fogo como uma chuva de flechas certeiras. Para aplacá-lo, não apenas Criseida foi devolvida a seu pai, mas os gregos tiveram de oferecer ao deus "uma perfeita hecatombe de touros e cordeiros", além de cantos e danças, e após tudo executado, Apolo deu-se por satisfeito e retirou a praga. Também foi o responsável pelo antagonismo entre Agamemnon e Aquiles; protegeu os heróis troianos Pandaros, Páris e Eneias, e também Heitor enquanto pôde; frustrou as investidas de Pátroclo, Diomedes e Aquiles, e foi quem conduziu a flecha de Páris que matou Aquiles. Quando Glauco foi ferido por uma flecha de Teucros, orou para Apolo, que imediatamente fechou a ferida e devolveu-lhe as forças. Macaon e Podalírio, dois netos de Apolo por seu filho Esculápio, também estavam presentes na batalha. Foi quem curou as feridas de Sarpedon, foi o instrumento de Zeus para evitar a profanação do corpo do guerreiro quando este foi morto, e velou pelo corpo de Heitor. Na Ilíada, Apolo também aparece como o deus da música, tocando sua lira para o deleite dos imortais, e como o guardião dos cavalos de Eumelo, e do gado de Laomedonte.

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Evolução e interpretações do mito

Como se lê em Homero, os primeiros de seus atributos foram o da morte súbita com suas flechas infalíveis, a música, a vingança e punição de violações da lei sagrada, o causador de doenças, e apenas secundariamente curador. Com o passar do tempo seu mito foi sendo enriquecido, e a enorme quantidade de epítetos que foram associados a seu nome o prova. Seu caráter primitivo, marcado pela violência, tornou-se mais brando, e ele foi erigido em um deus civilizador, curador, protetor, harmonizador e organizador, num justiceiro mais equilibrado e em um profeta completo. Pitágoras teve um papel nessa transformação. Ele era considerado por uns um filho de Apolo, por outros uma encarnação do próprio deus, que descera ao mundo dos homens com uma missão terapêutica, e é significativo que Pitágoras só sacrificasse em altares de Apolo, chamasse a si mesmo de um curador, tocasse a lira e desse grande importância à música e à divinação. Ensinando uma doutrina de forte base ética e que enfatizava a harmonia e a pureza, sua influência sobre a cultura grega foi enorme, na mesma época em que o culto de Apolo se disseminava. Ademais, desenvolveu uma complexa teoria musical baseada em um sistema de proporções matemáticas onde os números simbólicos de Apolo ocupam lugar central. Esta teoria foi a base de toda a música grega de sua geração em diante e ainda permanece influente. Também foi importante a assimilação de Apolo pelo orfismo, cujo patrono mítico, o músico Orfeu, era acreditado como filho do deus. Seus ritos incluíam a música e a divinação, sua doutrina enfatizava a disciplina moral rigorosa, a purificação e o ascetismo, e incluía a crença numa vida beatífica após a morte. O Hino a Apolo dos órficos declara como função do deus harmonizar os pólos opostos do cosmos com sua música.

Apolo no cristianismo, nas artes e no Estado moderno

Com a ascensão do cristianismo, os Padres da Igreja e os filósofos cristãos contribuíram ativamente para o progressivo descrédito e esquecimento dos deuses pagãos, denunciando-os como falsos deuses. Lactâncio, por exemplo, ridicularizou os mitos de Apolo e dos demais deuses como uma impossibilidade óbvia — haviam nascido de uniões sexuais, o que via como inconciliável com a natureza divina, e dizia que se tratavam de simples mortais magnificados. Quanto a Apolo propriamente dito, Aristides o acusou de estuprador, assassino, embusteiro, invejoso e iracundo, dizendo ainda ser um absurdo que alguém que não deveria reinar nem entre os mortais fosse considerado uma das potestades celestes. Entretanto, antes do ocaso final do paganismo, autores pagãos como Celso atacaram o cristianismo em bases semelhantes às que usaram os cristãos para destruir o Panteão pagão, perguntando como uma virgem poderia ter concebido, e se ela o pôde fazer, por que os deuses pagãos não poderiam amar mulheres mortais da mesma forma e gerar descendência; além disso, o deus que figurava nas Escrituras judaico-cristãs, frequentemente irado, assassino e vingativo, também não podia ser considerado um exemplo de virtude. Mesmo com toda a condenação do paganismo, a teologia paleocristã foi largamente devedora da filosofia e da metafísica clássicas, especialmente dos neoplatônicos, como se prova na leitura da literatura patrística e na própria Bíblia. O Evangelho de João, por exemplo, abre com as frases: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens". Cristo é dito a encarnação do Verbo, o que remete à identificação grega de Apolo com a Palavra Divina através da profecia. A rigor Apolo não reivindica a profecia como sua; ele é um deus poderoso, mas subordinado a seu pai, Zeus, o deus supremo, e necessariamente se coloca muito próximo dele em sua função de seu porta-voz. Homero, em seu Hino a Apolo, faz Apolo dizer: "Possa a lira me ser cara, e também o arco encurvado, e para os homens eu proclamarei em oráculos o infalível conselho de Zeus", e no Hino a Apolo órfico o deus é descrito como "a luz da vida", de modo que as similaridades entre as teologias cristã e pagã são evidentes.

