António Variações
António Joaquim Rodrigues Ribeiro, conhecido por António Variações ComIH, foi um cantor e compositor português do início dos anos 1980. A sua curta discografia continuou a influenciar a música portuguesa nas décadas posteriores à sua precoce morte, aos 39 anos, deixando assim um legado para os tempos vindouros.
António Ribeiro nasceu no lugar de Pilar, freguesia de Fiscal, no concelho de Amares. Filho dos camponeses Jaime Ribeiro e sua mulher Deolinda de Jesus Rodrigues, Tonito, como a mãe lhe chamava, tinha onze irmãos e irmãs, embora dois deles tenham falecido muito cedo. A sua infância foi dividida entre os estudos e o trabalho no campo, para ajudar os pais. Jaime tocava cavaquinho e acordeão e foi a primeira inspiração de Variações, que desde cedo revelou a sua paixão pela música nas romarias e no folclore locais. Aos onze anos, teve o seu primeiro emprego, em Caldelas, e em Janeiro de 1956 partiu para Lisboa. Aí, trabalhou como marçano, enquanto à noite tirava o curso comercial na Voz do Operário. Trabalhará depois como caixeiro e empregado de escritório. Seguiu-se o serviço militar em Angola, numa zona pacífica, do qual regressou em Janeiro de 1970. Com a ajuda do amigo e colega Fernando Ataíde, foi admitido no Ayer, o primeiro cabeleireiro unissexo a funcionar em Portugal. Viajou até Londres, onde viviam um irmão e uma irmã, e trabalhou num “colégio de computadores”. Em 1972 regressou a Lisboa, tendo passado ainda por um salão no Centro Comercial Imaviz, onde exerceu a profissão de barbeiro. Em 1974, pouco antes do 25 de Abril, foi até Amesterdão, tendo ali ficado um ano, a trabalhar como cabeleireiro, e a desenvolver a sua técnica de corte, onde descobriu um novo mundo, querendo trazer para Portugal uma nova maneira de viver. Em 1976 juntou-se à equipa do primeiro salão unissexo que abriu em Portugal, dirigido por Isabel Queiroz do Vale. Em meados de 1979, abriu a sua própria barbearia, É Pró Menino e Prá Menina, na Rua de São José.
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Ao longo dos anos têm sido várias as homenagens a título póstumo a António Variações. Além do busto colocado em Fiscal, a sua terra natal, há diversas referências na toponímia - no concelho de Amares, aparece em Fiscal, onde o nome do filho da terra designa a principal artéria da freguesia, a Avenida António Variações, e apadrinha ainda uma rua da freguesia de Ferreiros; em Lisboa, encontra-se perpetuado desde 1998 numa rua localizada na actual freguesia do Parque das Nações. A nível musical, têm-se multiplicado as homenagens, em disco e em palco. Uma das primeiras ocorreu a 10 de julho de 2004, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, por onde desfilaram versões a cargo de músicos como Adolfo Luxúria Canibal, Armando Teixeira, Filipa Pais, Funkoffandfly, Lena D’Água, Maria João, Mário Laginha, Pop Dell’Arte, Rádio Macau, Tucanas, Vítor Rua e Vozes da Rádio, além de Jaime Ribeiro, sobrinho de Variações.
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A 7 e 8 de dezembro de 2017 a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra organizou, ao longo de dois dias, a conferência “Variações sobre António – Um colóquio em torno de António Variações”. O encontro versou exclusivamente a obra e a figura do cantor e juntou cerca de meia centena de especialistas que asseguraram um programa composto por mais de 30 comunicações, complementadas por debates, espetáculos e performances. A 5 e 6 de dezembro de 2024 a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa organizou o colóquio “’De olhar para trás, pensamento em frente’ – Variações em Torno de António”, onde foram abordados temas como “Vida rural em Portugal até aos anos 70. Migrações internas: do campo para a cidade, de Portugal para o estrangeiro”; “Questões de género e sexualidade: perseguições, encarceramento, e as possíveis e raras afirmações de homossexualidade”; “Impactos da Guerra Colonial nas sociedades portuguesa e africanas”; “Experiências de infância e adolescência nas décadas de 1940 a 1970”; “A emergência da contracultura nas décadas de 1970 e 1980: música, moda, e espaços de sociabilidade alternativa. A homossexualidade sem máscaras. A consagração do direito ao divórcio. Os Direitos das Mulheres. A liberalização dos costumes”; “A Liberdade de Imprensa e seus reflexos nos costumes e mentalidades”; “Anos 80. A SIDA/VHI, o ‘Castigo de Deus’?”; ou “A vida e o legado de António Variações: a sua sonoridade, a profundidade dos seus poemas/letras de canções, e o entorno cultural e social dos ‘Queridos Anos 80’”. A vida de Variações serviu de ponto de partida às temáticas escolhidas, a partir do reconhecimento de que “o cantor cruzou, viveu e passou por estas etapas – do trabalho infantil em contexto rural, à migração para a grande cidade; da Guerra Colonial às viagens para fora do país; da afirmação de um percurso musical suportado pela criação de uma imagem inimitável, do sucesso estrondoso até à morte temprana sob o signo de uma doença ‘maldita’”.
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O álbum Anjo da Guarda integra a seleção do livro “Os melhores Discos da Música Popular Portuguesa, 1960-1997”, publicado em 1998 pelo jornal Público. Em 2005, na lista “25 anos 25 discos” elaborada pelo Jornal de Letras, por ocasião do seu 25.º aniversário, o álbum Anjo da Guarda integra o grupo de seis obras que ocupam a 10.ª posição da tabela, enquanto Dar e Receber se encontra no 19.º lugar, com outros três trabalhos. Apenas dois autores têm dois álbuns na lista (os outros são os GNR). Em novembro de 2009, a edição especial comemorativa dos 25 anos da revista BLITZ também coloca os dois álbuns na lista dos discos mais importantes da década de 80 – Anjo da Guarda e Dar e Receber ocupam, respetivamente, as 6.ª e 13.ª posições. Na votação, participada por mais de 60 profissionais da música, é ainda feita uma escolha das melhores canções desse período, em que aparecem Canção do Engate (3.º lugar), É P’ra Amanhã (8.º lugar) e Estou Além (10.º lugar).


