Apneia do sono
Apneia do sono é um distúrbio do sono caracterizado por episódios repetitivos de pausas na respiração ou períodos de respiração pouco profunda durante o sono. As pausas podem ocorrer várias vezes por noite e causam frequentemente dessaturação de oxigénio e microdespertares. Cada pausa pode durar de alguns segundos a alguns minutos. É comum que estas pausas sejam antecedidas por roncos ruidosos. Assim que a respiração regressa à normalidade, a pessoa pode emitir sons semelhantes a um engasgo ou grunhido. Uma vez que a apneia interfere com a qualidade do sono, as pessoas afetadas podem sentir-se sonolentas ou cansadas durante o dia. Em crianças, a condição pode ser a causa de problemas escolares ou hiperatividade.
A falta de fluxo de ar adequada geralmente resulta em dessaturação da oxihemoglobina e, no caso de eventos prolongados, em aumento progressivo da pressão parcial de dióxido de carbono no sangue arterial (PaCO2). Na maior parte das vezes, as apneias não são suficientes para despertar a pessoa, mas há uma alteração no padrão de sono, passando do sono profundo para um sono mais superficial. Como este sono não é repousante, as manifestações típicas são uma sensação de "noite mal dormida" ao despertar, assim como fadiga e sonolência durante o dia. O diagnóstico é confirmado através da polissonografia ou por um estudo cardio-respiratório, comummente conhecido como "estudo do sono". Níveis clinicamente significativos de apneia do sono são definidos como cinco ou mais episódios por hora de qualquer tipo de apneia, através do estudo do sono. Existem três formas distintas de apneia do sono: central, obstrutiva e mista ou complexa (i.e., uma combinação da central e obstrutiva). Na apneia do sono do tipo central, a respiração é interrompida pela "falta de esforço respiratório"; na apneia do sono do tipo obstrutivo, a respiração é interrompida por um bloqueio físico ao fluxo aéreo "apesar de esforço respiratório". Na apneia do sono complexa (ou mista), há uma transição de características centrais para obstrutivas durante os eventos.
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Aumento da complacência das vias aéreas superiores por:
Comorbidades comuns
Apneia e hipopneia estão frequentemente correlacionados com: Logo, é recomendado fazer um exame de polissonografia para diagnóstico de apneia do sono nos pacientes com diabetes, obesidade, hipertensão, insuficiência cardíaca, infarto, fibrilação atrial, AVC ou acidente vascular cerebral (derrame cerebral). Especialmente após os 60 anos em pessoas acima do peso.
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O fechamento parcial das vias aéreas superiores é definido como hipopneia, enquanto que o fechamento total constitui uma apneia. Nos fechamentos parciais, temos como principal manifestação o ronco, devido à produção de som pelo turbilhonamento alterado do ar expirado. Existe um espectro de doença desde o ronco normal e assintomático até o quadro completo de SAHOS. O ronco pode preceder e evoluir para SAHOS, sendo que a obesidade e o envelhecimento contribuem para isso. Ocorrem frequentemente durante o sono REM e nos estágios 1 e 2 do sono NREM. As que ocorrem durante o sono REM costumam ser mais graves e duradouras.
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O diagnóstico da apneia do sono é feito através de polissonografia. O principal sintoma da apneia do sono é a sonolência intensa durante o dia. Esta sonolência pode levar a acidentes de automóvel ; ao sono intenso em horas inadequadas, como no trabalho ou na sala de aula. Outras manifestações da doença incluem o ronco (com pausas respiratórias, as apneias); e dificuldade de manter a concentração e a atenção pela sonolência diurna. Ao dormir, têm também movimentos muito frequentes, durante toda a noite, associados às pausas respiratórias (apneias). (CAPLES, 2005; REIMÃO, 1996) As apneias podem ser classificadas como obstrutivas, centrais ou mistas: A gravidade da Síndrome da Apnéia e da Hipopnéia Obstrutivas do Sono (SAHOS) é classificada conforme o índice de apneia e hipopneia (IAH - número de hipopneias e apneias por hora):
A prevalência entre a população geral de casos de SAHOS varia de 1% a 8% em homens e de 1,2% a 2,5% em mulheres, subindo para 10% da população acima de 65 anos e para 46% entre motoristas profissionais
Os primeiros relatos na literatura médica do que hoje é chamado de apneia obstrutiva do sono datam de 1965, quando foi independentemente descrito por pesquisadores franceses e alemães. Entretanto, o quadro clínico dessa condição já era reconhecido há bastante tempo como um traço pessoal, sem uma compreensão do processo patológico. O termo Síndrome de Pickwick, que é algumas vezes usado para a síndrome, foi cunhado pelo médico famoso do século 20 William Osler, que deve ter sido um leitor de Charles Dickens. A descrição de Joe, "o garoto gordo" no romance de Dickens "The Pickwick Papers", é uma figura clínica acurada de um adulto com síndrome da apneia do sono obstrutiva. Os primeiros relatos na literatura médica descreviam indivíduos que eram muito gravemente afetados, frequentemente se apresentando com hipoxemia grave, hipercapnia e insuficiência cardíaca congestiva. A traqueostomia era o tratamento recomendado. Porém, ainda que pudesse salvar a vida dos pacientes, as complicações no estoma eram frequentes nesses indivíduos muito obesos e de pescoço curto.


