António de Saldanha da Gama
D. António de Saldanha da Gama, conde de Porto Santo, foi um aristocrata, militar da Armada e político que, entre outras funções, se distinguiu como diplomata e administrador colonial. Antes de completar 30 anos de idade já tinha sido nomeado governador e capitão-general do Maranhão (1802), vogal do Conselho do Ultramar (1806) e governador-geral de Angola (1807). Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros e interinamente Ministro da Fazenda. Foi sócio honorário da Academia Real das Ciências de Lisboa e membro da Maçonaria.
Foi filho de D. Manuel de Saldanha da Gama, moço fidalgo e membro do Conselho do Ultramar, e de D. Francisca Joana Josefa da Câmara, uma dama de origem madeirense, sendo natural de Lisboa, freguesia de Santos-o-Velho. Seguiu a carreira militar, como oficial de Marinha, tendo-se reformado no posto de chefe-de-esquadra da Armada Real. Na sua carreira militar foi ajudante-de-campo do príncipe Augusto de Inglaterra, duque de Sussex. O seu primeiro cargo político foi o de governador e capitão-general do Maranhão, para o qual foi nomeado em 1802. Logo em 1806 foi nomeado vogal do Conselho do Ultramar, cargo que fora exercido por seu pai, e em 1807 foi escolhido para governador-geral de Angola, funções que exerceu até 1810. Durante o seu mandato como governador-geral de Angola empenhou-se na modernização económica e administrativa da colónia tendo realizado uma importante obra de fomento. Foi naquele período que se iniciou a extração de minério de ferro e cobre em Angola e se testou a extração de enxofre na região de Benguela. No campo da agricultura, realizaram-se experiências destinadas à introdução das culturas de goma copal e de cardamomo. Para fornecer montadas às forças militares, estabeleceu uma coudelaria na região do Dondo. Com o objectivo de pacificar o território, isentou os povos indígenas de alguns tributos. No campo administrativo restabeleceu a Aula de Matemática na cidade de Luanda, cidade onde promoveu a construção do primeiro cemitério que ali existiu. Também promoveu, sem sucesso, as primeiras tentativas de travessia do continente africano desde a costa atlântica angolana até Moçambique.


