Universo de Duna
O universo ficcional de Duna, criado pelo escritor Frank Herbert, é o cenário onde se passa as histórias de ficção científica da franquia de Duna. O Universo Conhecido, como é chamado pelos personagens, abriga um vasto império galáctico aristocrático chamado "Imperium", governado por um monarca intitulado "Imperador Padishah", onde Shaddam IV da Casa Corrino é o imperador na época do primeiro romance da série, Duna (1965). Esse universo é composto por inúmeros planetas, entre eles: Arrakis, apelidado de "Duna". Arrakis é o cenário principal de grande parte da trama do romance Duna e suas sequências. O planeta é a única fonte da Especiaria, um recurso vital neste universo ficcional, que também é composto por várias ordens e organizações, como as Bene Gesserit ou a Guilda Espacial, cada uma trabalhando por conta própria para concretizar seus planos.
O sistema de datação de Duna baseia-se em um ano padrão semelhante ao ano terrestre e começa a contar os anos a partir da formação da Guilda Espacial (A.G, Antes da Guilda, ou D.G, Depois da Guilda). O nascimento do Império é situado aproximadamente 14.000 anos no futuro (cerca de 16.200 d.C.), uma data que pode ser deduzida do fato de que, segundo a Enciclopédia de Duna, o primeiro conflito em que a energia atômica foi utilizada (a Segunda Guerra Mundial) data de 14.255 A.G. Os eventos narrados em Duna (1965), portanto, ocorrem 24.000 anos no futuro (26.391 d.C.), e toda a série de romances abrange aproximadamente 16.000 anos de narrativa descontínua, em cinco períodos:
Jihad Butleriana
Conforme explicado em Duna, a Jihad Butleriana é um conflito que ocorre mais de 11.000 anos no futuro (e mais de 10.000 anos antes dos eventos de Duna), que resulta na destruição total de praticamente todas as formas de "computadores, máquinas pensantes e robôs conscientes". Com o mandamento "Não farás uma máquina à semelhança de uma mente humana", a criação até mesmo das máquinas pensantes mais simples é proibida e tornada tabu, o que tem uma profunda influência no desenvolvimento sociopolítico e tecnológico da humanidade na série Duna. Herbert se refere à Jihad várias vezes nos romances, mas não dá muitos detalhes sobre como ele imaginou as causas e a natureza do conflito. A análise crítica frequentemente associa o termo a Samuel Butler e seu ensaio de 1863 "Darwin entre as Máquinas", que defendia a destruição de todas as máquinas avançadas. Em God Emperor of Dune (1981), de Herbert, Leto II Atreides indica que a Jihad foi uma revolta social semirreligiosa iniciada por humanos que se sentiram repelidos por quão guiados e controlados se tornaram pelas máquinas. Essa reversão tecnológica leva à criação da Bíblia Católica Laranja universal e à ascensão de um novo império feudal pan-galáctico que dura mais de 10.000 anos antes do início da série de Herbert. Várias sociedades secretas também se desenvolvem, usando programas de eugenia, treinamento mental e físico intensivo e aprimoramentos farmacêuticos para aprimorar as habilidades humanas a um grau surpreendente. A inseminação artificial também é proibida, como explicado em Dune Messiah (1969), quando Paul Atreides negocia com a Reverenda Madre Gaius Helen Mohiam, que fica horrorizada com a sugestão de Paul de que ele engravide sua consorte dessa maneira.
Império liderado pelos Corrino
De acordo com a trilogia de prelúdio Legends of Dune (2002–2004), o Império foi fundado no planeta Salusa Secundus. Após a vitória humana sobre as máquinas pensantes na Batalha de Corrin, o vice-rei Faykan Butler adota o sobrenome Corrino em comemoração. Por fim, ele se autoproclama o primeiro Imperador Padishah, Faykan I. Nos dez mil anos que se seguiram à Jihad Butleriana, a Casa Corrino uniu a maior parte dos mundos habitados em um império feudal sob o governo dos Imperadores Padishah, que sentam no Trono do Leão Dourado. No romance original de Herbert, Duna (1965), é estabelecido que, embora o Imperador Padishah seja o soberano supremo do universo conhecido, o poder é compartilhado, em um arranjo quase feudal, com as casas nobres do Landsraad e com a Guilda Espacial, que detém o monopólio das viagens interestelares. No início de Duna, o 81º Imperador Padishah é Shaddam IV, mas no final do romance ele é deposto pelo duque Paul Atreides em 10.193 DG (Depois da Guilda) após Paul tomar o controle do planeta desértico Arrakis, a única fonte da importantíssima especiaria melange. Embora Paul posteriormente governe como Imperador, o termo "Padishah" é abandonado.
