Antroponímia japonesa
Um nome japonês moderno é composto de um apelido de família, ou sobrenome, seguido de um prenome. Assim como os nomes chineses, coreanos, vietnamitas e alguns tailandeses, os nomes japoneses estão de acordo com o sistema de nomes próprios da Ásia oriental.
Estruturalmente, os nomes japoneses são simples comparados com nomes em muitas outras culturas. Todo japonês ou japonesa tem um sobrenome e um nome próprio, sem um segundo nome ou nome do meio, excetuando-se os membros da Família Imperial que não possuem um sobrenome. O nome próprio em japonês é chamado "namae" (名前 namae) ou "nome de baixo" (下の名前 shita no namae). O sobrenome é chamado myōji (苗字 ou 名字) uji (氏) ou sei (姓). Quando escrito em japonês, o sobrenome precede o nome próprio. Historicamente, myōji, uji e sei tinham diferentes significados. Os sobrenomes sei eram originalmente sobrenomes matrilineares. Mais tarde passaram a ser exclusivamente atribuídos pelo imperador. Há relativamente poucos sobrenomes sei, e muitas famílias nobres traçam a sua linhagem a partir destes sei, ou a famílias muito próximas dos portadores. Uji era usado para designar os sobrenomes patrilineares, mas o seu significado fundiu-se com myōji, por volta da mesma altura em que sei perdeu o seu significado matrilinear. Myōji era simplesmente o que uma família decidia chamar-se a si própria, em oposição a sei que era atribuído pelo imperador.
Os nomes japoneses são escritos geralmente em kanji (ideogramas) apesar de alguns nomes utilizarem hiragana ou até mesmo katakana, ou uma mistura de kanji e kana. Enquanto a maioria dos nomes "tradicionais" utilizam leitura de kanji kun'yomi (japonês nativo), um grande número de nomes próprios e sobrenomes também utilizam a leitura de kanji on'yomi (baseado no chinês). Muitos outros nomes são lidos especificamente como nomes (nanori), como o nome feminino Nozomi (希). A maior parte dos nomes se compõem de um ou dois kanjis; alguns são compostos por três caracteres, como Sasaki (佐々木), Igarashi (五十嵐), Shoji (東海林), Gushiken (具志堅), Yosano (与謝野) e Kindaichi (金田一); uns poucos sobrenomes são compostos por quatro kanjis como Teshigawara (勅使河原), Kutaragi (久多良木) e Kadenokoji (勘解由小路). Os nomes próprios femininos geralmente terminam com a sílaba ko, escrita com o kanji que significa "filha" (子). Isto era habitual até a década de 1980, mas na prática isto continua até os dias de hoje. Os nomes próprios masculinos ocasionalmente terminam com a sílaba ko, mas é muito raro que o façam com o kanji 子; se um nome masculino termina em ko na realidade termina em hiko, empregando o kanji 彦).
Dificuldades na leitura de nomes
Um nome escrito em kanji pode ter mais de uma pronúncia, mas só uma delas é correta para um determinado indivíduo. De modo inverso, um nome pode ser representado com muitos kanjis diferentes, mas, novamente, só uma delas é correta para um determinado indivíduo. Por exemplo, o kanji 一, quando usado em nomes próprios masculinos, se emprega como a forma escrita de Hajime, Ichi, Kazu, Hitoshi e outros mais. O nome Hajime se pode escrever também com os kanjis 始, 治, 初 e muitos outros. Esta maneira muitos para muitos entre a maneira de pronunciar um nome e a maneira como se escreve faz com que a transliteração de nomes para a escrita alfabética seja bastante difícil. Por este motivo, os formulários e documentos japoneses sempre contam com espaços entre linhas para escrever a pronúncia correta do kanji usando o silabário hiragana ou katakana e, em particular, a pronúncia do nome próprio.
Muitas minorias étnicas que emigraram para o Japão após a Segunda Guerra Mundial, principalmente coreanos e chineses, adotam nomes japoneses para facilitar as comunicações e também como uma maneira de evitar serem discriminados. A origem desse costume remonta à política da era colonial que permitiu a muitos coreanos trocar seus nomes para nomes japoneses. Uns poucos mantêm seus nomes na língua materna. Entre eles, Chang Woo Han, fundador e presidente de Maruhan Corp., uma enorme cadeia de pachinko no Japão. Há que se considerar que a obtenção da cidadania japonesa requer o uso de um nome japonês. Nas últimas décadas o governo tem permitido a alguns indivíduos simplesmente adotar versões em katakana de seus nomes quando postulam a cidadania. O membro do parlamento Tsurunen Marutei (ツルネン マルテイ), chamava-se Martei Turunen. Outras pessoas transliteram seus nomes foneticamente para o silabário japonês e depois compõem um nome em kanji como David Aldwinckle, que se converteu em Arudou Debito (有道 出人). Há inclusive aqueles que decidiram adotar nomes japoneses tradicionais, como Lafcadio Hearn, que empregava o nome de Koizumi Yakumo (小泉 八雲). -À sua época, para obter cidadania japonesa se exigia ser adotado por uma família japonesa (no caso Hearn, a de sua esposa) e tomar seu sobrenome.
Houve e há vários sistemas de transliteração do japonês para o alfabeto romano. Alguns são usados exclusivamente no Japão, mas o sistema Hepburn, desenvolvido pelo reverendo James Curtis Hepburn, é um sistema adotado também no Japão para romanizar nomes em passaportes e em outras situações que envolvem relações com estrangeiros como sinais de trânsito, avisos e informações. No Brasil, o sistema Hepburn costuma ser adotado quando se elabora dicionários japonês-português quando não há maiores preocupações com a fidelidade da pronúncia. Já a transliteração de nomes japoneses pode ser feita em convenção Hepburn seguindo uma sugestão da representação oficial do governo japonês. O jornal O Estado de S. Paulo provavelmente adota o sistema Hepburn indiretamente quando reproduz os nomes japoneses distribuídos pelas agências de notícias internacionais. Para este jornal já há muitas palavras japonesas comuns que se escrevem na forma aportuguesada, como saquê, quimono e camicase, mas Tóquio é o único topônimo aportuguesado pela redação do jornal.