A atualidade do mito

Em tempos recentes o mito de Apolo continuou sendo explorado. Durante o Iluminismo seu papel de fonte da luz da Razão e dissipador da ignorância e do erro se tornou generalizadamente reconhecido, mas também a universalidade da sua luz deu margem a interpretações totalitárias, que justificavam a erradicação de divergências e supressão dos particularismos individuais. Winckelmann, porém, o maior teórico dos neoclássicos, o colocou nas alturas, dizendo que a descrição de Apolo exige o estilo mais sublime: uma devoção a tudo o que se refira à humanidade. Com os românticos sua posição variou. Shelley o viu mais como um símbolo da tirania cultural e política, John Ruskin o considerava o símbolo da luz combatendo as trevas, e o poder da vida combatendo a decrepitude, e Oscar Wilde o via como uma imagem da pureza do mundo natural em contraste com a decadência da civilização. Entre os acadêmicos, no século XIX se tornou patente a importância do estudo dos mitos para prover uma chave de interpretação da sociedade e do homem modernos, com estudos pioneiros realizados por Friedrich Max Müller no campo da Religião Comparada e Friedrich von Schelling na área da Filosofia da Mitologia, entre outros.

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Amantes e descendência

Apolo teve um grande número de amores, masculinos e femininos, mortais e imortais, mas geralmente não foi correspondido, ou quando foi, alguma tragédia interrompeu o romance. Aqui são citados apenas alguns, lembrando que de acordo com as várias fontes podem ser encontradas versões divergentes de cada história. Ovídio disse nas Metamorfoses que o primeiro amor de Apolo foi Dafne, uma ninfa, mas o amor acabou frustrado por Eros, que lançando sua flecha de chumbo contra a ninfa, fê-la rejeitar o deus, enquanto que dirigindo sua flecha de ouro para Apolo, provocou-lhe intensa paixão. Teve motivos para isso, pois Apolo havia desdenhado da habilidade do deus do amor com o arco e gabado suas próprias vitórias. Depois de ser incansavelmente perseguida por Apolo, Dafne suplicou para seu pai para que fosse transformada em um loureiro. Apolo declarou então que o loureiro seria sua árvore sagrada. Os vencedores dos Jogos recebiam uma coroa de folhas de loureiro. Ciparisso era especialmente afeiçoado a um cervo domesticado. Acidentalmente matou-o com seu dardo, e, inconsolável, pediu para Apolo, que o amava, para pranteá-lo para sempre. Apolo atendeu ao seu pedido transformando-o em cipreste, que tornou-se uma árvore símbolo do luto. Hermes e Apolo disputaram o amor de Quíone, por sua grande beleza. Temeroso que Apolo a ganhasse, Hermes tocou seus lábios com o caduceu, fê-la dormir e a possuiu. Não obstante, Apolo, disfarçado de uma velha, penetrou no seu quarto e a amou também. De Hermes Quione concebeu Autólico, e de Apolo, Filamon, mas orgulhou-se demasiado disso, julgando-se mais bela que Ártemis. Então a deusa injuriada a matou. O pai de Quíone, tomado pela dor, jogou-se de um penhasco, mas Apolo o transformou em uma águia feroz.