Ascensão dos Atreides
No início de Duna (1965), ambientado no ano 10.191 D.G. (depois da Guilda), o Duque Leto Atreides cai em uma armadilha armada pelo Imperador Shaddam IV ao assumir o controle de Arrakis, o perigoso planeta desértico que é a única fonte da valiosíssima especiaria melange, substância vital para viagens interestelares, longevidade e para as habilidades das Bene Gesserit. Além dos riscos ambientais e dos gigantescos vermes de areia, Leto enfrenta a sabotagem política da CHOAM e a escalada da histórica Guerra dos Assassinos contra a rival Casa Harkonnen, cujo conflito ancestral remonta ao banimento de um Harkonnen por covardia após a Jihad Butleriana, 10.000 anos antes. Nesse cenário, Paul Atreides alia-se aos nativos Fremen — cuja crença em um messias foi artificialmente plantada pelas Bene Gesserit — e, ao assumir o controle de Arrakis e da especiaria, depõe o Imperador e assume o trono. Seu reinado gera uma jihad violenta e desencadeia conspirações de facções rivais para destroná-lo em O Messias de Duna (1969). Após a queda de Paul, o império continua a se fragmentar em Os Filhos de Duna (1976), enfrentando novas conspirações da Casa Corrino para retomar o trono enquanto os filhos gêmeos de Paul, Leto II e Ghanima, ascendem ao poder.
Reinado e queda do Imperador Deus
Na época do Imperador Deus de Duna (1981), o filho de Paul, o Imperador Deus Leto II Atreides, governava o Imperium há 3.500 anos a partir da face verdejante de uma Arrakis transformada; a produção de melange havia cessado. Leto forçou os vermes da areia à extinção, exceto a larva de truta da areia com a qual ele havia forjado uma simbiose, transformando-a em um híbrido humano-verme da areia. A civilização humana antes de seu governo sofria de duas fraquezas: a de que uma única autoridade a controlava e a de que dependia da melange, encontrada em apenas um planeta no universo conhecido. As visões prescientes de Leto mostraram que a humanidade estaria ameaçada de extinção de inúmeras maneiras; sua solução foi colocar a humanidade em seu "Caminho Dourado", um plano para a sobrevivência da humanidade. Leto governa como um tirano benevolente, provendo as necessidades físicas de seu povo, mas negando-lhes quaisquer saídas espirituais além de sua religião compulsória (além de manter o monopólio das especiarias e, portanto, o controle total de seu uso). A violência pessoal é proibida, assim como quase todas as viagens espaciais, criando uma demanda reprimida por liberdade e viagens. As Bene Gesserit, Ixianas e Tleilaxu buscam maneiras de recuperar parte de seu antigo poder ou destituir Leto completamente. Leto também conduz seu programa de reprodução seletiva entre os descendentes de sua irmã gêmea Ghanima, finalmente chegando a Siona, filha de Moneo, cujas ações estão ocultas da visão presciente. Leto planeja seu próprio assassinato, sabendo que isso resultará em rebelião e revolta, mas também em uma explosão de viagens e colonização. A morte do corpo de Leto também produz novas trutas da areia, que eventualmente darão origem a uma população de vermes da areia e a um novo ciclo de produção de especiarias.
Retorno da Dispersão
Após a queda do Imperador Deus, o caos e a fome severa em muitos mundos fizeram com que trilhões de humanos se lançassem em direção à liberdade do espaço desconhecido e se espalhassem pelo universo. Essa diáspora é posteriormente chamada de Dispersão e, combinada com a invisibilidade dos descendentes Atreides à visão presciente, garante que a humanidade tenha escapado para sempre da ameaça de extinção total. Na época de Os Hereges de Duna (1984) e Chapterhouse: Dune (1985), 1500 anos após a morte de Leto, a turbulência está se estabelecendo em um novo padrão; o equilíbrio de poder no Antigo Império, como é agora chamado, repousa entre os Ixianos, as Bene Gesserit e os Tleilaxu. A Guilda Espacial foi enfraquecida para sempre pelo desenvolvimento de máquinas Ixianas capazes de navegar no espaço dobrado, praticamente substituindo os Navegadores da Guilda. As Bene Gesserit, por meio da manipulação do Sacerdócio do Deus Dividido, controlam os vermes da areia e seu planeta, agora chamado Rakis, mas os Tleilaxu descobriram como produzir melange usando seus tanques axlotl em quantidades que excedem em muito as colheitas naturais de melange. Esse equilíbrio de poder é quebrado por um grande influxo de pessoas da Dispersão, algumas fugindo da perseguição de um inimigo ainda desconhecido. Entre as pessoas que retornam, as Bene Gesserit encontram seu par em uma sociedade matriarcal violenta e corrupta conhecida como as Honradas Madres, que elas suspeitam que possam ser descendentes de algumas das suas enviadas na Dispersão. À medida que uma guerra amarga e sangrenta irrompe entre as ordens, finalmente fica claro que unir as duas organizações em uma única Nova Irmandade com habilidades compartilhadas é sua melhor chance de lutar contra o inimigo que se aproxima.
