Antônio Maria
Antônio Maria Araújo de Morais foi um cronista e compositor brasileiro. Muito além, foi o primeiro "multimídia" brasileiro. destacando-se também como locutor esportivo, jornalista, apresentador, produtor, diretor de rádio e televisão e, finalmente, boêmio. É considerado um dos reis do samba-canção, tendo também composto polcas, frevos, marchinhas de carnaval, valsas e sambas. Morto prematuramente aos 43 anos, foi uma das figuras mais marcantes das noites cariocas nas décadas de 1950 e 1960.
Imagem: Prburley · BY · Openverse
Infância
Nascido em família de usineiros em Pernambuco, na infância aprendeu piano e francês. Durante a adolescência sua família enfrenta grave crise financeira e Antônio Maria perde seu pai. Estuda no colégio Marista, onde torna-se amigo de Fernando Lobo com quem futuramente dividirá a parceria em várias canções.
Início de carreira
Aos dezessete anos já era apresentador de programas musicais na Rádio Clube Pernambuco. Em 1940, muda-se para o Rio de Janeiro no ita Almirante Jaceguai. No Rio, tornou-se locutor esportivo na Rádio Ipanema. Antônio Maria mudou-se então para o Edifício Souza, na Cinelândia, apartamento 1005. Ali era vizinho dos também pernambucanos Fernando Lobo e Abelardo Barbosa, que então ainda não era o famoso Chacrinha. Moravam também ali Dorival Caymmi e o pintor Augusto Rodrigues. Essa primeira estada no Rio de Janeiro durou apenas 10 meses, período no qual Antônio Maria não vingou na carreira profissional. Em Maio de 1944, retorna ao Recife e casa-se com Maria Gonçalves Ferreira.
De volta ao Rio
Maria volta ao Rio de Janeiro em 1947, com dois filhos, e vai trabalhar como diretor artístico na Rádio Tupi. Assis Chateaubriand então o convida para ser o primeiro diretor de produção da TV Tupi, inaugurada em 20 de janeiro de 1951. A partir desse período, Maria começa a escrever suas crônicas jornalísticas, espinha dorsal de sua obra literária. Em O Jornal, escreve crônicas diárias por mais de 15 anos, assinando as colunas "A Noite É Grande" (até 1955) e "O Jornal de Antônio Maria", nesse mesmo jornal. Manteve também em O Globo a coluna "Mesa de Pista", em 1959, e foi então para o Última Hora. Lá voltou a escrever "O Jornal de Antônio Maria" e inaugurou "Romance Policial de Copacabana", com crônicas e reportagens da capital carioca.
Jingles publicitários
Maria compôs diversos jingle publicitários para o rádio, entre eles o famoso jingle de Aurissedina: Se a criança acordou / Dorme, dorme filhinha / Tudo calmo ficou / Mamãe tem Aurissedina
Composições musicais
Antônio Maria compôs diversos sucessos populares em parceria com vários amigos. Nora Ney invadiu as rádios brasileiras com "Menino Grande" e "Ninguém me ama". Também são de Maria "Valsa de uma cidade" e "Canção da Volta", gravada por Ismael Neto. "Manhã de Carnaval" e "Samba do Orfeu" foram parcerias com Luís Bonfá em 1959. "O Amor e a Rosa" e "As Suas mãos" e "Se eu Morresse Amanhã" foram parceria com o compositor Pernambuco. No total, 62 composições de Maria foram gravadas. Entre seus outros parceiros também se incluíam Fernando Lobo, Moacyr Silva, Vinícius de Moraes, Zé da Zilda e Reynaldo Dias Leme. Entre os intérpretes, Nora Ney, Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Lúcio Alves, Dóris Monteiro, Jamelão, Ângela Maria, Aracy de Almeida, Agostinho dos Santos, Dircinha Batista, Luiz Bandeira e Claudionor Germano. O cantor estadunidense Nat King Cole gravou "Ninguém me ama" e "Tuas mãos".
Morte
Maria teve problemas cardíacos desde quando era criança. "Cardisplicente", como ele mesmo se descrevia, morreu na madrugada de 15 de outubro de 1964, em Copacabana, fulminado por um enfarte do miocárdio.


