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Antropogênese

A antropogênese (português brasileiro) ou antropogénese (português europeu) é objeto da antropologia e está definida como o estudo da origem e do desenvolvimento da espécie humana, seja ele por bases teóricas científicas, culturais ou mitológicas. O termo tem origem no grego ánthropos (homem) e génesis (origem), e possui como conceitos similares antropogonia e antropogenia, este último associado ao estudo da ontogenia e filogenia humanas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Teorias científicas

Não existe um consenso sobre qual a origem da espécie humana. Mesmo no meio científico, há controvérsias sobre o assunto e existem diversas teorias sobre como o ser humano, da maneira que conhecemos hoje, surgiu. A teoria científica mais aceita é a de que o ser humano moderno (Homo sapiens) surgiu na África, há cerca de 200 mil anos, decorrente de um processo evolutivo. Evidências genéticas e de medições de crânios fósseis corroboram com a teoria do surgimento do homem na África. Acredita-se que os primeiros hominídeos evoluíram de um ancestral comum compartilhado com os grandes símios de hoje (orangotangos, gorilas e chimpanzés). O surgimento do gênero Homo teria ocorrido há cerca de 2 milhões de anos atrás, tendo como características que os diferenciam de espécies anteriores, por exemplo dos Australopithecus, a dentição, face e prognatismo menores, e também menor dimorfismo sexual, aumento da capacidade craniana e bipedia obrigatória, com essa diferenciação se tornando maior ao decorrer do surgimento de novas espécies. Os primeiros hominíneos a surgirem foram os Homo habilis e os Homo rudolfensis, que ainda possuíam características semelhantes aos Australopithecus, o que gera discussões entre os paleoantropólogos se eles seriam mesmo os primeiros representantes do gênero Homo.

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Antiguidade clássica

Grécia

Em algumas versões da mitologia grega, acredita-se que Prometeu foi o criador da humanidade, a partir do barro. O titã criou os humanos ao se sentir vazio e solitário. Certo dia, ele se sentou nas colinas da região grega da Fócia, pegou uma porção de terra, misturou um pouco de água e começou a moldar o barro. Ao terminar, ficou admirado com sua criação e resolveu fazer várias réplicas. Prometeu então, os presenteou com a vida: a argila foi se transformando em carne, pele e osso. Mais tarde, ele enfureceu os deuses do Olimpo, tirando deles o fogo e entregando-o à humanidade na forma de tecnologia, sabedoria e civilização. Zeus, rei dos deuses do Olimpo, condenou Prometeu ao sofrimento eterno pela sua insolência. Prometeu foi amarrado a uma rocha, e uma águia foi enviada para comer seu fígado. Seu fígado voltaria a crescer durante a noite, apenas para ser comido novamente no dia seguinte em um ciclo contínuo.

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Américas

Indígenas ameríndios

Na cultura indígena ameríndia, ainda que composta por muitas etnias diferentes entre si, não parecia haver uma máquina antropológica de hierarquização entre os animais não humanos e os humanos - ou melhor, a distinção entre esses grupos não ocupava a mesma função do que no mundo ocidental. Segundo o literato indígena “O banquete dos deuses: conversa sobre a origem e a cultura brasileira” de Daniel Munduruku, representante da etnia Tapajó, “uma árvore, um rio, um ser humano, o fogo, a água, o vento, a terra os demais seres vivos, todos são espíritos e fazem parte da trama da vida, são familiares que dividem o mesmo destino. Se na história da criação da humanidade, cada povo precisa distanciar-se do mundo animal para se encontrar como povo, para criar uma cultura comunitária e um modo de vida, não há distanciamento que cause rupturas nessa trama, tudo permanece interconectado”.