Os Ixianos são uma civilização tecnológica do universo de Duna, conhecida por fornecer dispositivos mecânicos e inovações científicas ao Império, como as "não-câmaras" e as "não-naves", que escondem objetos da presciência e dispensam Navegadores da Guilda para dobrar o espaço. Embora sua tecnologia seja onipresente e essencial, ela frequentemente desafia as proibições da Jihad Butleriana contra máquinas pensantes. Ao longo da série, os Ixianos desempenham papéis cruciais, como a criação de Hwi Noree para manipular o Imperador-Deus Leto II e o desenvolvimento de dispositivos que substituem os Navegadores, influenciando diretamente os rumos políticos e militares do Imperium. Nos romances que se passam após o reinado de Leto II, os Ixianos entram em declínio burocrático, sendo reduzidos a um combinado tecnológico subordinado às Honradas Matres. Nas prequelas (Prelude to Dune), a história de Ix envolve conflitos políticos, como a invasão Tleilaxu e o "Projeto Amal" — uma tentativa fracassada de criar melange sintética que ameaçava o monopólio da especiaria. Apesar das oscilações de poder, os Ixianos permanecem como uma força tecnológica fundamental, cujas invenções moldam profundamente a sociedade e a sobrevivência da humanidade no universo de Duna.
Bene Gesserit
As Bene Gesserit (do latim jurídico quamdiu se bene gesserit, que significa "enquanto alguém se comportar bem") são uma organização social, religiosa e política fundamental no universo de Duna. Elas são descritas como uma irmandade esotérica cujas integrantes passam por longos anos de treinamento físico e mental para obter poderes e habilidades que podem facilmente parecer mágicas para os de fora. Por conta do consumo da droga Melange, as Bene Gesserit desenvolveram poderes tidos como sobre-humanos, como a capacidade de manipular genes para gerar descendentes do gênero que escolherem, clarividência, a Voz (uma forma de controlar pessoas apenas mudando o tom de voz) e acessar a chamada Outra Memória (memórias e ego de suas ancestrais femininas, transmitidas através de memória genética). Devido à natureza secreta de suas práticas e habilidades, elas são frequentemente chamadas de "bruxas" por pessoas de fora.
Bene Tleilax
Os Bene Tleilax (adjetivo para seus adeptos ou criações: Tleilaxu), são uma sociedade extremamente xenofóbica e isolacionista no universo de Duna. Manipuladores genéticos que negociam produtos biológicos como olhos artificiais, gholas e Mentats torcidos, os Tleilaxu são uma grande potência no Imperium. A raça é governada por um pequeno conselho de Mestres Tleilaxu, cujos servos Dançarinos de Rosto geneticamente modificados têm a capacidade de imitar qualquer humano. Os próprios Mestres possuem uma aparência insossa e diminuta, destinada a fazer com que outras raças os subestimem. Em Os Hereges de Duna (1984), é revelado que eles são uma teocracia totalitária secreta, que busca, em última análise, a dominação do universo. Apesar de sua influência, os Bene Tleilax são universalmente desconfiados e inspiram repulsa porque seus produtos, embora desejáveis, ultrapassam os limites morais do que a humanidade em geral considera aceitável e podem envolver extensa manipulação fisiológica e física da vida humana. Após O Messias de Duna (1969), os Tleilaxu têm a capacidade de recuperar sua memória genética com facilidade, permitindo-lhes viver para sempre, usando seus tanques axolote para criar gholas de si mesmos. Em Os Hereges de Duna, é notado que o esperma Tleilaxu "não se transmite de forma genética direta ... Ocorrem lacunas", e que eles são "naturalmente imunes a uma Sonda Ixiana", um dispositivo de interrogatório que normalmente pode extrair informações até mesmo dos mortos. Os Tleilaxu são descritos como personagens baixos, semelhantes a anões, com pele, cabelos e olhos cinzentos, traços élficos e dentes pontiagudos. Os Mestres controlam suas criações forçando-as a um estado hipnótico com um som implantado predefinido (frequentemente um zumbido ou assobio específico).
