Argentina na Copa do Mundo FIFA de 1966
A Selecção de Argentina foi uma das 16 participantes da Copa Mundial de Futebol de 1966, que se disputou na Inglaterra. Argentina foi eliminada nas quartas de final após perder para a Seleção da Inglaterra.
A Argentina iniciou o ciclo da Copa do Mundo sob o comando de Horacio Amable Torres, que, aos 36 anos, foi o técnico mais jovem a assumir o comando da seleção argentina. Horácio treinou a equipe no Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1963, um torneio do qual Chile e Uruguai não participaram, e Argentina e Brasil enviaram uma equipe alternativa. A Argentina terminou em terceiro lugar. Em seguida, a Argentina perdeu a Copa Roca de 1963 para o Brasil. Em 1964, Horácio foi substituído por José María Minella, que conseguiu uma vitória impressionante sobre o Brasil de Pelé na Taça das Nações de 1964 e classificou a Argentina para a Copa do Mundo de 1966. No final de 1965, a AFA criou um novo triunvirato com Osvaldo Zubeldía, Antonio Faldutti e Carmelo Faraone. Três jovens treinadores com ideias modernas. A partir de 1º de fevereiro de 1966, um grupo de 28 jogadores começou a treinar. Mas a AFA considerou apenas Zubeldía como técnico, Faldutti seria um mero assistente. Irritado, após um mês de treinamento, Faldutti anunciou sua saída, e Zubeldía pediu demissão também em solidariedade com seu colega.
Em sua primeira partida, a Argentina venceu a Espanha por 2 a 1. A Espanha era a atual campeã da Copa das Nações Europeias de 1964. Após passe de Jorge Solari, Luis Artime abriu o placar aos 65 minutos do primeiro tempo. Pirri empatou aos 71 minutos, após disputar uma bola aérea com Antonio Roma. O passe de Ermindo Onega para Luis Artime, aos 79 minutos do segundo tempo, selou a vitória da Argentina. Na segunda partida, os argentinos empataram em 0 a 0 com a Alemanha, com um homem a menos. "Um bom resultado seria não perder", disse Juan Carlos Lorenzo antes da partida. Faltando vinte minutos para o fim do jogo, Rafael Albretch deu um chute em Uwe Seeler, o que levou o árbitro iugoslavo a expulsá-lo. O jogador nascido em Tucumán fingiu não entender e não quis sair. Os minutos se passaram. O capitão argentino, Antonio Rattín, aproveitou a oportunidade para ensaiar todo o repertório que poucos dias depois o consagraria contra a Inglaterra em Estádio de Wembley. Ele gesticulou, pediu o intérprete, a polícia entrou. O empate sem gols com um homem a menos foi caracterizado quase como uma façanha pela imprensa da época.
A eliminação da Argentina foi recebida pela imprensa local com muitas críticas à organização da Copa do Mundo. A vitória teria coroado o "plano" de tirar o título da América do Sul. Além da derrota da Argentina para a Inglaterra, o Uruguai foi eliminado pela Alemanha em outra partida polêmica, na qual os uruguaios sofreram duas expulsões. O Brasil já havia reclamado que o árbitro havia sido condescendente em jogadas violentas contra Pelé. O brasileiro João Havelange, que se tornaria presidente da FIFA entre 1974 e 1998, acrescentou sua voz às críticas: "A Alemanha jogou contra o Uruguai e o árbitro era inglês. A Argentina jogou contra a Inglaterra e o árbitro era alemão. Qual foi a final? Inglaterra e Alemanha." A expulsão de Rattin é considerada a razão pela qual a FIFA adotou o sistema de cartões amarelos e vermelhos no futebol, que seria implementado na próxima Copa do Mundo. Apesar da decepção da eliminação, a imprensa argentina considerou a participação uma "missão cumprida", pois foi a melhor campanha da equipe desde a Copa do Mundo de 1930.


