Ramón Valdés
Ramón Esteban Gómez Valdés y Castillo foi um ator, humorista e comediante mexicano que celebrizou-se ao interpretar o personagem Don Ramón na série de televisão El Chavo del Ocho (Chaves), além de ter atuado nos mais diversos papéis em outras produções do escritor Roberto Gómez Bolaños, tais como O Chapolin Colorado e Chespirito.
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Primeiros anos
Nascido na Cidade do México em 2 de setembro de 1924, seus pais eram Rafael Valdés Gómez e Guadalupe Castillo. Na família era conhecido como "Moncho" que como todos os outros filhos do casal tinham seus próprios apelidos. Quando tinha dois anos, se mudou com a família para Ciudad Juárez, no estado de Chihuahua, onde seus irmãos, Germán Valdés Tin Tán, Manuel "El Loco" Valdés e Antonio Valdés "El Ratón Valdés" começaram a trabalhar como atores. Assim, Ramón seguiu os passos dos irmãos e também se tornou ator. Era tio do cantor e ator Cristian Castro, filho do seu irmão El Loco.
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Atuação no cinema
No início da carreira atuou em pequenos filmes, junto com seu irmão Tin Tán (na maioria das vezes), e também com papéis nos filmes de Pedro Infante e Cantinflas. Durante a Época de Ouro do cinema mexicano, Ramón foi um veterano no cinema, trabalhou em mais de 50 filmes, nos quais destacam-se "Calabacitas tiernas" (1949), "El rey del barrio" (1950), "Soy Charro de Levita" (1949), "La marca del Zorrillo" (1950), "Fuerte, audaz y valiente" (1963) e "El capitán Mantarraya" (1973).
Chespirito e os anos de fama
Embora tenha dedicado a maior parte de seu trabalho ao cinema, a carreira de Ramón atingiu seu ápice na TV, com El Chavo del Ocho, que no Brasil passou a se chamar simplesmente de Chaves. Em 1968, Roberto Gómez Bolaños, mais conhecido como Chespirito, o convidou para fazer parte de seu elenco ao lado da atriz María Antonieta de las Nieves (Chiquinha) e Rubén Aguirre (Professor Girafales). Juntos, dão início ao programa Los supergenios de la mesa cuadrada, que em 1970 se transformou no Programa Chespirito e durou até 1973.[carece de fontes?] Em 1970, Chapolin Colorado estreia e em 1972 é a vez de El Chavo del Ocho. Embora tenha se destacado como Seu Madruga, Ramón Valdés fez várias outras interpretações, como o pirata Alma Negra, Tripa Seca e a paródia aos EUA Super Sam.
Saída dos programas de Chespirito
Apesar da fama e reconhecimento, em 1979, Valdés se retirou dos programas de Chespirito. Na época, Ramón estava precisando de dinheiro para quitar uma casa e pediu um empréstimo a Chespirito, mas ele não lhe concedeu o empréstimo. Ao mesmo tempo, Ramón recebeu um convite para trabalhar em um circo, onde iria ganhar muito dinheiro. Assim, por questões financeiras, Ramón decidiu ir trabalhar no circo e deixar os programas de Chespirito. Mas este não teria sido o único motivo da saída. Nos bastidores, comentou-se que Ramón estava insatisfeito com a direção do programa e já não trabalhava com a mesma alegria — o que também o fizera decidir sair. Em uma entrevista, Esteban Valdés, filho do ator, declarou que a saída de seu pai foi porque Florinda Meza, então esposa de Gómez Bolaños — embora ambos tenha formalizado o casamento apenas em 2004 —, começou a interferir na direção e queria o controle total sobre o programa. Essa situação teria causado desconforto para Valdés, preferindo receber ordens apenas de Gómez Bolaños, a quem lhe devia sua fama. Sua saída seguiu-se à de Carlos Villagrán, que ocorreu meses antes. Após deixar o elenco, Ramón ficou um tempo se dedicando a projetos pessoais. Trabalhou no Circo Orins, onde fez shows por todo o México e em parte da América do Sul. Também esteve no filme "Okey Mister Pancho" (1981).
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Foi casado três vezes e teve dez filhos. Sua primeira esposa foi Ermelinda Andrade, com quem teve os filhos Rafael e Ramón; com a segunda esposa, a cantora Aracely Julián (do trio "Las Hermanas Julián"), teve mais cinco fihos: Aracely, Gabriela, Esteban, Carmen e Selene; e, de seu casamento com Claudia Akel, teve Jorge, Diana e Miguel. No futebol, Ramón Valdés era torcedor do Necaxa.
Doença e morte
Em 1985, dois tumores malignos foram descobertos em seu estômago e em seu pulmão, mas a família de Ramón decidiu não contar a ele por temer sua reação e pediu aos médicos que fizessem o mesmo. Mesmo sem nunca ter sabido da doença e ter continuado a trabalhar, Ramón viajou em turnê ao Peru em 1988, mas sentiu-se mal ao desembarcar do avião e precisou voltar ao México, sendo internado logo em seguida. Valdés era um fumante muito ativo, não largando o vício nem mesmo quando permaneceu internado. Passou a maior parte dos seus últimos dias sedado após mais de dois meses internado no Hospital Santa Lena por conta das fortes dores. No dia 9 de agosto de 1988, morreu aos 63 anos de idade, devido a um câncer de estômago que se espalhou pelo corpo e atingiu a sua coluna vertebral. Encontra-se sepultado no cemitério Mausoleos del Ángel, na Cidade do México.
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Até hoje, Ramón Valdés tem um grande número de fãs e é considerado um dos melhores comediantes da América Latina. No Brasil, o Seu Madruga, personagem de Ramón no seriado Chaves, é extremamente cultuado e muitas pessoas o tem como o personagem favorito da série, entretanto o ator não chegou a visitar o Brasil em vida. Em 2010, foi lançado o livro Seu Madruga - Vila e Obra, escrito por Pablo Kaschner. Em 2012, fãs brasileiros visitaram o cemitério onde Ramón Valdés e Angelines Fernández estão enterrados, na Cidade do México. Na ocasião, os fãs encontraram os túmulos dos dois em mau estado de conservação e ajudaram a repará-los. Como forma de tributo, os fãs também repuseram algumas letras que faltavam nas lápides. Em 2018, um dos filhos de Ramón, Esteban Valdés, anunciou que iria fazer um documentário sobre o seu pai. No mesmo ano, Esteban e Miguel Valdés, um dos netos de Ramón, vieram ao Brasil para gravar imagens do documentário com fãs brasileiros de Chaves. Em maio de 2019, Esteban divulgou o primeiro teaser do documentário, que se chama Con permisito dijo Monchito. O documentário foi publicado no youtube, dividido em vários episódios.