CHOAM
A Combine Honnete Ober Advancer Mercantiles (CHOAM) é uma corporação de desenvolvimento universal no univero de Duna. A CHOAM controla todas as atividades econômicas em todo o cosmos, embora ainda esteja à mercê do monopólio da Guilda Espacial sobre as viagens interestelares. Em um artigo de 1980, Herbert comparou a CHOAM à OPEP, a organização intergovernamental do mundo real que é uma grande potência na indústria do petróleo. A administração e o conselho de diretores da CHOAM são controlados pelo Imperador Padishah e pelo Landsraad — a assembleia das Casas nobres —, tendo a Guilda Espacial e a Bene Gesserit como sócias silenciosas. Devido ao seu controle do comércio interplanetário, a CHOAM é a maior fonte isolada de riqueza do Império; por isso, exercer influência sobre a CHOAM é um objetivo central das manobras políticas. Antes da batalha decisiva em Duna, Paul Atreides e os Fremen observam o acampamento do Imperador Padishah para ver se ele hasteará a bandeira dos Atreides — indicando o reconhecimento das reivindicações de Paul — ou o estandarte de seus inimigos Harkonnen. Em vez disso, o Imperador hasteia a bandeira da CHOAM, como um lembrete a todas as partes em conflito de que a economia se sobrepõe a considerações políticas. Em 2011, a Forbes classificou a CHOAM como a maior corporação fictícia.
Guilda Espacial
A Guilda Espacial (Spacing Guild) é uma organização que detém o monopólio das viagens interestelares e das operações bancárias. Na série Duna, enormes naves estelares da Guilda chamadas heighliners empregam um fenômeno científico conhecido como efeito Holtzman para "dobrar o espaço" e, assim, percorrer grandes distâncias pelo universo instantaneamente. Os Navegadores são capazes de usar uma forma limitada de presciência para navegar com segurança pelo espaço interestelar. Os Navegadores são humanos que sofreram mutações através do consumo e da exposição a quantidades massivas da droga Melange, também conhecida como Especiaria. O controle desses Navegadores dá ao Sindicato Espacial seu monopólio sobre viagens interestelares e serviços bancários, tornando a organização um contrapeso ao Imperador Padishah e às Casas nobres reunidas no Landsraad. Essencialmente apolítica, a Guilda preocupa-se primordialmente com o fluxo do comércio e com a preservação da economia que a sustenta. Embora sua capacidade de ditar os termos e as tarifas de todo o transporte lhes confira influência na esfera política, eles não buscam objetivos políticos além daqueles de natureza econômica.
Fremen
Os Fremen são um grupo de pessoas do universo de Duna que aparecem pela primeira vez no romance de 1965 Duna. Eles habitam o planeta desértico Arrakis (também conhecido como Duna), que é a única fonte conhecida no universo da droga onipotente melange. Por muito tempo negligenciados pelo resto do Imperium e considerados selvagens atrasados, eles são um povo extremamente resistente e existem em grande número. Os Fremen chegaram ao planeta milhares de anos antes dos eventos do romance como os Andarilhos Zensunni, uma seita religiosa em retirada. Como humanos in extremis, ao longo do tempo adaptaram sua cultura e modo de vida para sobreviver e prosperar nas condições incrivelmente adversas de Arrakis. Os Fremen se distinguem por suas habilidades de luta ferozes e sua aptidão para sobreviver nessas condições. Sendo a água um produto raro no planeta, sua cultura gira em torno de sua preservação e conservação. Herbert baseou a cultura Fremen, em parte, nos beduínos e nos povos Sãs, que vivem no deserto. Herbert ao estudar dunas de areia, disse que devemos analisar os "pés negros (povo) do Kalahari e como eles utilizam cada gota de água. Você não pode parar apenas nas pessoas que vivem nesse tipo de ambiente: você tem que continuar para entender como o ambiente age sobre as pessoas e como elas agem sobre seu ambiente." Herbert baseou a cultura Fremen, em parte, nos beduínos que vivem no deserto e nos povos Sãs.
