Antônio Trajano dos Santos
Coronel Antônio Trajano Pereira dos Santos foi um fundador de Três Lagoas, filho de Antônio Pereira dos Santos e Francisca Rosa de Azevedo.
Aos dezesseis anos, chega ao "Sertão dos Garcias", no município de Paranaíba. No início da década de 1890, segue o exemplo de outros pioneiros, como Luís Correia Neves Neto e Protásio Garcia Leal, e se estabelece onde hoje está situado o município de Três Lagoas. Instala-se no Campo Triste, no "Retiro das Telhas", com a esposa, Maria Lucinda Garcia de Freitas (neta de Januário Garcia Leal Sobrinho). Anos depois, transfere-se para o Córrego do Palmito, onde vive até 1893. Nesse ano, adquire a "Fazenda das Alagoas", de propriedade de Cândido Roldão e João Elias. Ergue ali sua primeira residência, chamada de "Laranjal", às margens da maior das três lagoas do local. A expansão da bem-sucedida criação de gado – o primeiro ciclo econômico local -, o início do comércio e a vinda de colonizadores garantiram o surgimento de um povoado ao redor de sua propriedade. Já então, cedia pequenas faixas de terra aos imigrantes recém-chegados. Entre 1902 e 1905, 700 pessoas se estabeleceram ao redor da Lagoa Maior.
Com a desapropriação de suas terras, o coronel Antônio Trajano Pereira dos Santos então abandona a região e se estabelece nas proximidades de Pouso Alto, no atual município de Água Clara, na região do alto Sucuriú, na Fazenda Córrego, após efetuar a compra de Saturnino Marques Garcia no valor de Rs 10:000$000 contos de réis. Com isto, começou o processo de requerimento e demarcação da posse "Córrego Fundo", na localidade de Pouso Alto, distante 160 km da cidade de Três Lagoas. Lá continuou a criação de gado bovino, conjuntamente com os seus filhos: Alípio, Adolfo, Brasiel e Sebastião. Em 1926, a sua esposa Maria Lucinda Garcia de Freitas (ou Ferreira) falece, inventariando os seus bens nos próximos anos. Em 1928 expede o título definitivo em 21 de março de 1928, cujo valor de contrato foi de Rs 18:399$600 contos de réis, de uma área de 20.733 hectares. No entanto, apesar do valor de compra, a área no processo de inventário estava avaliada em Rs 103:665$000, no total o auto da partilha definiu que a fortuna do casal era de Rs 132:565$000, um patrimônio alto para a época.
O fazendeiro Antônio Trajano dos Santos, era casado com Maria Lucinda de Freitas, natural de Paranaíba, filha de Necésio Ferreira de Mello e Laura Garcia de Freitas. Trajano, portanto, uniu-se a famílias de destaque, sua sogra era filha do Alferes Januário Garcia Leal e sobrinha do Capitão José Garcia Leal, fundadores da cidade mais antiga do bolsão. Além disso, seu sogro era filho do sesmeiro João Ferreira de Mello e de dona Maria Luciana do Espírito Santo, cuja descendência uniu-se aos Garcia Leal.


