Apócrifo de João
O Evangelho Secreto de João, conhecido também como Apócrifo de João, é um texto com ensinamentos secretos do gnosticismo setiano e datado do século II. Descreve aparições de Jesus Cristo ao Apóstolo João, nas quais lhe são passados conhecimentos gnósticos. Segundo o autor, essas aparições aconteceram após Jesus "ter voltado ao lugar de onde veio".
A abertura do Evangelho Secreto de João é "Os ensinamentos do salvador e a revelação dos mistérios e das coisas ocultas em silêncio, mesmo aquelas que ele ensinou a João, seu discípulo". O autor João é imediatamente identificado como "João, irmão de Tiago— que são filhos de Zebedeu". Existem quatro manuscritos sobreviventes do "Evangelho Secreto de João". Três deles foram encontrados nos códices da Biblioteca de Nag Hammadi (códices II, III e IV), enquanto o quarto foi encontrado independentemente cinqüenta anos antes em outro lugar no Egito. Todas as versões são do século IV. Três deles parecem ter sido traduções coptas independentes de um texto original grego. Dois dos quatro são parecidos o suficiente para afirmar que são cópias de uma única fonte. Muitos Cristãos no Século II esperavam receber revelações transcendentais como a que Paulo pôde reportar à igreja em Corinto (II Coríntios 12:1-4) ou a que João experimentou na ilha de Patmos, que inspirou seu Apocalipse. Assim como o Atos dos Apóstolos narra o que aconteceu depois que Jesus ascendeu ao Céu, o Apócrifo de João começa no mesmo ponto, mas relata como Cristo reapareceu a João.
O Apócrifo de João foi citado por Ireneu em Adversus Haereses, escrito por volta de 185, dentre os escritos que os sábios das comunidades cristãs do século II estavam produzindo, "um número indescritível de escritos secretos e ilegítimos, que eles mesmos forjaram, para impressionar a mente de pessoas idiotas, que desconhecem as verdadeiras Escrituras" — escrituras que Ireneu estava tentando demonstrar serem nem mais e nem menos do que quatro, os "quatro Evangelhos" que sua própria autoridade ajudou a transformar nos "Evangelhos Canônicos". Dentre os livros que ele cita com o objetivo de expor e refutar estão o Evangelho da Verdade, Evangelho de Judas e este Evangelho Secreto de João. Até 1945, quando a Biblioteca de Nag Hammadi foi descoberta no Egito, pouco se sabia deste texto. Duas das três versões encontradas são traduções de uma mesma fonte e incorporam um longo trecho de um tal de Livro de Zoroastro (como capítulos 15:29 – 19:8 e seguintes).
O Apócrifo, considerado no contexto da revelação do Cristo ressurreto a João, filho de Zebedeu, contém um dos mais completos e detalhados relatos da clássica mitologia Dualista Gnóstica que chegou até nós. Segundo Frederick Wisse, o texto foi utilizados no século VIII, na Mesopotâmia, pelos Audianistas. O Apócrifo de João se tornou o texto principal no estudo das tradições gnósticas da Antiguidade. A mitologia da criação exposta no texto foi objeto de estudo de escritores como Carl Jung and Eric Voegelin.
O texto começa com João descrevendo seu próprio estado de tristeza e perplexidade após a crucificação de Jesus. O Salvador então aparece, assume várias formas e, após banir os temores de João, fornece a seguinte narrativa cosmológica:. O princípio divino mais elevado é a Mônada, descrita como uma “monarquia sem nada acima dela”. Trata-se de um princípio supremo, absoluto, eterno, infinito, perfeito, santo e auto-suficiente. No entanto, sua transcendente inefabilidade também é enfatizada. Ele não é quantificável e nem suas qualidades podem ser verdadeiramente descritas. A Mônada existe em uma perfeição inconcebível. Tal Mônada produziu, a partir de seu pensamento uma entidade divina feminina ou princípio denominado Barbelo, descrita como: “o primeiro pensamento” e a “imagem” da Mônada. Embora Barbelo seja sempre referida como 'ela', ela também é descrita como a mãe e o pai primordiais. Ela também é considerada “o primeiro homem” e descrita em vários termos de androginia.
Tori Amos se baseou na mitologia gnóstica descrita no Apócrifo de João no seu álbum The Beerkeeper.