Outras histórias

Depois do esquartejamento de Orfeu, Apolo impediu que uma serpente comesse sua cabeça, transformando o réptil em pedra. Apolo matou os filhos de Níobe, vingando a ofensa que esta havia proferido contra sua mãe Leto, gabando-se de ter muitos filhos, enquanto Leto havia tido apenas dois. Matou também os Aloídas, gigantes filhos de Posídon, que ameaçavam o Olimpo Enviou duas serpentes para matar seu sacerdote Laocoonte e seus filhos, pois ele o havia ofendido quebrando seu voto de castidade. Quanto à música, há uma lenda a respeito da origem da lira e da siringe, uma espécie de flauta. Enquanto servia o rei Admeto, Apolo enamorou-se de Himeneu a ponto de esquecer seu trabalho como guardador dos rebanhos do rei. Aproveitando-se disso, Hermes, seu irmão por parte de Zeus, roubou o gado. Apolo o acusou junto a Maia, mãe de Hermes, mas ela não lhe deu fé. Zeus então ordenou que Hermes devolvesse as reses, mas Apolo o viu tocando a lira, que ele havia inventado afeiçoando o casco de uma tartaruga como o corpo do instrumento, e usando tripas de vaca como suas cordas. Apolo ficou tão encantado que em troca do gado a pediu para si. Mais tarde Hermes inventou a siringe, que Apolo também desejou para si, mas em retorno Hermes exigiu que seu irmão lhe ensinasse a arte da profecia, Apolo discordou, pois não era lícito que nenhum outro deus usufruir do dom da profecia, porém indicou-o aprender esta arte com as Trías que viviam no Monte Parnasso. Indicou o caminho, e deu ainda para Hermes seu cajado de pastor, que se transformou no caduceu hermético. Apolo competiu em um concurso musical com Cíniras, seu filho, que perdeu e cometeu por isso o suicídio. Competiu também com o sátiro Mársias, e foi ajustado de antemão que se Mársias perdesse, seria esfolado vivo. Perdeu, e sofreu a consequência trágica. Toda a natureza chorou Mársias, e suas lágrimas, colhidas pela terra, drenaram para suas veias exangues, e ele se transformou em um rio, que recebeu seu nome. Competiu também com Pã, quando foi juiz o rei Midas. Dando Pã como vencedor, Midas foi punido pelo deus da música recebendo orelhas de burro. Segundo Ovídio, através do poder de sua música Apolo construiu as muralhas de Troia.

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Seu culto

Conforme se percebe nas alusões de Homero, o culto de Apolo já estava firmemente estabelecido antes do começo dos registros escritos na Grécia, mas as evidências arqueológicas só aparecem no tempo do mesmo Homero. Seus dois santuários maiores, Delfos e Delos, eram dos mais influentes da antiga Grécia. Também era cultuado de forma importante em Atenas, Dídimos, Claros, Cnossos e Abas. Outros santuários havia em Egina, Quios, Mileto, Oropo, Hierápolis Bambice, Corinto, Bassas, Patara, Segesta e vários outros lugares, assumindo a presidência de quase todos os oráculos da Grécia, do qual o de Delfos foi o mais célebre. Música, dança, divinação, procissões, sacrifícios e rituais purificatórios tinham parte central em seu culto em todos os lugares, e o hino dedicado especialmente a Apolo era o peã, mas as formas específicas variavam de acordo com o local e suas associações com alguma faceta especial do deus, e com a época do ano, e não se pode imaginar um sistema homogêneo, considerando a extensão do período histórico em que foi cultuado, a vasta região que abrangeu e os vários sincretismos que sua imagem sofreu. Há relatos desde grandes festivais pan-helênicos até oferendas simples de indivíduos, e adiante são citadas algumas festas e ritos a título de exemplo. Apesar de a lenda dizer que seu primeiro local de culto foi Delos, a ilha onde nascera, achados arqueológicos sugerem que o mais antigo templo de Apolo possivelmente foi construído em Naxos, no final do século VII a.C., uma estrutura relativamente simples, mas que possuía uma estátua de culto do deus de dimensões colossais, com cerca de seis metros de altura, que se preservou de forma fragmentária.

Delos

Somente no final do século VI a.C. os gregos dominaram Delos, e então ergueram ali um santuário para Apolo que veio a adquirir grande importância, também em virtude da condição da ilha de sede da Liga de Delos. Em 426 a.C. os gregos consagraram toda a ilha ao culto, e por causa do seu caráter sagrado, nascimentos e mortes eram proibidos, e todas as gestantes perto de darem à luz e doentes graves deviam abandoná-la. Também reconstruíram e ampliaram o templo primitivo e instituíram um grande festival para Apolo que reunia as cidades da Liga a cada quatro anos, e outro a cada seis anos. Anualmente os membros da Liga enviavam para Delos um coro de quatorze jovens num navio consagrado, que reconstituía a chegada mítica de Teseu à ilha de Creta para matar o Minotauro, acompanhado dos sete mancebos e sete virgens enviados em sacrifício. Segundo a tradição, os jovens haviam prometido, se Teseu derrotasse o monstro e eles sobrevivessem, que enviariam todos os anos um navio-oferenda para perpetuar a memória da façanha. As famílias que se diziam seus descendentes mantiveram o costume, e era uma cerimônia cercada de grande sacralidade. Desde a partida do navio, após a bênção solene do sacerdote de Apolo, até seu retorno, as execuções eram proibidas. O Apolo Délio se tornou muito venerado em Atenas, ao lado do Apolo Pítio. Ao longo do domínio helenista seu prestígio permaneceu e mesmo cresceu, chegando ao seu pico em torno do século II a.C., mas em 69 a.C. a ilha foi devastada pelas tropas do rei do Ponto.

