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António Sérgio

António Sérgio de Sousa Júnior foi um pedagogo, jornalista, sociólogo, historiador e político português. Democrata opositor do regime fascista e autoritário esteve exilado entre 1926 e 1933 e preso em 1935, 1948 e 1958. Foi Ministro da Educação no governo de Álvaro Xavier de Castro entre 1923 e 1924. Encarava a Educação como a principal via para a Liberdade, o Pensamento Crítico e a aquisição de Valores. As suas correntes pedagógicas foram maioritariamente direcionadas para a mudança de mentalidades e no combate ao sistema educativo da Ditadura Nacional e do Estado Novo. Existem duas escolas com o seu nome: a Escola Básica António Sérgio em Sintra e a Escola Secundária António Sérgio em Vila Nova de Gaia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Biografia

Formação e juventude

António Sérgio nasceu em Damão, no Estado Português da Índia, filho do vice-almirante António Sérgio de Sousa (Santos-o-Velho, Lisboa, 22 de outubro de 1842 – Alcântara, Lisboa, 18 de agosto de 1906) e de Ana Maria Henriques de Brito Sérgio de Sousa (Pondá, Goa, 23 de julho de 1855 – São Mamede, Lisboa, 23 de janeiro de 1948). Viveu parte da infância em África, onde o pai exerceu o cargo de governador do Protetorado do Congo Português. Radicado em Lisboa em 1893, seguindo uma linhagem de familiares militares, estudou no Colégio Militar e depois na Escola Politécnica e na Escola Naval. Cedo sentiu grande interesse pela poesia e pela filosofia, devendo-se o seu precoce pendor racionalista à leitura da Ética de Espinosa, ao estudo da geometria analítica e ao interesse pela obra de Antero de Quental.

Academia e cosmopolitismo

A 14 de junho de 1910, casou na Capela do Palácio da Nunciatura, na freguesia de São Mamede, em Lisboa, com Luísa Estefânia Gerschey da Silva (São José, Lisboa, 4 de setembro de 1879 – Lapa, Lisboa, 29 de fevereiro de 1960), filha de Manuel José da Silva e de Maria Estefânia Gerschey da Silva, ambos também naturais de Lisboa (ele da freguesia dos Mártires e ela da freguesia de Alcântara), que assinou escritos pedagógicos como Luísa Sérgio e com quem António teve uma grande camaradagem intelectual. Celebrou o casamento o então núncio apostólico em Portugal, D. Giulio Tonti. As suas duas primeiras obras publicadas foram um volume de Rimas e uma obra filosófica sobre Antero de Quental onde reagiu contra o naturalismo positivista.

Intervenção durante a República

Durante o consulado sidonista (1918-19), lança a revista Pela Grei (1918-1919), para a qual convoca diversos especialistas para apresentar um programa de Fomento Nacional (tendo a parte económica sido bastante trabalhada por Ezequiel de Campos); nos anos de 1920 integra a direção da Seara Nova (junto com Raul Proença e Jaime Cortesão). É nesse quadro que vem a integrar o governo de Álvaro de Castro (1923), assumindo a pasta da Educação, com o principal propósito de criar uma Junta de Ampliação de Estudos, organismo autónomo que enviaria sistematicamente bolseiros ao estrangeiro para estudar, e que financiaria institutos de investigação e escolas modernas (o projeto foi executado, sem a componente pedagógica e sem o espírito democrático que inspirava Sérgio, em 1929, com a criação da Junta de Educação Nacional, antepassado do Instituto de Alta Cultura, do INIC e da FCT).

De volta a Portugal e ativismo durante o Estado Novo

De volta ao solo pátrio, tornou-se um dos principais nomes do movimento cooperativista e do socialismo democrático; entre os seus companheiros de luta contaram-se Alves Correia, Mário Azevedo Gomes, José Régio, Bento de Jesus Caraça (com quem travou uma polémica sobre a interpretação de Platão, cerca de 1945, onde a tensão entre marxismo e proudhonismo e idealismo racionalista está implícita), Manuel Antunes e muitos outros vultos da cultura portuguesa. A importância das suas ligações políticas nota-se perfeitamente nessa época. Sérgio fez parte do Movimento de Unidade Democrática, juntamente com nomes como Alves Redol, o General Norton de Matos, Ruy Luís Gomes e Bento de Jesus Caraça (oposicionistas e excecionais matemáticos), Irene Lisboa, Fernando Lopes Graça, Ferreira de Castro, Abel Salazar, Miguel Torga, Maria Lamas, Francisco Pulido Valente, Vitorino Magalhães Godinho, Mário Dionísio e Francisco Salgado Zenha (à data ainda estudante) e muitos outros. Veja-se http://ruyluisgomes.blogspot.pt/, reprodução do jornal República, de 11 de novembro de 1945, artigo «Movimento de Unidade Democrática».

