Antonio Maceo
José Antonio de la Caridad Maceo y Grajales, conhecido simplesmente como Antonio Maceo, foi um militar cubano, segundo em comando do Exército Libertador de Cuba durante a Guerra da Independência.
Seu pai Marcos Maceo era um mulato venezuelano, fazendeiro e comerciante de produtos agrícolas e sua mãe, Mariana Grajales, uma mulata filha de pais dominicanos. Por ironia do destino, quando jovem seu pai havia lutado ao lado dos espanhóis contra as forças libertadoras de Simón Bolívar e José Antonio Páez. Em 1823, ele se mudou de Caracas para Santiago de Cuba após ser exilado da América do Sul; consegui isso devido a corrupção que imperava na ilha — característica da monarquia espanhola na época — já que a Real Cédula de 1817 proibia a entrada de imigrantes não-brancos em Cuba. José Antonio de la Caridad Maceo y Grajales nasceu no dia 14 de junho de 1845 em San Luis, na província do Oriente, nos arredores de Santiago de Cuba, em uma fazenda conhecida pelos moradores locais como Jobabo. Embora seu pai tenha lhe ensinado a manusear armas de fogo e gerir suas pequenas propriedades, foi sua mãe quem lhe incutiu o senso de ordem. Essa disciplina materna seria importante no desenvolvimento do caráter de Maceo e seria refletida mais tarde em seus atos como líder militar.
Aproximadamente duas semanas após a revolta de 10 de outubro de 1868 liderada por Carlos Manuel de Céspedes contra a Espanha conhecida como o "Grito de Yara", Maceo, junto com seu pai e irmãos entrou para a guerra. Os Maceos se alistaram como soldados quando a Guerra dos Dez Anos (1868-1878) começou. Dentro de cinco meses, Antonio Maceo foi promovido a comandante (ou major) e, em questão de semanas depois, foi novamente promovido a tenente-coronel. Mais tarde, uma promoção para o coronel se seguiu, e cinco anos depois ele foi promovido ao posto de general de brigada por causa de sua bravura e capacidade de superar o exército espanhol. Maceo participou de mais de 500 batalhas. No entanto, a origem humilde de Maceo e a cor de sua pele atrasaram sua ascensão ao posto de major-general, devido principalmente às tendências racistas e classistas de vários outros patriotas de origem aristocrata ou burguesa. Os homens sob o comando de Maceo começaram a nomeá-lo "Titã de Bronze" devido à sua excepcional força física e resistência a ferimentos de bala ou lâmina. Ele se recuperou de mais de 25 ferimentos de guerra ao longo de cerca de 500 batalhas militares e nenhum dos ferimentos diminuiu sua disposição de liderar suas tropas em combate.
Após uma curta estadia no Haiti, onde foi perseguido e enfrentou tentativas de assassinato pelos consulados espanhóis, e também na Jamaica, Maceo acabou se instalando na província de Guanacaste, na Costa Rica. O presidente da Costa Rica designou Maceo a uma unidade militar e forneceu-lhe uma pequena fazenda para viver. Maceo foi contatado por José Martí e instado a iniciar a Guerra de 1895, chamada por Martí de "guerra necessária". Maceo, com a experiência e a sabedoria adquiridas em fracassos revolucionários anteriores, argumentou que havia uma série de impedimentos ao sucesso militar em uma breve e intensa conversa com Martí, alertando sobre as causas da derrota parcial na Guerra dos Dez Anos (1868–78). Martí respondeu com sua fórmula de “exército livre; mas o país, como um país com toda a sua dignidade representada” e convenceu Maceo das altas probabilidades de sucesso se a guerra fosse preparada com cuidado. Como pré-condição, Maceo exigiu que o comando mais alto estivesse nas mãos de Gómez, o que foi aprovado sem reservas pelo Presidente do Partido Revolucionário Cubano (Martí). Na Costa Rica, ele enfrentou, arma na mão, outra tentativa de assassinato por agentes espanhóis na saída de um teatro, com resultado fatal para um dos agressores.
