Antunes Filho
José Alves Antunes Filho, mais conhecido como Antunes Filho, foi um diretor de teatro brasileiro, considerado pela crítica e por diversos artistas como um dos principais nomes teatrais e diretores do país.
Nasceu no bairro de Bela Vista, em São Paulo, filho de imigrantes portugueses. Começou estudando Direito no Largo de São Francisco, mas abandonou o curso para fazer Artes Dramáticas. Entre os espetáculos que criou estão Macunaíma, da obra homônima de Mário de Andrade, que percorreu vinte países e Trono de Sangue, baseada na obra Macbeth de William Shakespeare. Vários atores de renome passaram por sua supervisão, como Luís Melo, que foi protagonista de vários espetáculos, como Trono de Sangue, além de Giulia Gam, Alessandra Negrini, Camila Morgado, Renata Jesion, Irene Ravache, entre outros.
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Iniciou a carreira dirigindo grupos amadores. Montou peças para a série Tele-Teatro, como O Urso, de Anton Tchecov em 1950. Depois foi convidado por Décio de Almeida Prado para trabalhar como assistente de direção no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Trabalhou com o grande diretor Zbigniew Ziembiński, com quem aprendeu a disciplina e a técnica. Em 1953, estreou como diretor, com a peça Week-End, de Noël Coward. Em 1958, dirigiu O Diário de Anne Frank, de Frances Goodrich e Albert Hackett, um de seus grandes sucessos. Durante a ditadura militar dirigiu a peça Vereda da Salvação (1964), de Jorge Andrade, que foi remontada na década de 1990. Foi, por décadas, diretor do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), criado em 1982, onde formou gerações de atores e montou peças como A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1986), Paraíso Zona Norte (1990), Novas e Velhas Estórias (1991), Macbeth – O Trono de Sangue (1992), Gilgamesh (1995) e Drácula e outros Vampiros (1996).
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No final do livro Antunes Filho e a Dimensão Utópica, o crítico Sebastião Milaré escreve: "É estranho que esse homem tão apaixonado pela arte, pela vida, tenha granjeado ao longo do seu caminho tantos desafetos”. Durante muito tempo, conforme explicou Jefferson Del Rios num debate em 2010 no qual o diretor estava presente, Antunes Filho conquistou a fama de "tirano" e "autoritário" por conta de sua personalidade inquieta e por seu método teatral explosivo e direto. Em entrevista para o Roda Viva da TV Cultura em 1989, Antunes Filho disse: "Eu já fui considerado até tirânico, autoritário. Eu acho que, no teatro, é necessário que as pessoas tenham muita disciplina. A infra-estrutura do teatro não é dinheiro, não é nada disso. A infra-estrutura é conhecimento, é autodisciplina, mas isso é mais velho que minha avó. É fundamental que as pessoas que façam qualquer tipo de manifestação criativa tenham consigo - e com as pessoas que querem também fazer o mesmo projeto - muita fé e muita disciplina, porque com muita disciplina a gente se equivoca bastante. Agora, no tempo que me chamavam de tirânico eu até era um pouco, sim. Eu acho que era devido aos tempos ruins que a gente se acostuma àquilo, a gente é condicionado a..."
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Faleceu no dia 2 de maio de 2019 no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em decorrência de um câncer de pulmão.
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Influência
Antunes Filho formou, influenciou e influencia diversos encenadores, atores e artistas, entre outros, Laura Cardoso, Eva Wilma, Raul Cortez, Luís Melo, Cacá Carvalho, Stênio Garcia, Denise Stoklos, Luiz Päetow, Samir Yazbek, Marco Braz, Lee Taylor, Bete Coelho, Giulia Gam.