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Ásia

Mesopotâmia

Os primeiros mitos de criação do homem na região que hoje conhecemos como Ásia remontam à civilização suméria, que se estabeleceu na região sul da Mesopotâmia no período entre 4 500 a.C. e 1 900 a.C. A origem da escrita cuneiforme, por volta de meados de 3 200 a.C. é atribuída ao povo sumério. O advento da escrita possibilitou o registro de seus mitos de criação, comumente talhados em tábuas de argila. Os sumérios acreditavam que a humanidade se deu por meio de uma série de criações divinas: Nammu, deus das águas, gerou Ki, deusa da terra e An, deus do céus, que juntos tiveram um filho, o deus Anki. Cansados de terem que executar trabalhos na Terra, os deuses clamaram por ajuda. Assim, Anki propôs a criação de um homem para suportar o trabalho. Utilizando o corpo e sangue de um deus morto, misturado com barro, Anki criou o primeiro humano, gerando assim a humanidade, encabida de trabalhar sobre a Terra.

Persas

Os persas foram uma civilização antiga que ocupava a região que hoje conhecemos como Irã, por volta de 2 000 a.C. a 1 500 a.C. Sua religião era o zoroastrismo, uma crença dualista que é reconhecida como uma das religiões organizadas maia antigas do mundo. Com base no antigo zoroastrismo, descrito nos textos sagrados Avesta e Bundahishn, acreditava-se que Zurvan, deus do tempo, criou os filhos gêmeos Ahura Mazda e Ahriman. Os gêmeos eram opostos e fundamentais para o equilíbrio do universo: eram a luz e a escuridão, o bem e o mal. Ahura Mazda criou a luz, o mundo, os astros, e a bondade. Também criou o primeiro humano, o moldou para ser bom e o chamou de Gayomard. Mas Ahriman continha o mal em si, e estava determinado a acabar com as obras do irmão. Criou demônios, doenças, sofrimento; condenou a humanidade à mortalidade ao matar o primeiro humano criado por seu irmão. Ahura Mazda então, soprou uma alma nas plantas e criou Mashya e Mashyoi, homem e mulher que estavam destinados a procriar toda a humanidade, e lhes deu o livre-arbítrio. Ahura Mazda e Ahriman não eram capazes de derrotar um ao outro, e por isso, a universo se encontrará sempre no meio de uma eterna guerra entre os irmãos, entre o bem e o mal, até que enfim, acreditava-se que o bem finalmente venceria o mal em uma batalha apocalíptica no fim do mundo, e a humanidade seria reconstruída por Ahura Mazda para viver sem sofrimento, morte e dor.

Índia

De acordo com a mitologia hindu, descrita no Brahmanda Purana (datado de cerca de 450-950 d.C.), o ser supremo, Narayana fez do seu próprio corpo o deus criador Brama. Quando Brama foi criar o mundo, decidiu criar, de si próprio, habitantes para dar à terra. Da sua boca, criou o Brâmane, sacerdote ao qual confiou seus quatro Vedas. De seu braço direito, criou Chatria, o guerreiro, e de seu braço esquerdo criou uma esposa para ele. De suas coxas criou os Vaissias, comerciantes e agricultores, e de seus pés criou os Sudras, para serem trabalhadores.

China

Acreditava-se, segundo o Taoismo, religião filosófica chinesa que surgiu em meados da Dinastia Han, que antes da criação do universo havia apenas o Caos. Dele, emergiu um ovo cósmico, que rachou: sua clara se tornou o céu, a gema se tornou a terra, as partes maiores da casca se tornaram o sol e a lua, e as menores as estrelas. Além disso, do ovo nasceu Pangu, uma entidade divina que separou Yang, a luz, de Yin, a escuridão, princípios da natureza emergidos do caos. Todo dia Yang crescia, formando o céu, Yin afundava, formando a terra, e Pangu se mantinha entre os dois para mantê-los separados. Conforme o tempo se passou, Pangu foi definhando e dos pedaços de seu corpo foram surgindo as características do universo: montanhas, rios e mares, vento, trovões, estrelas, túneis e rochas. A humanidade também surgiu de Pangu, porém há discordâncias quanto sua origem: alguns afirmam que os humanos se originaram das pulgas que viviam no corpo de Pangu, outros acreditam que Pangu criou os homens utilizando argila. E assim a Terra adquiriu a configuração que conhecemos, e os humanos passaram a habitá-la.