Honradas Matres
As Honradas Matres (Honored Matres) são um culto matriarcal agressivo e violento que surgiu no universo de Dune como um ramo renegado das Bene Gesserit, desenvolvido durante a Diáspora conhecida como "Dispersão" após a morte do imperador Leto II. Ao contrário das Bene Gesserit, que manipulam o poder nas sombras, as Honradas Matres buscam o controle direto através da conquista brutal, utilizando dominação sexual, força física extrema e métodos draconianos para subjugar suas vítimas. Suas habilidades incluem uma velocidade de combate super-humana, superando as Bene Gesserit em luta direta, além de uma capacidade de "imprinting" sexual que torna os homens escravos viciados em suas conquistadoras. No entanto, essa abordagem focada no poder marcial as fez perder habilidades não-martiais essenciais, como o controle químico interno que as protege contra toxinas e doenças, e sua versão da "Voz" é menos potente que a das Bene Gesserit. Na trama dos livros Os Hereges de Duna e Chapterhouse: Dune, as Honradas Matres retornam ao espaço do antigo Imperium fugindo de um "inimigo desconhecido" que as derrotou usando guerra biológica na Dispersão. Elas causam destruição generalizada, incluindo a aniquilação dos mundos Tleilaxu e a destruição de Arrakis, enquanto buscam assimilar as habilidades das Bene Gesserit para fortalecerem-se. O conflito culmina com a captura da jovem Murbella, que, após tentar imantar o ghola Duncan Idaho, acaba sendo imantada por ele e posteriormente treinada pelas Bene Gesserit. Em um ataque decisivo, Murbella mata a Grande Honrada Metre Logno, e, seguindo o plano da Madre Superiora Darwi Odrade, assume a liderança de ambas as facções, com a intenção de fundi-las em uma Nova Irmandade - uma união que desagrada membros radicais de ambos os lados, mas que representa a única esperança de sobrevivência contra a ameaça externa que as Honradas Matres trouxeram de volta em sua fuga.
A Bíblia Católica Laranja é um livro fictício relacionado a religião no universo de Duna. Os romances são pontilhados de citações e referências a esta obra, principalmente no contexto da Jihad Butleriana, que leva à proibição da informática, proibição registrada na Bíblia na forma de um mandamento: "Não farás da máquina à semelhança do espírito humano". A obra sagrada fictícia apresenta um conteúdo filosófico, ético e também histórico, uma vez que traça as preocupações modernas das civilizações do Universo de Duna, como a busca por sua humanidade e é o sinal de um certo retorno ao feudalismo. Segundo Brian Herbert, os adjetivos "católica" e "laranja" remetem ao catolicismo e ao protestantismo, sugerindo uma fusão desses dois cultos. No entanto, o personagem Bertoli no universo de Duna refere-se à futura "Orange Catholic Bible" pelos termos "Koranjiyana Zenchristian Scriptures", onde "Laranja" seria, portanto, uma deformação de "Koranjiyana", que por sua vez viria da palavra Alcorão. Outras fontes notam a influência do budismo; a Bíblia é, portanto, neste universo de ficção, o elo entre as antigas religiões da humanidade e a civilização posterior.
Muitas línguas são usadas neste universo. O principal idioma é o Galach, falado em todo o Imperium e que evoluirá ao longo dos séculos. Existem outras línguas especializadas ou secretas, como o Chakobsa dos Fremen (língua da caça), a língua da flauta dos Tleilaxu usada para controlar seus Dançarinos da Face, e também sua língua secreta, a "Língua do Islamismo" da Grande Crença. Além disso, muitos termos no universo de Duna são inspirados na língua árabe (jihad, mahdi, etc. ). Fora o árabe, Duna deriva palavras e nomes de uma variedade de outras línguas, incluindo navajo, latim, escandinavo antigo ("Landsraad"), romani, hebraico ("Kefitzat haderech", em hebraico: קפיצת הדרך), servo-croata, náuatle, grego, persa, sânscrito ("prana bindu", "prajna"), russo, turco, finlandês e inglês antigo. Bene Gesserit faz parte da frase legal latina quamdiu se bene gesserit "enquanto ele se comportar bem" vista em concessões de certos cargos (como juízes) significando que o nomeado permanecerá no cargo enquanto não for culpado de abusar dele. Alguns críticos perdem a conotação da frase, enganados pelo futuro perfeito latino gesserit, interpretando-a de forma excessivamente literal (e adicionando um passivo injustificado) como "terá sido bem suportado", uma interpretação que não é bem apoiada pela doutrina Bene Gesserit na história.