Atenas

Segundo Demóstenes, Atenas tinha Apolo Pítio como seu ancestral, e ali ele foi sempre cultuado. Um dos festivais mais conhecidos era o da Thargelia, celebrado em Atenas e cidades gregas da Ásia no mês de Targélio, maio. Era basicamente um rito purificatório, às vezes combinado a ritos de fertilidade celebrando as colheitas. Iniciava com a escolha de duas pessoas, que serviriam de bodes expiatórios para a coletividade, os fármacos (pharmákoi), que seriam banidos para sempre, e era necessário que eles oferecessem a si mesmos voluntariamente. Apesar do sacrifício que isso envolvia, os fármacos não ganhavam nenhum respeito da população, ao contrário, eram tratados da forma mais indigna. Recebiam colares de figos secos e eram a seguir expulsos da cidade com pancadas de ramos de figueira, acreditando-se que carregariam com eles todo o mal de lá. Contudo, ganhavam provisões para um ano. Enquanto isso acontecia, se realizava uma procissão onde se apresentavam os frutos da terra entre cantos de hinos a Apolo. É possível que esses frutos fossem consumidos no festival, e que se realizasse ao mesmo tempo um rito em honra a Deméter, mas as fontes não são claras a respeito. Outro festival era o da Pianópsia, quando se levava em procissão geral um ramo de oliveira enfeitado com um tecido de lã e vários tipos de frutos. Várias procissões privadas aconteciam no mesmo momento, e as portas das casas eram adornadas com um ramo semelhante que permanecia ali ao longo de todo o ano, renovado na festa seguinte. O significado exato do festival é obscuro, pode ter sido uma ação de graças pelo bom resultado das colheitas, uma vez que ele era realizado no outono, quando as safras já estavam no fim. Várias casas da Ática possuíam um altar ou um pilar em frente ao pórtico dedicado a Apolo Aguieu, em sua condição de protetor das ruas e do caminho de entrada, e ele era honrado com sacrifícios e preces antes de cada assembléia pública, junto com outros deuses. Quando os atenienses enviavam oficialmente suas oferendas para Delfos, a procissão era precedida de dois homens portando machados, reencenando a lenda que dizia Apolo ter desbravado o terreno para a fundação da cidade e reafirmando o caráter civilizador do deus. Outro festival ateniense era a Bedrômia, que agradecia a assistência de Apolo durante as guerras.

Delfos

Algumas versões do mito dizem que desde antes da chegada de Apolo havia um oráculo instalado na encosta do monte Parnaso, consagrado a Gaia, e cuja profetisa era Têmis ou Febe. Mais tarde ele teria passado para a presidência de Posídon, e somente em data relativamente tardia teria sido assumido por Apolo. Essa versão é confirmada pela evidência arqueológica, havendo sido encontrados ali artefatos sacros de data tão antiga quanto c. 1 600 a.C. Tomlinson acredita que Delfos permaneceu como um santuário de âmbito apenas local até o século VI a.C., quando foi dedicado a Apolo e começou a adquirir importância, mas não há consenso entre os historiadores; De Boer & Hale, e também Malkin, fazem sua influência pan-helênica recuar para o século VIII a.C., quando ele já teria sido consultado sobre projetos de fundação de colônias distantes. Ésquilo, que era filho de um sacerdote de Elêusis e ele mesmo um iniciado em seus Mistérios, também suportava essa visão de dedicações sucessivas, e disse que certa vez a pitonisa o havia confirmado. Diodoro Sículo disse a origem da sacralidade do lugar se deve a que certa vez um pastor foi procurar suas cabras perdidas e, entrando numa gruta, ficou inebriado com estranhos vapores e pôde ver o passado e o futuro. Relatando o fato aos seus companheiros, ergueram um altar, pois consideraram os fenômenos como sinal da presença divina, e escolheram uma virgem para assumir a função de profetisa.