Desalento, prisão e morte

A partir de 1959, abandonou a intervenção cívica activa e a pena de escritor. O desalento que o acometeu depois da derrota de Delgado e a prisão a que foi torpemente submetido, em Novembro de 1958, aos 75 anos, terão sido o principal motivo. A morte da mulher, em Fevereiro de 1960, veio ainda agravar mais o seu estado depressivo. Passou a viver amparado pela sobrinha materna e sua família. Veio a morrer de insuficiência renal crónica no Hospital da Cruz Vermelha, na freguesia de S. Domingos de Benfica, em Lisboa, pelas 19h de 24 de Janeiro de 1969. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.

Condecorações e distinções

O seu nome perdura na toponímia portuguesa, em nomes de arruamentos. Em Campo Maior (Portugal) existe inclusivamente um busto de António Sérgio na Avenida que também tem o seu nome. Foi agraciado, a título póstumo, com os graus de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade (30 de junho de 1980) e de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (3 de agosto de 1983).

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Pensamento filosófico e político

Imagem: GualdimG · BY-SA · Openverse

António Sérgio, muito influenciado pelo socialismo de Proudhon por via de Antero, não considerava a questão república/monarquia importante por julgar a questão social (melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras) mais fundamental que a revolução política. A sua ação e pensamento, inicialmente inspirados por figuras como Alexandre Herculano, Oliveira Martins e Antero de Quental, foi marcadamente voltada para a reforma das mentalidades, para a compreensão histórico-sociológica de Portugal e para a problemática da educação; defendeu o modelo da escola-município, baseado no ideal de self-government e de educação cívica. O seu pensamento inscreve-se numa constelação de pensadores cosmopolitas de pendor voluntarista seus contemporâneos, defensores da democracia e de ideais socialistas, entre os quais se contam John Dewey, Guglielmo Ferrero, Ramsay MacDonald e Georg Kerschensteiner.

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Sobre a cultura

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É importante uma referência ao seu conceito de cultura. "Homem culto (…) significará um indivíduo de juízo crítico, afinado, objectivo, universalista, liberto das limitações de nacionalidade e de classe (…)." (…) e somos filósofos na proporção exata em que nos libertamos dos limites que nos inculcam a raça, a nacionalidade, o sítio, o instante, o culto, o temperamento, a classe, o sexo, a moda, a profissão". Neste campo, a sua atividade foi imensa: fundou a revista Pela Grei (1918-1919); colaborou na revista Águia, com homens como Teixeira de Pascoaes ou Fernando Pessoa; escreveu também na revista Seara Nova, a partir de 1923, onde se encontraram personagens como Aquilino Ribeiro, Raul Brandão ou Azeredo Perdigão (mais tarde dirigente da Fundação Calouste Gulbenkian); colaborou nas revistas Homens Livres (1923) e Lusitânia (1924-1927) e no semanário Mundo Literário (1946-1948); foi diretor da "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira"; escreveu uma imensa obra teórica em grande parte reunida nos Ensaios; lançou em Portugal a ideia do Cooperativismo, que se viria a revelar a sua obra mais duradoura, nomeadamente ao nível das cooperativas de habitação; fundou a Junta Propulsora dos Estudos; difundiu o método Montessori; criou o ensino para deficientes e o cinema educativo, tendo ainda tempo para fundar o Instituto Português do Cancro.

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A ação política

Imagem: GualdimG · BY-SA · Openverse

António Sérgio deve ser visto como político. Henrique de Barros e Fernando Ferreira da Costa, foram amigos de Sérgio, e, como ele, opositores do regime de Salazar. Para ambos, Sérgio queria algo original: um socialismo associativista, libertador ou mesmo libertário, a criar de dentro para fora, pacificamente, pela extensão gradual mas ilimitada do princípio cooperativo. Homem cultíssimo e de grande curiosidade mental, leitor permanente e crítico, conhecia bem as obras de Marx e não ignorava a vida e as ações deste, mas "nunca foi marxista nem revelou tendência para o ser, como é geralmente sabido e já aqui começámos, logo por fazer notar." A luta política de Sérgio contra o regime não parou e só esmorecia quando as circunstâncias eram por de mais impeditivas da expressão do pensamento. Tendo acabado por se convencer, após o seu regresso ao país em 1933 e até ao insucesso da candidatura Norton de Matos, de que o sistema nunca se liberalizaria a ponto de procurar quem o continuasse ou lhe sucedesse recorrendo a eleições honestas, o pensador voltou a ser conspirador activo e passou de novo a privilegiar uma solução de índole militar.

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