As Grandes Casas são as dinastias nobres que governam o Império feudal no universo de Duna, formando a espinha dorsal do seu sistema político. Elas controlam planetas inteiros como feudos, possuem seus próprios exércitos e acumulam vasta riqueza e poder, atuando como a nobreza hereditária do Imperium. Coletivamente, essas casas formam o Landsraad, uma assembleia que contrAGalança o poder do Imperador e decide os rumos do Império através de alianças, intrigas e comércio. As casas são divididas entre Casas Maiores (Great Houses), que governam sistemas planetários, e Casas Menores, que possuem menos influência. No total, aproximadamente 100 grandes casas estão representadas no Landsraad, embora o número exato varie. Entre as principais Grandes Casas apresentadas nos romances de Frank Herbert, estão:
Casa Atreides
A Casa Atreides é uma das Grandes Casas mais nobres e respeitadas do império feudal de Duna, conhecida por sua linhagem ilustre que remonta à antiga Grécia terrana e que, na ficção, descende do herói grego Agamêmnon – filho de Atreu na mitologia grega. Os descendentes de Atreu são chamados de "Atreides" (plural Atreidai; latinizada como Atreidae) na língua grega. A família se tornou proeminente após a Jihad Butleriana, uma guerra contra as “máquinas pensantes“, o que levou a um renascimento de casas nobres e novas influências políticas. O governo da Casa Atreides é marcado por um profundo senso de honra, lealdade e justiça – valores que os distinguem radicalmente de seus rivais, como os brutais Harkonnen. O duque Leto Atreides, patriarca durante os eventos do primeiro livro, personifica esse ideal: governa com empatia, inspira devoção em seus súditos e trata seus soldados e servos com dignidade, transformando o planeta Caladan (seu feudo original) em um exemplo de administração próspera.
Casa Corrino
A Casa Corrino foi a dinastia imperial que governou o Universo Conhecido por mais de dez milênios antes dos eventos principais de Duna. Originários do planeta Salusa Secundus, eles consolidaram seu poder AGsoluto após a lendária Batalha de Corrin, evento que pôs fim às Máquinas Pensantes e deu nome à própria família. Sob o título de Imperadores Padishah, os Corrino estAGeleceram uma estrutura feudal altamente centralizada, equilibrando o poder do Landsraad (a assembleia das Grandes Casas) e da corporação comercial CHOAM. O pilar de sustentação do domínio Corrino era o medo, personificado nos temíveis Sardaukar. Treinados sob as condições extremas e brutais do próprio Salusa Secundus — que se transformou em um planeta-prisão após um devastador ataque atômico —, esses soldados fanáticos possuíam uma eficiência em combate incomparável, garantindo que nenhuma outra Grande Casa ousasse desafiar AGertamente o Trono do Leão de Ouro. O poder imperial baseava-se na máxima de que a força combinada de todo o Landsraad poderia rivalizar com o Imperador, mas nenhuma casa individualmente sobreviveria aos Sardaukar.
Casa Harkonnen
A Casa Harkonnen é uma das Grandes Casas mais ricas, cruéis e temidas do Universo Conhecido de Duna. Originários do gélido e industrializado planeta Giedi Prime, os Harkonnen construíram seu vasto poder econômico através de métodos brutais de exploração trAGalhista, poluição em massa e uma burocracia implacável. Historicamente vistos com desprezo pela aristocracia do Landsraad por sua falta de escrúpulos e inclinação à traição, eles compensavam a rejeição social com uma riqueza colossal e uma rede de espionagem profundamente eficiente, moldada para garantir a sobrevivência no perigoso jogo político do Imperium. O cerne da cultura Harkonnen está enraizado na busca obsessiva pelo poder e na violência institucionalizada. Sob o comando do Barão Vladimir Harkonnen, a casa transformou o sadismo e a manipulação em ferramentas de governança, onde o medo e a chantagem eram os principais combustíveis para manter a lealdade dos súditos e eliminar rivais internos. Essa brutalidade atingiu seu ápice durante o longo período em que a família deteve o quase monopólio da colheita da Especiaria melange em Arrakis, extraindo até a última gota de lucro do planeta desértico através da opressão violenta da população nativa, os Fremen.
Os principais planetas onde os eventos ocorrem são: Abaixo, segue uma lista de vários outros planetas no universo de Duna. No apêndice do romance Duna, Frank Herbert escreve que existem mais de 13.300 mundos controlados pelo Landsraad após a Jihad Butleriana. Os planetas abaixo estão ordenados segundo o estatuto dez mil anos antes dos acontecimentos de "Duna".
Arrakis
Arrakis, amplamente conhecido como Duna, é o cenário central e o planeta mais importante de todo o universo criado por Frank Herbert. Localizado nos confins do Universo Conhecido, é um mundo desértico, implacável e hostil, desprovido de qualquer corpo de água aberto em sua superfície. Tempestades de areia colossais, capazes de rasgar a carne dos ossos, e os lendários Vermes da Areia (Shai-Hulud) — criaturas monstruosas que guardam as profundezas do deserto — tornam a sobrevivência no planeta um desafio diário extremo. Apesar de sua geografia devastadora, Arrakis é o centro gravitacional da política e da economia do Império por um único motivo: é o único lugar no cosmos onde se encontra a Especiaria melange. A Especiaria é a substância mais valiosa do universo; ela estende a vida humana, concede poderes prescientes cruciais para as Bene Gesserit e os Mentats, e, acima de tudo, permite que os Navegadores da Guilda Espacial dobrem o espaço-tempo, tornando as viagens interestelares possíveis. Sem Arrakis e sua mistura, o comércio, a comunicação e a própria coesão do Imperium entrariam em colapso imediato. Os verdadeiros mestres da sobrevivência em Duna são os Fremen, a população nativa do planeta. Ao longo de gerações de opressão sob o julgo de várias Grandes Casas (como os brutais Harkonnen), os Fremen desenvolveram uma cultura profundamente espiritualizada, guerreira e ecológica. Eles criaram tecnologias revolucionárias para conservar cada gota de umidade, como os trajes destiladores (stillsuits), que reciclam a água do próprio corpo.
