Pesquisa · Mapa mental

António de Vasconcelos Xavier

António de Vasconcelos Xavier ComSE foi um cientista português, da área de Bioquímica. Considerado pioneiro em Química Bioinorgânica e um dos responsáveis pelo desenvolvimento desta como ciência autónoma a nível mundial, centrou a sua investigação nos campos da Bioquímica, Química Proteica e Enzimologia, através da criação de grupos de investigação interdisciplinares.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/08/2026
01

Vida

Formação académica

António Xavier iniciou a Licenciatura em Engenharia Química em 1962, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto mas transferiu-se para o Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa em 1965, onde terminou o curso quatro anos mais tarde. Em 1969, António Xavier tomou contacto com Robert D. Gillard num ciclo de conferências no Instituto Superior Técnico (IST). Este contacto despertou o seu interesse pelo papel dos iões metálicos em sistemas biológicos. Passou algum tempo em Oeiras no Instituto Gulbenkian de Ciência, tendo então candidatado-se a uma bolsa de estudos da Fundação Gulbenkian de modo a prosseguir o doutoramento na Universidade de Oxford. António Xavier pôde partir para Oxford acompanhado pela sua esposa Maria Francisca Xavier e com a recomendação do Prof. João Fraústo da Silva mesmo antes de haver conhecimento sobre o resultado da avaliação, graças a um empréstimo bancário. Ingressou então no laboratório do professor Robert J.P. Williams, colaborando com o Prof. Evert Nieboer.

Como investigador independente

Ingressou entretanto na Wolfson College da Universidade de Oxford, como Junior Research Fellow. No entanto, deixou este cargo e recusou convites de instituições como a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, voltando em 1973 para Portugal, para o Centro de Química Estrutural do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Foi professor auxiliar neste instituto em 73/74, fundando em simultâneo o grupo de Biofísica Molecular. Após quatro anos de trabalho, doze artigos científicos com o seu nome haviam sido publicados, um dos quais na revista Nature. Ingressou na então recém-fundada Universidade Nova de Lisboa (UNL) como Professor Associado na Faculdade de Ciências e Tecnologia.

A fundação do ITQB

Em 1986 fundou, juntamente com o Prof. Carlos Portas, o Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa (ITQB) como Presidente da Comissão Instaladora (cargo que manteve até 1998). Criou grupos de trabalho interdisciplinares juntando a Bioquímica, os métodos analíticos, a genética molecular e a microbiologia. Este instituto, juntamente com o Instituto Gulbenkian de Ciência, constituiu um dos primeiros quatro laboratórios associados do país, e no que brevemente se iria tornar no grupo mais conhecido e produtivo de Portugal. Foi nomeado membro da Academia das Ciências de Lisboa em 1990.

Últimos anos

Em 1999, António Xavier decidiu libertar-se de cargos administrativos, tendo inclusivamente recusado o cargo de director do ITQB após a conclusão da sua instalação, e dedicar-se mais ao trabalho científico. Em 26 de Novembro de 2000, o Diário de Notícias publicou um artigo dando conta de uma descoberta de cientistas portugueses publicada na revista Nature Structural Biology em que estes identificam a estrutura da enzima Citocromo c oxidase, que permite que as bactérias redutoras de sulfato na presença de oxigénio façam ATP, transformando Oxigénio em Água numa proporção de 1 para 2, através da reconstrução da cadeia deste metabolismo: "São quatro páginas e meia que significam o culminar de uma década de trabalho e revelam a estrutura de uma enzima presente nas bactérias redutoras de sulfato (…) estas bactérias anaeróbias (não respiram oxigénio, como nós, mas sulfato) são vulgares e estão disseminadas por vários meios (…) Estas bactérias são, aliás, as maiores responsáveis pela corrosão biológica. Influenciam-nos muito mais do que poderíamos pensar, sintetiza o investigador António Xavier, um dos líderes da pesquisa".

02

Ressonância magnética nuclear

Apesar de utilizar várias técnicas espectroscópicas, a espectroscopia de ressonância magnética nuclear era a sua metodologia de eleição. A técnica, dispendiosa e altamente dependente de avanços constantes da tecnologia, exige a angariação de fundos consideráveis para permitir competir a nível internacional. O espectrómetro de 90 MHz depressa se tornou inadequado e obsoleto; em 1979, António adquiriu um 300 MHz, instalado no Centro de Química Estrutural do IST, e em 1989 conseguiu apetrechar o ITQB com um segundo 300 MHz e um 500 MHz. Na planta do novo edifício do ITQB planeou a sala destinada a receber um dia um espectrómetro de NMR de campo alto: uma sala espaçosa, desligada do edifício principal para evitar vibrações e com uma cúpula transparente em forma de pirâmide, esta só viria a ser inaugurada em 2007. O processo de aquisição do espectrómetro de 800 MHz para a Rede Nacional de Ressonância Magnética Nuclear, em que o António Xavier se empenhou activamente, demorou demasiado tempo (a atribuição foi feita na altura do seu falecimento), não lhe permitindo ver finalmente a sua "pirâmide" dignamente mobilada.

03

Obra

António Xavier publicou cerca de 250 trabalhos científicos, maioritariamente na área das metaloproteínas e mecanismos de transdução de energia em microorganismos. Seguem-se algumas publicações relevantes:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando