Ronaldo Caiado
Ronaldo Ramos Caiado GOMM é um professor, médico, ortopedista e político brasileiro filiado ao Partido Social Democrático (PSD). Serviu como governador do estado de Goiás, cargo que exerceu por dois mandatos consecutivos, entre janeiro de 2019 e março de 2026. Anteriormente pelo mesmo estado, foi deputado federal por cinco mandatos, entre 1991 a 1995 e de 1999 até 2015, e uma vez senador, entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2019, tendo deixado a vaga parlamentar na metade do mandato de oito anos, para assumir o Governo do Estado.
Filho de Edenval Ramos Caiado e Maria Xavier Caiado, Ronaldo Caiado é natural de Anápolis, no interior do estado de Goiás, nasceu em 25 de setembro de 1949 e descende de uma família tradicional da política goiana. Seu avô, Antônio Ramos Caiado, mais conhecido como Totó Caiado, foi deputado federal (1909-1921), senador e um dos mais conhecidos coronéis de Goiás, liderando a oligarquia Caiado entre os anos de 1910 até 1930, quando foi nomeado Interventor federal do Estado por Washington Luís, porém deposto pelo movimento armado da Revolução de 1930, que estabeleceu a Era Vargas. Seu tio, Brasil Ramos Caiado, foi presidente do estado de Goiás entre 1925 e 1929 e senador entre 1929 e 1930. Seu tio avô, Mário de Alencastro Caiado, no entanto, se uniu ao movimento de Vargas, integrando à junta governativa que assumiu o poder em Goiás com a Revolução de 1930, tendo sido ainda constituinte em 1934 e senador de 1935 a 1937. Além disso, Ronaldo Caiado tem vários primos que também foram políticos: Emival Ramos Caiado foi deputado federal entre 1955 e 1971 e senador entre 1971 e 1974; Elcival Ramos Caiado foi deputado federal entre 1975 e 1979; Leonino Di Ramos Caiado foi governador de Goiás entre 1971 e 1975, além de prefeito de Goiânia entre 1969 e 1970; Brasílio Ramos Caiado que esteve por três legislaturas na Câmara dos Deputados (1971-1975, 1979 e 1981-1987); Ibsen de Castro foi deputado federal entre 1983 e 1987, deputado estadual entre 1975 a 1983, e de 1995 a 1999, além de secretário de Estado da Fazenda e Sérgio Ramos Caiado que foi deputado estadual e federal por várias vezes (1975-1979, 1979-1983 e 1983-1987). Sua família também conta com a participação do empresário goiano Emival Ramos Caiado Filho.
Em 1972, Ronaldo Caiado formou-se em medicina na Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Após concluir sua graduação, participou de cursos de atualização, jornadas médicas e semanas de debate em vários estados brasileiros. Além disso, em 1975 Caiado participou do VIII Congresso Pan-Americano do Colégio Internacional de Cirurgiões no Rio de Janeiro, do XX Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia e do V Congresso Brasileiro de Cirurgia da Mão. Já em 1976, também participou do XVI Congresso Brasileiro de Cirurgia e do I Seminário Brasileiro de Pós-Graduação em Cirurgia, ambos ocorridos no Rio de Janeiro. Durante sua estada na França, especializou-se em cirurgia da coluna pelo Serviço de Cirurgia Ortopédica e Traumatológica do Professor Roy-Camille, em Paris e, em 1977, atuou como assistente estrangeiro da Universidade de Paris quando participou do Congresso da Sociedade Francesa de Cirurgia Ortopédica e Traumatologia. Voltando ao Brasil, entre 1978 e 1979 lecionou como auxiliar de ensino no Departamento de Ortopedia e Traumatologia da UFRJ. Já entre 1978 e 1984, durante a sua residência médica, Caiado ministrou aulas para alunos da UFRJ, no Hospital Miguel Couto e em cursos de atualização e congressos nos estados do Rio de Janeiro e da Bahia. Além disso, em 1979 Caiado concluiu seu mestrado em ortopedia e traumatologia também pela UFRJ.
Em 10 de dezembro de 2024, a juíza Maria Umbelina Zorzetti, da 1.ª Zona Eleitoral de Goiânia, condenou Ronaldo Caiado e determinou sua inelegibilidade por oito anos por abuso de poder político durante as eleições municipais de 2024. A denúncia foi realizada pela coligação derrota no pleito da capital goiana em 2024, de Fred Rodrigues (PL). Segundo a decisão proferida pela juíza, Caiado usou a sede de seu governo, o Palácio das Esmeraldas, para realizar eventos de campanha para o seu candidato em Goiânia, o prefeito eleito Sandro Mabel. A magistrada também pediu a cassação de Mabel e da vice-prefeita eleita Coronel Cláudia, que teriam sido beneficiados pelos episódios. Os eventos em questão tratam-se de jantares com lideranças políticas que ocorreram entre sete e nove de outubro, logo após o primeiro turno do pleito. O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, no dia 8 de abril de 2025, decidiu, por unanimidade, derrubar a inelegibilidade de Caiado, Mabel e da Coronel Cláudia. Após a reversão do processo contra o governador goiano, o prefeito e a vice-prefeita goianienses, Fred Rodrigues (PL) afirmou que recorreria ao recurso de defesa do processo, levando a denúncia ao TSE. Porém, alguns dias depois, o partido voltou atrás e decidiu por não dar sequência à ação, com o objetivo de "unir forças por uma só direita".
Candidato à Presidência da República
Ao deixar a presidência da União Democrática Ruralista (UDR) em 1989 e com o restabelecimento das eleições diretas, Ronaldo Caiado candidatou-se à presidência da República pelo Partido Social Democrático (PSD). Obtendo a soma de 488 872 votos, o equivalente a 0,68%, ficou em décimo lugar no pleito e apoiou o candidato vitorioso, Fernando Collor, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), no segundo turno.
Câmara dos Deputados
Em 1990, Ronaldo Caiado elege-se como o deputado federal mais votado de Goiás pelo PSD, alcançando a soma de 98.256 votos. Um mês após sua posse na Câmara dos Deputados, acusou o PSD de ter vendido o horário do programa de TV da legenda para promoção do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, do PMDB. Considerado uma figura destoante dentro do partido, em março foi convidado a se retirar do PSD por defender posições de extrema-direita. Em 1991 e já filiado ao Partido Democrata Cristão (PDC), Caiado destacou-se pela atuação na Comissão de Agricultura e Política Rural e passou a integrar a chamada bancada ruralista no Congresso e, em 1992, foi um dos 38 parlamentares que votaram contra o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, alegando que "o povo brasileiro não suporta mais o retorno de Sarney e Quércia ao poder".
Senado Federal
Nas eleições gerais realizadas em outubro de 2014, Caiado candidatou-se ao Senado Federal e conseguiu eleger-se com 1 283 665 votos (47, 57% dos votos válidos). Durante o mandato, foi eleito, por unanimidade, líder do Democratas no Senado, e atuou como membro titular das comissões de Assuntos Econômicos; de Constituição, Justiça e Cidadania; de Serviços de Infraestrutura; de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle; de Agricultura e Reforma Agrária; da Comissão de Reforma Política do Senado Federal e da Comissão Especial para o Aprimoramento do Pacto Legislativo. Em 31 de março de 2015, o ex-senador pelo DEM, Demóstenes Torres, publicou um artigo no jornal goiano Diário da Manhã, sustentando que Ronaldo Caiado teve despesas das campanhas de 2002, 2006 e 2010 financiadas pelo esquema de Carlinhos Cachoeira. Caiado negou as acusações, afirmando que Demóstenes "tem comportamento típico de um psicopata" e que o estaria acusando com mentiras por ter o mandato de senador cassado em 2012. No mês seguinte, na condição de senador, Caiado foi promovido pela então presidente Dilma Rousseff ao grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito Militar.
Campanha eleitoral antecipada de 2018
Caiado foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás por propaganda eleitoral antecipada, em ação proposta pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). Durante evento no município de Morrinhos, o então candidato a governador fez discurso com pedido expresso de voto para Wilder Morais, pré-candidato à reeleição no senado.
Governador de Goiás
Nas eleições de outubro de 2018, Ronaldo Caiado candidatou-se ao governo do estado de Goiás ao lado do candidato a vice e então deputado estadual, Lincoln Tejota, do Partido Republicano da Ordem Social (PROS). Alcançando a soma de 1 773 185 votos (59,73% dos votos válidos), elegeu-se já no primeiro turno ao vencer Daniel Vilela, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que ficou em segundo lugar com 479 180 votos (16,14% dos votos válidos). Renunciou ao mandato de Senador em janeiro de 2019, pouco antes de ser empossado. Assumiu seu suplente, Luiz Carlos do Carmo. Na posse, o gabinete de Ronaldo Caiado foi composto dos seguintes secretários:
Relação com o bolsonarismo
Durante o início do governo Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado era considerado um aliado próximo do então presidente, compartilhando pautas de direita e posições conservadoras. No entanto, a relação entre ambos começou a se desgastar a partir de 2020, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Enquanto Bolsonaro adotava uma postura contra restrições e contra medidas de isolamento social, Caiado se posicionou a favor da forte atuação das autoridades de saúde, chegando a romper publicamente com o presidente em março daquele ano. Nos anos seguintes, Caiado passou a adotar um discurso mais institucional e moderado, defendendo a autonomia dos estados, o respeito às instituições e a pacificação política. Após os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, criticou publicamente os atos e reafirmou seu compromisso com o estado democrático de direito.
Após Jair Bolsonaro ser declarado inelegível a cargos públicos em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral, Ronaldo Caiado consolidou-se como um dos principais nomes da direita para a sucessão presidencial. Em novembro de 2024, o União Brasil chegou a confirmar sua pré-candidatura. O lançamento oficial ocorreu em 4 de abril de 2025, em evento em Salvador, onde Caiado recebeu a Comenda 2 de Julho e o título de Cidadão Baiano pela Assembleia Legislativa da Bahia. O ato contou com a presença de lideranças como o senador Sergio Moro e o ex-prefeito ACM Neto, evidenciando um esforço inicial de unificação partidária.
Crise no União Brasil e saída
Ao longo de 2025, a viabilidade da candidatura de Caiado pelo União Brasil sofreu desgastes internos. A formação de uma federação partidária com o Progressistas (PP) — sigla que apresentava resistências ao seu nome — e a ausência de apoio irrestrito da cúpula nacional do partido reduziram seu espaço político. Diante desse cenário, o governador iniciou diálogos com legendas como Podemos, Solidariedade e Republicanos. Em janeiro de 2026, Caiado comunicou oficialmente sua saída do União Brasil. Na ocasião, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, chegou a colocar a legenda à disposição do projeto presidencial do goiano, destacando a afinidade com a federação formada entre Solidariedade e PRD.
Filiação ao PSD e disputa interna
Em 27 de janeiro de 2026, Ronaldo Caiado anunciou sua filiação ao PSD, presidido por Gilberto Kassab. A mudança foi articulada junto aos governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), que também integravam a sigla com aspirações presidenciais. A filiação gerou reações divergentes: enquanto Kassab afirmou haver um acordo para que o partido escolha, em abril de 2026, o nome mais competitivo entre os três governadores para disputar o Palácio do Planalto, lideranças de outras siglas criticaram a movimentação. Paulinho da Força, do Solidariedade, declarou que Caiado poderia ter "desistido" da candidatura ao entrar em uma disputa interna incerta dentro do PSD. Caiado, por sua vez, defendeu a estratégia de múltiplas candidaturas de direita no primeiro turno como forma de ampliar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde 1990, é casado com Maria das Graças Landim de Carvalho, natural de Salvador e integrante da União Democrática Ruralista da Bahia, conhecida como Gracinha Caiado, com quem teve quatro filhos. Em julho de 2022, perdeu seu filho mais novo, Ronaldo Caiado Filho, encontrado morto aos quarenta anos na cidade de Nova Crixás (GO). A causa da morte não foi revelada.==Referências==