Caladan
Caladan é o terceiro planeta do sistema de Delta Pavonis, o lar ancestral e a base de poder da Casa Atreides. Os Atreides o dominaram por mais de dez mil anos antes da mudança forçada da família para o planeta desértico de Arrakis (Duna). Posteriormente, após a saída de Paul e sua família, Caladan se tornou um local de retiro para Lady Jessica e Gurney Halleck (a partir de então, é simplesmente conhecido como Dan). A superfície do planeta é quase inteiramente coberta por água, e o clima é caracterizado por precipitações abundantes e fortes ventos. A terra habitável é composta por pradarias, pântanos e densas florestas. Os principais recursos de Caladan consistem na agricultura e na biomassa: o vinho local, o arroz Pundi e o peixe são os principais produtos de exportação e as fontes tradicionais de sustento para os habitantes. A pecuária, principalmente de bovinos, também é importante. Caladan possui uma poderosa força de defesa militar baseada na superioridade naval e aérea, bem como na absoluta lealdade da população à Casa Atreides. Por essa razão, Caladan é considerado inexpugnável. Em homenagem a Caladan, foi nomeada a Caladan Planitia em Titã.
Giedi Prime
Giedi Prime é o planeta natal da Casa Harkonnen e representa o ápice da degradação ambiental e da opressão industrial no universo de Duna. Em total contraste com o verdejante planeta Caladan dos Atreides, Giedi Prime localiza-se de forma fictícia no sistema 36 Ophiuchi e orbita uma estrela de baixa luminosidade (frequentemente interpretada em adaptações visuais como um "sol negro"). A estrela banha o planeta em uma luz monocromática e fria. Antes do Jihad Butleriano, o mundo possuía um clima agradável e florestas nativas exóticas, mas séculos de mineração predatória, queima de combustíveis e total descaso ecológico transformaram sua superfície em um deserto industrial cinzento e sufocado por poluição.
Ix
Ix, cujo nome deriva do número romano IX (9) por ser o nono mundo de seu sistema estelar, funciona como o centro nervoso da alta tecnologia, da cibernética e da engenharia mecânica da galáxia. O povo de Ix criam dispositivos incrivelmente complexos que chegam ao limite absoluto das leis religiosas impostas pela Bíblia Católica Laranja, fazendo com que o restante do Imperium feche os olhos para suas heresias tecnológicas em nome da pura dependência comercial. A sociedade de Ix é profundamente singular porque é construída no subsolo. Para preservar a superfície de seu planeta e manter o sigilo absoluto de suas pesquisas, os ixians transformaram o interior do mundo em uma colmeia colossal de laboratórios subterrâneos, fábricas automatizadas e estaleiros imensos. O planeta foi historicamente governado pela nobre Casa Vernius, uma aliada tradicional dos Atreides; no entanto, após invasões biológicas dos Bene Tleilaxu e a subsequente derrocada da família imperial, o controle de Ix passou a ser gerido de forma pragmática por um poderoso e burocrático Conselho de Tecnocratas. Entre as suas maiores criações tardias estão as Não-Naves, embarcações invisíveis à presciência e capazes de navegar pelas estrelas sem a necessidade dos Navegadores da Guilda, garantindo que a humanidade pudesse se espalhar infinitamente pelo cosmos e nunca mais ficasse dependente de um único planeta ou substância.
Kaitain
Kaitain é um planeta localizado de forma ficticia em Alpha Piscium. Serviu por milênios como o esplendoroso planeta capital do Imperium e a sede do Trono do Leão de Ouro da Casa Corrino, após o lar ancestral da dinastia, Salusa Secundus, ter sido devastado por um ataque atômico. Os melhores planetólogos, os engenheiros mais experientes e os melhores arquitetos foram consultados para projetar um planeta com um paraíso de beleza imensurável, rico em água, jardins refinados, palácios principescos e cidades ordenadas e resplandecentes. O clima de Kaitain, perpetuamente temperado e amenizado por lagos, era constantemente monitorado por satélites ambientais, capazes de prevenir catástrofes climáticas. Uma frota desses satélites climáticos também garantia céus perpetuamente azuis, enquanto as avenidas da capital Corrinth eram pavimentadas com cristais.