Em 1895, junto com Flor Crombet e outros oficiais inferiores, Maceo desembarcou nas proximidades de Baracoa (perto da ponta oriental de Cuba) e após repelir uma tentativa espanhola de capturá-lo ou matá-lo, ele entrou nas montanhas daquela região. Após muitas dificuldades, conseguiu reunir um pequeno contingente de homens armados, que rapidamente cresceu com outros grupos rebeldes da região de Santiago de Cuba. Na fazenda "La Mejorana", Maceo teve um encontro histórico, porém infeliz, com Gómez e Martí; por causa das divergências entre ele e Martí sobre a questão da relação entre os movimentos militares e o governo civil, cuja constituição Maceo era contra, mas Martí, conhecendo os dois lados do problema, defendeu sua fórmula. Vários dias depois, Martí, tratado como "Doutor" não-militar por Maceo, cairia em batalha em Dos Ríos (confluência entre os rios Contramaestre e Cauto). Depois que Gómez foi designado General em Comando do Exército Libertador de Cuba, Maceo foi nomeado Tenente General (segundo em comando após o General em Comando). Começando de Mangos de Baraguá (lugar do protesto histórico em frente a Martínez-Campos), Maceo e Gómez, no comando de duas colunas de mambises, assumiram brilhantemente a tarefa de invadir o Oeste de Cuba, percorrendo mais de 1 600 quilômetros em 96 dias. Após vários meses sangrando as forças espanholas em Havana e Pinar del Río, Maceo chegou em Mantua, no extremo Oeste de Cuba, em outubro de 1896, depois de derrotar por muitas vezes as forças técnica e numericamente superiores dos espanhóis (ocasionalmente cinco vezes maiores do que as forças cubanas).
Seus planos de se encontrar com Gómez e o governo de armas nunca se concretizaram. No dia 7 de dezembro de 1896, nos arredores de Punta Brava, Maceo estava avançando para a fazenda de San Pedro, acompanhado apenas de sua escolta pessoal (dois ou três homens), o médico do seu quartel-general (que entregou sua localização para o coronel espanhol Francisco Cirugeda), o general de brigada José Miró Argenter e uma pequena tropa de não mais que vinte homens. Quando tentaram cortar uma cerca para facilitar a marcha de cavalos por aquelas terras, foram detectados por uma forte coluna espanhola, que abriu um fogo intenso. Maceo foi atingido por dois tiros, um no peito e outro que quebrou sua mandíbula e penetrou seu crânio. Seus companheiros não puderam carregá-lo por causa da intensidade do tiroteio e do tamanho de Maceo. O único rebelde que ficou com ele foi o tenente Francisco Gómez (conhecido como Panchito), filho de Máximo Gómez, que enfrentou a coluna espanhola com o único propósito de proteger o corpo do seu general. Depois de ser baleado várias vezes, os espanhóis mataram Gómez com golpes de facão, deixando os dois corpos abandonados, sem saber a identidade dos que caíram.
Além de seu papel como soldado e estadista no movimento cubano pela independência, Maceo foi um influente estrategista político e planejador militar e José Martí está entre os líderes cubanos que foram inspirados por Maceo. Sendo um membro de maçonaria, em sua correspondência pode-se ler mais de uma vez o seu credo base em "Deus, Razão e Virtude". Ele foi citado como tendo um lema estrito: "Meus deveres para com o meu país e com minhas próprias convicções políticas são acima de tudo esforço humano; com estes eu alcançarei o pedestal da liberdade ou perecerei lutando pela redenção do meu país." (3 de novembro de 1890). Martí, falando sobre ele, disse que "Maceo tem tanta força em sua mente quanto em seu braço". De adesão política democrática, ele expressou muitas vezes sua simpatia pelo modelo republicano de governo, mas insistiu em buscar a fórmula de "liberdade, igualdade e fraternidade", lembrando os princípios bem conhecidos mas quase nunca aplicados da Revolução Francesa e definindo uma política pela busca por justiça social. Estando em uma reunião de jantar em uma visita muito curta a Santiago de Cuba durante a "Trégua Frutífera", foi convidado a fazer um brinde e uma frase foi dita por um jovem para um desejo de anexar Cuba aos Estados Unidos e transformar Cuba em "outra estrela na constelação dos Estados Unidos". Sua resposta foi "Eu acho que essa seria a única ocasião em que eu colocaria a minha espada do mesmo lado que as dos espanhóis." E prevendo o crescimento do expansionismo norte-americano (ele estava absolutamente convencido da inevitável vitória das armas cubanas), ele expressou em uma carta a um amigo: "Aquele (país) que tenta se apoderar de Cuba, juntará o pó de seu chão encharcado de sangue, se não perecer na luta."
Monumentos
Existem monumentos de Maceo em Santiago de Cuba e em Havana, localizado entre o Malecón e a frente do Hospital Clínico Quirúrgico "Hermanos Ameijeiras" no Centro de Havana.