Em Roma

Apolo era conhecido pelos romanos desde uma idade recuada, e ainda durante o reinado o Oráculo de Delfos já era consultado, mas seu culto só foi instituído em Roma no ano de 430 a.C., quando ele foi invocado para evitar uma praga, construindo-se um templo nos Campos Flamínios dedicado a Apolo Sosiano. Um segundo templo foi erguido em 350 a.C., e durante a II Guerra Púnica foram instituídos Jogos Apolíneos. Mas Apolo não conheceu grande popularidade entre os romanos senão durante o império de Augusto, que colocou a si e ao Estado sob sua proteção, homenageou-o instituindo Jogos quinquenais, ampliando seu templo e doando-lhe riquezas conquistadas na Batalha de Áccio, além de construir-lhe um novo templo no Palatino, que se tornou a sede da culminação dos Jogos seculares celebrados no ano 17 para comemorar o início de uma nova era, quando o poeta Horácio celebrou Apolo e sua irmã Diana (Ártemis) acima de todos os deuses romanos. Também teve templos romanos em Megalópolis, Ortígia, Figaleia, Corinto e Delos, entre outros locais. Seu culto espalhou-se pela maior parte da área de influência do Império Romano, e foi identificado com vários deuses regionais associados à cura, especialmente celtas.

Na Etrúria

Apolo era conhecido pelos etruscos sob os nomes de Apulu ou Aplu. Até onde se pôde descobrir, dada a ausência de testemunhos literários, teve um papel importante na religião etrusca, e seus atributos eram em tudo semelhantes aos gregos. Não são conhecidas muitas representações, mas sobrevive uma estátua de Apulu em terracota policroma em tamanho natural de qualidade superior, o chamado Apulu de Veios, criada talvez pelo escultor Vulca para os romanos em torno de 510 a.C. Encontrada em 1916, foi de grande importância para a reavaliação da arte etrusca no século XX. Plínio, o Velho, a descreveu como a mais bela estátua de seu tempo, e que era mais estimada do que ouro.

Epítetos e títulos de culto

Apolo, como outras deidades, tinha diversos títulos, que lhe eram aplicados para refletir a diversidade de seus papéis, obrigações e aspectos. Aqui segue uma lista parcial, que exclui epítetos toponímicos. Aguieu, protetor da entrada das casas; Loxias, oblíquo, pelos oráculos ambíguos; Hélio, o sol; Egletes, radiante, Febo, brilhante; Lício ou Liceu, luminoso; matador de lobos, ou Licégena, nascido de uma loba ou nascido na Lícia; Acestor, Acésio, Alexícaco, Apotropeu, Iatromante, Epicuro, Paian, todos ligados à sua capacidade de prover a saúde e afastar o mal; Mântico, profeta; Arcágeta, diretor da fundação, por ser fundador das muralhas de Mégara; Esminteu, caçador de ratos; Nômio, andarilho; Delfínio, do útero, que associa Apolo com Delfos; Pítio, por ter morto a Pìton; Genétor, gerador, produtor de frutos (em grego, também "spérmios"). Era associado ao atributo de regente da Idade Dourada. Parnópio, salta-montes; Carneios, chifrudo; Afétoro, deus do arco; Argirotoxo, do arco de prata; Hecergo ou Hecébolo, que atira longe, referindo às suas flechas; Ninfágeta, líder das ninfas; Clário, doador de terras, por sua supervisão sobre as cidades e colônias; Muságeta, líder das musas.

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Representações

As estátuas e pinturas de Apolo o mostram como um homem jovem, no auge de sua força e beleza. Muitas vezes está nu, ou veste um manto. Pode trazer uma coroa de louros na cabeça, o arco e flechas, uma cítara ou lira nas mãos. Às vezes a serpente Píton também é representada, ou algum outro de seus animais simbólicos, como o grifo e o corvo. Nas pinturas e mosaicos pode ter uma coroa de raios de luz ou um halo. Suas primeiras representações conhecidas datam do século VIII-VII a.C., onde ele aparece esquematicamente, sob a forma de um pilar cônico de pedra, sob o epíteto de Apolo Aguieu, o protetor dos caminhos, ou na forma de uma herma, em geral um pilar com uma cabeça no topo. Em Esparta foi encontrada uma imagem única, desaparecida em tempos modernos, um relevo que o representava com quatro braços e quatro orelhas, segurando em cada mão um manto, um ramo de oliveira, um arco e uma pátera. Também são conhecidos relatos literários de estátuas primitivas em madeira e estatuetas em bronze.

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Fontes consultadas

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