Salusa Secundus
Salusa Secundus é o terceiro planeta do sistema Gamma Waiping no Universo Conhecido. Possui condições climáticas terríveis, onde a sobrevivência é difícil e apenas os mais fortes prosperam. Originalmente, era o planeta capital do Imperium, sede da Casa Corrino que administrava todos os planetas a partir dele. As terríveis condições adversas são consequência do ataque de uma Casa (cujo nome é desconhecido, pois foi apagado da história) com armas nucleares, proibidas pela Grande Convenção que regula as relações entre as Grandes Casas. Isso ocorreu em 1.487 D.G (depois da Guilda). Após o ataque devastador, a Casa Corrino e toda a administração imperial se mudaram para Kaitain, abandonando o planeta à própria sorte. Justamente por causa dos contos e lendas que surgiram em torno da dureza de Salusa, o Tenente Kynes , filho do planetólogo imperial Pardot Kynes , partiu por um longo período, junto com contrabandistas liderados por Dominic Vernius, para explorar os territórios já visitados por seu pai. À medida que a narrativa de Duna se desenrola, compreendemos como as terríveis condições do planeta são exploradas pela Casa Imperial para treinar os temíveis Sardaukar, os soldados leais ao Imperador, o terror de todas as Grandes Casas.
Máquinas pensantes
Máquinas pensantes é um termo coletivo para a inteligência artificial no universo de Duna. A Jihad Butleriana — uma cruzada da humanidade contra as máquinas pensantes — é um ponto de virada épico na história pregressa desse universo fictício. Herbert faz referência às máquinas pensantes e à Jihad diversas vezes em suas obras posteriores da série Duna, mas não fornece muitos detalhes sobre como imaginava qualquer um desses elementos. Em O Imperador-Deus de Duna (1981), Leto II Atreides indica que a Jihad foi uma convulsão social semirreligiosa iniciada por seres humanos que passaram a sentir repulsa pela forma como haviam se tornado guiados e controlados pelas máquinas. A morte de Herbert, em 1986, deixou esse tema inexplorado e aberto à especulação.
Melange
A melange, também conhecida como especiaria, é uma substância capaz de prolongar a vida, aumentar a vitalidade e expandir a consciência. Frank Herbert descreve a melange de forma vaga. Seu aroma é constantemente comparado ao da canela, enquanto sua cor varia entre tons alaranjados, marrom-avermelhados e, sob certas condições de iluminação, um brilho azul fluorescente. Originalmente, a melange existe apenas nos desertos de Arrakis, onde é produzida pelo ciclo biológico dos vermes da areia. Ela surge a partir da chamada "massa pré-especiaria", formada pelas excreções dos "Pequenos Criadores", que explode na superfície em uma "explosão de especiaria". Após a exposição ao ar e à luz solar, essa massa transforma-se em melange. A coleta da especiaria é extremamente perigosa, pois atrai os gigantescos vermes da areia. Por isso, utiliza-se uma colheitadeira protegida por aeronaves de resgate, enquanto os Fremen realizam a coleta manual para consumo próprio e contrabando. Milhares de anos depois, os Tleilaxu desenvolvem um método artificial de produzir melange em seus tanques axlotl. Embora essa tecnologia reduza o monopólio de Rakis sobre a especiaria, ela não substitui completamente a melange natural.
Vermes de areia
Os vermes da areia (sandworms) são criaturas gigantes exclusivas do planeta desértico Arrakis. Os Fremen os veneram como "Shai-Hulud" ou "Criadores", considerando-os agentes divinos e parte fundamental da religião e da ecologia do planeta. Frank Herbert descreve os vermes da areia como enormes anelídeos de aparência semelhante à das lampreias, com centenas de metros de comprimento, podendo ultrapassar 400 metros (1 300 ft). Suas bocas são cercadas por dentes cristalinos e exalam um odor característico de canela. São extremamente resistentes, e apenas armas atômicas ou descargas elétricas aplicadas em cada segmento podem matá-los. A água é letal para eles. O ciclo de vida dos vermes está diretamente ligado à produção da melange. Sua fase larval, conhecida como "truta-da-areia" (Little Maker), aprisiona a água sob a superfície de Arrakis, formando a "massa pré-especiaria". Quando essa massa explode e entra em contato com o ar e a luz solar, transforma-se em melange. Herbert sugere que as trutas-da-areia transformaram Arrakis em um planeta desértico ao isolar quase toda a água disponível.