Japão

Conforme o Kojiki, considerado o texto mais antigo sobre a criação do Japão, e que detalha sua mitologia, as entidades celestes concederam às divindades Izanagi e Izanami a tarefa de criar o Japão. De sua união, criaram as oito maiores ilhas do Japão e também as seis menores. Das placas salinas, criaram uma ilha para seu casamento, do qual nasceram outras ilhas do Japão. O casal de divindades então criou vários espíritos para representarem as características do Japão, contudo, o espírito do fogo, Kagutsuchi, ao nascer,queimou Izanami muito gravemente, e ela faleceu. Izanagi, então viajou até o submundo para resgatar sua esposa, e ao chegar lá, se deparou com o corpo de Izanami podre, e declarou que estavam divorciados. Muito furiosa e desolada, Izanami jurou estrangular 1 000 pessoas a cada dia, mas Izanagi a contrapôs, jurando fazer nascer1500 pessoas todo dia. Nota-se que esta se trata da primeira menção à humanidade no mito de criação, e não se sabe de alguma narrativa que explique a origem dos homens para a mitologia japonesa descrita no Kojiki.

Coreia

Na mitologia coreana, de maneira semelhante à japonesa, não há registro de um mito antropogênico, que explicasse o surgimento dos humanos. Contudo, um dos principais mitos antigos presente na cultura procura explicar a origem da nação coreana, enxergada na cultura como um grupo homogêneo que descende do mesmo ancestral. O mito da fundação da Coreia, descrito no Samguk Yusa [en], livro de lendas e contos coreanos datados de 1 281 a.C., conta a história de Hwanung [en], filho da divindade que reinava os céus. Hwanung pediu ao seu pai se poderia descer à Terra e construir sua própria nação, e, após ser autorizado, se fixa no monte T’aebaek-san, onde assumiu o título de governante divino dos humanos de lá. Um dia, um tigre e um urso se aproximaram se Hwanung, e imploraram para que ele os transformassem em seres humanos. Hwanung os orientou a ingerir artemísia e alho e permanecer no escuro durante cem dias. O tigre logo desistiu da espera, porém o urso foi até o fim e se transformou em uma bela mulher, que sempre o reverenciava, agradecida pela transformação. Sensibilizado pelas atitudes da moça, Hwanung se juntou a ela e conceberam um filho, chamado Dangun, que cresceu e se tornou um sábio governante, fundando o primeiro reino coreano, Gojoseon. Teve muitos descendentes, que se tornaram o povo coreano.

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Cristianismo e Judaísmo

Na Bíblia, o livro do Gênesis narra a criação da humanidade: Adão e Eva, os primeiros humanos, são criados por Deus a partir do barro. Então eles pecam, seguindo a tentação da serpente, e comem da árvore proibida. Assim, Deus os expulsa do paraíso, o Jardim de Éden. Assim, inseridos na vida terrana, Adão e Eva geram descendentes, que formam a humanidade. Hoje, muitos teólogos consideram esta narrativa alegórica, abandonando seu sentido literal, tendo o próprio papa João Paulo II expressado que há compatibilidade entre a evolução e a fé católica. Ainda assim, existem setores fundamentalistas (mesmo dentro dos católicos) que crêem na interpretação literal do gênesis, ou de outros livros e mitologias religiosas diversas. Segundo a cabala, a tradição esotérica e mística do judaísmo, a criação do mundo e do Homem deu-se por emanações de um princípio chamado de Ain Soph. Estas emanações são chamadas de Sefirot, em número de dez, e o seu conjunto forma a árvore da vida, que representa esotericamente o Homem Arquetípico, Homem Primordial, Adam Kadmon. O mundo material é representado na árvore da vida por sua base, que é associada a Adonai (ver Tetragrammaton).

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