Santuário da Virgem de Alba
O Santuário da Virgem de Alba é um local de devoção mariana nas Astúrias, localizado a 1200 metros de altitude na Peña de Alba, em Quirós. De lá, a vista panorâmica das montanhas e paisagens é deslumbrante, com a possibilidade de avistar o mar. Picos como Pelitrón, Toriezo, Peñarueda, Fontán (o mais alto da região com 240m), Cigalia (2000m) e o conhecido Gamoniteiro (1782m) cercam a Peña de Alba, oferecendo uma vista completa da área montanhosa de Quirós.
Pontos-chave
- O Santuário da Virgem de Alba oferece vistas espetaculares das montanhas das Astúrias.
- O pico do Gamoniteiro, com 1782m, é um desafio para ciclistas e abriga antenas de rádio e TV.
- A construção canônica do santuário data de 1581, autorizada pelo Papa Pio V.
- A lenda local narra a história de uma jovem pastora e um milagre envolvendo um cabrito.
- A devoção à Virgem de Alba é marcada por favores, milagres e tradições como a cavalgada de Lena.
O Pico do Gamoniteiro, com 1782m, é um ponto de referência nas Astúrias. No seu cume, encontram-se antenas de rádio e televisão que cobrem a região central asturiana. Para os entusiastas do ciclismo, a subida ao Gamoniteiro, assim como a do Porto da Cobertoria, representa um desafio significativo, tanto para ciclistas de competição quanto para cicloturistas. O acesso pode ser feito por Pola de Lena, com um desvio sinalizado que inicia a desafiadora ascensão. Alternativamente, pode-se subir a Cobertoria e, após a descida, pegar o mesmo desvio. A altimetria detalhada revela 16,4 km de distância, 1462m de desnível, uma inclinação média de 8,91% e um coeficiente de dificuldade de 430, com as inclinações mais acentuadas (12-17%) nos últimos três quilômetros. Para comparação, o Gamoniteiro supera em dificuldade o Tourmalet (320-340) e o Pajares (230).
A fundação canônica do Santuário da Virgem de Alba ocorreu em 1581, por meio de uma Bula Papal emitida pelo Papa Pio V. Antes de se tornar Papa, Pio V era conhecido como Frei Miguel de Alejandria e era originário de Alessandria, na Itália. Ele estudou filosofia e teologia, doutorando-se em Bolonha e sendo ordenado sacerdote em 1528. Pouco tempo após sua nomeação papal, foi designado Prior de Alba.
A Lenda da Pastora
A lenda conta a história de Maria, uma jovem de Villar com dez irmãos menores. Ela era obrigada a levar as ovelhas para pastar no monte desde o amanhecer até o entardecer, recebendo pouca comida. Apesar das dificuldades, Maria ia alegremente, recolhendo flores para oferecer a uma bela senhora que habitava uma gruta na Peña de Alba. Um dia, um lobo atacou e devorou uma cabritinha, aterrorizando Maria. Temendo a punição da madrasta, ela buscou refúgio na gruta e pediu ajuda à senhora, que também aparecia em seus sonhos. Neste momento, um cabrito idêntico ao que foi devorado surgiu diante dela, um sinal de intervenção divina.
O Santuário da Virgem de Alba possui uma construção simples, sem grandes destaques arquitetônicos, possivelmente devido às dificuldades de acesso. Embora tenha sido ampliado modestamente no passado, ainda é o único santuário nas Astúrias sem uma estrada de acesso direto. Em 14 de agosto de 1987, durante uma visita, foram encontrados os restos da antiga Casa das Nonas. Eclesiasticamente, o santuário pertence à paróquia de Salcedo. O edifício é composto por uma única nave e sacristia, abrigando um retábulo do século XVIII que destaca a imagem da Virgem de Alba. A imagem da Virgem é vestida, com apenas o rosto, as mãos e os pés esculpidos.
A devoção à Virgem de Alba é enriquecida por inúmeros favores e milagres atribuídos à sua intercessão. Dois exemplos notáveis ilustram a força dessa fé. No século XIX, durante a insurreição em Cuba, um soldado espanhol de Quirós, prestes a ser fuzilado, invocou a Virgem de Alba. Surpreendentemente, o líder insurreto, também originário de Quirós, ordenou a suspensão do fuzilamento, salvando o soldado. Outro caso ocorreu durante a Guerra Civil Espanhola de 1936, quando um sacerdote de Quirós, preso em Gijón e prestes a ser fuzilado por um grupo marxista, clamou pela Virgem de Alba e Frei Melchor. Um miliciano, ao ouvir a invocação, aproximou-se e perguntou se ele era de Quirós, demonstrando o alcance da devoção.
Devido às dificuldades de acesso, o culto oficial no Santuário da Virgem de Alba concentra-se em sua festividade, celebrada em 15 de agosto, dia da Assunção de Maria, também conhecido como Dia da Virgem de Agosto. Peregrinos de Quirós e das regiões vizinhas, como Lena, Morcín, Proaza, Riosa, Grau, Oviedo e Trubia, comparecem em grande número. O poeta ovetense Antonio Fernández B. descreveu em 1932 e 1933 a experiência de ouvir foguetes de diferentes santuários, como o da Virgem de Trubaniello e o da Virgem do Cébrano em Teverga, ecoando simultaneamente. Uma tradição marcante do município de Lena, que perdurou até 1950, era a cavalgada anual ao santuário. Por volta das cinco da manhã, mais de cem cavaleiros se reuniam na praça da igreja de Pola de Lena para subir ao santuário, partindo de diversas localidades e tendo As Morteiras como ponto de descanso. Essa marcha era preparada com meses de antecedência, e o trecho final, devido ao estreitamento do caminho, era percorrido em fila única.
Visita de São Melchor de Quirós
Frei Melchor García Sampedro, posteriormente canonizado, nasceu em 28 de abril de 1821 em Cortes, no concelho de Quirós. Mudou-se para Arrojo, próximo ao desvio para o Santuário da Virgem de Alba. Antes de ingressar no convento dos Dominicanos em Ocaña, ele nutria uma profunda devoção pela Virgem de Alba, tendo crescido nas proximidades da Peña de Alba. Ele desejava realizar sua primeira missa no santuário, mas não pôde concretizar esse desejo, apesar de ter feito a peregrinação a pé, acompanhado de sua mãe.


